Expedição Nissan Frontier: de Pernambuco ao Piauí, uma viagem recheada de histórias


Texto, fotos e vídeo | Júlio Max, de Coronel José Dias (PI)
Viagem a convite da Nissan

Uma experiência multifacetada e que evidencia as belezas e importância histórica da região Nordeste do Brasil. A segunda etapa da Expedição Nissan, ocorrida entre os dias 21 e 24 de novembro, foi um evento que em quase nada parecia com as tradicionais apresentações de automóveis à imprensa, geralmente de curta duração (um ou dois dias) e uma breve experimentação do carro.



Desde o lançamento da nova Nissan Frontier, ocorrido em março deste ano no Haras Tuiuti, o diretor de comunicação corporativa Rogério Louro comentava a jornalistas a possibilidade de realizar um novo projeto, em busca das regiões que abrigam evidências das origens do homem moderno no Brasil. E a equipe da Nissan concretizou a ideia com as expedições, que iniciaram em Minas Gerais e, neste mês de novembro, chegaram ao Piauí. Nós também tivemos o privilégio de termos um contato prolongado com a nova versão da Frontier, a SE, que mantém o conjunto mecânico da LE 4x4 e abre mão de alguns equipamentos para ter preço mais atraente.


A Expedição Nissan teve seu início em Petrolina (Pernambuco), cidade localizada a cerca de 640 quilômetros da capital, Recife. A concentração dos jornalistas e da equipe da marca ocorreu no Nobile Suítes Del Rio, com uma bela vista do rio São Francisco e do panorama da cidade, que possui até mesmo uma réplica da Estátua da Liberdade. Na manhã do dia 22, a frota de 14 picapes (incluídas as unidades destinadas aos jornalistas convidados e à equipe da Nissan) partiram para a jornada.

A marca presenteou cada pessoa com uma mochila equipada com todos os apetrechos necessários a uma jornada como esta: camisas, chapéu, capa de chuva, toalha, binóculos, luz auxiliar, carregador wireless, estojo com repelente, protetor solar e produtos para cabelo... Em um mesmo dia, foram percorridos três Estados.


A fila indiana de picapes era puxada pelo experiente piloto Cacá Clauset, idealizador da empresa de eventos fora-de-estrada TSO Brasil. Pelo rádio, todas as pessoas estavam a par das conversas: seja um alerta de um animal na pista ou um poema relacionado aos locais pelos quais passávamos. Aliás, o início da expedição foi uma verdadeira revisitação às cidades mencionadas na letra da música "Sobradinho", de Sá & Guarabyra. Além do lago que deu nome à música - e que atualmente está com baixa capacidade hídrica - passamos por Casa Nova, Remanso e Santo Sé.


Um dos locais mais impressionantes visitados no primeiro dia foi Casa Nova, em uma região que recebe um grande volume das águas do Sobradinho. As dunas, a orla encrustada de conchas, a brisa e até mesmo algumas das ondas fazem pensar que se trata de uma autêntica região litorânea, mas as ruínas da antiga cidade - como pedaços de parede e troncos de árvores - lembram que, um dia, aquilo já foi sertão. Para ter acesso à região, só com carro com tração nas quatro rodas.


Ainda no primeiro dia de expedição, passamos de Remanso (BA, foto abaixo) para o Piauí (são exatos 100 quilômetros de distância). Apesar da cidade de São Raimundo Nonato ter maior fama nacionalmente, a pousada em que nos acomodamos fica na cidade de Coronel José Dias, mais próxima aos sítios arqueológicos que nós visitamos. De Pernambuco ao Piauí, os jornalistas se revezaram e percorremos cerca de 440 km.


A Pousada Serra da Capivara também possui uma fábrica que, a partir da mesma matéria-prima, produz dezenas de artigos decorativos e/ou utilizáveis, como copos, canecas, filtros de água, saleiros, paliteiros, bolas (decorativas, obviamente), pratos e outros objetos. Com um pé no "acelerador", que rotaciona o plano onde se põe a argila, a peça começa a tomar forma. Posteriormente, nela são realizados desenhos, que podem reproduzir a estética das pinturas rupestres ou serem feitas por encomenda. Em seguida, as peças vão a fornos em alta temperatura e ganham cores, além da textura desejada. Ao lado da fábrica há a loja, com preços competitivos, para um trabalho que é puramente artesanal.


Bem próximo à pousada, no segundo dia de expedição, todos encararam a Trilha da Energia, relativamente curta, com 6 quilômetros, mas que possibilitou aproveitar bem os recursos off-road da Frontier. A trilha ladeava os elevados paredões que se formaram nesta região.


Na sequência, uma ilustre presença no Museu do Homem Americano, que abriga diversos dos vestígios humanos (crânios [foto abaixo], urnas funerárias e utensílios): a pesquisadora arqueóloga Niède Guidon, que desde a década de 1970 vem se dedicando aos sítios arqueológicos da região, objetivando preservar a riqueza histórica e encontrar parceiros que contribuam para manter o museu, aberto em 1998 e reformado em 2005. Hoje, aos 84 anos, continua abraçando a causa com a mesma garra e manteve-se de pé durante toda a palestra.


A tarde reservou diversas surpresas. Primeiramente, houve a visitação ao sítio Toca do Boqueirão da Pedra Furada, que abriga algumas das mais famosas pinturas rupestres do Brasil. Predominantemente, as pinturas têm coloração avermelhada e corpo das imagens preenchido - são desenhos mais simples em relação a pinturas encontradas em outras regiões do País, e são também mais antigas, remontando a até 20 mil anos atrás. Após a observação do rico acervo de pinturas, nos aventuramos para chegar ao Mirante das Mangueiras, uma das mais belas paisagens de nossa região, e a famosa formação rochosa da Pedra Furada.



Com proposta mais despojada, a Nissan Frontier SE se mostrou até mais adequada a um evento como este. Com o calor que faz na região Nordeste em geral, os bancos de tecido são mais convidativos do que os de couro, por exemplo. Além disso, a picape mantém todo o conjunto mecânico da versão topo-de-linha (motor 2.3 Biturbo Diesel de 190 cavalos, câmbio automático de 7 marchas com modo sequencial, tração 4x4 com seletor giratório por botão com tração traseira, integral ou reduzida), além dos importantes recursos eletrônicos: controles de tração e estabilidade, auxílio de partida em ladeiras, controlador automático de velocidade em descidas, controlador de velocidade de cruzeiro ("piloto automático") e bloqueio do diferencial traseiro.


A diferença fundamental da versão SE em relação à LE está na lista de equipamentos. Por fora, a SE se distingue por ter faróis halógenos ao invés do LEDs da versão topo-de-linha; as luzes de seta foram reposicionadas dos retrovisores para os para-lamas dianteiros e itens como rack de teto, estribos e protetor de caçamba foram suprimidos. Já faróis de neblina, rodas de liga leve de 16 polegadas e itens cromados (maçanetas, para-choque traseiro e capas dos retrovisores) foram mantidos.


Internamente, além dos revestimentos serem em tecido no lugar do couro, a versão SE traz equipamentos mais simples. O ar-condicionado passa a ser de zona única, com controle de temperatura manual, mantendo as duas saídas para os ocupantes traseiros. No lugar da central multimídia Multi-App está o sistema de som com tela colorida, mas insensível ao toque. O rádio conta com CD/MP3 Player, entrada USB e auxiliar, além do Bluetooth para streaming de áudio e chamadas telefônicas. São 4 alto-falantes (sem tweeters como na versão LE) e a qualidade de som é satisfatória.


A Frontier SE vem com itens incomuns no segmento intermediário de picapes médias (chave presencial I-Key com partida por botão, computador de bordo com tela colorida de 5 polegadas, espelhos com luzes de cortesia nos para-sóis, tomadas de 12 volts no alto do painel, no console central, na caçamba e dentro do apoio de braço dianteiro), além dos equipamentos esperados num carro deste segmento (direção hidráulica com regulagem de altura; cintos dianteiros e banco do motorista ajustáveis em altura, retrovisores, travas e vidros elétricos - com função um-toque para baixo para o motorista - airbags frontais e freios ABS com EBD e auxiliar de frenagem de pânico). Faltou, porém, o sensor de ré para assegurar a integridade da traseira; é preciso instalá-lo como acessório em uma concessionária.


Em nosso contato prolongado, a Frontier SE se mostrou uma companheira bastante apta a enfrentar todo tipo de aventura, a começar pelos terrenos acidentados. A altura em relação ao solo de 29,2 centímetros, somados aos pneus 255/70, permitiram a transposição do solo sem necessitar acionar a tração nas quatro rodas. Quase não se fez necessário o uso da tração 4x4 reduzida, que amplifica a força transmitida às rodas em baixas velocidades. Quando foi preciso subir as dunas que margeiam o Sobradinho, bastou acelerar constantemente com tração 4x4 e controle de tração desativado.


A Frontier mantém qualidades como a boa visibilidade (graças à posição de dirigir elevada, ao formato do capô e aos espelhos externos graúdos), o nível de consumo de diesel contido (fez médias de 10,5 a 12,0 km/l nos percursos mistos), ao bom funcionamento do ar-condicionado e a abundância de porta-objetos, como o porta-garrafas junto às saídas de ar laterais, o porta-óculos no teto e dentro do apoio de braço dianteiro, entre outros.


Todas as quatorze picapes foram ao Piauí e retornaram a Pernambuco sem incidentes, fora um ou outro arranhão. Além disso, todos os participantes do evento, que já tinham sido vacinados contra febre amarela, retornaram sãos e salvos. Logo após chegarmos ao Mirante das Mangueiras, começou a cair uma chuva que foi evoluindo e sendo acompanhada de fortes ventos, mas chegamos em segurança.


No último dia de expedição, houve a visitação a três sítios arqueológicos: Toca do Pajaú, Toca do Barro e Paraguaio. Cada um, a seu estilo, traz pinturas rupestres gravadas nos seixos ou nas paredes. Paredes estas que abrigam tocas que são o habitat de um curioso mamífero: o mocó, roedor cuja cor de seus pelos se confundem com o tom das rochas.


Para não ser atacado, o mocó fica estático, às vezes movendo somente o focinho. Atualmente, o simpático animal está na lista de vulnerabilidade de espécies em extinção. Depois de visitar o sítio do Paraguaio, fomos literalmente para o Inferno, uma região em que a água da chuva cai pelas rochas e é marcada pelos ecos e, dizem, por luzes.


O desfecho da Expedição Nissan ocorreu com o almoço surpreendentemente delicioso servido no restaurante Manga Massa. Recebemos representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que atua de forma complementar em relação à preservação dos sítios arqueológicos e visa proteger a fauna e flora nativas da região, apesar dos percalços financeiros.


A equipe de jornalistas de Teresina (PI) tomou um rumo diferente de todos os outros, que retornaram a Petrolina (PE) para voltarem para casa. Foi cedida uma unidade LE especificamente para percorrer o trajeto entre São Raimundo Nonato e a capital do Piauí, que levou cinco pessoas a bordo e muita bagagem na caçamba (coberta com capota marítima, um acessório). Para mim, sobrou a posição que pouco é lembrada pelas montadoras: o meio do banco traseiro. Com a proteção divina e o cinto subabdominal, apesar do aperto para as pernas, a viagem de volta foi tranquila, graças à boa disponibilidade de força e à segurança da picape. Nas fotos acima, uma parada em Oeiras (PI), que foi a capital do Estado até a fundação de Teresina em 1852.


Vale lembrar que a Frontier LE traz a mais, em relação à SE: acendimento automático e temporizador dos faróis (de LED), bancos em couro, ajustes elétricos para o assento do motorista e aquecimento em 2 níveis dos bancos dianteiros; ar digital de duas zonas, protetor de caçamba e ganchos laterais ajustáveis, porta-revistas, estribos laterais, sensor e câmera de ré, rack de teto e o sistema multimídia Multi-App com interface Android, CD/DVD Player, duas entradas USB e auxiliar, tela touchscreen de 6,2 polegadas, função RDS e Wi-Fi.


A Expedição Nissan mostrou também outra importância - o empoderamento feminino. Na equipe da marca, a Daiane, além de checar toda a área com antecedência, foi responsável pela orientação dos convidados acerca de como proceder na expedição, e foi complementada pelas garotas de apoio, Camila e Brenda. Também fomos orientados pelas guias da região, que nos informaram em bastantes detalhes sobre as formações rochosas, espécies de animais e plantas locais, além da idade estimada de algumas das pinturas.


E a Nissan dará continuidade às expedições em busca das origens do Brasil. Em 2018, estão programadas mais duas viagens que prometem ser inesquecíveis: em meados de janeiro, na região do Mato Grosso, e em março, na Bahia. Sem dúvidas, estes também serão eventos importantíssimos para a história do nosso País!

Confira as imagens da Expedição Nissan!

Dias 21 e 22/Novembro: Petrolina (PE)


Dia 22/Novembro: Rumo às águas do Sobradinho


22/Novembro: Casa Nova



23/Novembro: Trilha da Energia (Coronel José Dias, PI) e Museu do Homem Americano



23/Novembro: Fábrica Artesanal de Cerâmicas na Pousada Serra da Capivara


23/Novembro: Serra da Capivara e Pinturas Rupestres


23/Novembro: Mirante das Mangueiras e Pedra Furada


Dia 24: Visita aos Sítios Toca do Pajaú, Toca do Barro e Paraguaio


Dia 24/Novembro: Retorno de São Raimundo Nonato a Teresina, PI


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