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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Retrospectiva automotiva: os fatos que marcaram 2016


O ano de 2016 será lembrado como um período de muitas novidades, despedidas, eventos importantes e como o início da recuperação da crise que acometeu fortemente o setor a partir de 2015.


Para começar, o segmento de subcompactos passa a contar com o Fiat Mobi - um concentrado de Uno em uma embalagem mais ousada - e o Chery QQ de procedência nacional, ao preço mais acessível por um carro zero no País: R$ 29 990. E se o Volkswagen up! só será reestilizado em 2017, este ano ele ganhou as novas versões track e Run.


Entre os compactos, Volkswagen Gol e Voyage tiveram sua primeira mexida em 4 anos, recebendo novo painel e motor 1.0 3-cilindros nas versões Trendline e Comfortline. O Fiat Uno, além de também aderir a esta onda, ganhou também o 1.3 Firefly e leves intervenções estéticas para marcar a nova fase. Outra dupla que ganhou novos motores foi a Sandero e Logan, da Renault. Se por um lado o 1.0 de 82 cavalos mantém o anacrônico tanquinho de partida a frio, o 1.6 traz até o Stop & Start para economizar combustível em paradas de trânsito.


Quem também entraram na onda dos motores novos foram os primos Peugeot 208 e Citroën C3. O 208, agora igual ao modelo europeu, recebeu o econômico motor 1.2 Puretech e a versão esportiva de verdade GT, com 173 cavalos. Já o C3, que também aderiu ao 1.2, traz como atrativos a central multimídia MirrorLink com tela touchscreen de 7 polegadas e o câmbio automático de 4 marchas associado a todas as versões 1.6 (no Peugeot, ainda há a versão Sport 1.6 manual).


Queridinha do mercado nacional, a dupla Chevrolet Onix e Prisma passa por sua primeira mexida significativa desde o lançamento. As versões Joy mantêm o visual externo antigo e tem bem menos equipamentos, mas já incorporam o câmbio manual de 6 marchas e as melhorias mecânicas que surtiram efeito no consumo de combustível. Já as demais versões estreiam frente e traseira retocadas, além do MyLink de segunda geração associado ao OnStar com mais opções de atendimento. E também chegou ao mercado a inédita versão aventureira Activ do Onix.


Aonde o Onix vai, o Hyundai HB20 vai atrás: sedan e hatch, que já haviam sido reestilizados ano passado, passam a contar com a versão 1.0 Turbo (um intermediário entre o 1.0 aspirado e o 1.6), o esportivo de imagem R spec e a versão Ocean, lançada junto com as Olimpíadas Rio 2016, que agrega detalhes interessantes, como rodas de liga leve e central multimídia.


Para o Ford Fiesta, o ano fica marcado com a chegada do motor 1.0 EcoBoost associado ao câmbio automatizado PowerShift, de 6 marchas e dupla embreagem. Mas quem pensou que fosse acessível queimou a língua: chegou mais caro que o 1.6... O hatch passou ainda por uma reordenação de versões: o motor 1.5 foi extinto, a versão S virou SE, e a SE passa a ser SEL.


Arquiinimigos, os Nissan March/Versa e os Toyota Etios Hatch e Sedan também trouxeram novidades. As versões dos modelos da Nissan ganharam os equipamentos dos Packs oferecidos ano passado, e as versões SV e SL 1.6 passam a contar com a opção do câmbio automático continuamente variável XTronic CVT (de série no Versa Unique). Já o Etios recebeu painel digital, melhorias nos motores 1.3 e 1.5, lista de equipamentos mais completa e, opcionalmente, o câmbio automático de 4 marchas. Para as versões Ready e Platinum, ainda veio o novo visual frontal (de gosto bem duvidoso...).


Na onda de reduzir consumo de combustível, os Chevrolet Cobalt, Spin e até a antiquada Montana receberam alterações mecânicas para perderem peso e renderem melhor. No caminho inverso, o Fiat Grand Siena - que em 2016 teve a principal mudança na grade frontal - traz de volta o velho 1.0 quatro-cilindros abandonado pelo Uno para ter preço mais "competitivo".

O segmento de sedans médios teve novidades significativas, a começar pelo Volkswagen Jetta, agora fabricado no Brasil, com o novo motor 1.4 TSI a gasolina de 150 cavalos. O Nissan Sentra não alterou o 2.0, mas recebeu visual renovado e mais itens de série em todas as versões: enquanto o S passa a ter câmbio CVT e sensor de ré de série, o SL vem com som Bose, teto solar e alerta de colisão iminente à frente. O Hyundai Elantra se renovou por completo, e Citroën C4 Lounge e Peugeot 408 passam a trazer em todas as versões o motor 1.6 THP, turbinado e com injeção direta de combustível. Até o Toyota Corolla, para não passar o ano em brancas nuvens, recebeu a versão intermediária Dynamic e aboliu os modelos GLi manual e CVT.


Mas as atenções foram realmente polarizadas entre a renovada dupla Chevrolet Cruze e Honda Civic. A nova geração do GM vem com motor 1.4 Turbo Flex de 153 cavalos e câmbio automático de 6 marchas em todas as versões, enquanto o Civic reservou o 1.5 Turbo de 173 cavalos para a versão Touring - o Sport tem câmbio manual e motor 2.0, e os demais, somente câmbio CVT. Ambos ficam similares em relação aos parentes vendidos nos Estados Unidos, porém com adaptações para cortar custos na fabricação.


Se este segmento, que tem o Corolla como líder isolado, recebeu tantas novidades, o que dizer da efervescente categoria dos utilitários? A Nissan estreou em grande estilo com o Kicks, aguardado avidamente ao longo do ano, e a Jeep apresentou o Compass aqui antes mesmo dos Estados Unidos. A JAC lançou o T5 com câmbio automático CVT, com a jogada de marketing de oferecê-lo pelo preço da versão manual. E o Chevrolet Tracker passa a contar com novo visual, mais equipamentos e o motor 1.4 Turbo do Cruze.



Com este cenário, os "veteranos" tiveram que se mexer. O Jeep Renegade passou a ter o motor 1.8 do Toro, com start-stop, novas cores, mais equipamentos e a nova versão Limited (antes era um pacote baseado na Longitude). Além de ganhar itens de série, o Honda HR-V passa a contar com o modelo gourmet Touring, único a ter seis airbags. O Renault Duster teve seu motor 1.6 reajustado para gastar menos. E até o pretenso aventureiro VW CrossFox ganhou a versão Urban White.

Também houve novidades entre os SUVs de patamar superior: a Jaguar passa a comercializar o F-Pace, ao passo que os Land Rover Discovery Sport e Evoque passam a adotar cidadania brasileira. A Audi revelou o controverso Q2 e lançou nacionalmente o suntuoso Q7 e o Q3 fabricado no Brasil, enquanto a BMW começa a produzir em terra Brasilis o X4 (um X3 com traseira ao estilo cupê) e a Mercedes-Benz passa a construir o GLA, além de importar os novos GLC e GLE, nas carrocerias SUV e Coupé. Já a Ford finalmente decide pela importação da nova geração do Edge.



Entre as picapes médias-grandes, a mudança só não foi total porque a Hilux foi totalmente renovada em 2015 (mas este ano ganhou versão Flex) e a nova Frontier só será comercialmente lançada em 2017. A Chevrolet S10, líder do segmento, ganhou alterações estéticas, painel todo novo e novos equipamentos. A fórmula foi bem similar à da Ford Ranger, com maior tecnologia e 5 anos de garantia. A Volkswagen Amarok também seguiu a mesma trilha: nova frente, interior renovado e conectividade através do App-Connect. Até a Mitsubishi L200 Triton, que andava meio esquecida, estreou sua nova geração fabricada em Goiás, com as mesmas feições do modelo tailandês. Para completar, no exterior foram apresentadas as inéditas picapes da Renault (Alaskan) e Mercedes (Classe X).




Entre as picapes compactas, a maior mudança foi na VW Saveiro, com grade de versões reestruturada e painel com as mesmas melhorias da linha Gol. Já no andar de cima, a Renault dotou a Oroch de motor 1.6 mais econômico e do câmbio automático de 4 marchas opcional para a versão Dynamique 2.0. E a Fiat revelou o aguardado Toro, irmão de plataforma do Renegade, que alcançou sucesso em vendas desde o lançamento é atualmente está disponível nas versões Freedom (1.8 AT6, 2.0 Turbodiesel manual ou automática, e 2.4 AT9) e Volcano (2.0 AT9).



Mesmo no atual cenário de vendas, 2016 sorriu para os esportivos: passaram a ser vendidos no Brasil os Audi TTS e RS3, o BMW M2, a nova geração do Chevrolet Camaro (com direito à série comemorativa Fifty), os Porsche 718 Boxster e Cayman, os Mercedes-AMG C 43 e C 63, e até o Nissan GT-R, enfim!

O ano também marcou a reestilização do Ford Fusion, a apresentação da nova geração do Mercedes-Benz Classe E (e da nacionalização do Classe C), bem como o lançamento do novo Audi A4, da quarta geração do Toyota Primus e do novo Jaguar XF. No exterior, as esperadas novas gerações do Ford Fiesta e Nissan Micra finalmente vieram a público.


Quem penou foi o segmento de hatches médios: a única novidade significativa foi a nacionalização do Volkswagen Golf - seguida de adaptações na suspensão e câmbio, e da adoção do motor 1.6 MSI na versão Comfortline, que logo ganhou a companhia do (bem mais eficiente) motor 1.0 TSI. O Cruze Sport6 até foi apresentado no Salão de São Paulo, porém só em 2017 estará em todas as concessionárias. E entre as station wagons, só a nova geração da A4 Avant e as alterações na Golf Variant (que aumentaram a potência do motor 1.4 TSI de 140 para 150 cavalos com a conversão para Flex, embora a suspensão traseira multilink virou eixo de torção e o câmbio DSG de 7 marchas cedeu lugar ao Tiptronic de 6) foram novidades relevantes.

Mundialmente, também fomos surpreendidos com novas montadoras e lançamentos. Logo no início do ano, a Faraday Future causou com a apresentação do modular FF1. A Tesla propôs o Model 3, uma alternativa mais em conta que os Model S e X, e que estará no mercado no próximo ano. A Nissan apresentou o e-NV200 movido a energia elétrica gerada por bioetanol, enquanto a Volkswagen descortinou ambiciosos planos de por automóveis elétricos em produção na década de 2020, com o I.D. e o budd-e.


2016 também será lembrado como o ano de despedida de carros que pareciam "imorríveis", a começar pelo Chevrolet Classic, que já não condizia com a filosofia de renovação da marca e sai de cena após 21 anos de produção, assim como o Renault Clio, que abre espaço para o Kwid, a ser lançado em 2017. A Fiat dizimou boa parte de sua linha: deixaram de ser fabricados Siena EL, Bravo, Linea, Ducato e Palio Fire, ao passo que Freemont e Cinquecento tiveram as importações interrompidas. A marca de Betim também tirou de cena as versões Trekking de Weekend e Strada, além do Punto T-Jet.

Com a crise no setor, marcas arrumaram as malas para fora do País: as asiáticas Geely, Changan (antiga Chana) e SsangYong encerraram suas operações. JAC, Chery e Kia tiveram suas participações de mercado notavelmente reduzidas, porém resistiram. Até a nacional TAC, que produzia o jipe Stark, sumiu sem aviso prévio. No exterior, quem deu adeus foi a Scion, marca com apelo "jovem" da Toyota.

Também nos despedimos de figuras como o fotógrafo da revista Quatro Rodas Marco de Bari, que morreu dias após um acidente em estúdio, e o compositor Saki Kaskas, que fez seu nome na franquia Need Ford Speed na virada do século.


Depois do fim da obrigatoriedade dos extintores de incêndio nos carros, mais uma norma causou confusão em 2016: a decisão de se acender os faróis baixos nas rodovias de forma contínua. Mas como saber o que é avenida e o que é rodovia? Por este motivo, a determinação está atualmente suspensa.


O ano também marcou uma fase mais rigorosa dos testes de segurança do Latin NCAP. Agora, os carros precisam passar, além do tradicional crash-test frontal com 40% da área frontal a 64 km/h, também pelo teste de impacto lateral (simulando choque com poste e também com outro veículo) e ainda o teste do controle de estabilidade. Por este motivo, a ausência de equipamentos de segurança em todas as versões já é motivo de rebaixamento de nota. Nesta nova fase, foram relativamente poucos os carros avaliados que dizem respeito aos brasileiros. O melhor resultado foi o da Ford Ranger, com meras três estrelas de proteção a adultos. O Fiat Palio foi rebaixado de 4 para 1 estrela; o Peugeot 208 ainda conseguiu para si duas estrelas.


Em termos de eventos, 2016 foi palco do consagradíssimo Salão do Automóvel de São Paulo, além de encontros de antigos em Águas de Lindoia e por ocasião do lançamento do documentário Nutz. O Piauí recebeu seu primeiro Salão do Automóvel no Theresina Hall, a segunda edição do Show Cars The e o Teresina Moto Week, para não mencionar os diversos encontros do Clube do Carro Antigo, Ferrugem nas Veias e Clube do Fusca.


E quanto ao Auto REALIDADE? Para nós, o ano foi de consolidação do reconhecimento de nosso trabalho: foi possível em 2016 avaliar mais modelos da Fiat, Jeep e Renault cedidos pelas assessorias de imprensa, além de viajar quatro vezes a convite da Nissan para apresentações da marca. Também foi o ano da aquisição do Volkswagen take up!, que vem atendendo às expectativas no dia-a-dia. Tivemos um crescimento de público acentuado no Instagram e, nos últimos dois meses, um aumento no fluxo diário de visitantes no site. Mas sempre estamos buscando novas formas de surpreender quem nos acompanha, e também cobrando das montadoras a devida atenção a nossas ocupações. Fica registrado nosso agradecimento sincero, e a promessa: em 2017 vem muito mais pela frente!

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