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| Foto: Júlio Max/Auto REALIDADE |
Texto | Júlio Max
Fotos | Divulgação/Fiat/Stellantis Press
Há cinquenta anos, a Fiat iniciou a sua produção no Brasil - e, muito mais do que fabricar carros, esta marca se tornou parte da cultura, da história e do dia-a-dia de muitas pessoas, sendo também responsável por diversos pioneirismos e inovações técnicas no mercado nacional. Hoje, mesmo com muito mais opções de veículos disponíveis do que no ano de 1976, a Fiat é a montadora de automóveis com a maior participação de mercado do nosso País. Atualmente, o Brasil é responsável por cerca de 40% das vendas mundiais da marca, o que posiciona a operação nacional como a número 1 do mundo - acima até mesmo da Itália, país onde surgiu a Fiat (Fabrica Italiana Automobili Torino) no ano de 1899. O Auto REALIDADE destaca, nesta postagem, os marcos da marca responsável pela produção de mais de 19 milhões de veículos no Brasil, em suas fábricas em Betim (Minas Gerais) e Goiana (Pernambuco).
O início da Fiat no Brasil
A Fiat oficializou, no dia 6 de julho de 1973, que fabricaria automóveis no Brasil. E decidiu ir contra tudo o que seria esperado para uma montadora de veículos naquela época: ao invés de se estabelecer no Estado de São Paulo (afinal, a chamada região do "ABC paulista" - abrangendo as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul - concentrava a maior parte dos polos automotivos e dos fornecedores de autopeças do Brasil até então), a Fiat escolheu Minas Gerais para fundar a sua base produtiva - contribuindo com a descentralização do desenvolvimento industrial do País, mesmo com os inúmeros desafios logísticos existentes na época nesta região. O Estado de MG contribuiu de forma significativa com a viabilidade da implantação da fábrica da Fiat: além de estipular a sua participação societária, também forneceu parte da infraestrutura necessária para as operações locais, além de incentivos fiscais.

A Fiat se estabeleceu em uma vizinha da capital Belo Horizonte: a cidade de Betim - que, no início da década de 1970, era um município com população de aproximadamente 35 mil habitantes, e que não dispunha de fornecedores de autopeças estabelecidos até então.

No dia 9 de julho de 1976, a sirene da fábrica de Betim foi acionada, simbolizando o início da produção diante de personalidades como o então presidente mundial da Fiat, Giovanni "Gianni" Agnelli. Naquele primeiro ano de atividades, pouco mais de 3 mil unidades de veículos foram produzidas. Mas com o passar dos anos, a produção foi sendo ampliada, com mais modelos sendo incorporados à linha de montagem. A partir de 1978, a produção do Alfa Romeo 2300 foi transferida para Minas Gerais, e a 147 Pick-Up começou a ser fabricada. Destaca-se o fato de que a Fiat foi uma grande exportadora desde o início de suas operações (inclusive, em razão de um compromisso feito com o Governo Federal relativo ao envio de motores para outros países), como forma de dar destinação à capacidade produtiva local. Em 1983, cerca de 40 países em diversas partes do mundo recebiam os automóveis feitos em Betim, e a Fiat já era a montadora número 1 do Brasil em termos de volume de remessas de veículos para o exterior. Mais de 4 milhões de automóveis da marca foram exportados ao longo destes 50 anos.

A atividade industrial da Fiat veio acompanhada de ações para a preservação do meio ambiente. A publicidade de estreia do 147, veiculada no ano de 1976, já aludia ao fato de que o compacto atendia às normas antipoluição exigidas na Europa - bem antes do Brasil instituir o Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), em maio de 1986. Além disso, desde o ano de 1977, a fábrica da Fiat em Betim já reciclava materiais. A própria opção pela concepção de automóveis mais compactos também fazia com que a Fiat evitasse o desperdício de matérias-primas em grande escala. Em 1996, o nível de reciclagem de materiais na fábrica de Betim correspondia a cerca de 90%.

Em 1970, a população de Betim era de 35.174 habitantes e, já em 1980, este número mais do que dobrou, passando para 82.601 pessoas - o que ilustra o fato de ser uma das cidades que mais cresceu no Brasil durante o século XX. Ao longo dos anos, diversas empresas e indústrias prestadoras de serviços se estabeleceram nas redondezas da fábrica da Fiat em Minas. A expansão populacional continuou no século XXI: o Censo mais recente, de 2022, revelou que 411.846 pessoas viviam em Betim no começo desta década. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2023 mostra que esta cidade de Minas Gerais está na 25ª posição da lista de municípios com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil - à frente de muitas capitais do nosso País. Chama a atenção o crescimento constante do PIB per capita de 2020 a 2023. Também de acordo com o IBGE, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Betim saltou de 0,45 para 0,789 somente no período entre 1991 a 2010, em uma escala que vai de 0 a 1. Todos estes indicadores demonstram que a chegada da Fiat contribuiu, de forma significativa, com o desenvolvimento social, econômico e industrial de Betim, de Minas Gerais e do Brasil.
O primeiro Fiat nacional: o inovador 147

A Fiat escolheu o 127, lançado na Europa no ano de 1971, como o ponto de partida para o desenvolvimento de seu carro brasileiro. Afinal, era um de seus projetos mais recentes na época, e com dimensões um pouco maiores em relação aos pequeninos 500 e 126. Testes em várias regiões do País executados a partir de 1973 mostraram que, para se adequar melhor às condições de rodagem do Brasil, o veículo nacional teria que receber reforços no conjunto de suspensão, aprimoramentos na vedação da carroceria e um motor mais potente. Para completar, foram efetuadas mudanças no visual especificamente para o primeiro Fiat nacional, que recebeu até mesmo um nome diferente: 147.

Em meio a carros de dimensões opulentas e com motores beberrões que ainda dominavam as ruas e estradas do Brasil na década de 1970, o 147 tinha características mais racionais - como o comprimento da carroceria de 3,63 metros (mesmo considerando os modelos compactos das outras marcas até então, o Fiat chegou como o único do segmento a ter menos de 4 metros de comprimento), acompanhado de um amplo aproveitamento do espaço da cabine (conforme a marca, 20% do volume do 147 era ocupado pelo conjunto mecânico e 80% era aproveitável para a acomodação dos passageiros e das bagagens), além do consumo de combustível reduzido, um dos menores entre os automóveis nacionais - característica que se tornou ainda mais desejável e racional após os efeitos das Crises do Petróleo, que foram sentidas no Brasil. Para comprovar a economia de seu veículo, a Fiat resolveu por o 147 para percorrer os 13,290 quilômetros da ponte Rio-Niterói com um único litro de gasolina comum, com quatro pessoas a bordo e na velocidade normal da via. Resultado: o 147 conseguiu terminar a travessia - e ainda havia um pouco de gasolina restante na bureta de medição. Já no Salão do Automóvel de São Paulo de 1976, a Fiat revelou o primeiro protótipo do 147 movido a álcool - combustível que vinha sendo cogitado como uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo a partir do programa governamental Proálcool, criado no ano anterior.
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O 147 também foi o primeiro automóvel produzido no Brasil com motor dianteiro montado em posição transversal, concepção que otimizava o aproveitamento do espaço da cabine, além de ter transmissão também instalada transversalmente e estepe montado no cofre dianteiro. Já o encosto do banco traseiro era rebatível, permitindo ampliar o espaço do porta-malas. O pioneiro Fiat nacional tinha pneus radiais, que contribuíam com a elogiada estabilidade da carroceria, além de coluna de direção retrátil com duas articulações, para minimizar o risco de invadir a cabine e machucar o motorista em caso de colisões frontais. A preocupação com a segurança também estava presente nas estruturas de deformação programada da carroceria, tanto na dianteira quanto na traseira, mantendo a área da cabine mais rígida para maior integridade dos passageiros. Um conceito moderno para a época, e aplicado aos automóveis até hoje.
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Parte dos aprimoramentos pensados para o Fiat 147 chegaram a ser aplicados ao 127 vendido na Europa; além disso, o modelo brasileiro foi comercializado no Velho Continente (com o nome 127) em algumas versões, incluindo a opção com apelo fora-de-estrada Rustica e a gama movida a diesel. A partir do 147, um hatchback com carroceria dois-volumes, nasceu uma família de modelos: 147 Pick-Up e City (picapes), Fiorino (furgão/multiuso), Furgoneta (hatch furgão), Panorama (perua), Spazio (variação mais sofisticada do 147) e Oggi (sedan). Anos depois, Uno e Palio também deram origem a uma extensa linhagem de derivados. E, contrariando a lógica habitual de encerrar a produção de um carro ao mesmo tempo em que seu sucessor chegava ao mercado, o 147 conviveu por algum tempo com o Uno nas concessionárias Fiat. A estratégia se repetiu várias vezes ao longo dos anos e também foi adotada por outras marcas. Em 2026, a Fiat se encarregou de confirmar que o Argo, fabricado desde 2017, continua em produção após a estreia do Argo X.
147 Pick-Up, a primeira picape compacta do Brasil

Apresentada durante o XI Salão do Automóvel de São Paulo, de 1978, a Fiat 147 Pick-Up foi a precursora do segmento de picapes compactas no Brasil - feitas com base em um monobloco de automóvel de passeio, ao invés do método da carroceria montada sobre chassi. A 147 Pick-Up mantinha o comprimento total da carroceria e a distância entre-eixos do hatch, conciliando o espaço aberto para cargas a uma dirigibilidade similar à de um automóvel de passeio - atendendo a quem queria um veículo para trabalho e também para atividades de lazer. Ao longo da década de 1980, Ford, Chevrolet e Volkswagen acompanharam esta tendência, e desenvolveram as picapes Pampa, Chevy 500 e Saveiro, respectivamente. A 147 Pick-up deu origem a uma dinastia bem-sucedida que contou com Pick-Up City, Fiorino e Strada. Além disso, a Fiat adotou como convenção se referir a estas utilitárias no gênero feminino - algo que outras marcas levaram muitos anos para fazer.
Os utilitários criados com base no Fiat 147
O Furgoneta (nome oficial do 147 Furgão) e a Fiorino derivada do 147 (que tinha alternativas de carroceria furgão, vidrada e para transporte de passageiros) foram modelos que ajudaram a consolidar, em nosso País, o nicho de veículos utilitários derivados de automóveis de passeio compactos - que continuou nos anos seguintes com o Uno Furgão, as gerações mais recentes do Fiorino e, mais recentemente, o Mobi adaptado para uso dos Correios. Mais práticos para a utilização em vias apertadas e congestionadas, estes modelos também ofereciam uma dirigibilidade mais confortável na comparação com outros veículos de serviço da época.
O primeiro carro de produção em série movido a álcool no mundo
No fim da década de 1970, o Brasil vivia tempos de racionamento da gasolina. O preço do litro do combustível derivado do petróleo estava significativamente mais caro do que no começo da década, e os postos fechavam à noite e também aos finais de semana. Reportagens e campanhas para racionalizar ao máximo o uso dos veículos e para não ultrapassar os 80 km/h nas estradas foram veiculadas. Diante desta realidade, o álcool foi encarado como uma alternativa que visava reduzir a dependência do petróleo com mais sustentabilidade. Sendo um produto originado da cana-de-açúcar, ele é um combustível renovável - já que pode haver o replantio da cana, com colheita na safra subsequente. Por outro lado, a gasolina é derivada do petróleo, de extração bem mais complexa e cuja formação natural demanda alguns milhões de anos para ocorrer.

Em 1979, a Fiat saiu na frente das demais montadoras ao adaptar o motor 1300 do 147 para a utilização de álcool hidratado. Na época, apesar do estabelecimento do Proálcool (Programa Nacional do Álcool), o combustível derivado da cana-de-açúcar ainda não estava livremente disponível nos postos em nosso País. Ele já era adicionado à gasolina no Brasil, mas em proporções bem menores do que nas décadas seguintes. Para ser movido por 100% de álcool, o Fiat 147 tinha motor com taxa de compressão mais elevada, reservatório de gasolina para auxiliar na partida a frio e bomba de combustível com maior vazão, entre outras modificações. Gradativamente, a Fiat e outras montadoras de automóveis nacionais passaram a oferecer mais veículos com motores a álcool, ajudando os brasileiros a terem mais confiança neste combustível: em 1985, nada menos que 96% dos carros novos eram movidos a álcool. No caso do 147, cerca de 120,5 mil unidades abastecidas com o combustível originado da cana-de-açúcar foram produzidas no Brasil.
Muitos anos depois, quando o álcool para os veículos esteve em baixa e desacreditado, a Fiat novamente o reabilitou: em 1998, o Palio recebeu o primeiro motor 1.0 movido pelo combustível de origem vegetal, e outros modelos da marca também receberam opções de propulsores a álcool. Em 2003, a Fiat apresentou o Palio 1.3 Flex, primeiro modelo do seu portfólio capaz de rodar com gasolina, etanol ou a mistura dos dois combustíveis em qualquer proporção - mais uma vez, ajudando a popularizar esta tendência no Brasil, dando também o poder de escolha ao consumidor na hora de abastecer. Hoje, praticamente toda a gama da Fiat oferecida nacionalmente é flex-fuel (excetuando-se somente os modelos movidos a diesel e elétricos).
Uno, o carro mundial da Fiat

Em 1984, o Fiat Uno chegou ao Brasil adotando o conceito de carro mundial: um mesmo veículo comercializado em diversos países com relativamente poucas adaptações regionais. Para o Brasil, o Uno passou por alterações no conjunto de suspensão para entregar maior robustez, aproveitou os já consagrados motores do 147 com pequenas modificações e passou a alojar o estepe sob o capô - que passou a se estender para as laterais no modelo nacional. Com coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,35, reduzido para a época na sua categoria, o Uno trazia características como maçanetas externas no mesmo nível da lateria (na carroceria de duas portas), limpador dianteiro único com maior área de varredura, ausência de quebra-ventos ou calhas protuberantes no teto e uma carroceria com dianteira em formato de cunha e traseira de formas truncadas. O estilo da carroceria era assinado pelo renomado designer Giorgetto Giugiaro, que também foi responsável pela primeira reestilização da linha Palio (apresentada em 2000) e pelo desenho do Punto (2007) - apenas para citar alguns modelos que foram vendidos no Brasil.
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Dentro do carro, o já notável aproveitamento do espaço interno dos carros da Fiat se somava a outros cuidados para melhorar a ergonomia. O Uno agrupava os comandos de luzes e de limpadores em comandos-satélite próximos do volante, facilitando o manuseio. Já a grande área envidraçada garantia boa visibilidade do entorno da carroceria, enquanto o cinzeiro móvel sobre o painel garantia maior praticidade para os ocupantes - em uma época em que fumar no carro era comum. E o estepe no cofre do motor ampliava o espaço para bagagens no porta-malas. Em 1985, Uno e Prêmio passaram a dispor como opcional de um item inédito entre os carros nacionais até então: o computador de bordo, que permitia conferir informações variadas: consumo de combustível instantâneo e médio, quilometragem percorrida, autonomia, velocidade média, hora, data e cronômetro, em um display digital à direita do velocímetro. Somando as suas duas gerações (a primeira fabricada entre 1984 e 2013, e a segunda feita de 2010 a 2021), o Uno teve mais de 4,3 milhões de exemplares produzidos, o que faz dele o carro com o maior volume de unidades fabricadas pela Fiat no Brasil até agora.
A popularização dos automóveis de quatro portas no Brasil
Até a década de 1980, a maioria dos carros no Brasil eram mais bem-aceitos pelos consumidores quando tinham carroceria de apenas duas portas - principalmente os modelos de tamanho compacto e até mesmo automóveis de porte médio. Na segunda metade dos anos 80, a Fiat começou a oferecer versões quatro-portas do sedan Prêmio (1987) e da perua Elba (1989), ajudando a consolidar a preferência dos consumidores brasileiros pelos veículos que oferecessem estas entradas adicionais, mais práticas para o acesso dos ocupantes do banco traseiro. A acolhida do público foi tão calorosa que seus sucessores Siena e Palio Weekend, ambos lançados em 1997, sempre existiram unicamente com quatro portas.
Uno Mille, o precursor dos carros populares
No ano de 1990, a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis com motores até 1000 centímetros cúbicos foi reduzida de 40% para 20% no Brasil. A Fiat acompanhou esta movimentação do governo com agilidade e apresentou o Uno Mille, o precursor do segmento dos carros populares. O Mille tinha preço bastante atraente entre as opções de automóveis zero-quilômetro e fez sucesso junto a um público que, até então, dependia do transporte público ou só tinha condições de comprar um carro usado. Já no ano de 1991, o Uno Mille era responsável, sozinho, por cerca de 50% de todas as vendas de automóveis da Fiat. Só no ano de 1992 é que outras montadoras apresentaram rivais para o Mille, como o Chevrolet Chevette Júnior e o Volkswagen Gol 1000.

Mais do que oferecer preço, espaço interno e consumo de combustível atraentes, o hatch de entrada da Fiat também foi responsável por oferecer mais alternativas de itens de comodidade para os consumidores do segmento popular no Brasil. O modelo Electronic, de 1992, chegou com opção de carroceria com quatro portas; logo depois, em 1993, houve a disponibilidade do ar-condicionado (incluindo uma centralina que desativava automaticamente o compressor de ar quando o motor 1.0 era mais exigido). A versão ELX, lançada em 1994 com visual mais jovial, trazia travamento elétrico centralizado das portas, ar-condicionado e vidros dianteiros elétricos na lista de opcionais. Em 1995, o popular da Fiat passou a ter a injeção eletrônica de combustível, para maior eficiência. O sucesso do Mille lhe garantiu uma extensa sobrevida mesmo após o surgimento do Palio - que muitos diziam que seria o seu sucessor.

Vieram novas versões, reestilizações, motor flex-fuel e adição de itens de conforto (como a direção hidráulica, disponível como acessório a partir de 2004) e de eficiência (o econômetro, introduzido no modelo Economy de 2008, permitia conferir se a condução estava sendo mais ou menos frugal). O Mille Way, introduzido em 2006, recebia suspensão elevada em 4,4 centímetros, ampliando a valentia deste modelo para superar terrenos acidentados. O fim da produção foi marcado pela série Grazie Mille, limitada a 2000 unidades. O Uno Mille foi um grande expoente do segmento dos automóveis 1.0, que cresceu bastante no Brasil - tanto na participação de mercado quanto na diversidade de opções para os consumidores. Depois dele, surgiram sedãs, peruas, picapes e SUVs com motor 1.0, além de alternativas com turbocompressor, câmbio automático e injeção direta de combustível.
Tempra, o primeiro carro médio da Fiat no Brasil

Em 1991, a Fiat comemorou seus 15 anos de produção no Brasil em grande estilo com o lançamento do Tempra, a sua primeira aposta no segmento de automóveis de porte médio. Mesmo após a reabertura do mercado nacional aos carros importados, ocorrida no ano anterior, o Tempra marcou época: seu projeto era mais atual na comparação com seus rivais diretos - o que se refletia em aspectos como: melhor aerodinâmica da carroceria, maior ângulo de abertura das portas e melhor aproveitamento do espaço interno, inclusive de seu porta-malas.

Em 1993, o Tempra foi o primeiro automóvel nacional com opção de motor com 16 válvulas, acompanhado da injeção eletrônica digital multiponto. Com mais potência (127 cavalos) no propulsor 2.0, o sedan da Fiat ficava notavelmente mais ágil (conforme dados de fábrica, a aceleração de 0 a 100 km/h ocorria em 9,8 segundos) - e ainda passava a oferecer itens opcionais como bancos dianteiros com ajustes elétricos, retrovisor interno eletrocrômico, revestimentos de couro, freios ABS e CD Player com espaço para seis discos.
Os primeiros Fiat turbinados
Em 1994, a Fiat lançou o Uno Turbo i.e., primeiro automóvel de passeio nacional a ter turbocompressor de fábrica. A turbina Garrett T2 veio acompanhada de aprimoramentos no conjunto mecânico, inclusive nos freios, no conjunto de suspensão, nos pneus e no câmbio manual. Com motor 1.4 de 116 cavalos (potência equivalente à de um propulsor 2.0 aspirado na época) e carroceria leve, o Uno Turbo era bem mais ágil que seus rivais diretos. O visual também ganhava detalhes mais esportivos, e a cabine trazia instrumentação completa. Logo depois, a Fiat apresentou o Tempra Turbo, com carroceria de duas portas, turbina Garrett T3 e motor 2.0 de 165 cavalos. Este sedan acelerava de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e atingia a velocidade máxima de 220 km/h, conforme dados de fábrica - números que faziam dele o carro mais veloz fabricado no Brasil.

Posteriormente, a Fiat apresentou o Tempra Stile - que tinha a discreta carroceria de quatro portas, mas trazia o mesmo propulsor 2.0 Turbo sob o capô. O tempo passou e o turbocompressor, antes reservado a carros de roupagem esportiva, foi gradualmente sendo incorporado a diversas categorias de automóveis como uma parte da estratégia chamada downsizing: um motor menor, geralmente mais leve e dotado de tecnologias que permitem a entrega de potência e torque equivalentes aos números extraídos de motores maiores naturalmente aspirados, é capaz de conciliar melhor performance com a redução de gastos de combustível e a diminuição da emissão de poluentes.
O inovador sistema Mille On-Line
No ano de 1994, a internet ainda não estava disponível para livre acesso no Brasil. Mesmo assim, a Fiat deu um jeito de criar a sua própria rede de computadores e concebeu o sistema On Line para ajudar a organizar os pedidos de pessoas interessadas em comprar um Uno Mille. Antes, era comum que se formassem filas de promitentes compradores. Na época, frequentemente se ouvia falar no "ágio", um sobrepreço pago sobre o valor de tabela do hatch popular, que refletia a alta demanda por este modelo.

O sistema Mille On-Line permitia que o consumidor encomendasse o carro com as características desejadas (cor da carroceria, opcionais, duas ou quatro portas, entre outras), mas levando-se em consideração a tabela de preço sugerida pela Fiat. Este sistema era operado através dos computadores instalados nas revendas, que eram ligados diretamente com a fábrica. Resultado: 170 mil inscrições de interessados foram feitas somente no primeiro ano de implementação desta inovação. Em 1996, o sistema On Line foi estendido ao Palio e ao restante da gama da Fiat no Brasil.
Tipo, o primeiro automóvel nacional com airbag
Em fevereiro de 1996, o Fiat Tipo 1.6 mpi se tornou o primeiro carro nacional com airbag para o motorista, disponível como opcional. A bolsa inflável que protege o ocupante em caso de colisões já vinha sendo adotada nos automóveis em diversos mercados pelo mundo - mas, até então, nenhuma montadora havia se atrevido a pôr o item em um carro feito no Brasil.

Poucos meses depois, o Palio chegou com airbags frontais (para motorista e passageiro dianteiro; também havia a opção de adquirir somente o airbag para o condutor), cintos dianteiros com pré-tensionadores e freios anti-travamento (ABS) como itens opcionais para todas as suas versões - inclusive nas opções de entrada que tinham motor 1.0. Em 1997, a Palio Weekend Stile inovou ao incluir de série o airbag para o motorista. Isso em uma época em que rivais da mesma faixa de preço não dispunham de nenhuma bolsa inflável nem sequer como opcional...
Palio, o carro nascido com preocupações com o meio ambiente

Quando foi lançado, em 1996, o Fiat Palio já estava inserido em um contexto de crescentes preocupações da sociedade com aspectos como aquecimento global, animais ameaçados de extinção, poluição e escassez de recursos naturais. Além de dispensar o gás CFC (clorofluorcarboneto, apontado como o principal causador da destruição da camada de ozônio do planeta Terra) em seu sistema de ar-condicionado e nas suas espumas, e de abolir o uso do amianto em partes como pastilhas, lonas de freio e juntas, o hatch compacto da Fiat foi desenvolvido sob o projeto de reciclagem de componentes F.A.Re (Fiat Auto Recycling, iniciado em 1992 na Itália). Ele foi concebido para ser desmontado com mais facilidade após sua vida útil, facilitando o procedimento de reciclagem. Todas as partes plásticas com peso acima de 50 gramas eram gravadas com o tipo de material utilizado em sua fabricação, ajudando na separação de itens (como vidros, para-choques e espumas) para trituração e posterior reaproveitamento. A marcação também ajudava a separar o plástico reaproveitável do não-aproveitável e os materiais ferrosos dos não-ferrosos. Alguns tipos de plásticos poderiam ser reutilizados até três vezes: na primeira fase, eles poderiam ser aproveitados nos para-choques. Na segunda etapa, eles poderiam estar presentes em componentes como dutos de ar. Na terceira fase, eles poderiam virar base para o carpete. Por fim, o lixo plástico poderia ser transformado em combustível por meio do processo químico de decomposição térmica de pirólise. Já os para-brisas poderiam ser reutilizados para fazer, por exemplo, garrafas.
Marea, o primeiro Fiat com motor de cinco cilindros
Em 1998, a Fiat lançou o sedan Marea e a station wagon Marea Weekend, ambos com o motor 2.0 de cinco cilindros e 20 válvulas em todas as versões. Este propulsor contava com um eixo contra-rotante, que girava em sentido oposto ao do virabrequim, com o objetivo de reduzir os níveis de ruídos e vibrações. O projeto moderno desta linha incluía itens como os faróis polielípticos com regulagem elétrica de altura (de série em todas as versões, com lavadores opcionais nas versões SX e ELX, e de série no topo-de-linha HLX) e os comandos de som integrados ao volante na versão HLX. Já em 1999, sedã e perua passavam a ter a versão Turbo, com motor 2.0 20v de 182 cavalos. Neste mesmo ano, o Marea também foi o primeiro automóvel da Fiat feito no Brasil a dispor de side-bags como opcional (airbags laterais, embutidos nos bancos dianteiros, que no Marea estavam associados ao assento do motorista com regulagens elétricas).
A dupla Siena/Palio Weekend 1.0 com câmbio de 6 marchas e o Palio Citymatic
Na segunda metade da década de 1990, montadoras no Brasil passaram a adotar motores 1.0 aspirados em sedãs e peruas. Eram veículos de proposta familiar, e que se propunham a rodar com mais passageiros e bagagens. A Fiat decidiu aplicar o câmbio manual de 6 marchas para o Siena e a Palio Weekend 1.0 mpi, com relações mais curtas entre si para melhor aproveitamento dos 61 cavalos no uso cotidiano. O conta-giros, item importante para acompanhar o regime de rotações do propulsor, era item de série nos dois modelos.

Lançado no fim de 1999, o Palio Citymatic foi uma versão criada com base na boa-aceitação da embreagem acionada automaticamente nas "clínicas" de mercado, feitas com potenciais consumidores. Com motor 1.0 e câmbio manual de 5 marchas, ele não tinha pedal de embreagem (o que fazia com que o pedal do freio passasse a ter tamanho equivalente ao dos veículos com câmbio automático). A partir do momento em que a mão do condutor era colocada sobre a alavanca, o sistema eletrônico atuava sobre a embreagem. O motorista continuava a efetuar as trocas de marcha na alavanca, mas era poupado do cansaço na perna esquerda oriundo do esforço de acionamento do pedal da embreagem. Durante as trocas, bastava soltar o pedal do acelerador (assim como em um carro com embreagem tradicional) para evitar desgaste do conjunto mecânico.
Strada, a primeira da categoria com cabine estendida e cabine dupla
A Fiat Strada, picape derivada do Palio apresentada em 1998, foi a primeira do segmento a ter a opção da cabine estendida, no ano de 1999. O interior passava a ter cerca de 30 centímetros adicionais na parte traseira, sem alteração do comprimento da carroceria. O espaço a mais atrás dos bancos permitia acomodar mais objetos na parte interna com maior segurança, e também era possível aumentar o conforto ao reclinar os encostos para as costas. Além disso, a área envidraçada ficava maior com a adoção das janelas fixas atrás das portas, e a picape podia receber o teto solar na parte traseira como opcional. Uma fórmula que fez sucesso - e que demorou a ser copiada pelas rivais. Já no ano 2000, a Strada passou a ser a líder do segmento em vendas.
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Dez anos depois, em 2009, a Strada estreou a alternativa da cabine dupla - tornando-se a primeira picape compacta fabricada em série a ter capacidade de transportar quatro pessoas. Mantendo-se a distância entre-eixos e o comprimento da carroceria, a cabine foi deslocada mais 20 centímetros para trás em relação à Strada com cabine estendida. No ano de 2013, as versões com cabine dupla passaram a ter uma terceira porta do lado direito para facilitar o acesso dos passageiros traseiros. Ela se abria em sentido contraposto ao da porta do carona dianteiro. O projeto dispensou a presença de pilar central entre as duas portas, para disponibilizar uma maior área de acesso ao banco traseiro.
Palio Adventure, a pioneira entre os carros de proposta aventureira

No final da década de 1990, a febre dos utilitários esportivos tomou conta do Brasil. A Fiat se deu conta, após pesquisas de mercado, de que 88% dos proprietários de veículos deste nicho não acionavam a tração nas quatro rodas em seus percursos. E, em 1999, ela lançou a Palio Weekend Adventure, versão mais preparada para trilhas moderadas - com suspensão elevada, para-choque dianteiro com quebra-mato e faróis auxiliares, pneus de uso misto, molduras de proteção em plástico fosco e estribos laterais, mantendo o motor 1.6 8v presente em outras versões da perua e a tração nas rodas dianteiras. Bem mais acessível do que os SUVs de então, a versão Adventure da Weekend fez muito sucesso no Brasil e foi estendida a Strada (2001), Doblò (2003) e Idea (2006), além de criar em nosso País o segmento dos veículos de passeio com proposta aventureira - que vinham de fábrica cheios de apetrechos na carroceria para deixar o visual mais robusto.
Brava, o Fiat que podia ser adquirido pela Internet
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| Capturas de tela do site www.fiatbrava.com.br feitas a partir do Archive.org |
No ano de 1999, a Internet já estava mais difundida no Brasil. A Fiat lançou o notchback Brava juntamente com o site www.fiatbrava.com.br, que permitia aos consumidores fazer a aquisição deste modelo de forma mais prática: em casa, através de um computador conectado à rede. Além de fazer a configuração do veículo, com escolha da cor externa e opcionais, era possível consultar as condições de financiamento, leasing e consórcio. Em seguida, a prática da venda online foi difundida a outros carros da marca, como Palio Young e Mille Smart. Além da maior comodidade, a compra pela internet também representava uma ligeira redução no valor do carro, já que a carga tributária sobre o veículo era menor. Para fechar negócio, o cliente se direcionava à concessionária Fiat de sua preferência - mantendo-se o vínculo entre a marca, a rede de autorizadas e o consumidor.
A conquista da liderança do mercado brasileiro

Em 2001, a Fiat chegou à cobiçada primeira posição do mercado de automóveis no Brasil. Conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) daquele ano, a Fiat vendeu, no atacado, 373.691 automóveis e 41.714 comerciais leves. No varejo, a participação de mercado da marca chegou a 27,1%. Entre os dez automóveis mais vendidos de 2001, quatro modelos da Fiat constaram no ranking: Palio, Uno, Palio Weekend e Siena. A Fiat conquistou novamente a liderança do mercado nacional em 2002, 2003, 2005, 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025. E, neste ano de 2026, a Fiat também está liderando o ranking de emplacamentos de automóveis e comerciais leves em nosso País.
Stilo, o hatch médio cheio de inovações

Em 2002, a Fiat apresentou ao mercado brasileiro o Stilo, hatch médio que trouxe uma série de itens inéditos para o segmento e se destacou como o primeiro veículo fabricado no Brasil com a opção de oito airbags na versão Abarth: dois frontais, quatro laterais e mais dois de cortina. Foi também o primeiro automóvel nacional com direção elétrica (de série em todas as versões), que incluía o mecanismo Dual Drive, acionado pelo botão "City" no console. Ele deixava a assistência da direção 50% mais leve em velocidades baixas, de até 36 km/h.

Outras inovações disponíveis no Stilo há mais de vinte anos são desejáveis até os dias de hoje: ar-condicionado Dual Temp (com duas zonas de temperatura separadas para motorista e passageiro dianteiro), MyCar (ferramenta de personalização de funções do veículo, como configurações de travamento/destravamento das portas, ativação de alerta de velocidade excedida, configuração do volume dos bipes, etc), Sky Window (teto solar elétrico panorâmico, com cinco lâminas, sendo que quatro delas deslizavam para a parte traseira), sistema de som com reprodução de arquivos MP3, dois porta-objetos no lado direito do painel e o sistema NGI (Next Generation Interior), que incluía bancos traseiros bipartidos com assentos deslizantes e encostos reclináveis, além do banco do passageiro dianteiro com mesinha, gaveta sob o assento e encosto rebatível para a frente. Dois anos depois, em 2004, o Stilo novamente foi destaque no Brasil com a série especial Connect, que trazia Bluetooth incorporado ao sistema de som, permitindo a conexão com celulares compatíveis com esta tecnologia para atender chamadas telefônicas sem precisar mexer no telefone ou colocá-lo entre o ombro e a orelha.
Idea, pioneiro na adoção dos vidros laterais laminados entre os carros feitos no Brasil
O monovolume Fiat Idea, apresentado ao Brasil em 2005, entrou para a história por ser o primeiro carro nacional a contar com vidros laminados nas portas, de série na versão topo-de-linha HLX. Com duas camadas de vidro unidas por um polímero, a solução contribuía com uma série de aspectos: os vidros laminados são mais resistentes a choques e variações térmicas, além de ajudarem a reduzir o nível de ruído e a filtrar mais os raios ultra-violeta emitidos pelo Sol. No Idea HLX, os vidros laterais traseiros também eram mais escurecidos em relação às janelas dianteiras. Outro destaque do monovolume era o teto solar elétrico panorâmico Skydome (opcional), que ocupava 70% da área do teto. Em 2008, o sedan Linea chegou ao mercado com vidros das portas laminados até na versão de entrada 1.9 16v.
Siena Tetrafuel: quatro combustíveis em um carro
Em 2006, a Fiat completou 30 anos de Brasil e apresentou o Siena 1.4 Tetrafuel, o primeiro carro do mundo produzido em série capaz de rodar com quatro tipos de combustível: gasolina brasileira (com adição de álcool anidro), álcool hidratado, gás natural veicular (GNV) e gasolina sem álcool, oferecida em países do Mercosul. Este sedan tinha um sistema de gerenciamento eletrônico desenvolvido pela Magneti Marelli. Priorizando a economia, o sistema optava primordialmente pela utilização do GNV. Mas quando os sensores da centralina detectavam a necessidade de mais força para fazer uma ultrapassagem mais rápida ou subir uma ladeira, a comutação para o combustível líquido era feita automaticamente, sem a necessidade de apertar botões para a operação - como era comum ocorrer nas adaptações feitas fora da fábrica.
As inovações tecnológicas de Punto e Linea

Lançado no Brasil em 2007, o Punto inovou ao trazer o sistema Blue&Me, desenvolvido pelo Centro de Pesquisas da Fiat em parceria com a Microsoft e com suporte da Magneti Marelli, que permitia operar comandos avançados para a época. Disponível como opcional, este sistema fazia a leitura de mensagens SMS em voz alta pelos alto-falantes do carro e incorporava o reconhecimento de voz, que permitia comandos como a discagem de números de telefone através de qualquer nome memorizado na agenda, ou então dígito por dígito. Também eram entendidos os comandos ao sistema de som, para alternar entre faixas de música ou parar a reprodução de áudio, por exemplo. Já o Linea, apresentado em 2008, chegou com uma evolução deste sistema: o Blue&Me Nav. Este sedan foi o primeiro modelo feito no Brasil a dispor de instruções de GPS embarcadas no veículo: o quadro de instrumentos poderia mostrar ícones de orientação da direção a ser seguida e o nome da via, que se complementavam às instruções por voz. Na reestilização feita em 2012, o Punto passou a contar com o Fiat Social Drive, plataforma que permitia ouvir no carro as atualizações de portais de notícias e redes sociais (entre elas, Facebook, Twitter e Foursquare), como forma de evitar que condutores manuseassem o celular durante a condução.
Locker, o dispositivo que ajudava a sair de enrascadas

Em 2008, o Brasil vivia a febre dos carros de visual aventureiro - mas pouquíssimos destes veículos tinham características técnicas que lhes permitissem participar de incursões mais ousadas em terrenos fora-de-estrada. A Fiat foi a primeira fabricante do mundo a lançar um automóvel de tração dianteira (4x2) com bloqueio de diferencial: o Locker, feito em parceria com a Eaton e que estreou na reestilização da perua Palio Adventure. Com este sistema, ela passava a ter condições de superar situações em que uma das rodas dianteiras girava em falso (como em subidas íngremes, pisos molhados ou terrenos com areia ou barro). O bloqueador de diferencial permitia igualar a distribuição de torque entre os dois semi-eixos, tornando possível que a roda dianteira com mais aderência girasse e movesse o veículo. Logo depois, o sistema Locker também passou a ser disponibilizado para outros modelos da linha Adventure da Fiat, como Idea, Doblò e Strada.
Fiat FCC III Mio, o primeiro carro-conceito colaborativo do mundo

Desde o ano de 2006, virou tradição a Fiat desenvolver um carro-conceito especificamente para a apresentação no Salão do Automóvel de São Paulo a cada dois anos. Foi assim com o FCC (Fiat Concept Car) Adventure de 2006 e com o FCC II "Bugster" de 2008. Em julho de 2009, a Fiat anunciou que estava desenvolvendo mais um carro-conceito, desta vez utilizando um método que ainda não havia sido utilizado por uma marca de automóveis: a criação com sugestões do público geral em uma plataforma aberta na internet, a Creative Commons, que permitia o livre acesso a informações. Foi criado o site http://fiatmio.cc, para que qualquer pessoa pudesse contribuir com a definição de diversas características do veículo - entre elas, tipo de conjunto mecânico, aspectos de design, itens de segurança, materiais empregados na carroceria e interface com o usuário. Cerca de 17 mil pessoas se cadastraram no site e mais de 10 mil ideias foram encaminhadas. Todas as sugestões dadas foram consideradas pelo Centro Estilo da Fiat, que posteriormente determinou as especificações técnicas do protótipo. No ano de 2010, a Fiat apresentou o resultado desta iniciativa inovadora: o Mio, ou FCC III.

O carro-conceito que foi apresentado no Salão de São Paulo de 2010 se originou a partir de duas vertentes de design (Sense e Precision, esta última a que mais prevaleceu no veículo final) que reuniam as características do que deveria ser o carro ideal na opinião dos internautas. As ideias convergiram para um automóvel urbano, supercompacto, com utilização de energia limpa e materiais ecológicos. As exigências incluíam integração do carro com o celular; reprodução de mídias, GPS e outros itens tecnológicos através de sistema operacional próprio, com tela de controle sensível ao toque; head-up display para projeção de informações no campo de visão do motorista e autodiagnóstico do veículo. Um carro para duas pessoas, com 2,50 metros de comprimento, 1,56 m de largura e 1,53 metro de altura.
Uno Evolution, o primeiro carro nacional com Start&Stop
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Na reestilização promovida no Uno em agosto de 2014, a Fiat reservou uma novidade para a versão Evolution 1.4, sucessora da opção Economy 1.4. O hatchback compacto se tornou o primeiro automóvel nacional equipado de série com o sistema Start&Stop, e também o primeiro carro com motor flex-fuel dotado deste recurso. Em paradas de trânsito, com o Uno Evolution parado e o câmbio em neutro, o motor era automaticamente desligado. Para reiniciar o propulsor, bastava pisar no pedal de embreagem. Tanto a bateria de 12 Volts quanto o alternador eram dotados de maior capacidade em relação às outras versões, para resistir a mais ciclos de desligamento e religamento. O motor de arranque também passou por modificações. E depois de 2 minutos e 45 segundos, se o ar-condicionado estivesse desligado (ou 1 minuto, com ar ligado), o motor era automaticamente religado para proteger a carga da bateria (aliás, o sistema desliga-religa só operava se a bateria estivesse acima de 75% de carga). Com o tempo, o Start&Stop foi sendo gradativamente adicionado a outros carros da Fiat.
2014, o ano em que o Palio foi líder de vendas no Brasil

Desde a década de 1990, a Fiat esteve muito próxima, em algumas ocasiões, de ter o automóvel líder de vendas em nosso País. No ano de 1994, a marca só não tirou o título do Volkswagen Gol porque os emplacamentos do popular Mille eram contabilizados de forma separada em relação às outras versões do Uno - diferentemente da VW, em que se agrupavam as estatísticas de vendas desde os exemplares básicos 1000 até os esportivos GTi. Fiat Tipo (em 1995) e Fiat Palio (em 2006) ultrapassaram o Gol em vendas, mas somente durante alguns meses. Em 2014, foi diferente: em junho daquele ano, o Palio tomou a liderança do hatch da VW no ranking de emplacamentos, e continuou a ser o mais vendido do Brasil por seis meses consecutivos. Em dezembro daquele ano, a Volkswagen até emplacou mais exemplares do Gol, mas já era tarde demais: no acumulado de 2014, o Palio teve 184.337 unidades comercializadas - e o Gol, 183.368. O feito inédito fez a Fiat criar o Palio Best Seller, pacote com mais equipamentos para a versão Attractive com motor 1.0 ou 1.4.
Toro, o primeiro produto da Fiat feito em Goiana
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| Foto: Júlio Max/Auto REALIDADE |
No ano em completou quatro décadas de produção no Brasil, a Fiat apresentou a Toro: o primeiro veículo da marca feito na então recém-inaugurada fábrica da Fiat-Chrysler (FCA) em Goiana, Pernambuco. Lançada em fevereiro de 2016, esta picape foi concebida sobre a plataforma Small-Wide - também utilizada pelo Jeep Renegade, que começou a ser produzido nacionalmente em 2015. Com esta base, a Toro incorporava refinamentos como aços de alta resistência em sua carroceria, maior rigidez torcional e suspensão independente nas quatro rodas, além da dirigibilidade com sensações mais próximas das que são percebidas em um SUV. Também foi a primeira picape feita em série no Brasil com tampa traseira bipartida - que é marca registrada da Toro até hoje. As duas partes se abrem lateralmente, o que diminui consideravelmente o esforço desta operação, com a possibilidade de abrir somente uma das partes. E o design da Toro, com linhas inspiradas no futurista carro-conceito FCC4 (2014), rendeu à picape o prêmio internacional Red Dot Design Award, em 2016.
Segunda geração da Strada, um fenômeno no Brasil
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| Foto: Júlio Max/Auto REALIDADE |
A Fiat Strada já era um grande sucesso no Brasil desde os seus primeiros anos, assumindo a liderança da categoria em 2000 - mas foi com a sua segunda geração, lançada em 2020, que esta picape alcançou uma popularidade ainda maior no mercado nacional. Mesmo sendo lançada em tempos desafiadores, de isolamento social, combate ao coronavírus e readequação do funcionamento das concessionárias, a Strada trouxe uma série de características mais atraentes para os consumidores - a começar pelo fato de que as versões de cabine dupla incorporaram quatro portas e cinco lugares, ante três portas e quatro lugares do modelo anterior. A tampa traseira teve seu peso de manuseio reduzido em 60%. Com a adoção da plataforma MPP, as dimensões da carroceria também foram ampliadas, assim como o volume da caçamba e a altura em relação ao solo. Outra boa-nova foi a inclusão do motor 1.3 Firefly, mais eficiente; posteriormente, vieram as opções do câmbio automático CVT e do motor 1.0 Turbo. A fórmula deu tão certo que a Fiat Strada tornou-se líder do mercado brasileiro (tanto no segmento dos comerciais leves, quanto entre os automóveis de passeio) nos anos de 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025. Em 2026, esta picape segue firme na primeira posição no ranking de emplacamentos em nosso País. Em julho deste ano, a segunda geração da Strada superou o marco de 900 mil unidades produzidas no Brasil.
Pulse Hybrid e Fastback Hybrid, os primeiros MHEVs feitos no Brasil
Em novembro de 2024, a Fiat apresentou as versões híbridas-leves de Pulse e Fastback, ambos com o conjunto mecânico MHEV (sigla para Mild Hybrid Electric Vehicle), que combina o motor 1.0 Turbo Flex com um motor elétrico que substitui o alternador e o motor de partida, capaz de entregar torque adicional para o motor a combustão e de gerar energia elétrica para carregar as baterias de chumbo-ácido (de 68 Ampères) e de íon de lítio (de 11 Ah), ambas de 12 Volts. Além da disponibilização de impulsos elétricos em acelerações, o conjunto híbrido-leve ajuda a reduzir o consumo de combustível em até 11,5% e a diminuir as emissões de gases poluentes à atmosfera. Em maio de 2026, a Fiat Toro também passou a ter versões com o conjunto mecânico MHEV, adotando a arquitetura elétrica de 48 Volts.
A expansão e modernização da rede de concessionárias
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| Foto: Júlio Max/Auto REALIDADE |
A comercialização de automóveis da Fiat no Brasil precede, e muito, o início da sua fabricação em Betim. Recentemente, o jornalista automotivo Jason Vogel apresentou registros de que,
desde a década de 1900, já existiam representantes em nosso País para a venda de produtos da marca - que não se limitavam somente aos carros de passeio e incluíam ônibus, botes e lanchas. No ano de 1976, quando a produção do 147 começou, a Fiat já era amparada por 137 concessionárias em território nacional. O número de autorizadas se expandiu para 257 em 1985, 303 em 1990 e 426 em 1996. Em 2026, estão disponíveis 513 pontos de atendimento da marca em todo o Brasil, conforme o mapa de concessionárias oficial consultado na data de publicação desta matéria. E, assim como os automóveis da Fiat evoluíram ao longo dos anos, as concessionárias da marca também passaram por múltiplas atualizações ao longo destas últimas décadas para receber melhor os consumidores.

Em 2018, a Fiat inaugurou a primeira concessionária digital do Brasil, localizada em São Paulo (SP). O principal diferencial desta loja era o foco no autoatendimento do consumidor, que utilizava um totem para se identificar e, em seguida, interagia com duas telas sensíveis ao toque de 43 polegadas para permitir a configuração do veículo desejado. Óculos de realidade virtual também podiam ser usados para uma imersão maior na escolha das versões, cores e opcionais dos modelos. Em seguida, era possível fazer o test-drive acompanhado de um consultor de vendas. Na hora de finalizar a compra, o consumidor solicitava o apoio deste profissional, que concluía o processo de venda. A entrega do veículo inicialmente era feita na própria concessionária digital, mas também era possível optar pelo serviço de entrega a domicílio - um modal que se tornou mais comum em todo o Brasil alguns anos depois, durante a pandemia da Covid-19.

A mais recente padronização da arquitetura das concessionárias Fiat no Brasil ocorreu no ano de 2019. Buscando se aproximar das raízes da marca na Itália, as autorizadas atualmente possuem algumas identificações em italiano, como "Benvenuto" (bem-vindo) na porta de entrada, alinhando-se com a filosofia "Mezzo brasiliana, meio italiana" - um conceito que marcou o reposicionamento da Fiat ocorrido em 2020 e que, de um certo modo, já vinha sendo aplicado aos próprios produtos da marca há um bom tempo: muitos carros da Fiat possuem nomes em italiano, ou que fazem referência a lugares e festas da Itália.

A rede de concessionárias está organizada através da Abracaf (Associação Brasileira de Concessionários dos Automóveis Fiat), criada em 1977 - um ano após a Fiat iniciar a sua produção no Brasil. A sede da Abracaf fica no bairro Pacaembu, em São Paulo (SP). Seu atual presidente é José Tajra Sobrinho, diretor do Grupo Jelta - que, coincidentemente, teve a sua primeira concessionária Fiat estabelecida no Piauí também no ano de 1977.
A participação de mercado da Fiat no Brasil
No ano de 1977, mesmo sendo recém-chegada ao Brasil e comercializando somente um modelo em uma única versão (o 147 L), a Fiat já detinha 7,8% da participação do mercado nacional de automóveis. Este market share cresceu para 15,3% em 1990 e saltou para 26% em 1995. Ainda que atualmente estejam disponíveis muito mais opções de marcas e modelos de veículos para os brasileiros, a Fiat é hoje a montadora de automóveis com a maior participação de mercado do nosso País. Em 2025, a marca deteve 20,95% do mercado automotivo no Brasil e registrou 2,3% a mais de veículos emplacados do que em 2024, liderando o mercado nacional nos segmentos de picapes (somando as vendas de Strada, Toro e Titano), hatches (Mobi + Argo) e vans (Fiorino, Scudo e Ducato). Vale destacar que, em 2026, o Mobi superou a marca de 600 mil unidades vendidas em nosso País e o Argo ultrapassou 700 mil exemplares comercializados em território brasileiro.
Os marcos históricos da produção da Fiat no Brasil
A Fiat já comemorou diversos resultados positivos ao longo de seus cinquenta anos de produção nacional. Em 1989, a fábrica de Betim (MG) alcançou a marca de um milhão de automóveis produzidos, o que rendeu a criação de uma cobiçada e limitada série especial do Uno: a CS Top.
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Em 2002, a marca celebrou 7 milhões de automóveis feitos em Betim e 5 milhões de veículos comercializados em território nacional. Em 2009, pela primeira vez, a Fiat vendeu mais automóveis no Brasil do que na Itália - seu país de origem. Neste mesmo ano, a marca comemorou 10 milhões de carros produzidos em nosso País. Hoje, somando os volumes das fábricas de Betim e Goiana, são mais de 19 milhões de veículos da Fiat feitos em solo nacional. A fábrica da Iveco em Sete Lagoas, localizada em Minas Gerais, também contribui com esta soma: lá, foi produzido o Fiat Ducato entre 2000 e 2016. A Fiat foi a primeira fabricante de automóveis do Brasil a obter as certificações ISO 14001, de sistemas de gestão ambiental, em 1997, e ISO 50001, de gestão de energia, no final de 2013.

Hoje, na fábrica de Betim (MG), são produzidos os seguintes modelos: Fiat Strada, Argo, Mobi, Pulse, Fastback e Fiorino, além do Peugeot Partner Rapid (furgão baseado no Fiorino) e da Ram 700 (picape derivada da Strada, fabricada somente para exportação). Em breve, o Argo X entra para este rol. Este polo automotivo ocupa uma área total de 2,243 milhões de metros quadrados, dos quais inicialmente cerca de 413 mil m² e atualmente mais de 900 mil m² são de área construída. A capacidade instalada de produção, que era de 200 mil unidades/ano em 1976, hoje é de 650 mil veículos por ano. Atualmente, existem mais de 400 fornecedores diretos de componentes para os automóveis. Ao longo dos anos, alguns dos processos produtivos e de reciclagem de materiais foram sendo aprimorados: em 1998, foi criada a Ilha Ecológica para coletar e dar novos destinos a itens que virariam lixo; a unidade de prensas passou a operar, em 2011, com duas linhas de alta cadência, e em 2024, a fábrica de Betim passou a ter a linha de estampagens a quente para aprimorar a resistência dos aços empregados na carroceria de seus modelos. Até 2030, cerca de R$ 14 bilhões serão investidos nesta linha de produção para viabilizar novidades nos âmbitos de tecnologias e produtos.

Já a fábrica de Goiana (PE) produziu mais de 650 mil exemplares da Fiat Toro em pouco mais de dez anos e também é responsável pela fabricação de Jeep Renegade, Compass e Commander, além da Ram Rampage. Futuramente, os Leapmotor B10 e C10 também serão montados neste polo automotivo. Esta planta alcançou a marca de 38 fornecedores locais em 2025, com mais de 14.700 empregos diretos gerados. A Stellantis, atual controladora da Fiat e das marcas Jeep, Ram, Citroën, Peugeot e Leapmotor, anunciou que R$ 13 bilhões serão destinados ao Polo Automotivo de Goiana até 2030 para renovar a linha de produtos, desenvolver novas tecnologias, atrair fornecedores e gerar mais empregos.
Os funcionários que movem a Fiat no Brasil
O que seria da Fiat sem as pessoas que trabalham dia após dia na fabricação e no desenvolvimento de seus automóveis? Os anos foram passando e a quantidade de funcionários em Betim (MG) passou de 5.232 em 1976 para 11.973 em 1980, 17.653 em 1994 e aproximadamente 21.000 em 1996. Atualmente, existem mais de 19.000 colaboradores - e isso sem somar com os trabalhadores das empresas fornecedoras de peças (são mantidos cerca de 200 mil empregos indiretos). Recentemente, a Fiat anunciou a criação de aproximadamente 1.200 vagas para colaboradores no Polo Automotivo de Betim e outros 200 postos de trabalho para a produtora de autopeças de Itaúna (MG), para viabilizar a produção em série do Argo X.
Para além destes números, a Fiat e a Stellantis desenvolvem ações de bem-estar e qualidade de vida para seus trabalhadores - incluindo disponibilidade de postos médicos dentro do ambiente de trabalho, ações para afastar riscos à saúde dos colaboradores e incentivos à difusão da educação e cultura, além de iniciativas para inclusão, diversidade e equidade de oportunidades para todos os gêneros e raças.
Os centros de desenvolvimento e testagens dos automóveis da Fiat no Brasil
Hoje, a Fiat do Brasil possui toda a infraestrutura e a autonomia necessárias para criar automóveis totalmente em território nacional - uma liberdade que pouquíssimas marcas do setor automotivo possuem na atualidade. O campo de provas anexo à fábrica de Betim é o local onde passam todos os veículos que saem da linha de montagem, para certificar se os carros atendem aos padrões de qualidade da marca. A pista possui cerca de 3800 metros de extensão. Os veículos rodam por diferentes tipos de piso e são submetidos a testes de impermeabilidade, trocas de marcha e frenagem, além de passarem por curvas parabólicas com uma inclinação de 30 graus, onde rodam a velocidades entre 70 e 110 km/h.

Em 2001, foi inaugurado o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Giovanni Agnelli (atualmente, ele possui o nome Tech Center Stellantis South America). O Centro Estilo Fiat do Brasil foi inaugurado em 2002 e, a partir de 2019, recebeu o nome Design Center Latam, passando a ser o local onde também são definidas as linhas de modelos da Jeep e da Ram, além dos Fiat. Mas a etapa inicial do desenvolvimento de um novo automóvel ocorre no Hub Center, onde ideias que norteiam a criação de um carro começam a ser traçadas. Neste local são determinados o planejamento estratégico, a visão geral do produto e as definições mercadológicas que vão nortear o projeto do novo carro. Este espaço reúne as áreas de Brand (marca), Produto, Mercado e Desenvolvimento de Produto. Eventualmente, consumidores também são chamados para participar desta etapa estratégica. As ideias se materializam no Design Center e no Tech Center.

No Design Center, o estilo do carro começa a se materializar a partir dos desenhos que, posteriormente, vão ser convertidos em modelos em 3D e mockups físicos. Essa etapa do desenvolvimento do veículo ocorre em conjunto com o Tech Center, onde as ideias e desenhos ganham formas e funcionalidades mecânicas. Outra área estratégica é o Development Center, espaço com 450 postos de trabalho e infraestrutura de apoio, onde os conceitos técnicos encontram sua viabilidade econômica e de manufatura. Neste local, trabalham profissionais de áreas como Projeto, Design, Compras, Manufatura, Finanças, etc, que desenvolvem o business case (documentação que descreve a justificativa para a realização do projeto).
O Virtual Center e seus laboratórios fazem validações virtuais do novo veículo à medida em que as suas etapas de desenvolvimento avançam. A área da Manufatura desenvolve os ferramentais necessários para as estampagens da carroceria do futuro veículo, e se prepara para a produção em série do novo modelo. No Component Center, todos os itens do novo veículo são avaliados e as áreas de Qualidade, Manufatura e Desenvolvimento de Produto trabalham de forma integrada.

Quando os protótipos físicos do novo veículo ficam prontos, começa a validação do modelo no Safety Center, inaugurado em 2019. Ele conta com área de 7.600 m² e pista de 130 metros, com capacidade de realização de testes de impacto de até 4 toneladas a até 100 km/h. Neste local, é possível realizar testes de impacto frontal, posterior e lateral contra barreiras rígidas e postes. Até então, os produtos da Fiat criados na América Latina precisavam ser submetidos aos testes de segurança na Europa ou nos Estados Unidos. Desde 2025, o Safety Center também possui a infraestrutura necessária para a realização de crash-tests de automóveis híbridos e elétricos. Parte destes testes pode ser realizada de forma virtual, mas a destruição de centenas de veículos continua a ocorrer para validar os resultados na vida real.

Além dos testes virtuais, cada novo carro é submetido a vários tipos de testes físicos, para avaliação de aspectos de dirigibilidade, desempenho, conforto, segurança e vida a bordo. Se o modelo for totalmente novo, é comum se utilizarem "mulas" de teste na etapa inicial - são veículos feitos especificamente para validação da plataforma e componentes gerais, mas que ainda não possuem o visual definitivo do futuro modelo (para o desenvolvimento da segunda geração do Palio lançada em 2011, por exemplo, foram inicialmente usadas "mulas" feitas com a carroceria da geração anterior). Posteriormente, são finalizados os protótipos - já bastante aproximados do veículo final e com a carroceria definitiva, mas ainda sem o acabamento dos modelos feitos em série; alguns componentes podem ser modificados nesta fase e, normalmente, a camuflagem da carroceria nesta etapa é bem pesada. Depois, a Fiat constrói os exemplares da fase de validação do processo (VP), para avaliação de todos os componentes definitivos, e as unidades pré-série marcam o início da produção do novo modelo, ainda em baixa cadência. Antes do lançamento, o modelo é submetido à homologação junto aos órgãos governamentais e o nome do veículo é definido e divulgado. Com tudo aprovado, o ritmo da produção em série começa a ser acelerado e os exemplares destinados aos consumidores ficam prontos.
As ações de responsabilidade social da Fiat
Ao longo das décadas, a Fiat já contribuiu para uma série de ações sociais e conscientizações voltadas a diversas áreas em todo o Brasil, beneficiando milhões de pessoas. A marca foi patrocinadora do concurso O Motorista do Ano, com testes teóricos e práticos como forma de estimular bons comportamentos no trânsito, e também desenvolveu ações direcionadas para a segurança no trânsito com o Curso Direção Segura, surgido em 2007 em parceria com o Centro de Pilotagem Roberto Manzini; educação no trânsito, com o programa Você Apita; valorização da vida, atividades socioeducativas e capacitações profissionais, com o programa Árvore da Vida; contribuições ao ensino nas escolas, com o Programa Moto Perpétuo; brasilidade, com os projetos culturais Retrato do Brasil, Brasil dos Meus Olhos e Um Poema Chamado Brasil; inclusão social, com os programas ABC+ (voltado à alfabetização de jovens e adultos), Drummondzinhos, Oficina da Ópera, Esportista Cidadão, Fundação Cafu, Recofiat e Ecologia, entre diversas outras.
Já o Fiat Comunità atua em três pilares: sustentabilidade, diversidade e social. Entre as ações desenvolvidas, estão: tratamento e reciclagem de embalagens de óleo utilizadas pelas concessionárias, além de arrecadação de alimentos (A Paixão Alimenta) e de artigos como agasalhos, roupas, cobertores e itens de higiene (A Paixão Aquece) destinados a pessoas em situações de pobreza e vulnerabilidade. Também foram desenvolvidas ações emergenciais de auxílio a pessoas atingidas por catástrofes naturais em várias regiões do Brasil (A Paixão é Solidária). Somente na primeira ação A Paixão Alimenta, de 2021, mais de 140 toneladas de alimentos foram arrecadadas e doadas a mais de 11 mil famílias.


A Casa Fiat de Cultura surgiu em 2006 e estreou a sua atual sede no ano de 2014. Com a proposta de aproximar a arte da população, este espaço já realizou dezenas de exposições de porte nacional e internacional, valorizando a brasilidade das manifestações artísticas e fazendo com que os automóveis também sejam apreciados como obras de arte.

Em abril de 2020, a Fiat desenvolveu uma série de ações para o combate da Covid-19, incluindo a doação de ambulâncias para hospitais de campanha (unidades emergenciais para tratar pessoas infectadas pelo coronavírus), além da gratuidade das revisões por três anos para profissionais da saúde na aquisição de automóveis zero-quilômetro. No seu aniversário de 45 anos, em 2021, a Fiat distribuiu flores para as pessoas que passavam pelas principais praças de Betim e Belo Horizonte, como forma de simbolizar a gratidão pela hospitalidade dos habitantes de Minas Gerais. Em 2026, foi realizado o Fiat Festival 50 anos no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG), com shows de Thiaguinho, Iza e César Menotti & Fabiano, além da apresentação de luzes no céu a partir de 1.600 drones. Mais de 40 mil pessoas estiveram presentes para celebrar o cinquentenário da Fiat no Brasil.
O Programa Autonomy: a liberdade de dirigir para pessoas com deficiência
O Censo divulgado em 2022 mostrou que o Brasil possui cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 7,3% da população do País com dois anos ou mais de idade. Diversos tipos de deficiências existem: desde doenças e espectros que não impedem a condução de automóveis, até quadros que infelizmente impossibilitam o ato de dirigir - passando pelas limitações físicas que exigem adaptações para viabilizar a condução.
Na década de 1980, a Fiat oferecia automóveis com os equipamentos Guidosimplex para pessoas com deficiências físicas nos membros inferiores. Na época, a redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o veículo era de 60%. Entre os itens oferecidos, estavam: embreagem servo-assistida, acelerador acionado por aro junto do volante, dispositivo de inversão do pedal do acelerador e freio manual de serviço. A garantia de fábrica era mantida nos veículos com estes equipamentos.

A partir de setembro de 1996, a Fiat implantou de forma oficial o Programa Autonomy. Era possível instalar equipamentos mantendo a garantia da montadora para que as pessoas que utilizassem cadeiras de rodas ou com outras deficiências físicas pudessem embarcar e dirigir o veículo sem necessidade de ajuda de terceiros. Inicialmente, o programa contemplava o Palio 1.5 EL; posteriormente, versões da Palio Weekend (1.5 mpi), do Tempra (SX) e do Siena (1.6 EL) foram incluídas. As modificações disponibilizadas incluíam: comandos do acelerador, do freio e da embreagem acionados com a mão, porta traseira corrediça, banco dianteiro giratório, inversão de pedais e embreagem com acionamento pneumático automático, entre outros. Além disso, os serviços 24 horas por dia (Confiat) eram estendidos. As concessionárias também passaram por mudanças para promover melhor acesso às pessoas com deficiência, e equipes de vendas eram treinadas para oferecer um atendimento mais personalizado.

Anos depois, a popularização das transmissões automatizadas e automáticas fez com que a Fiat passasse a oferecer novas opções com mais comodidade para os consumidores. Hoje, o Fiat Argo Drive 1.3 CVT é o automóvel zero-quilômetro flex-fuel mais acessível do Brasil a ter o câmbio automático de fábrica.
Abarth: o lado esportivo da Fiat
Criada por Carlo Abarth em 1949 e simbolizada pelo escorpião (além de ser um animal conhecido por ser venenoso, também é o signo astrológico de seu fundador), a Abarth fez história na preparação de automóveis para as pistas de corrida. Em 1971, esta marca foi incorporada à Fiat. No Brasil, o primeiro modelo desta dinastia esportiva foi o Stilo Abarth, lançado em 2002 com o motor 2.4 aspirado de cinco cilindros e 167 cavalos. Em 2014, foi apresentado o 500 Abarth, que trouxe o propulsor 1.4 T-Jet (turbinado) de 167 cavalos.

Já no ano de 2022, o Pulse Abarth chegou com o status de modelo de produção em série mais potente a carregar a insígnia do escorpião, com seu propulsor 1.3 Turbo Flex de 185 cavalos com etanol. No ano seguinte, a gama foi complementada pelo Fastback Abarth, também com 185 cv. Os modelos Abarth já oferecidos no Brasil possuem carrocerias com características distintas (o Stilo era um hatch médio, ao passo em que o 500 era um hatch subcompacto, o Pulse é um SUV e o Fastback, um SUV-Coupé), mas todos partem da mesma premissa geral: performance aprimorada, dirigibilidade envolvente e equipamentos de comodidade que ampliam o conforto durante a utilização cotidiana e afastam a ideia de que um carro esportivo deve se resumir aos itens básicos.
Mais cor, por favor!

Desde 1976, a Fiat tem o histórico de oferecer cores marcantes para as carrocerias de seus modelos - como forma de destacar seus lançamentos no setor automotivo, reforçar a identidade de seus modelos, valorizar a brasilidade dos veículos e analisar a receptividade dos consumidores aos tons diferenciados. As cores, aliás, estão entre os aspectos definidos dentro do Design Center. O 147, primeiro carro da marca feito no Brasil, já estreou com opções de tonalidades vivas - entre eles, Vermelho Romano, Amarelo Maremma e Azul Laguna. Apresentado no final de 1986, o Uno 1.5 R marcou época com as colorações Vermelho Ferrari, Azul Itapema e Amarelo Fiera. Já o Uno Turbo até hoje é lembrado pelos tons Vermelho Monte Carlo, Vermelho Alpine, Amarelo Modena (bastante raro, limitado a poucas unidades) e Amarelo Exploit. Importado para o Brasil entre 1995 e 1997, o Fiat Coupé chegou com opções de cores amarela, azul, verde e vermelha na sua gama, com um destaque especial: a cor escolhida para a carroceria também estava nas faixas superiores do painel e das portas. A ideia do painel com a cor da parte externa foi posteriormente aproveitada em modelos como Cinquecento e Punto T-Jet. O Palio foi lançado em 1996 com doze opções de cores externas para todas as suas versões, incluindo tons marcantes até hoje - como o Laranja Vitória, o Verde Campo e o Azul Allegro, entre outros. O Amarelo Ímola foi utilizado na linha 2001 do Palio e também no Brava. O lançamento do Idea, em 2005, trouxe a tonalidade Laranja Evolution como destaque. Já o Laranja Spot marcou o lançamento do Punto Sporting, no ano de 2007, enquanto o Stilo teve o Amarelo Indianápolis em versões de roupagem esportiva (como a série Schumacher e a versão Sporting), o Vermelho Modena esteve presente no Punto e no Stilo, e o Azul Vitality destacou a carroceria de versões do Palio (a partir da reestilização de 2007), Punto, Stilo e Uno (College).
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A segunda geração do Uno, apresentada ao Brasil em 2010, trouxe várias cores que se destacaram ao longo dos anos - como o Amarelo Citrus e o Azul Splash (para as versões Vivace e Attractive), o Verde Box (Way), o Laranja Nemo (Sporting), o Laranja Ruggine (Evolution) e o Azul Maserati (Sporting). O Mobi, lançado em 2016, também teve opções de tons exclusivos: Roxo Mirtilo, Verde Amalfi e Verde Amazon. A Toro contou com cores metálicas mais sofisticadas, como o Vermelho Tribal, o Marrom Horizon, o Azul Jazz (disponível no catálogo da picape até hoje) e o Marrom Deep. Para o Argo Seleção, série limitada de 2019 que marcou o apoio da Fiat à Confederação Brasileira de Futebol, dois tons vivos em referência às cores da bandeira do Brasil foram disponibilizados: Azul Portofino (também disponível na versão HGT) e Amarelo Indianápolis. Mais recentemente, o Azul Amalfi metálico destacou a chegada do conjunto mecânico híbrido-leve para Pulse e Fastback em 2024.
A evolução das chaves dos veículos da Fiat
Nos primórdios, os modelos da Fiat contavam com chaves simples - algumas totalmente de metal, outras com corpo plástico presente. Ao longo da década de 1990, foram surgindo carcaças para as chaves com desenhos mais esmerados, texturas diferenciadas e formas arredondadas. Além disso, foram se popularizando os sistemas de alarme para os veículos. Na segunda metade dos anos 90, a cor azul passou a ser adotada como padrão para as chaves dos modelos da Fiat. A partir de 1996, a família Palio incorporou o Fiat Code como item de série nas versões mais completas e opcional nas opções de entrada: este sistema utilizava um código secreto que mudava a cada nova operação. A chave contava com um emissor de ondas magnéticas para informar o código secreto a um receptor instalado no comutador de ignição. Uma centralina própria do sistema interpretava o código e, uma vez correto, autorizava o funcionamento da central de injeção e ignição eletrônica.

No Marea (1998), um botão único incorporado à chave permitia travar ou destravar as portas à distância. Na reestilização de 2000, o Palio adotou a arquitetura V.e.N.I.C.E (sigla para Vehicle Network with Integrated Control Electronics, que também era um trocadilho com o nome em inglês da cidade italiana de Veneza), multiplexada e com módulos conectados, que permitiam incorporar funcionalidades como o temporizador de acionamento dos faróis após o desligamento do veículo (Follow Me Home) e a temporização do acionamento dos limpadores de para-brisa e da iluminação de teto, entre outras. Na década de 2000, modelos mais sofisticados da Fiat passaram a ter chaves com a lâmina de metal dobrável (ao estilo conhecido como canivete).

Com o tempo, as chaves se tornaram mais vistosas e robustas, ganhando detalhes cromados e prateados. Comandos mais complexos, como abertura e fechamento dos vidros e do teto solar à distância a partir dos botões de destravamento e travamento das portas, Safe Lock (bloqueio da abertura das portas pelas maçanetas internas), destravamento seletivo (somente da porta do motorista ou de todas as portas), acionamento da buzina e das luzes externas à distância, destravamento somente da tampa do porta-malas (ou da caçamba), reconhecimento da presença da chave, ignição por botão e partida remota do motor (para acionamento do ar-condicionado antes dos ocupantes entrarem na cabine) foram gradativamente sendo incorporados a modelos da Fiat. As chaves também acompanharam as mudanças dos emblemas da Fiat - as letras envoltas em paralelogramos conviveram com as cinco barras inclinadas a 20 graus, até que em 2000 veio o logo com a coroa de louros cromada e o fundo azul, estreado pelo Palio reestilizado. Em 2007, o Punto foi o primeiro Fiat nacional a ostentar o escudo de fundo vermelho, com bordas cromadas. A partir de 2016, os modelos da Fiat começaram a dar ênfase às quatro letras da marca; já em 2020, este se tornou o padrão global em todos os modelos, acompanhado do rebranding que também adotou a Fiat Flag, emblema com as cores da bandeira da Itália.
Hoje, alguns carros da marca são compatíveis com aplicativos de celular, como o My Uconnect e o Connect Fiat, enquanto a plataforma de serviços conectados Fiat Connect Me permite realizar, via comandos de voz ou toques na tela do smartphone, algumas ações que antes eram feitas somente pela chave - como travar e destravar as portas, acionar as luzes externas e a buzina ou fazer a partida remotamente. Em alguns modelos, também é possível conferir variadas informações do veículo pelo celular, como nível de combustível, hodômetro, prazo até a próxima revisão e localização do automóvel.
O futuro da Fiat
Em maio de 2026, o grupo Stellantis apresentou o plano estratégico FaSTLAne 2030 (o nome é um trocadilho: a sigla STLA, que identifica a Stellantis na Bolsa de Valores de Nova York, está destacada em letras maiúsculas dentro da expressão "fast lane", "faixa rápida" em inglês). Nele, a marca Fiat assume globalmente um protagonismo maior dentro deste conglomerado automotivo, juntamente com Jeep, Ram e Peugeot. Para o Brasil, a Fiat anunciou que terá um novo carro por ano no Brasil até 2030. Os planos para o futuro, apresentados no plano FaSTLAne 2030, incluem três novos SUVs (que poderão ter os novos Grizzly e Grizzly Fastback europeus, ambos na foto acima, como fontes de inspiração), além de remodelações nas picapes Toro e Strada.

Até aqui, a trajetória da Fiat já foi muito bem-sucedida no Brasil. E até quem nunca teve um carro desta marca precisa reconhecer: poucas empresas sabem entender tão bem o povo brasileiro e as suas necessidades mais primordiais. Considerando a pluralidade de perfis de consumidores em todas as cinco regiões do território nacional, este definitivamente é um grande desafio. Mas a sexta liderança consecutiva do mercado nacional de automóveis e os mais de 19 milhões de veículos já produzidos mostram que a Fiat permanece na direção certa em nosso País, rumo a um futuro promissor e carregando uma história cheia de motivos para se orgulhar.
Que o futuro reserve muitas boas novidades da Fiat!
Referências bibliográficas
Fiat: dez anos de Brasil (1983)
Fiat: 20 Anos de Inovação (1996)
Revista Quatro Rodas - edições 470 e 570
https://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u2024.shtml
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