Volkswagen Gol G3 2.0 2000 2 Portas: o Gol mais bonito de todos os tempos?

Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaborou nesta matéria | Raphael Ferry

Com 41 anos de mercado, o Volkswagen Gol é um dos carros com uma das trajetórias mais fascinantes do mercado brasileiro. A maioria dos fãs do modelo concordam que a Geração III foi a melhor fase do hatch nacional. Lançado em 1999, o Gol G3 era na verdade uma extensa reestilização no G2 (bolinha) que foi revelado ao Brasil cinco anos antes. A "nova geração" incluía modificações na frente, traseira, interior e pacotes de equipamentos. Não era um modelo feito do zero, mas o Gol se tornava mais bonito e sofisticado com as modificações. 

Na época do lançamento do Gol G3, Fox e Polo não existiam: quem quisesse algo mais sofisticado precisava dar um salto para o Golf. Até por conta isso, a linhagem G3 chegou trazendo uma ampla gama de motorizações e personalizações. Estavam disponíveis os modelos 1.0 8 válvulas, 1.0 16 válvulas, 1.6, 1.8, 2.0 8v e GTI 2.0 16v (e ainda a versão Special, que herdou o visual do Gol bolinha). Era possível escolher entre nada menos que 17 opções de cores para a carroceria para os modelos GIII.

Exceto na versão GTI, que já vinha bem completa para os padrões de época, todas as versões tinham opções de pacotes fechados de equipamentos: Preferencial (apenas nos modelos 1.0), Conforto, Luxo e Estilo. Vale lembrar que, além destes conjuntos de itens, havia também os opcionais avulsos (não-atrelados a outros itens), como alarme (simples ou com comando remoto), ar quente, ar-condicionado, rádio, airbag duplo, freios ABS, direção hidráulica e rádio com CD player.

  • O pacote Preferencial trazia para os Gols 1.0 itens que já vinham de série nas versões mais potentes, como regulagem de altura para o banco do motorista, ajuste interno dos espelhos externos, antena embutida no para-brisa e desembaçador traseiro com temporizador dos limpadores dianteiros.
  • O pacote Conforto incluía destravamento interno da tampa do porta-malas, forrações em tecido cinza, vidros verdes, ajuste interno dos retrovisores e limpador do vidro traseiro.
  • O pacote Luxo adicionava apoios de cabeça no banco traseiro, faróis de dupla parábola, rodas de 14 polegadas com calotas em substituição às de 13 polegadas, banco traseiro bipartido, luzes de leitura no teto e temporizador do limpador dianteiro.
  • O pacote Estilo agregava rodas de liga leve de 15 polegadas, faróis de neblina, aerofólio traseiro com brake-light, antena de teto, tecidos internos pretos e grade na cor da carroceria.

A principal vantagem desta modalidade de opcionais era montar o carro a seu gosto, sendo possível tanto comprar um Gol 1.0 completo de tudo (com airbag duplo, freios ABS, rádio e rodas de liga leve) quanto um 2.0 básico, para quem só fazia questão de desempenho. A ideia parecia promissora, mas sem muita previsibilidade de produção diante de tanta liberdade de escolha dos consumidores, a Volkswagen abandonou a ideia dos pacotes e limitou drasticamente as opções de cores para a carroceria pouco tempo depois.

Esteticamente, o Gol G3 abandonou as formas arredondadas (que renderam o apelido "Bolinha" para o modelo anterior) em prol de linhas mais retas. Os faróis tinham a opção de vir com duplo refletor; abaixo deles ficavam as luzes de neblina, opcionais. Os para-choques, que na primeira leva do GIII vinham na cor da carroceria em todas as versões, trazem frisos pretos. As rodas de liga leve de 15 polegadas são calçadas com pneus 195/55. O exemplar em questão tem a carroceria pintada na cor Vermelho Mercúrio e algumas modificações, como faróis com máscara negra (que vinham na versão 1.0 Turbo) e as rodas de cinco raios do Golf Mk4. Na traseira, o aerofólio na tampa do porta-malas e a saída dupla de escape realçam o caráter esportivo.

É preciso contextualizar que o Gol passou anos a fio tendo a carroceria de duas portas como a única opção. A partir do final de 1997, o hatch da Volkswagen passou a ter opção das quatro portas, assim como a Parati. Quando chegou o modelo GIII, em maio de 1999, a perua passou a existir somente com 4 portas e o Gol teve grande ênfase na divulgação dos modelos de 4 portas, que ainda eram novidade. Inclusive, a versão GTI deixou de ser vendida na opção de duas portas. Portanto, o carro desta matéria era o máximo que se podia ter de força em um Gol de duas portas - tipo de carroceria que já estava caindo em desuso para as versões mais completas dos carros nacionais. A oferta do motor 2.0 combinado com a carroceria de 2 portas durou até 2001.

O exemplar aqui mostrado, ano 1999 e modelo 2000, conta com o motor 2.0 8 válvulas a gasolina de 111,5 cavalos, o segundo mais potente da linha (atrás apenas do GTI), e mais que suficiente para os 985 quilos do modelo. Vale lembrar que esse motor 2 litros passou a equipar a linha Gol a partir da linha 1997, sendo reservado inicialmente à versão TSi e posteriormente ao modelo GLS. O torque era de 17,3 kgfm a 3000 rpm, e o câmbio, manual de 5 marchas. Quando vinha com este motor, o Gol trazia também os freios a disco ventilados para as rodas dianteiras. Segundo a VW, o modelo 2.0 duas portas acelerava de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos e atingia a velocidade máxima de 190 km/h, segundo dados de fábrica.

O interior traz painel com a parte superior espumada (macia ao toque), volante espumado de 3 raios, além de bancos e painéis de porta forrados na malharia Dublin Cinza, um tom claro (que foi ofertado até 2001). Entre os bancos, esta versão trazia o console central "total" - nos Gols mais simples, essa peça acabava ao redor da alavanca de câmbio.

Com o esquema de iluminação azul (cujo brilho pode ser graduado) e ponteiros vermelhos, que a Volkswagen também adotava para modelos como Golf e Passat, o quadro de instrumentos do Gol 2.0 possui conta-giros, indicador de temperatura do motor e telinhas digitais para relógio e hodômetros (parcial e total). 

Entre os equipamentos, ele traz opcionais como ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos (operados por botões no painel), itens que se somavam a itens de série como direção hidráulica, ajuste de altura para os cintos dianteiros, desembaçador traseiro com limpador frontal temporizado, para-brisa degradê, banco do motorista regulável em altura e acendedor de cigarro com cinzeiros (dianteiro e traseiro, este último no forro do lado direito). Neste exemplar, há ainda um rádio single-DIN com DVD Player, entrada USB e tela colorida, além de forro de teto com tecido preto e iluminação de teto azulada.

Sua chave original possui corpo simples e um chaveiro com os comandos do alarme.

Pendurado no retrovisor interno fica o aromatizante do "Mojovi", personagem do perfil "1Kilioito42deponto", que redubla cenas do Yoda de Star Wars.

O Gol se consagrou no mercado pela confiabilidade e pelo bom desempenho de seu motor AP longitudinal, combinado à facilidade de uso de seu câmbio manual, com engates precisos e curtos. Nisso, o Gol G3 2.0 se manteve fiel à fórmula que deu certo em nosso País. Esta "Geração" teve uma longevidade de seis anos no Brasil (de 1999 a 2005), mas o motor 2.0 deixou de ser oferecido no Gol um pouco antes, mais especificamente em 2002, abrindo espaço para o então novo Polo, que chegou com opções de motor 1.6 e 2.0. 

Com novos modelos da Volkswagen disputando mercado com o Gol, como Fox e Polo, a marca precisou simplificar seu veterano na Geração 4, mas esta é uma história que contamos depois... 

Impressões ao dirigir

O proprietário deste Gol é um amigo nosso, Raphael Ferry, que é um dos criadores e administradores do Terehell Speed Society (@terehellss), grupo que reúne pessoas que curtem carros dos mais diversos modelos e customizações, mas acabavam não se encaixando nos tradicionais clubes de carros. Seu avô possui um Gol "bola" Vermelho Monterrey - quase da mesma cor deste exemplar, que Ferry adquiriu em 2020. O GIII faz companhia a um Chevette 1993, que está sendo turbinado e passará por modificações visuais.

Apesar de ser um carro de mais de vinte anos, o Gol 2.0 G3 é um carro bom de dirigir. O volante possui ranhuras para encaixar melhor os dedos, e a assistência hidráulica progressiva da direção a torna bem mais cômoda do que o sistema sem assistência. A coluna de direção é levemente deslocada para a direita, característica que também existiu em modelos anteriores do Gol, mas isso não chega a incomodar. Os bancos dianteiros apoiam bem o corpo, dispondo de boas abas laterais.

Chave no contato, pé na embreagem e primeira marcha. O câmbio é um dos destaques do Gol: todas as marchas entram justas e com facilidade. Apesar do pedal de embreagem demandar certa força no pé esquerdo, como é comum nos Volkswagen da época, o hatch anda bem. A suspensão, mais baixa, demanda certa atenção ao passar por lombadas, mas transmite boa estabilidade e conforto.

Com ronco esportivo e bom torque, o Gol 2.0 ainda fez bonito no teste de aceleração de 0 a 100 km/h, executado pelo próprio Ferry em duas passagens. O melhor tempo foi de 12,2 segundos, mas com alguns ajustes mecânicos é bem provável que a aceleração atinja uma marca mais próxima à declarada pela fábrica.

Vem conferir mais fotos do Volkswagen Gol G3 2.0 2000 duas-portas!







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