A experiência ao volante de um VW Voyage CL 1.8 1991!



Texto, fotos e edição | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com Show Cars Elite - @showcarsthe

Quando se fala no nome Voyage, muita gente não se lembra de imediato do modelo disponível hoje, e sim do Volkswagen Voyage quadrado, o que só reforça o quanto ele foi um dos sedãs mais populares do Brasil durante os anos 80 e também na primeira metade da década de 90. 



Este é um exemplar ano e modelo 1991 da versão CL, equipado com o motor 1.8 AP, que era o mais forte disponível para o sedã na época. Na época você podia escolher o motor AP movido a gasolina de 95 cavalos ou o a álcool com 99 cv - o CL tinha nas versões mais baratas o criticado propulsor 1.6 AE (o CHT da linha Ford). Detalhe: este exemplar não está turbinado e atualmente se encontra com mecânica original.



Este exemplar está praticamente original em termos de estilo, trocando apenas as rodas originais de aço de 13 polegadas pelas de liga leve de 15 polegadas do Gol Rallye G3 e aplicando as lanternas fumês e os faróis de milha. 



No ano-modelo 1991, o Voyage passou por esta reestilização que lhe rendeu o apelido "chinesinho", por causa dos faróis maiores, do capô alongado em 3 centímetros e da grade dianteira mais estreita. Na traseira, as novidades eram as lanternas lisas mais compridas e os logotipos, cuja tipologia durou entre 1990 e 2000 na linha Volkswagen do Brasil.



E por dentro, só a padronagem da forração de bancos e portas permitia distinguir o modelo 91 do 90. Era pouca coisa, mas naquela época as "quatro grandes" marcas do Brasil - que eram VW, Fiat, Chevrolet e Ford - realmente reservavam poucas novidades para seus carros ao longo dos anos.


Outro sinal de que os tempos eram outros naquele começo da década de 1990 era o fato da versão CL ter sido lançada sem retrovisor do lado direito nem mesmo como opcional (mas é raríssimo encontrar um sem este item). E a lista de equipamentos do Voyage tinha itens prosaicos, como para-brisa laminado, buzina simples, porta-luvas com tampa e ventilação forçada com três velocidades. Também eram itens de série: acendedor de cigarros com cinzeiros (um dianteiro, à frente da alavanca de câmbio, e outro na lateral direita atrás), alça de teto para o carona e regulagem da intensidade de brilho dos instrumentos (este um item que nem todo carro hoje em dia possui).


Felizmente, este exemplar dispõe da amenidade (literalmente) do ar-condicionado, além de rádio, janelas laterais basculantes e desembaçador traseiro.



Quadrado, o quadro de instrumentos deste exemplar inclui o conta-giros (originalmente na versão CL, ocupavam este espaço somente os marcadores de temperatura do motor e nível do combustível). O Voyage contava ainda com luzes-espia para faróis altos, setas, bateria e óleo do motor.


O painel possui os clássicos comandos-satélite embutidos na cúpula do quadro de instrumentos. Na versão CL, os raios do volante eram mais finos, sendo mais encorpados no GL. O acabamento do Voyage chama a atenção: o curvim forra teto, colunas, portas e laterais traseiras; o tecido dos bancos possui boa qualidade e os puxadores de porta são acolchoados. O painel é de plástico injetado rígido e possui bons encaixes.


O Voyage quadrado se destacava pelo bom engate de marchas e também pela estabilidade ligeiramente melhor que a do Gol, graças à melhor distribuição de peso entre os eixos. E com o motor 1.8, ele era até mais rápido do que o Santana com o mesmo motor, graças ao menor peso da carroceria (910 quilos). A Volkswagen declarava que ele acelerava de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos, um desempenho bom até mesmo para os dias de hoje.


Um detalhe curioso: como o motor a gasolina consumia menos que o mesmo motor a álcool, a Volkswagen colocava um tanque de combustível com capacidade de 47 litros para os Voyage movidos a gasolina e 55 litros para os movidos a álcool.

Impressões ao dirigir



Ao assumir o volante (fino e com lugares para encaixar os dedos) da versão CL, logo se percebe a posição de dirigir nitidamente mais baixa que nos carros dos dias de hoje. Apesar disso, a visibilidade pode ser considerada boa, com o capô quadrado, retrovisores bem dimensionados e a ausência de encostos de cabeça atrás.

Este Voyage honra a fama dos câmbios fáceis de operar da Volkswagen, com engates precisos e de curso curto. Já o pedal de embreagem é um pouco pesado, assim como a direção (mecânica), quando em baixa velocidade e curva acentuada. Mas ele compensa com o ar-condicionado que gela tanto quanto um carro atual.



Porém, ele acompanha os carros de hoje em dia no quesito desempenho - graças ao torque de 14,9 kgfm a 3200 rpm - e tem freios bons (já dirigi Chevette mais novo que esse Voyage cuja atuação do freio só surgia ao pisar fundo no pedal). Contudo, a suspensão ligeiramente mais baixa e as rodas maiores deste exemplar inspiram cuidado ao passar em ondulações, sob pena de raspar.


A trajetória do Voyage quadrado terminou no final de 1995, quando Gol e Parati da geração "bola" já estavam nas lojas. A marca preferiu apostar no Polo Classic, que foi um verdadeiro fracasso de vendas, e no Polo Sedan, que até vendeu bem mas se destinava a um segmento superior, dos "compactos premium". Só em 2008 a Volkswagen trouxe de volta o sedã popular - e nada mais justo que resgatar também seu nome original.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Volkswagen Voyage 1.8 CL 1991!


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