Gol, 40 anos: reunimos a família Bola da Volkswagen - GTI, GLi e Parati!



Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Em maio de 2020, o Gol completa 40 anos de mercado brasileiro. Ele até hoje é o automóvel com mais unidades produzidas em nosso País - foram mais de 8,53 milhões até este ano. E como forma de comemorar e relembrar uma parte da história deste carro que esteve (e está) presente na vida de muitos brasileiros, nós reunimos estes três exemplares da linha Gol para contar a história de uma de suas fases mais bem-sucedidas: a geração Bola/Bolinha. 



No ano de 1994, a Volkswagen iniciou a reformulação de sua linha de modelos mais representativa no Brasil. O hatch passou por sua primeira remodelação completa desde o lançamento, em 1980, deixando de lado as formas quadradas para ganhar uma carroceria mais aerodinâmica e espaçosa. 


A perua Parati não ficou muito atrás, e foi remodelada no final de 1995. Assim como a Parati quadrada, de início ela só existia na carroceria de duas portas, e só foi ganhar a opção das quatro portas no final do ano de 1997.


Para esta matéria, reunimos três exemplares da família Gol com datas de fabricação bem próximas. O Gol GTI é um modelo 1996, o Gol GLi também é 96, e a Parati 1.8 é ano 1997. Em comum, todos estes carros possuem debaixo de seus capôs os consagrados motores AP, todos com turbo e outras maldades mecânicas!


Todos os carros tiveram variadas modificações. Este Gol GTI tem a bolha no capô que marcou o modelo 16 válvulas, só que esse exemplar na verdade é o GTI de 8 válvulas. As rodas também possuem o estilo da versão 16v, que era mais moderno que as rodas do 8v. 


Essa Parati também tem as saias laterais e as rodas no estilo da versão GTI 16v, que também existiu na perua. Mas este é um exemplar da versão CLi 1.8.


E nesse Gol GLi, nem a versão é original. Ele saiu da fábrica da Volkswagen como um modelo Atlanta, série especial em referência à localização das Olimpíadas de 1996. Mas esse carro foi todo desmontado e reconstruído, e até mesmo a cor da carroceria foi alterada, e se tornou esta bela tonalidade Verde Pantanal. Achou familiar esta descrição? Sim, você já viu este carro aqui no Auto REALIDADE: é o Gol 2.0 do Uri, que do final do ano passado até agora veio recebendo várias melhorias. 


Na parte externa, o conjunto óptico foi todo escurecido, combinando com os logotipos que já eram pretos. Na sessão de fotos feita em dezembro de 2019, este Gol ostentava rodas réplicas do Audi TT RS de 17 polegadas. Elas foram vendidas poucos dias após os cliques. Meses depois, veio este jogo de rodas de 5 raios, também de 17 polegadas. 


O interior de cada carro também tem suas modificações. Este GTI tem o volante ao estilo do Golf GTI MK7 e alguns mostradores que entregam as maldades: pressão do turbo na coluna dianteira e o visor da Fueltech no console. No quadro de instrumentos, ele trazia o computador de bordo, pomposamente batizado como "On Board Computer", que era apresentado em uma tela abaixo do conta-giros. Mostrava relógio, distância percorrida, tempo de viagem, velocidade média, autonomia, consumo de combustível médio e temperatura externa. Os instrumentos, aliás, tinham fundo exclusivo em branco. 


Os bancos dianteiros Recaro, com extensores para as coxas e apoios de cabeça vazados, eram praticamente uma obrigação para todo esportivo que se prezasse naquela época. E a padronagem de acabamento era exclusiva do GTI, com tecido em quadrados azuis, verdes e roxos nos bancos e forros de porta.


O Gol GTI vinha bem completo para os padrões de 1996, em que mesmo as versões mais caras dos automóveis ainda tinham oferta de muitos opcionais. Ele trazia de fábrica: computador de bordo, direção hidráulica, rádio com toca-fitas, alarme, para-brisa degradê, vidros dianteiros, travas e retrovisores elétricos, apoios de cabeça vazados, brake-light e revestimento de couro no volante e na alavanca de câmbio, entre outros. Opcionalmente, era possível incluir ar-condicionado, CD player e fechamento dos vidros associado ao travamento das portas.



Na Parati, o volante foi substituído pelo esportivo Lotse, com marcação central vermelha, e também foi feito um projeto de som que inclui falantes sobre a tampa do porta-malas. Esta CLi possui ar-condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos, além do hodômetro digital (nos primeiros Gol bola, era analógico). Um detalhe curioso está nas estampas coloridas nos veludos que cobrem forros de porta e bancos, e vieram nas versões GLi de Gol e Parati entre 1995 e 1996.



E no Gol GLi, que já tinha manopla de câmbio esportiva e um conta-giros enorme e com shift-light na coluna dianteira, vieram mais alguns upgrades. O quadro de instrumentos, que era o do Atlanta, foi substituído e agora traz conta-giros e iluminação em LED, presente também nos comandos do ar-condicionado. Outra modificação digna de nota foi a substituição do forro cinza de teto por um preto, incluindo também para-sóis, alças e acabamento das colunas, ajudando a compor o estilo All Black.



Além do turbo e da Fueltech FT 300, o GTI possui pistões e bielas forjados. A Parati também roda turbinada, e o GLi teve a substituição do motor pelo 2.0, movido a etanol, com turbina .50.48 Master Power, injeção eletrônica programável Fueltech FT 300, bomba de combustível Mercedes (12 bar) e escape em inox. Seu rendimento é de cerca de 200 cavalos.


A geração Bola de Gol e Parati deu lugar à "Geração III" em meados de 1999 - esta nomenclatura era pura jogada de marketing, já que as mudanças caracterizavam uma mera reestilização, e não uma remodelação. Mas ainda resistiu no mercado um modelo do Gol G2 - o Special, que duraria até o ano de 2005. Apesar de naquela época ser comum o antecessor de um carro conviver com o sucessor, a Volkswagen preferiu racionalizar a linha de produção e fazer apenas a linha "G4".



Com a existência da SpaceFox na gama de peruas oferecidas pela Volkswagen desde 2006, a Parati acabou sendo relegada a um segundo plano, cada vez mais simplificada em versões e itens disponíveis. Em meados de 2012, a outrora "station wagon mais jovem do País" deixou de ser fabricada.


O Gol acabou perdendo sua posição de supremacia no mercado brasileiro que outrora parecia inabalável, deixando de ser o carro mais vendido do País em 2014, sendo superado pelo Fiat Palio. Mas ele resiste no mercado, hoje em três versões: 1.0, 1.6 manual e 1.6 automática. Vida longa ao Gol!

Fotos - VW Gol GTI 1996, Gol GLi 1996 e Parati 1.8 Turbo 1997








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