Mercedes-Benz Classe E (W210): com 20 anos, seu luxo ainda impressiona!



Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Matéria feita em parceria com o Show Cars Elite - @showcarsthe

Quem viveu a década de 1990 lembra que foi a época de transição dos carros de carrocerias quadradas para os modelos de formas mais arredondadas e aerodinâmicas, e na Mercedes-Benz não foi diferente. Quando ela lançou a geração W210 do Classe E, arriscou com a adoção de faróis redondos. Mas a aposta deu tão certo que outros Mercedes passaram a ter esses faróis arredondados nos anos 2000, entre eles CLK, CL, SL e o Classe C.


O Classe E chegou ao Brasil em 1996, com várias tecnologias que representavam o melhor de sua época, e que demoraram vários anos para se popularizar. Foi o primeiro carro da Mercedes-Benz a ter faróis de xenônio e também lavadores para faróis no lugar dos pequenos limpadores. Também vinha com controle de tração e airbags frontais e laterais já em 1996, e recebeu também o controle de estabilidade e os airbags de cortina no modelo 2000. Além disso, a nova carroceria tinha Cx de apenas 0,27 - índice bem próximo ao do mais aerodinâmico carro de série da época, o Chevrolet Calibra (0,26).


Não demorou para o Classe E conquistar vários consumidores que faziam questão do requinte proporcionado pela estrela de 3 pontas, entre eles uma apresentadora muito conhecida no Brasil: Hebe Camargo, que fazia questão de dar o toque pessoal a seus carros, pedindo as iniciais "EBE" na placa.



O nome do modelo é E 320 em referência à cilindrada do motor 3.2 V6 de 225 cavalos e 32,1 kgfm de torque, aliado ao câmbio automático de 5 marchas, com modo sequencial e botões Sport e Winter, este último mais apropriado para andar no gelo, fazendo a partida ser dada em segunda marcha e alongando as outras marchas, inclusive a ré. Porém ainda no começo dos anos 2000, a linha Mercedes passou a ter nomenclaturas que não tinham necessariamente a ver com a cilindrada do motor, mas sim com níveis de força.



Este exemplar é ano 2000 modelo 2001, da versão Classic. Ele tinha acabado de passar por um face-lift bem discreto (daqueles que você precisa por o novo do lado do antigo para perceber; na foto acima, o modelo antigo é o da direita), ganhando capô mais inclinado, para-choques modernizados e redesenho na parte interna de faróis e lanternas. Depois do Classe S, o Classe E foi o segundo Mercedes a ter luzes de seta incorporadas aos retrovisores. Também trazia opção de sensores de estacionamento dianteiros e traseiros. Outro detalhe externo bem curioso: só há uma palheta para o limpador dianteiro. Esse carro ainda traz, como cereja do bolo, as rodas que equipavam o E 55 AMG.



O interior é farto em couro e madeira. Entre os avanços que vieram com o face-lift, estão os comandos de som, computador de bordo e telefone no volante. O quadro de instrumentos é bem tradicional, mas a tela de informações junto do velocímetro ficou maior.


O sedã traz itens como bancos dianteiros elétricos (inclusive ajuste do encosto de cabeça) com 3 memórias de posição, volante com ajuste elétrico de altura e profundidade, ar-condicionado digital de duas zonas com regulagem de grau em grau, saídas traseiras e fechamento automático da entrada de ar externo; apoio de braço central com porta-objetos climatizado, retrovisores elétricos com rebatimento por botão, teto solar elétrico, persiana traseira e apoios de cabeça traseiros que podem ser rebatidos pelo motorista ao toque de um botão, porta-luvas com 2 porta-copos, controle de velocidade de cruzeiro e, para os ocupantes traseiros, um largo apoio de braço com porta-objeto.



Essa geração do Classe E saiu de cena para ficar para a história no ano de 2002, mas até hoje é um dos modelos mais lembrados da linhagem deste sedã, justamente por trazer elementos inspirados no passado em um carro com a sofisticação necessária para roubar clientes do BMW Série 5 e do Audi A6.

Impressões ao dirigir



É curioso perceber como, ao entrar neste Classe E de 20 anos atrás, não se estranhe tanto a disposição da maioria de seus comandos. Os botões de regulagens dos bancos nas portas e o estilo da chave, por exemplo, permanecem nos Mercedes atuais. Mas, felizmente, o amontoado de comandos ao centro do painel e console foram sendo suprimidos ou realocados nas novas gerações dos modelos Mercedes-Benz. Logo após a partida, uma pequena operação: a alavanca do freio de estacionamento, no canto esquerdo do painel, precisa ser puxada para liberar o carro.



O volante grande e de textura lisa é fácil de ser manejado com a assistência hidráulica, e o esterço é bom, apesar da frente avantajada. Chama a atenção o silêncio a bordo, mérito em conjunto da aerodinâmica apurada e do motor quieto. Mas, quando se pisa forte do acelerador, o E 320 ganha velocidade rapidamente e passa a ter um ronco mais forte (sem ser escandaloso), típico dos modelos seis-cilindros aspirados.

A posição de dirigir é mais assentada ao chão do que a maioria dos automóveis dos dias de hoje, mas ainda assim a visibilidade pode ser considerada boa, assim como o conforto proporcionado pelo esquema independente de suspensão. Depois de parar o carro, pisa-se em um pedal no canto esquerdo, para acionar o freio de estacionamento (como em alguns modelos norte-americanos da época). Nossa volta foi curta, mas suficiente para atestar que o E 320 não deve muita coisa para carros 20 anos mais novos. E até supera em alguns quesitos...

Vem conferir a galeria de fotos do Mercedes-Benz E 320 2000/01 Elegance!






FOTOS: Auto REALIDADE - www.autorealidade.com.br

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