Avaliação do Fiat Uno Sporting: motor 1.3 Firefly dá match com estilo esportivo


Fotos, vídeos e edição - Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaboraram nesta avaliação - Francisco Santos e Juliana Raquel

Agradecimentos - Assessoria de imprensa Fiat e Jelta

No Brasil, as montadoras automotivas são quase todas irredutivelmente sisudas no direcionamento de seus produtos. A Fiat é uma das exceções a esta regra: desde que foi lançado em sua atual carroceria, em 2010, o Uno sempre foi assumidamente um carro direcionado a jovens, com múltiplas opções de cores e equipamentos. Agora com sete anos, o hatch está mais maduro e racional, passando a contar com novidades importantes em sua linha 2017. Em duas semanas usando diariamente este modelo Sporting 1.3, cedido pela montadora para o Auto REALIDADE, foi possível conferir todas as evoluções do Uno com apelo esportivo - tal qual no aplicativo de paqueras Tinder, o visual finalmente fez o "fechamento" com a motorização...




O visual do Uno sempre foi algo lúdico, meio similar a um carro de brinquedo em escala 1:1 (a série College não nos deixa mentir). Nesta reestilização, a frente abandona os três quadradinhos posicionados no canto esquerdo - eram a marca registrada do modelo, porém não tinham função mecânica - em favor de uma grade com contornos sinuosos e aberturas funcionais. O Sporting tinha para-choque exclusivo e trocou por outro similar ao das demais versões, 9 milímetros maior, mas com contornos vermelhos nas molduras dos faróis de neblina, agora posicionados mais acima. Em nossa opinião, ficou melhor... Visto de traseira, a única modificação na linha 2017 foi a supressão do logotipo que identifica o motor.


Mas a mudança mais interessante ocorreu no estilo das rodas de 15 polegadas, agora realmente desejáveis - as anteriores, com quadrados arredondados, pareciam menores do que eram. Também vale destacar o aerofólio e as capas dos retrovisores (com luzes de seta em LED) na cor preta, os faróis e lanternas com máscara negra e quadrados nas lentes, além da saída de escape central, um esforço notável (se lembrarmos que o Stilo Sporting tinha duas saídas falsas...). Para nós, só o adesivo nas portas ficou algo exagerado, mas o R não deixa de fazer homenagem aos Unos 1.5R e 1.6R. Além disso, o adesivo que imita fibra de carbono na coluna central tem mais aspecto de simplicidade do que de sofisticação.



Por dentro, a linha 2017 do Uno ficou bastante agradável. Agora, há mais refinamento nos materiais empregados: há inserto emborrachado no centro do painel, portas parcialmente revestidas em tecido, costuras vermelhas nos bancos e espumas nos porta-objetos de teto - falando nele, o forro é preto, dando uma distinção ao ambiente. Mesmo com a predominância de plásticos rígidos, há novas texturas, cheias de Us, Ns e Os, que de vez em quando formam a palavra "Uno".


Agora com fundo vermelho, o quadro de instrumentos mantém o esquema de velocímetro grande e mostradores menores para conta-giros e indicação do nível de combustível. Ao centro está a tela do computador de bordo, com múltiplas funções: velocímetro digital, temperatura do líquido do radiador, econômetro, horímetro do motor, temperatura externa, indicação de revisão (km e dias), autonomia, viagem A e B (com consumo médio, velocidade média, distância percorrida e tempo registrado), além da indicação individual de porta aberta e informações de som (fonte, música, etc.). Também é possível ativar ou desativar funções como: Hill Assist (assistência de partida em ladeiras que segura o carro por 2 segundos, tempo para tirar o pé do freio e pisar no acelerador), limitador de velocidade, brilho da tela, airbag do passageiro e Follow me Home (os faróis permanecem acesos de 30 a 210 segundos ao desligar o carro; ajusta-se o tempo puxando-se a alavanca esquerda). Curiosamente, o display "parece" ser preto-e-branco mas exibe alguns alertas em cores.


O volante traz uma alavanca de ajuste de altura mais cômoda em relação a outros Fiat (ficava centralizada no canto inferior da coluna e agora está à esquerda, mais visível). Com boas abas, concentra os comandos de computador de bordo e chamadas telefônicas à esquerda; os comandos de som estão à direita.


Com comandos simples, o ar-condicionado cumpre muito bem seu papel, gelando a cabine em poucos minutos. Associado a ele está o para-brisa com faixa degradê e o desembaçador. Para ajudar no clima de tranquilidade, o motorista conta com um apoio de braço retrátil revestido de tecido e também o apoio para o pé esquerdo.


Só agora que o Uno ficou mais "normal" é que percebemos o quanto ele melhorou em ergonomia. Os comandos de vidros elétricos, que outrora ficavam no painel, passam para as portas - e são iluminados em todas elas, além de contar com botão de travamento das janelas traseiras, acendendo uma luz vermelha nesta situação. Os retrovisores também são elétricos, com boa área e função tilt-down no espelho direito ao engatar a ré. E poderia ser melhor? Poderia: até hoje, não há botão de trava elétrica. As portas até se trancam quando o carro atinge 20 km/h, mas se por exemplo você parar para outra pessoa entrar, é preciso enfiar a mão na maçaneta para destravar.


O sistema de som traz as principais conectividades esperadas para um hatch compacto: Bluetooth para streaming de áudio e chamadas telefônicas, função RDS no rádio, além de entradas USB e auxiliar posicionadas no console central, com iluminação laranja. Com 4 alto-falantes e 2 tweeters, tem qualidade sonora satisfatória, mas a entrada USB deste carro em específico estava defeituosa, de modo que inutilizou dois pen-drives que usamos para músicas (um mini-USB e outro tradicional).


O porta-luvas tem área razoável e conta com iluminação, ao passo que os dois para-sois trazem espelhos (o do motorista com tampa corrediça). No canto esquerdo do assoalho do motorista estão as alavancas de destravamento da tampa do porta-malas e da tampa do tanque de combustível (a abertura delas não é acusada no computador de bordo, diferentemente das portas e capô).



A chave é do tipo canivete, similar a outros Fiat, com abertura e fechamento dos vidros ao segurar por alguns segundos os botões de destravamento e travamento das portas. Curiosamente, os 4 vidros baixam mesmo que as janelas traseiras tenham sido bloqueadas pelo motorista. Os vidros traseiros descem praticamente até o final; todos são dotados de recurso anti-esmagamento, que recuam cerca de 3 centímetros assim que atingem um objeto.


Com espaço interno um pouco maior em relação ao Mobi, o Uno se utiliza de artifícios do irmão pequeno para melhorar a convivência dos passageiros atrás. O banco traseiro é opcionalmente bipartido na proporção 60/40, com duas posições de encosto, possibilitando uma posição mais confortável para o passageiro ou ganhar 10 litros de capacidade do porta-malas. Também há porta-revistas atrás dos bancos dianteiros e um porta-copo no piso. O túnel central é irregular, mas quem senta no meio conta com o cinto de três pontos fixado no teto (raridade no segmento). Há o efeito colateral da fivela do cinto do meio ser a da ponta esquerda (e não a do meio como era de se supor), mas é fácil se acostumar.


O porta-malas do Uno tem farto revestimento em carpete, porém não é iluminado. A capacidade de 280 litros é boa para a categoria e a tampa tem grande abertura; além disso, o estepe tem as mesmas dimensões dos outros quatro pneus, 185/60 (mas por questões de custos, a roda é de ferro). Porém, o assoalho não é plano (fica o "degrau" do estepe), ainda que isso não tenha atrapalhado nosso dia-a-dia com o modelo, e o apoio para por os dedos e fechar a tampa fica distante das mãos.



Por outro lado, diferentemente do Mobi, também é possível rebater os assentos (bastando puxá-los para a frente) além dos encostos dos bancos, que retraem ao puxar as alavancas laterais.


A principal novidade do Uno 2017 reside debaixo do capô: no lugar do 1.4 Fire (um motor de concepção uma década atrasada em relação aos dias atuais), está o 1.3 Firefly, de quatro cilindros, "apenas" oito válvulas (o padrão dos compactos modernos é ter 12 ou 16 válvulas) e uma série de aprimoramentos, a começar pelo pré-aquecimento do combustível que dispensa o reservatório de partida a frio, passando pela vareta de óleo integrada à tampa, manta de isolamento acústico no capô, alternador com regeneração de energia, corrente com durabilidade de mais de 200 mil km, variação do comando de válvulas na admissão e escape, bloco em alumínio e componentes intercambiáveis com o 1.0 Firefly de três cilindros (que esperamos poder avaliar futuramente...).


A direção passa a ter assistência elétrica, como o Toro. E ainda há a função City ativada por botão, que faz o volante ficar levinho, podendo ser girado com um dedo só. Por questões de segurança, a direção ganha peso a partir de 40 km/h. Com esse duplo modo de assistência, o Uno, que á tinha direção hidráulica leve, fica mais agradável de guiar que a grande maioria dos outros compactos. Já o velocímetro digital aumenta bastante a percepção de a quantas andamos do que se olhássemos somente para a marcação analógica.



Rendendo 101 cavalos com gasolina e 109 cv com etanol, além do torque de 13,7/14,2 kgfm a 3500 rpm, o Uno 1.3 traz uma taxa de compressão do motor excepcionalmente alta até se comparado a motores com injeção direta de combustível, de 13,2:1 - no Celta 1.0 VHC (Very High Compression) era de 12,6:1... São nada menos que 21 cavalos e 1,7 kgfm a mais em relação ao 1.4 Fire.



Com o 1.3 Firefly, o Uno Sporting acelera de 0 a 100 km/h um segundo mais cedo (a marca fala em 9,8 segundos com etanol) e atinge em quarta marcha a velocidade máxima de 177 km/h. A rotação máxima do motor passa para 6800 rpm, mas a potência é alcançada em 6250 rpm.



A posição de dirigir é cômoda e a visibilidade para trás é melhor que no Mobi, já que sua tampa de vidro tem pouca área vertical transparente. Os retrovisores tem bom campo de visão e os faróis são bem eficientes (especialmente os de neblina), mas a cúpula do quadro de instrumentos fica menos legível quando incide muita luz solar. Outro fator que inspira atenção para quem tem pés grandes é a proximidade dos pedais - por outro lado é fácil fazer o punta-tacco (segurar com o pé direito, ao mesmo tempo, o freio e o acelerador no contorno de curvas).


O câmbio manual de 5 marchas segue os preceitos Fiat, com alavanca de curso longo e engates bastante suaves, porém nem sempre precisos. A ré, como de costume, é acionada ao se levantar uma arruela. Para economizar combustível, a luz indicadora de troca de marcha aparece em rotações baixas (a cerca de 2000 rpm), análogas às de um 1.0 três-cilindros como o up!, de forma que a menos de 60 km/h aparece a indicação de usar a quinta marcha. Já a alavanca de freio de mão é bem fácil de operar (lembra a do March) e a embreagem tem curso relativamente longo, mas com maciez.


Um dos principais destaques é o sistema Start&Stop, ainda raro no segmento (só o Uno e o Sandero 1.6 trazem o recurso). Funciona assim: quando o carro para em ponto-morto e se solta a embreagem, o motor é momentaneamente desligado para poupar combustível. Fica até 3 minutos desligado (1 minuto se o ar estiver ligado, já que é justamente a climatização que deixa de operar: a direção continua com assistência e todos os equipamentos elétricos do carro operam normalmente).

O sistema tem alguns parâmetros para operar: se o carro não alcançar 5 km/h até alcançar a próxima parada, o motor continua ligado, bem como se o motor ainda não estiver em temperatura ideal de funcionamento, o cinto do motorista não estiver afivelado, a porta do motorista não estiver travada ou o carro estiver de marcha-a-ré. Para aguentar tantas partidas adicionais, a bateria Heliar tem características específicas. Em nosso uso, a partida sempre ocorreu naturalmente ao pisar de volta na embreagem. E há o botão de inibição do Start-Stop no console do painel. De lambuja, ainda há o Tip Start, mão na roda para iniciantes: caso o motor morra, basta pisar na embreagem para ligá-lo.



Igualmente inimagináveis num Uno há poucos anos, os controles eletrônicos de tração e estabilidade hoje equipam poucos carros na categoria de compactos, como o Ka SEL (no up! TSI, só há controle de tração). O controle de tração (ASR) atua quando o carro enfrenta pisos de baixa aderência e há patinação de uma das rodas; o torque transferido para ela assegura que a aceleração seja mais segura. Já o controle de estabilidade interfere em tendência à derrapagem ou a saídas de frente nas curvas, reduzindo o torque do motor e freando alguma das rodas para reestabelecer a trajetória. Integrados aos controles eletrônicos também está o ERM, que evita que alguma das rodas saia do solo em manobras rápidas. Tudo se traduz em uma boa estabilidade em curvas e situações imprevisíveis: quando precisamos desviar de um cachorro enquanto estávamos a cerca de 75 km/h, o Uno reagiu naturalmente.


Em termos de segurança, também há airbags frontais, ajuste de altura dos cintos dianteiros, apoios de cabeça ajustáveis e cintos de 3 pontos para os cinco ocupantes, sinalização de frenagem de emergência (acionando automaticamente o pisca-alerta), chave de seta com acionamento por um leve toque (pisca 5 vezes), limitador de velocidade (entre 30 e 200 km/h) e freios ABS com discos sólidos na frente, tambor atrás, EBD e Hydraulic Brake Assist, para caso de frenagens de pânico. O cinto do motorista tem sensor de afivelamento: caso ele não o esteja usando com o carro em movimento, ouve-se um apito contínuo muito chato.


Quanto ao consumo de combustível, o Uno prometeu uma economia de combustível de cerca de 20% com o Start&Stop aplicado no perímetro urbano, e realmente cumpriu a palavra. Enquanto os dois Fiat Mobi 1.0 Fire que avaliamos em 2016 não passaram de 10 km/l em perímetro urbano, o Uno Sporting obteve, nos 535 quilômetros que percorremos, uma boa média de 11,9 km/l, chegando a picos de 13,8 km/l nos últimos 200 km (sempre com gasolina, em perímetro urbano, com ar-condicionado ligado na maior parte do tempo e de uma a 3 pessoas a bordo). Já o tanque de combustível tem a boa capacidade de 48 litros, permitindo viagens longas sem muita preocupação com abastecimentos. Rodamos 535 km e ainda devolvemos o carro com 1/4 do tanque.


O Uno Sporting parte de R$ 51 080 com o câmbio manual, e para ficar igual ao "nosso" carro, demanda: pintura metálica (R$ 1602 pelo tom Prata Bari), Kit Comfort (por R$ 962, inclui cinto de três pontos e apoio de cabeça central traseiro, apoio de braço para o motorista, ajuste de altura do banco do motorista, assento traseiro bipartido e um copinho de borracha para smartphone, que não veio no carro que avaliamos), e Kit Tech (alarme, Hill Holder, controles de estabilidade e tração, rádio Connect, retrovisores elétricos, sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico e vidros elétricos traseiros, pelo valor de R$ 3832), totalizando R$ 57 435. Há ainda o Kit Live On (R$ 4039), que além dos itens do Kit Tech, inclui o suporte ajustável para celular com entrada USB embutida - com o app instalado, o smartphone se converte na central multimídia do carro.


Vale os quase R$ 58 mil? Vamos lá: dentro da Fiat, este é quase o preço de um Palio Sporting 1.6 manual com pintura metálica (R$ 57 742), que apesar do motor mais potente, gasta mais combustível. Também é possível levar um Punto Attractive 1.4 com o kit Itália e pintura metálica (R$ 57 387), para quem for saudoso do 1.4 Fire (se é que esse tipo de pessoa existe...). Ambos trazem estilo interessante, bom espaço para passageiros e acabamento bem-cuidado, mas não vêm com uma lista de equipamentos de conforto e segurança tão extensa.

Boletim comentado do Fiat Uno Sporting 1.3 Manual


Design = 9,0

Em cada reestilização, o Uno parece menos engraçadinho e mais adulto: agora ele alcançou um estilo diferenciado, mas sem ser espalhafatoso como era o primeiro Sporting (lembra que ele já teve as berrantes opções de cores Laranja Nemo [inclusive no interior] e Amarelo Interlagos?). Todos os pontos em que mexeram - grade, para-choque, rodas e adesivos - ficaram mais interessantes. Por dentro, a mudança mais marcante foi o escurecimento do interior (antes, a faixa central do painel era branca), contrastando com os novos detalhes vermelhos. Nesta linha 2017, a versão "urbana" Attractive só traz motor 1.0; quem quiser o 1.3 escolhe entre os estilos Sporting ou Way.

Espaço interno = 8,5

Quatro adultos e uma criança se acomodam bem no Uno, com espaço bom para cabeça e pernas. Há também variados nichos para guardar objetos: o teto (que geralmente é mal-aproveitado nos hatches compactos) traz porta-óculos para o motorista e porta-objetos central; também há bons espaços no console central e nas portas dianteiras; atrás, porta-revistas e porta-moedas nas portas quebram o galho. O porta-malas pode ser melhor utilizado com o rebatimento parcial do encosto do banco traseiro e em termos dimensionais não deve muito ao do Palio, sendo até mais espaçoso que o do Punto.

Conforto = 8,75

Mesmo sendo a versão de verve esportiva, o Sporting trata bem os passageiros: a bordo, o nível de vibrações emitidas pelo motor é reduzido em baixas rotações e a suspensão absorve bem as péssimas condições gerais do piso brasileiro (agravadas com as chuvas recentes). Com ar-condicionado eficiente, direção macia e boa qualidade de som, o Uno Sporting também traz bancos confortáveis com ajustes facilitados para o motorista (que também pode ajustar o volante sem ele despencar, como em alguns rivais), além de botões próximos das mãos, iluminados, e com a facilidade dos recursos um-toque para abrir e fechar os vidros, além de fechá-los junto com o travamento das portas - coisas que parecem banais, mas ainda não estão disponíveis em todos os oponentes.

Acabamento = 8,75

A versão Sporting traz detalhes de acabamento que outros hatches por aí negligenciam. O inserto macio ao toque e texturizado na parte central do painel dá um ar distinto sem recorrer ao painel todo emborrachado; os plásticos rígidos trazem texturas interessantes, e os forros de porta dianteiros e traseiros (ouviram, HB20 e Onix?) são de tecido preto. Aliás, preto é a cor do forro de teto, das colunas e do console com porta-objetos e espelho auxiliar. Só não ganha nota maior porque se notam alguns rangidos de acabamento em pisos ruins e algumas peças desencaixaram durante a estadia: uma alça de plástico do ajuste do cinto do motorista e a proteção do rolo do cinto traseiro do lado direito (felizmente foi possível reencaixar).

Equipamentos = 9,0

De série, o Uno Sporting já traz uma lista boa de equipamentos, que inclui direção elétrica com função City (é muito mais útil do que parece ter dois níveis bem distintos de assistências para a direção elétrica), ar-condicionado, Start&Stop, rodas de liga leve, faróis de neblina, travas e vidros dianteiros elétricos, ajuste de altura do volante, computador de bordo com comandos no volante, banco traseiro com 2 posições de encosto e um rádio simples simple-DIN (igual ao que era usado na linha Uno até 2014), com função RDS, entrada USB e leitor de arquivos MP3 e WMA. Para quem quer mais itens, há os pacotes Comfort, Tech e Live On. Só temos dois pedidos para a Fiat: a inclusão do botão de trava elétrica e do acendimento automático dos faróis. Parece besteira, porém como o quadro de instrumentos fica todo aceso ao girar a chave, algumas vezes nos pegamos trafegando à noite com as luzes apagadas.

Desempenho = 9,0

Se o Uno anterior ficou com a fama de chocho, este Sporting se redime: este 1.3 Firefly nem é tão menor que o 1.4 Fire (tem 1332 centímetros cúbicos, 36 cm³ a menos) e incorpora diversas tecnologias para render mais. Nas acelerações e retomadas, o Sporting manda bem e empolga ao guiar, chegando a ter fôlego comparável ao de carros 1.5 ou 1.6. Óbvio que há limitações, como tentar subir uma ladeira de quarta marcha, mas o Firefly rende muito melhor que o 1.4 antigo. O mais importante: o conjunto de suspensão e freios está à altura da performance melhor.

Segurança = 8,75

É na segurança ativa que o Uno se destaca: além dos controles eletrônicos de estabilidade e tração (até hoje negligenciados em modelos maiores), traz auxílio de partida em ladeiras, alerta sonoro do não-uso do cinto do motorista, assistência em frenagens de pânico, Electronic Roll Mitigation, repetidores de seta nas laterais, cintos de 3 pontos e apoios de cabeça ajustáveis para todos... Faltaram apenas os side-bags, limados também da linha Palio. Como o modelo não chegou a ser reavaliado pelo Latin NCAP após a inclusão dos itens de segurança, sempre se fica com um pé atrás em relação à resistência da carroceria em colisões.

Consumo = 9,0

No começo o Uno nos decepcionou um pouco, fazendo médias ao redor dos 9,5 km/l nos primeiros dois dias de avaliação. Mas foi só pegar as manhas de direção (passar as marchas no momento indicado no quadro de instrumentos a cerca de 2000 rpm, fazendo acelerações e desacelerações mais suaves ao antever o tráfego, e mantendo o Start&Stop ativado praticamente em todas as situações) para chegar a até 13,8 km/l de gasolina na cidade, uma marca muito boa para nossos padrões.

Custo-benefício = 8,75

Para quem quer um hatch prático, ágil e econômico, vale a compra. Só agora é que o Uno passa a contar com 3 anos de garantia, igualando-se aos oponentes. Mas na hora de comprar o carro, é possível estender a cobertura para 4 ou 5 anos - e só o Hyundai HB20 oferece uma garantia tão longa. Além de ter desempenho superior a compactos equipados com motores maiores, o Uno traz estilo interessante, conforto ao rodar e consumo de combustível bem contido. Com estas modificações na linha 2017, a Fiat volta a ter um compacto desejável, em meio a rivais que passaram por mudanças significativas nos últimos anos. Para quem não consegue engolir o jeito de ser do Uno, o jeito é esperar mais um pouco pelo X6H, o hatch que substitui o Punto e chega às concessionárias em junho.

Nota final = 8,8

As notas são atribuídas considerando a categoria do carro analisado, os atributos oferecidos pelos concorrentes, além das expectativas entre o que o modelo promete e o que, de fato, oferece. Frações de pontuação adotadas: x,0, x,25, x,5, x,75. Critérios - Design = aspecto estético do automóvel. Espaço interno = amplitude do espaço para passageiros (dianteiros e traseiros, de acordo com a capacidade declarada do carro), locais para por objetos e bagagem. Conforto = suspensão, nível de ruído, posição de dirigir, comodidades. Acabamento = atenção aos detalhes internos, escolha de materiais e padronagens. Equipamentos = itens de tecnologia e conforto inclusos no automóvel avaliado. Desempenho = aceleração, velocidade máxima, retomada, comportamento em curvas e frenagem. Segurança = visibilidade, itens de proteção ativa e passiva. Consumo = combustível gasto e autonomia. Custo-benefício = relação de vantagem entre o preço pago e o que o carro entrega.

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