Detalhes do Renault Captur 1.6 Life automático, para o público PCD

Avaliação do Fiat Argo Precision 1.8 AT6: ágil e com bom câmbio, ele chega para ser referência


Fotos, vídeo e texto | Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaborou nesta avaliação | Francisco Santos
Agradecimentos | Assessoria de Imprensa FCA

A chegada do Fiat Argo às concessionárias representou uma mudança de estratégia da FCA no mercado de hatches. Até um ano atrás, havia três opções de modelos nas concessionárias - Palio, Punto e Bravo - eventualmente causando canibalismo entre versões. Agora, a opção de carro é uma só, dos R$ 46 800 da versão Drive 1.0 sem opcionais até os R$ 81 200 do modelo HGT completo de tudo. Para abranger esta faixa grande (e importante) de mercado, o Argo conta com três opções de motores, versões e câmbios. Já passamos alguns dias com o modelo Drive 1.3 GSR e fizemos um test-drive no HGT 1.8 automático; agora, o Auto REALIDADE conta para você as impressões que a versão Precision 1.8 automática nos deixou durante sua convivência diária mais prolongada.





Por fora, o Argo Precision é mais discreto que o HGT - o que não é ruim, já que alguns elementos o diferenciam da versão Drive. Os faróis, que se alongam para os para-lamas e trazem dupla parábola, incorporam no modelo 1.8 as luzes de posição de LED. Já as rodas tem estilo distinto, de 16 polegadas, são calçadas por pneus Continental ContiPower Contact 195/55 (de série, as rodas são de 15 polegadas, com pneus 185/60). A frente lembra o estilo do Tipo europeu, com grade larga que se une aos faróis e para-choque de estilo esportivo, com faixa prateada na base da entrada de ar inferior e dois elementos decorativos nas bordas do para-choque.


Lateralmente, os mais atentos deverão notar o emblema "Precision" na flecha que adorna o para-lama e um pequeno botão preto nas maçanetas das portas dianteiras. Eles servem para destrancar ou travar o carro quando a chave, que é presencial, estiver guardada. Já a traseira traz o emblema "AT6" para destacar o câmbio automático de 6 marchas com conversor de torque, inédito num hatch da Fiat até então.


O interior traz boas novidades em comparação com a versão Drive GSR que avaliamos - algumas de série, outras opcionais. Junto com as rodas de 16 polegadas, leva-se também o revestimento em couro, que envolve volante, bancos, coifa do câmbio e parte das portas dianteiras. Falando no volante, ele passa a ajustar também em profundidade, além de manter a regulagem de altura e os botões que controlam computador de bordo, som, telefone e comandos de voz. Outro destaque é a empunhadura bastante ergonômica.


O quadro de instrumentos enche os olhos, com grafismos diferenciados e tela de computador de bordo maior, colorida e com 7 polegadas. Conta-giros e velocímetro são as únicas informações analógicas, com aros vermelhos e os termos "tachometer" e "speedometer" acima dos caracteres iluminados "rpm x 1000" e "km/h", respectivamente - como na versão esportiva HGT. O velocímetro vai até 240 km/h, 20 a mais que as versões 1.0 e 1.3.


As funções do computador de bordo são semelhantes às das outras versões. A primeira tela é a do velocímetro - pode-se alterá-lo para milhas por hora ou estabelecer o speed limiter. Em seguida aparecem as informações sobre consumo, permitindo visualizar o gasto instantâneo de combustível e duas médias de percurso. Depois vêm informações de funcionamento: horímetro do motor, quilometragem restante para revisão, temperatura do óleo e do câmbio, tensão da bateria e monitoramento de pressão dos pneus.



Há ainda as informações de som, portas abertas, gráficos do sensor de ré, mensagens e configurações, como a desativação/ativação do alarme volumétrico e do airbag do passageiro, bem como o ajuste de brilho da tela (em lugares com variação grande de incidência de luz, isto é feito automaticamente). Para completar, é possível escolher entre três temas: vermelho, azul ou em tons de cinza.


O sistema multimídia Uconnect é outro grande atrativo do painel. Com tela touchscreen de 7 polegadas, a principal funcionalidade é o espelhamento de tela de celulares compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay. Assim, é possível usar aplicativos de GPS (Google Maps, Waze), música (Spotify, Google Play Música), fazer chamadas e ouvir mensagens do WhatsApp (por motivos de segurança, as respostas precisam ser enviadas por voz, para serem transformadas em texto). Há uma interface própria para este manuseio, fácil de operar.



Além disso, o sistema multimídia contempla câmera de ré com linhas de guia, 4 alto-falantes e dois tweeters, duas entradas USB e uma auxiliar no console, Bluetooth para chamadas telefônicas e streaming de áudio, bússola e configurações de som e do veículo.



O ar-condicionado digital automático tem comandos assemelhados ao do Fiat Toro, mas no Argo a zona de climatização é única. A operação é bem intuitiva, com regulagem de 16 a 32 graus Celsius, de meio em meio grau. Há também os modos MAX A/C, útil para esfriar mais rapidamente a cabine, e o modo Automático, que analisa a temperatura externa e outros parâmetros para entregar a temperatura mais próxima do ideal. A eficiência do item é tamanha que até quando o condicionamento do ar fica interrompido quando o motor é desligado nas paradas, o clima não esquenta de repente.


Para ligar o motor, pode-se deixar a chave em qualquer lugar do interior, até mesmo guardada no bolso (caso contrário, aparece o aviso que alerta que ela está distante). Para dar a partida, como em qualquer carro automático, recomenda-se deixar o câmbio em posição Park, para então pisar no freio e apertar o botão de partida. Com os sensores de presença, basta chegar perto ou puxar a maçaneta para destravar a porta.


A chave do Argo Precision segue a linha do Jeep Renegade e Fiat Toro dotados do "Keyless Entry & Go". Ela incorpora uma lâmina oculta, destacável, para se abrir o carro usando a fechadura. Mas... e se a bateria da chave descarregar? Tem solução: basta pressionar o botão de partida com a parte arredondada da chave. Aliás, seria um requinte a mais que este botão de acionamento do motor - um diferencial neste segmento - fosse iluminado. São quatro botões na chave: destravamento e travamento das portas (ao segurar o primeiro botão, as janelas descem até o final; apertando o segundo, os vidros sobem e os retrovisores se fecham), além do destravamento da tampa do porta-malas ao apertar duas vezes e do acendimento das luzes externas para facilitar o ato de encontrar o carro num estacionamento. Curiosamente, há um botão "apertável" ao lado da abertura do porta-malas, mas não há função. Deve ser para aliviar o stress...


Outra benesse bem vinda é o retrovisor interno eletrocrômico. Com moldura mais grossa para abrigar o botão de ativação/desativação, ele "esverdeia" o espelho caso alguém atrás esteja com farol de intensidade alta demais. No mesmo pacote, estão o acendimento automático dos faróis (útil ao trafegar por áreas com grande contraste de iluminação, e evitando um inconveniente recorrente de carros da marca, de induzir a não ligar as luzes por conta das luzes dos instrumentos) e o sensor de chuva, com intensidade ajustável pelo Uconnect.



Os bancos do Argo Precision trazem diferenças boas e ruins em relação à versão ao Drive. Começando pelos pontos positivos: os assentos dianteiros incorporam os side-bags e, na traseira, tanto o encosto quanto o assento do banco são bipartidos na proporção 60/40, permitindo levar objetos alongados e ainda assim transportar 3 ou 4 pessoas no carro. Curiosamente, a alavanca que ajusta o banco do motorista em altura passa para o lado esquerdo. O couro possui costuras claras. Contudo, não havia o apoio de braço retrátil no "nosso" carro (a Fiat afirma que este item vem de série, porém) e o ajuste de inclinação dos assentos dianteiros, que na versão Drive traz uma cômoda haste para agilizar a regulagem, no Precision traz um ajuste milimétrico por roldana pouco ergonômico (o rival Fox tem regulagem parecida, mas há melhor encaixe para os dedos). Pode parecer besteira, especialmente para quem não vai compartilhar o carro com outras pessoas. Mas experimente ajustar o banco na posição mais inclinada possível (para quem vai deitar um pouco a bordo, por exemplo) e em seguida retorná-lo à posição original: é cansaço na certa.




Se demos um puxão de orelha no Argo Drive GSR - que não traz alarme de fábrica - este Precision traz o sensor volumétrico antifurto. Esta versão conta com outras benesses comuns em carros da Fiat: chave de seta que aciona o pisca 5 vezes com um leve toque, espelhos nos para-sóis (com cobertura corrediça para o motorista), porta-óculos para o motorista, alças de teto móveis na frente e atrás (com ganchinhos na parte traseira), duas luzes de leitura dianteiras, porta-luvas iluminado, função tilt-down do retrovisor ao engatar a ré e o temporizador dos faróis: toda vez que se destrava ou trava o carro, as luzes se acendem momentaneamente.


Em termos de espaço interno, o Argo satisfaz, com bom espaço para joelhos e cabeça, mesmo na parte de trás. A carroceria foi ligeiramente alargada em relação ao Punto. Na prática, uma pessoa de 1,80 metro de altura consegue sentar atrás com área livre para esticar mais as pernas. No meio do banco traseiro, a área é consideravelmente menor e o encosto do banco avança mais em relação às costas, mas serve para caronas rápidas.



No porta-malas, são 300 litros de capacidade, com volume bem aproveitável; o estepe possui dimensões menores em relação às rodas opcionais: 185/60 aro 15'', indicado para rodar a até 120 km/h. Com revestimento integral em carpete e espuma no forro do pneu sobressalente, o habitáculo possui iluminação no canto direito e ganchos nas extremidades para fixação de carga. Há dois botões na tampa: o da esquerda a destrava, enquanto o da direita trava o carro - útil para quem desce para buscar um objeto no porta-malas e se distancia do veículo.


O acabamento interno é assemelhado ao da versão Drive. Os plásticos rígidos possuem texturas variadas e padronagens diferentes em cada área do painel, com bom aspecto tátil; na versão Precision, as maçanetas internas e puxadores das portas recebem a cor cinza, no lugar do preto no modelo de entrada. Próximo à alavanca de câmbio há um copinho de borracha, e abaixo dele o porta-copos com foco branco de luz, com fundo emborrachado. Aliás, há outros dois porta-objetos, também no console, com esta proteção.



Ao volante, o Argo Precision se mostrou bastante agradável. A direção é bem leve em baixas velocidades e vai ganhando o peso necessário em altas, transmitindo boa solidez, embora o raio de giro de 10,9 metros seja meio metro maior em relação ao Drive GSR que avaliamos - um problema ao entrar em garagens muito estreitas. O retorno de direção é bem eficiente. Mesmo com linha de cintura alta e vidro traseiro estreito, a visibilidade para trás é boa por conta dos retrovisores graúdos.



O grande diferencial da versão Precision está no conjunto mecânico. O motor 1.8, de quatro cilindros e 16 válvulas, é uma versão aprimorada do que equipava o Punto em suas versões Sporting e Blackmotion, sendo atualmente aplicado também ao Fiat Toro. O E.torQ VIS (Variable Intake System, ou sistema de admissão variável) rende 135 cavalos e 18,8 kgfm de torque; abastecido com etanol, passa a entregar 139 cv a 5750 rpm e 19,3 kgfm de torque a 3750 rpm. São números bem superiores à grande maioria dos hatches compactos premium, e mais aproximados dos médios.

Até 4000 rpm, o ar que vai para os cilindros passa por um caminho mais longo e favorece o torque. Acima dessa rotação, uma aleta é acionada e faz o ar percorrer um trajeto mais curto, melhorando a potência. Vale lembrar que este propulsor tem acionamento por corrente (mais durável) e pré-aquecimento de combustível (até um ano atrás o Toro 1.8 tinha tanquinho de partida a frio...).



Pela primeira vez, compartilhamos com vocês os números de desempenho que nós obtivemos - o padrão do teste é andar com câmbio no modo D (afinal, é assim que a maioria das pessoas o utiliza na maior parte do tempo), ar desligado (para maximizar o desempenho), vidros fechados, duas pessoas a bordo (uma dirige, outra monitora o resultado) e gasolina no tanque. Recorremos ao app GPS Acceleration para monitorar estes resultados. Os testes foram feitos em ambiente sem tráfego e seguro, em altitude aproximada de 77 metros, e surpreenderam: o 0 a 100 km/h foi feito em tempo menor que o declarado pela Fiat. Bons resultados para um hatch com peso de 1264 quilos.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,3 segundos
Retomada de 60 a 100 km/h: 9,6 segundos
Retomada de 80 a 120 km/h: 8,7 segundos



O que impressiona é a solidez com a qual o Argo encara as estradas, mesmo em velocidades altas. A suspensão se compromete com a estabilidade e os freios são eficientes. A boa aerodinâmica minimiza os efeitos dos ventos. Os pneus mais largos o habilitam a fazer curvas com mais segurança. Em velocidades de cruzeiro, o ruído do motor é mínimo.



O câmbio automatizado monoembreagem Dualogic, que equipou do Palio ao Bravo, foi abdicado em prol do automático de 6 marchas, com conversor de torque e alavanca de trilho reto, também similar ao Toro. Destaca-se pelo funcionamento suave em qualquer situação, mesmo quando se demanda uma aceleração, como numa subida. As trocas são muito suaves, e por vezes perceptíveis somente ao se reparar na indicação do quadro de instrumentos.

Se o motorista preferir uma tocada mais esportiva, basta deslocar a alavanca para a esquerda - fazendo as trocas manualmente - ou apertar as borboletas junto ao volante em qualquer momento. Neste caso, o câmbio pode intervir sozinho nas reduções, mas dá maior liberdade ao motorista para atrasar as passagens de marcha, o que atenua o fato de não haver um modo Sport automático do câmbio. Evidentemente, o motorista também será alertado por bipes das mudanças não consentidas, como ao engatar uma marcha baixa em velocidade alta demais, ou vice-versa. No escalonamento das marchas, a 1ª praticamente só é usada para sair (até 10 km/h), imediatamente entrando a segunda, e com marchas altas entrando em velocidades reduzidas no intuito de poupar combustível e diminuir o giro do motor - a cerca de 65 km/h, às vezes acontece da sexta marcha entrar segundos depois da quinta.



O resultado do conjunto mecânico é um Argo muito bom de dirigir em qualquer situação. Na cidade, se destaca pelo baixo nível de ruído a bordo - diferentemente do GSR, que é pré-iniciado ao abrir a porta do motorista com um zumbido e segue a emitir barulhos de acoplamentos/desacoplamentos, perceptíveis quando se está do lado de fora. Basta pisar mais forte no acelerador - que tem curso mais longo - para se sentir a força maior deste 1.8, o que deve alegrar aos órfãos do Punto. Além disso, em velocidade de cruzeiro há uma estabilização de giros do motor, e o câmbio incorpora um recurso que faz seu desacoplamento nas paradas de trânsito para suavizar o anda-e-para comum nas cidades.



No quesito suspensão, a Fiat também fez um bom trabalho no Argo 1.8: o rodar é suave, com boa absorção de impactos, transmitindo também confiança em curvas rápidas. O modelo chegou a ser alvo de reclamações pela frente aparentar ser baixa, mas em nosso uso ele não se intimidou nem mesmo diante de lombadas vistas em cima da hora - a altura em relação ao solo de 15,7 centímetros permite transpor estes obstáculos urbanos. O esquema de suspensão é conhecido: McPherson na frente, com braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora, e por eixo de torção na traseira. Os freios são a disco na frente (257 mm) e a tambor atrás (203 mm).


Como todo Argo, o 1.8 Precision vem com o Start/Stop, ativo toda vez que se dá a partida. Assim, nas paradas comuns no trânsito, o motor fica inativo por até 3 minutos, se o ar-condicionado estiver desligado (com ar acionado, 1 minuto). Nem sempre o sistema vai atuar, como em caso de reabastecimento recente, marcha-a-ré, porta destravada ou motor fora da temperatura ideal de funcionamento. Nunca é demais lembrar que a condição do carro parado é uma das que mais consome combustível.



Ainda assim, o Argo 1.8 paga no posto de gasolina o preço de ter um motor que tecnicamente não traz as últimas palavras em termos de eficiência. Em percurso predominante urbano, com alguns quilômetros rodados em estradas e uso contido do ar-condicionado, a média nos 500,5 km que rodamos foi de 8,5 km/l com gasolina e velocidade média de 21 km/h, resultado mediano principalmente considerando que a nova safra de hatches se mobiliza para alcançar maior eficiência. O tanque de combustível acomoda 48 litros. De acordo com o Inmetro, esta versão faria 9,5 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada com gasolina.



No quesito segurança, o Argo Precision vem com um pacote abrangente de itens. São 4 airbags (frontais e laterais nos bancos dianteiros), cintos de 3 pontos e apoios de cabeça ajustáveis para todos (com regulagem de altura dos cintos dianteiros), controles de tração e estabilidade, auxiliar de partida em ladeiras, travamento das portas a 20 km/h e alerta visual e sonoro no caso do cinto do motorista não estar afivelado. Completam o conjunto de segurança a fixação ISOFIX/Top Tether para cadeirinhas infantis no banco traseiro e os piscas integrados aos retrovisores. A Fiat afirma que, em relação ao Punto, o Argo teve aumento de 7% na rigidez torcional e de 8% na rigidez flexional, além de adotar aços de alta/ultra resistência e hot stamping em áreas vitais para a segurança estrutural. Além de frear bem, a iluminação do Argo é boa à noite.


O Fiat Argo Precision está disponível nas cores Vermelho Alpine (a do modelo cedido), Branco Banchisa - ambas sólidas - além das metálicas Prata Bari, Cinza Scandium e Preto Vesúvio, e da perolizada Branco Alaska. Os tons não-sólidos representam aumento de R$ 1600. A versão automática começa em R$ 67 800. Para ficar igual ao carro das imagens, demanda a inclusão de quatro pacotes de opcionais. Os side-bags são vendidos por R$ 2500. O kit Stile (R$ 2200) soma revestimentos de couro e as rodas de 16 polegadas. No kit Parking (R$ 1200) vem o sensor de ré com gráficos no computador de bordo e a câmera traseira com linhas dinâmicas de guia. Por fim, o kit Tech (R$ 3500) recheia o Argo com ar digital, tela de 7 polegadas no computador de bordo, sensor de chuva, faróis com acendimento automático, chave presencial, partida por botão, retrovisor interno eletrocrômico e retrovisores elétricos com luzes de cortesia ao abrir as portas e rebatimento associado ao travamento das portas. Seu preço, portanto, é de R$ 77 200.



Em nossa estadia, o Argo Precision manifestou alguns bugs. Um deles já havia aparecido no Argo Drive GSR: o aviso de "verificar airbag" após a partida. Já a central multimídia travou em duas ocasiões após conectar um celular. Nesta situação, apenas os botões de volume e mudo operaram. O preocupante, neste caso, é que até desligando a ignição e travando o carro a central continuou ligada por alguns minutos. Em uma ocasião onde o carro ficou na reserva de combustível, o sistema Start/Stop simplesmente não entrou em operação (justo quando mais se precisa poupar combustível...). Isto ocorreu porque, horas antes, o carro tinha recebido gasolina em um posto, hipótese prevista no manual do proprietário.



A garantia do Argo, tal qual os modelos mais recentes da Fiat, é de 3 anos. As revisões são feitas em intervalos de 10 mil quilômetros ou um ano, tendo valores programados até 60 mil km, e parceláveis em 4 vezes sem juros. Aos 10 mil km, troca-se: elemento filtrante do filtro de óleo e do ar; além do óleo de motor Selènia, por R$ 300 (a mão-de-obra é incluída na primeira revisão); aos 20 mil km, R$ 528; aos 30 mil km, R$ 464; aos 40 mil km, R$ 704; aos 50 mil km, R$ 480, e na revisão de 60 mil quilômetros, R$ 1028.

Boletim comentado do Fiat Argo Precision 1.8 AT6


Design = 9,5
O Argo Precision recebeu variados elogios de pessoas para as quais demos carona durante sua estadia. E não foi só para nos agradar: mesmo sendo semelhante ao Drive em muitos aspectos, traz diferenciais interessantes, como o estilo das rodas e os faróis com luzes de guia de LED. Alguns reclamaram que o Argo não causou o mesmo impacto visual de quando o Punto começou a ser fabricado no Brasil, há exatos dez anos. De fato, o estilo de Giorgetto Giugiaro foi um marco ousado no seu segmento, como também havia sido o Peugeot 206. Mas, convenhamos, a alternativa de fazer mais um face-lift no Punto (discreto demais no modelo italiano, e sem muita personalidade no modelo indiano) não era o que um mercado tão crucial para a Fiat como o Brasil mereceria. Além do mais, o visual do Argo está alinhado com o jeito de ser do recente Tipo europeu.

Espaço interno = 9,0
A tendência dos automóveis é geralmente de crescer a cada nova geração, e a Fiat projetou o Argo para oferecer mais amplitude interna em relação ao Punto, aproximando-se dos oponentes Hyundai HB20 e Renault Sandero. Desta forma, mesmo quem senta atrás e é alto (a) tem área livre para pernas e cabeça. O porta-malas de 300 litros também é digno de nota, e só não é maior que o do Sandero, já que o Renault é ligeiramente maior por fora. Vale lembrar dos numerosos nichos para guardar objetos, como o porta-óculos de teto, os porta-revistas e os nichos entre os bancos.

Conforto = 9,0
Ponto positivo de todo Fiat recente, o Argo Precision não foge à regra. O silêncio ao rodar e a suspensão que absorve bem as irregularidades do piso, o ar-condicionado eficiente, a boa densidade dos bancos, a suavidade da direção elétrica e as passagens de marcha bem discretas do câmbio automático compõem um ambiente de tranquilidade à bordo. Os comandos principais estão bem acessíveis, com soluções diferenciadas como o console central de botões apertados para baixo, ao estilo das teclas de piano. Outro destaque é a variedade de regulagens para melhor se adequar a cada motorista, com volante ajustável em altura e profundidade, além dos ajustes de cinto e altura do assento.

Acabamento = 8,5
Se o Argo Precision tem acabamento igual ao Drive, por que aqui sua nota foi menor? Simples: num modelo significativamente mais caro, a atenção aos detalhes internos poderia ser sido ainda maior. Assim como carros bem mais simples, as portas traseiras têm forro inteiro em plástico, sem revestimento como na frente. O forro de teto também tem aspecto simples e uma faixa emborrachada no painel ficaria bem. No mais, a qualidade é a mesma da versão Drive: plásticos bem-cortados e com texturas variadas (lisas ou com relevos), além de couro (opcional) de boa qualidade com perfurações nos bancos e volante.

Equipamentos = 9,0
Boa parte dos equipamentos relevantes do Argo, que facilitam o dia-a-dia, estão disponíveis a partir desta versão. É o caso do quadro de instrumentos com tela colorida de 7 polegadas e variadas funcionalidades, ajuste de altura e profundidade do volante, ar-condicionado automático digital, chave presencial com partida por botão, retrovisores com rebatimento elétrico e luzes de cortesia, espelho interno anti-ofuscante, sensor crepuscular e de chuva, rebatimento parcial do banco traseiro, entre outros, que se somam ao pacote já consistente de equipamentos da versão Drive. Se tivesse teto solar e airbags de cortina como opcional, ganharia mais alguns décimos.

Desempenho = 9,5
O Argo 1.8 foi uma grata surpresa em todos os aspectos dinâmicos. Tem força de sobra, muito útil para ultrapassagens e situações urbanas: as retomadas foram bem ágeis no modo D. Se acelerando é bom, freando também o é. E, se em termos de consumo de combustível esta versão ficou longe dos resultados registrados pelo Inmetro, o teste de aceleração de 0 a 100 km/h foi melhor do que o dado de fábrica. A direção precisa, seja em manobras de estacionamento ou em curvas nas estradas e o câmbio com trocas sequenciais permitem aproveitar melhor da potência e torque, que estão acima dos compactos (o HB20 1.6 e o Fiesta EcoBoost, exemplos dos representantes mais potentes, têm 11 e 14 cavalos a menos, respectivamente) e mais próximo dos médios.

Segurança = 9,25
Apesar de ainda não ter sido submetido aos testes de colisão do Latin NCAP (para a Fiat não compensa patrocinar o teste, uma vez que os ensaios precisam ser feitos com versões com o pacote básico de segurança, e alguns itens de proteção são opcionais no Argo), a versão Precision traz itens muito importantes. Em complemento aos airbags frontais, estão disponíveis os laterais como opcional, sem o inconveniente de levar junto os bancos de couro. Atrás, ganchos de fixação ISOFIX/Top Tether para cadeirinhas infantis e cintos de 3 pontos + apoios de cabeça ajustáveis fazem a proteção de todos. De série vêm os controles eletrônicos de tração e estabilidade, bem como o auxiliar de partida em ladeiras, que atuou corretamente quando foi necessário. O Onix, vergonhosamente, só traz o que é obrigatório. No HB20, os airbags laterais só vem na versão Premium. Já o Fox até possui os controles de estabilidade e tração, mas só na versão Highline 1.6 MSI, cobrando caro por isto.

Consumo de combustível = 7,5
Se o motor 1.8 tinha fama de beberrão desde quando começou a ser aplicado ao Punto, a partir de 2010, não foi com as melhorias mecânicas que ele melhorou da água para o vinho, diferentemente da nova família Firefly. Mesmo dirigindo de forma econômica, minimizando o uso do ar-condicionado (algo difícil quando os bancos são de couro e se mora na cidade do b-r-o-bró, onde 40° C é fichinha) e tentando deixar as barras de consumo instantâneo "verdes", o Argo sorveu 3/4 do tanque em menos de uma semana. Para rodar os pouco mais de 500 quilômetros, além dos 48 litros com o qual o Argo nos foi entregue, inserimos mais cerca de 25,5 litros, restando praticamente 1/4 do tanque na devolução - situação na qual ele apontava autonomia de 153 km. O mais curioso é que, seja andando economicamente e sem ar, ou pisando fundo e com ar ligado, o consumo foi praticamente o mesmo.

Relação custo-benefício = 8,75
O Argo 1.8 Precision é incontestavelmente mais carro quando confrontado com as versões topo-de-linha de seus rivais habituais - Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. Se o câmbio até é comparável entre os três (com 6 marchas e conversor de torque), o Argo mostra uma quantidade significativamente mais completa de equipamentos de comodidade e segurança, que muito interessa ao público, para não falar no fator novidade e no bom acerto dinâmico do modelo. O preço desta versão completa se aproxima dos hatches médios, como Golf 1.0 TSI e Focus 1.6, mas o futuro destes modelos em nosso mercado é uma incógnita - o primeiro é manual, e o segundo tem câmbio amplamente criticado. Portanto, o Argo é uma opção que vale a pena considerar neste segmento. Agora resta saber como a Volkswagen irá posicionar o novo Polo no mercado - este sim o rival direto do Fiat. Se a marca de Betim investir em uma versão com motor turbo, a briga vai ser muito boa.

Nota Final = 8,9

As notas são atribuídas considerando a categoria do carro analisado, os atributos oferecidos pelos concorrentes, além das expectativas entre o que o modelo promete e o que, de fato, oferece. Frações de pontuação adotadas: x,0, x,25, x,5, x,75. Critérios - Design = aspecto estético do automóvel. Espaço interno = amplitude do espaço para passageiros (dianteiros e traseiros, de acordo com a capacidade declarada do carro), locais para por objetos e bagagem. Conforto = suspensão, nível de ruído, posição de dirigir, comodidades. Acabamento = atenção aos detalhes internos, escolha de materiais e padronagens. Equipamentos = itens de tecnologia e conforto inclusos no automóvel avaliado. Desempenho = aceleração, velocidade máxima, retomada, comportamento em curvas e frenagem. Segurança = visibilidade, itens de proteção ativa e passiva. Consumo = combustível gasto e autonomia. Custo-benefício = relação de vantagem entre o preço pago e o que o carro entrega.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Fiat Argo Precision automático 1.8!






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