A Volkswagen Parati GLS 1994 com motor 1.9 forjado de 250 cavalos!

Fotos e texto | Júlio Max, de Teresina (PI)
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Nos dias atuais, o segmento de station wagons, ou peruas, está praticamente extinto no Brasil. Hoje, são oferecidas apenas algumas poucas opções importadas, e no começo de 2020, deixou de ser produzida a última perua nacional, a Fiat Weekend - sua principal rival, a VW SpaceFox, deu adeus ao mercado em 2019. Mas houve uma época em que esta carroceria era bastante popular em terras tupiniquins, principalmente entre as décadas de 1980 e 1990. Não faltavam opções de peruas para o público, e a Volkswagen Parati era uma das mais bem-sucedidas daqueles tempos. Lançada no País em 1982, nos anos 90 ela rivalizava com a Elba, da Fiat, e a Ipanema, da Chevrolet.

O exemplar que ilustra esta matéria é uma Parati GLS na cor Vermelho Styllus, uma cor que saiu somente no ano-modelo 1994 - era a mesma tonalidade disponível para o Gol GTi, também só para o modelo 94. A versão GLS era a topo-de-linha da perua, e se diferenciava das opções CL e GL na parte de fora ao trazer faróis de neblina, para-brisa degradê, frisos laterais na cor Cinza Urânio com a inscrição GLS 1.8 e antena no para-lama dianteiro esquerdo. Neste exemplar, ainda temos rodas de liga leve Weld Racing Magnum de cinco círculos e 15 polegadas, calçadas com pneus 195/50, e curiosamente uma antena de teto.

Na parte interna, o volante "quatro bolas" tem o mesmo desenho do Gol GTi. O acabamento da Parati GLS é de boa qualidade, com portas revestidas em curvim e tecido, laterais traseiras também revestidas em curvim e carpete navalhado revestindo o assoalho, o compartimento do porta-malas e até a capa do estepe. 

Nesta versão, os bancos dianteiros eram Recaro (com ajuste de altura para o assento do motorista), mas a padronagem do tecido navalhado era diferente para a perua e os encostos de cabeça eram inteiriços na Parati GLS e vazados no Gol GTi.

A partir do ano-modelo 1994, a Parati passou a ter direção hidráulica na versão GLS. O quadro de instrumentos desta versão era o único a trazer conta-giros, relógio digital e velocímetro com indicação até 220 km/h (nas outras versões, até 200 km/h).

Ela vinha com os comandos-satélite integrados à cúpula do quadro de instrumentos. No lado esquerdo, as teclas acionam os faróis de neblina, as lanternas e a graduação do brilho dos instrumentos internos. Do lado direito ficam os comandos do pisca-alerta e do desembaçador.

A lista de equipamentos também incluía chave de ignição com iluminação, rádio/toca-fitas com porta-fitas no console, travamento central das portas, vidros e retrovisores elétricos, luzes no cofre do motor, cinzeiro, porta-luvas e porta-malas; banco traseiro bipartido e ar quente - ar-condicionado era o único opcional.

Neste exemplar, as poucas modificações internas foram: a iluminação em LED de teto, capô e instrumentos, a chave (agora uma do tipo canivete), a instalação da interface da Fuelech (com um indicador analógico de pressão do turbo ao lado) e o rádio, com funcionalidades mais atuais como a entrada USB.

Do ponto de vista prático, a primeira geração da Parati não era lá a melhor opção, por ter apenas duas portas (obrigando os ocupantes dianteiros a sair primeiro e rebater o banco para a frente para quem estiver atrás sair) e vidros laterais traseiros fixos, o que obrigava a abertura dos vidros e quebra-ventos ou a utilização do ar-condicionado, uma raridade naqueles tempos. E além disso, o tamanho do porta-malas era um pouco menor que o da Elba e da Ipanema. Mas do ponto de vista do motorista, a história era completamente inversa.

Originalmente com o motor 1.8 S AP e o câmbio manual de 5 marchas de engates fáceis, a Parati era uma das melhores peruas de se dirigir. Aliás, já constatamos pessoalmente este fato em outra matéria que fizemos há alguns meses com um Voyage CL 1.8 AP 1991 (confira aqui). 

Mas o detalhe é que este exemplar da Parati está bastante mexido mecanicamente. O motor, forjado, passa a ser 1.9, e tem rendimento aproximado de 230 a 250 cavalos de acordo com seu proprietário, o preparador físico Alisson Rossy. Ela foi turbinada e roda com aproximadamente 1,7 kg de pressão de turbina.

Originalmente carburada - o que foi uma dor de cabeça para o dono no início - ela agora possui uma injeção eletrônica programável FuelTech FT350. O escape da perua também é modificado.

Para 1995, uma das poucas mudanças na Parati foi a logotipia "GLS", que deixou de vir gravada no friso no para-lama traseiro e passou a ser colada nos para-lamas dianteiros. No final de 1995, estreava a segunda geração da Parati, a "Bola", com injeção eletrônica em todas as versões, mas ainda somente com carroceria de duas portas - o aguardado modelo 4 portas só foi apresentado no fim do ano de 1997. Mas na "Geração III", em 1999, foram enterradas as versões de duas portas. A Parati ainda teve em 2005 a "Geração 4", considerada por muitos entusiastas da família Gol como a fase menos gloriosa do modelo, com acabamento simplificado e soluções de estilo controversas. Outrora a "station wagon mais jovem do País", a Parati deixou de ser fabricada em 2012 após 925 mil unidades produzidas sem maiores glórias, com seu espaço ocupado pela SpaceFox.


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