Líderes do semestre [Alta Roda]


Em cenário de comercialização em recuo, marcado pelo fim de produção de modelos como Gol G4 e Uno Mille e chegada do up! e do novo March, os tradicionais dominadores de vendas sofreram abalos. Hatches e sedãs são somados na segmentação da coluna, mas é interessante ver mudanças em curso, quando se analisam os números apenas dos hatches, que são a maioria nas vendas entre os compactos, principal produto do mercado brasileiro.


Antigo Gol G4 representava de 20% a 25% do total do Gol e agora uma liderança de 27 anos está ameaçada. Antes eram dois (G4 mais G5) contra dois (Uno mais Mille) e agora é um (Gol G5) contra dois (Palio mais Fire). No primeiro semestre, Gol já perdeu dois meses isolados de liderança, mas no acumulado a manteve. Já o Mille representava de 40% a 45% do Uno e o abalo foi maior. Da tradicional segunda colocação despencou até seis posições, quando o estoque da antiga versão se esgotou em abril. Uno 2015, em setembro, deve melhorar seu posicionamento.

A coluna também substituiu as peruas (apenas dois modelos de pouco peso) pelo novo segmento de crossovers, liderado pelo Mitsubishi ASX. Grand Siena passou a fazer parte dos sedãs compactos “desgarrados”, a exemplo de Cobalt e City. Chrysler 300 C (passou para o segmento topo por suas dimensões avantajadas), Classe E/CLS e Fit são os novos líderes. Os demais mantiveram-se na ponta.

Classificação a seguir segmenta a oferta por distância entre eixos, largura e, secundariamente, preço. A base é o percentual de emplacamentos nacionais pelo Renavam. Apenas modelos mais representativos são citados em razão da importância no mercado. Paulo Garbossa, da ADK, compilou os dados de acordo com os critérios da coluna.


Compactos: Gol/Voyage, 14%; Onix/Prisma, 11%; Palio/Fire/Siena, 10%; HB20/X/S, 8,5%; Fiesta hatch/sedã, 8,2%; Logan/Sandero, 7%; Uno/Mille, 6%; Fox/CrossFox, 5%; Grand Siena, 4%; Etios hatch/sedã, 3%, Celta, 2,6%; up!, 2,4%; Classic, 2,3%; Cobalt, 2,1%; Punto/Linea, 1,8%; C3/DS3, 1,7%; 207/208, 1,6%; March/Versa, 1,5%; City, 1,2%. Gol/Voyage ameaçados, em especial Gol por Palio/Fire.


Médios-compactos: Civic, 19%; Corolla, 18%; Cruze hatch/sedã, 14%; Focus hatch/sedã, 11%; Golf/Jetta, 9%; Sentra, 4,9%; C4/Pallas/DS4, 4,5%; Peugeot 308/408, 3,8%; i30/Elantra, 3,3%; Fluence, 2,6%; Bravo, 2%. Civic não está firme.


Médios-grandes: Fusion, 41%; BMW 3, 23%; Mercedes C, 12%; Azera, 6%. Fusion continua avançado.


Grandes: Mercedes E/CLS, 32%; BMW 5/6, 26%; Jaguar XF,18%. Classe E/CLS, novo líder.


Topo: Chrysler 300 C, 43%; Equus, 15%; Panamera, 13%. Realocado, 300 C lidera.


Crossover: ASX, 48%, Freemont/Journey, 25%; Ranger Rover Evoque, 24%. ASX tranquilo.


Monovolumes pequenos: Fit, 36%; Spin, 30%; Idea, 17%. Fit reagiu.


Monovolumes médios: C4 Picasso, 36%; J6, 26%; Carnival, 18%. Líder consolidado.


Picapes pequenas: Strada, 59%; Saveiro, 27%; Montana, 14%. Strada ampliou margem.


Picapes médias: S10, 31%; Hilux, 24%; Ranger, 14%. Sem ser ameaçada, S10.


Utilitários esporte compactos: EcoSport, 39%; Duster, 33%; Tracker, 13%. Com menos folga, EcoSport.


Utilitários esporte médios-compactos: Tucson/ix35, 40%; Sportage, 13%; RAV4, 10%. Firmeza dos líderes.


Utilitários esporte médios-grandes: Hilux SW4, 43%; Santa Fe, 14%; Trailblazer, 9%. Livre de incômodos.


Utilitários esporte grandes: Pajero Full/Dakar, 41%; Edge, 19%; Discovery, 11%. Posição inabalada.


Esporte: BMW Z4, 43%; Boxster/Cayman, 24%; 911, 10%. Z4 bem confortável.

RODA VIVA

ARGENTINA ganhou investimento da GM para motores a partir do final de 2016. As unidades de 1,4 litro com injeção direta e turbocompressor (flex para Brasil; gasolina para mercado local e exportação) equiparão o novo Cruze, cuja produção será transferida de São Caetano (SP) para Rosário, na Argentina. Motores de três cilindros estão reservados para Joinville(SC), antecipa a coluna.


NOVO March mostra que a Nissan está decidida a avançar em participação no mercado brasileiro. Na versão de um litro de cilindrada ainda utiliza motor Renault anterior, mas como sua massa total é baixa mostra relativa agilidade. Direção eletroassistida de série e menor diâmetro de giro entre todos os compactos facilitam qualquer manobra. Equipado com motor de 1,6 litro (origem Nissan) apresenta desempenho marcante e equipamentos incomuns nos compactos, entre eles câmera de ré. Incômodo é o excessivo ruído de engrenagens na primeira marcha, observado apenas no motor de maior potência e, portanto, mais caro.

DEBATE promovido pela Liberty Seguros sobre mobilidade urbana em São Paulo mostrou que ativistas querem dar sua contribuição importante, mas sem ao menos perguntar a quem paga a conta pesada de impostos – os automobilistas – se têm algo a dizer. Na Inglaterra, por exemplo, Associação Britânica de Motoristas representa voz ativa na resolução dos problemas das cidades. Já era tempo de se fundar uma associação semelhante no Brasil que certamente contribuiria para cidades melhores sem arroubos anticarro.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


Comentários

  1. Certamente existe vida além de Gol e Palio, sendo que o povo brasileiro está descobrindo aos poucos que os modelos de carros asiáticos são bastante competitivos, como por exemplo o Novo Hb20 http://novocarrobr.com.br/hyundai-hb20-2014/

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