Voltamos 30 anos no tempo com o Ford Escort XR3 1.8 Conversível!


Fotos e texto | Júlio Max
Agradecimentos | Cláudio Bastos

No aniversário de 10 anos do Auto REALIDADE, tivemos a oportunidade de fazer um retorno de 30 anos no tempo ao conferir este exemplar (placa preta!) de um carro que marcou época e foi desejado por muita gente entre o final da década de 1980 e o começo dos anos 90, o Ford Escort XR3 Conversível! Essa versão com a capota retrátil chegou ao mercado nacional em 1985, dois anos depois do XR3 convencional, e foi reestilizado em 1987, seguindo o mesmo visual do modelo europeu. 


Mas, apesar de toda a exclusividade que era inerente ao XR3, a mídia especializada e os fãs de uma tocada mais esportiva reclamavam muito do 1.6 CHT, e em 1989 veio o motor 1.8 AP. Inclusive essa aplicação do motor do Gol GTS ao Escort foi o primeiro fruto da Autolatina, que foi essa aliança formada entre Volkswagen e Ford na América do Sul, na esperança de manter uma grande participação de mercado mesmo em um mercado automotivo que em 1990 se abriria para as importações.


Por fora, o Escort XR3 1.8 possui algumas diferenças em relação ao modelo anterior com motor CHT. Os piscas passaram a ser transparentes (antes eram laranjas), as rodas de liga leve de 14 polegadas com pneus 185/60 ganharam um redesenho, o logo 1.8 foi adicionado à tampa traseira e as laterais ganharam um spoiler na parte inferior.


O XR3 Conversível tinha a carroceria confeccionada pela Karmann e trazia um arco central pra adicionar rigidez estrutural ao monobloco. Era curioso que as portas traziam uma parte fixa de vidro, enquanto no Escort comum o vidro era inteiriço, e o estilo da traseira do conversível tinha identidade própria em relação ao modelo tradicional.


Em termos de equipamentos, era interessante como a versão Conversível trazia ar-condicionado de série, pois ele era opcional no modelo fechado. Já a direção era mecânica, e o volante de dois raios tinha dimensões compactas, com diâmetro de 36 centímetros. Entre os para-sóis, um relógio digital dava um toque de modernidade ao interior (pelo menos naquela época...).


O câmbio é manual de 5 marchas e tem uma peculiaridade. Como o motor AP fica em posição longitudinal no Gol e teve que ser adaptado para ser instalado em posição transversal no Escort, precisou se recorrer à transmissão do Volkswagen Jetta que era vendido na Europa na época. É por isso que o engate da ré, por exemplo, é do mesmo modo que é comum nos carros da Volkswagen: para a esquerda, ao lado da 1ª marcha. As mudanças mecânicas também exigiram novos crash-tests - a fábrica realizava colisões a 50 km/h contra uma barreira de concreto.


Sobre o motor paira uma dúvida: quantos cavalos ele entregava? A marca declarava que eram 99 cavalos, porém era um drible para não entrar em uma faixa de impostos maior, o que encareceria ainda mais esse que era o carro mais caro do Brasil naquela época. Mas a revista Quatro Rodas estimava que o 1.8 movido a álcool tinha por volta de 106 cavalos. O torque foi incrementado em 24% em relação ao motor CHT e passou a ser de 16 kgfm a 3200 rpm.


Ainda falando sobre aspectos mecânicos do XR3, é importante destacar que a suspensão era independente nas 4 rodas. E o tanque de combustível tinha capacidade pra 65 litros! Já os freios contavam com discos ventilados na dianteira e tambores na traseira.


Este exemplar, imaculado, recebeu merecidamente este ano a placa preta, atestando sua originalidade. Apesar de nos tempos atuais ser difícil encontrar certas peças, o XR3 que fotografamos possui tudo em ordem e operando - como a capota de acionamento manual com cobertura traseira e inclusive o rádio/toca-fitas, inclusive com cassetes no alojamento logo abaixo do aparelho. Realmente, passar um fim de tarde passeando com o Escort Conversível foi uma experiência que ajudou a entender o fascínio que esse carro despertou - e continua despertando - nos brasileiros.













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