Avaliação - Fiat 500 Abarth: veneno antimonotonia


Fotos, vídeo e edição | Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaborador | Francisco Santos

Não se deixe sensibilizar pela cara simpática e pelas formas compactas: o Fiat 500 Abarth tem a mesma personalidade dos escorpiões que carrega em seus logotipos. A última experiência que tivemos foi com escorpiões de verdade, que vez ou outra invadiam o sítio que serviu de locação de fotos para o Jeep Renegade Trailhawk em fevereiro (o quê??? Você não leu esta matéria? Clique aqui que dá tempo). Os aracnídeos, assim como este Cinquecento, não eram muito grandes e viviam escondidos durante o dia (aqui em Teresina [PI], durante o ano de 2015, duas unidades da versão Abarth foram emplacadas - isso é que é exclusividade). E se não houver cuidado ao lidar com eles...



Em algumas espécies de escorpião, quanto menores os pedipalpos (garras frontais), mais intenso é o veneno, que uma vez inoculado através do ferrão, atua sobre o sistema nervoso (momento biologia do Auto REALIDADE). E a analogia faz todo o sentido quando se trata do conjunto mecânico do 500 Abarth. Considerando que o motor é 1.4 16 válvulas e o câmbio é de 5 marchas - assim como nos saudosos 500 Sport Air de visual esportivo - você pode não se surpreender em um primeiro momento. A questão é que este Cinquecento, em termos mais técnicos, praticamente em nada tem a ver com o carrinho fofinho que é usualmente encontrado nas concessionárias...


Para começar, o design do Fiat 500 Abarth é mais agressivo e harmonioso. Olhando atentamente é possível perceber que os faróis são diferentes das outras versões, incluindo projetores e regulagem automática de altura. Abaixo estão as luzes diurnas e de seta, e integrados à grade estão os faróis de neblina. Para acomodar os radiadores de ar e de água, além das grades de maior área, o para-choque dianteiro cresceu 6,9 centímetros. Já as rodas de 16 polegadas, de intrincado design, são calçadas com pneus Pirelli Cinturato P7 de perfil 195/45, e por traz delas é possível ver as pinças vermelhas de freio.


As capas dos retrovisores combinam com a cor das faixas laterais - estes adesivos remetem aos modelos preparados pela companhia de Carlo Abarth desde 1949 (e por quê ele escolheu o escorpião para simbolizar a marca? Ué, porque ele era do signo de escorpião). Saias laterais e aerofólio garantem estilo mais encorpador ao compacto. Lembra daqueles easter-eggs do Renegade? O 500 traz um bem legal: são os aracnídeos em baixo-relevo nos escapamentos (mas você vai ter que ser muito entusiasta para notar). E, exceto nos vidros laterais, todos os logotipos da Fiat são substituídos pelos da Abarth, que também é responsável pela preparação do Punto esportivo e do roadster 124 Spider na Europa. No Brasil, a insígnia chegou em 2002 e foi aplicada ao Stilo e ao Palio do Rally de Velocidade.


No continente europeu, o Abarth 500 é comercializado desde meados de 2008, ano em que o Cinquecento foi apresentado pela primeira vez aos brasileiros no Salão de SP. Um ano depois iniciariam as vendas por aqui. Porém, trazer o modelo mais nervoso da fábrica da Polônia sairia caro. Assim, a importação só foi definida após o início da produção da versão Abarth em Toluca, México, e finalmente em novembro de 2014 o 500 Abarth passou a ser comercializado nacionalmente.


Internamente, o 500 Abarth agrada de cara por ter atenção especial ao acabamento: o painel traz aplique na cor da carroceria e os revestimentos dos bancos, da parte superior do quadro de instrumentos, das alavancas centrais e de boa parte das portas são de couro preto, assim como o volante, de base aplanada e ótima empunhadura, com costuras vermelhas e repleto de atalhos: de frente para o motorista, os botões do raio esquerdo realizam as operações de voz do sistema Blue & Me e as chamadas telefônicas, enquanto no raio direito é possível ajustar o controlador de velocidade automático (cruise-control). Na parte interna dos raios, ajusta-se a faixa ou estação de rádio à esquerda e se aumenta, reduz ou emudece o volume do som nos botões à direita. Teto e colunas na cor preta ajudam na composição do ambiente esportivo.


O quadro de instrumentos é um dos destaques do Cinquecento. Inteiramente digital, as informações são de fácil leitura, uma vez que são exibidas barras no lugar de ponteiros e velocímetro em algarismos, e os gráficos variam caso você esteja no modo Normal ou Sport. O computador de bordo mostra distância, consumo médio, consumo instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso (A e B).

As informações são alternadas nos botões "Trip" (à direita, na haste do limpador de para-brisa, e nos botões de menu ao lado direito do painel de instrumentos). Curioso que ele aponta se você abriu a porta esquerda, a direita ou a "bagageira" (e mostra gráficos em todas as situações), mas teoricamente você pode andar com o capô aberto sem nenhuma notificação...


Num Brasil onde as chamativas telas sensíveis ao toque são cada vez mais procuradas, o rádio com tela 8-Bits do 500 parece até nostálgico... Mas ele tem seus triunfos. Primeiramente, é compatível com comandos de voz (que funcionam muito bem), Bluetooth (para ligações e reprodução de som), além de trazer entradas USB e auxiliar cobertas por tampas. Sem falar no excelente sistema de som Beats (opcional), com 6 alto-falantes, subwoofer de 8 polegadas e amplificador, gerando potência de 368 Watts. A operação do som pelos botões centrais demanda um pouco de prática, especialmente se você quiser elevar os graves, destacar os agudos ou fazer com que o volume aumente conforme a velocidade - e um pouquinho de conhecimento de inglês, pois só o quadro de instrumentos tem como idioma o português...


Outro opcional é o teto solar elétrico, que possui cortina perfurada preta com retração manual e acionamento parcial ou completo pelo botão no teto, que desliza até quase tocar a antena e ajuda a arejar a cabine. Durante as chuvas teresinenses na Semana Santa (milagre!) e as andanças nas estradas, o teto apresentou vedação nota 10.


Já o ar-condicionado digital é de série e possui ajuste entre 16 e 32 graus Celsius, com ajuste de meio em meio grau. Possui comandos intuitivos e a operação do ventilador é bem ágil. Assim, o 500 manteve o clima frio enquanto do lado de fora reinava o calorão no dia da sessão de fotos. Apertando o botão Auto, o sistema se encarrega de ajustar a temperatura e a velocidade do vento. Ao centro fica o comando de acendimento dos faróis de neblina.


Os bancos dianteiros possuem encostos de cabeça integrados e largos apoios lombares e para as pernas, a fim de segurar o corpo em condução esportiva. E cada qual possui seu apoio de braço, algo raro em carros com câmbio manual. É uma forma de compensar a ausência das famosas alças de teto. Mesmo na posição mais baixa do assento, o motorista estará em uma posição que favorece a visibilidade. O volante ajusta em altura. Já o porta-luvas traz bom espaço (além dos manuais do proprietário, é possível encaixar uma câmera semiprofissional) e traz cabo USB exclusivo para recarga, além de uma redinha para por o celular. Outra rede, um pouco maior, está no lado direito do console para o passageiro acomodar outro smartphone.


A porta esquerda traz apenas os comandos dos retrovisores elétricos - assim como nas outras versões, os acionadores dos vidros elétricos (com recurso um-toque para descida) ficam próximos à alavanca do câmbio, em semicírculos, favorecendo a ergonomia. 

A lista de equipamentos também engloba alertas de limite de velocidade e manutenção programada, chave-canivete com comando para destravamento do porta-malas, acelerador eletrônico, recurso follow me home (faróis permanecem acesos após retirar a chave da ignição), limpador e lavador dos vidros dianteiro e traseiro com intermitência (com acionamento anexado ao engate da ré), luzes de leitura dianteiras, tapetes Abarth, tomada 12 Volts (a esquerda do console), travas das portas acionadas a a 20 km/h e vidro traseiro térmico temperado.


Ainda que o 500 Abarth seja um carro estritamente de uso esportivo, aqui no Auto REALIDADE ele precisa ser utilizado de todas as maneiras possíveis, e isto inclui acomodar um adulto no banco de trás... Como as portas são amplas e os bancos deitam e correm para a frente (com memória de posição do lado do motorista), chegar lá até que é fácil, mas o entre-eixos de 2,30 metros não opera milagres.

O espaço é adequado a crianças: há espaço razoável para a cabeça e ajuste de altura dos encostos macios, mas para as pernas, é o caso de negociar com o motorista ou o carona para que afaste seu banco para a frente... Estes passageiros contam com dois porta-copos ao centro, ganchos para cabide e um recuo nas laterais. Chega a ser engraçado olhar para trás e ver a mini-tampa do bagagito.


Falar do porta-malas no Cinquecento "comum" já é um exercício de boa-vontade, e neste Abarth ainda mais. A parte esquerda, onde está alojada a iluminação, é tomada pelo subwoofer da Beats, enquanto a parte direita acomoda o módulo (ué, como você acha que iria ser reproduzido som com tão boa qualidade?). Uma tira de tecido ao lado direito, parecida com as que rebatem os bancos dianteiros, é a "maçaneta" da tampa.

O 500 Abarth não traz estepe por conta dos escapes mais volumosos. Se o pneu furar, há um compressor e um líquido veda-furos (a ausência deste kit foi, inclusive, fator que atrasou um pouco a cessão do modelo da Fiat para nós). A capacidade é de 185 litros (se achou pouco, saiba que o Cabrio acomoda 153 L), mas se serve de consolo, basta apertar dois botões para rebater os encostos dos bancos traseiros, liberando o volume de 550 litros.


Mas agora vamos ao que interessa: desempenho! O motor Multiair de 1368 cm³ é dotado de turbocompressor, 16 válvulas, taxa de compressão de 9,8:1, comando de válvulas variável na admissão e comando simples na admissão. Isso garante a ele 167 cavalos a 5500 rotações por minuto (sete a mais em relação ao 500 norte-americano) e 23,0 kgfm de torque entre 2500 e 4000 rpm. O ronco emitido por este motor é daqueles de despertar com um sorriso. Mesmo com sua metodologia própria, os números da Fiat dão uma boa noção do que este carro é capaz: acelera de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos e atinge a velocidade máxima de 214 km/h. É preciso ficar muito atento ao velocímetro para não cometer excessos...


"Dócil" o 500 Abarth nunca é direito, pois o ronco fulminante sempre estará deliciando os ouvidos, mas é até possível utilizá-lo no cotidiano se você pressionar levemente o acelerador e seguir a shift-light presente no quadro de instrumentos, que prioriza o "Eco Index" - que nada mais é um econômetro com valores numéricos, ao invés das faixinhas amarelas e verdes que os carros mais humildes da Fiat trazem no lugar do conta-giros. Mas o Cinquecento não se dá bem com monotonia: ele instiga o motorista a se sentir piloto, com o equilíbrio dinâmico da carroceria de 1164 quilos e o ímpeto do conjunto mecânico. Até a partida é diferente: ele só arranca se pisar na embreagem.

A Fiat poderia colocar no retrovisor a mensagem: "Objects in the mirror are LOSING"

A direção é mais direta em relação às versões normais e levinha nas manobras de estacionamento - não há sensores de ré, mas os retrovisores grandes resolvem a barra que é por o carro nas vagas. Já a posição de dirigir requer um tempo para se acostumar...

Nas acelerações, prepare-se para colar o corpo no banco: com a força entregue a partir de 2,5 mil rotações por minuto, mesmo em primeira ou segunda marcha é possível extrair muita diversão. E falando no câmbio, os engates são facilitados com a embreagem leve de se operar e a alavanca de câmbio bem dimensionada e próxima do motorista. São cinco marchas, mas o escalonamento entre elas diminui a necessidade de se fazer as operações mecânicas, o que é um alívio no anda-e-pára do trânsito.


E olha que todas estas sensações são sentidas com o carro no modo Normal: apertando-se o botão Sport (à esquerda, na fileira de botões centrais). A pressão do turbo é elevada de 0,8 bar para 1,24 bar, o volante fica mais pesado e o pedal do acelerador responde de forma mais ágil. E o quadro de instrumentos assume a forma mais esportiva. Note que a posição dos pedais facilita o "punta-tacco" (técnica em que o pé direito aciona o freio e, ao mesmo tempo, o acelerador) e que o gatilho de abertura do capô lembra o de carros de corrida.


Segurança nunca é demais quando falamos de carros esportivos, e neste aspecto o 500 Abarth se destaca por um pacote completo de recursos. O controle de estabilidade (ESC) é ativado toda vez que se dá a partida, podendo ser desativado parcialmente ao se apertar o botão, que fica abaixo da saída de ar do motorista. Mas digamos que você queira eliminar toda a assistência... Para isso, é preciso pressionar o botão por cerca de 10 segundos, tempo em que talvez você reflita se vale a pena ou não correr riscos... E ainda assim o ESC está minimamente atuante.



Freios ABS a disco (ventilados na frente, com diâmetro de 284 mm, e sólidos na traseira, com 240 mm) com BAS (assistência hidráulica em frenagens de emergência) garantem frenagens com precisão, com sinalização do pisca-alerta automática em caso de reduções bruscas. Para distribuir a força de forma mais eficiente entre as rodas motrizes, estão à disposição o controle de tração (TCS) e o controle de transferência de torque (TTC). Além disso, o 500 mexicano foi desenvolvido para satisfazer os criteriosos crash-tests norte-americanos - de série o modelo traz 7 airbags: frontais, laterais nos bancos, de cortina e de proteção aos joelhos do motorista, corte do combustível em colisões, cintos dianteiros com pré-tensionadores, além de dois pontos de fixação para cadeirinhas infantis (ISOFIX).


Já o consumo de combustível é outro daqueles fatores que ficam em segundo plano, talvez terceiro... Em circuito mais urbano que rodoviário, o 500 Abarth fez 7,5 km/l (vale lembrar que ele é movido unicamente a gasolina). Resultado esperado para um esportivo, um pouco distanciado dos 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada que alcançou nos testes do Inmetro, mas o que é incontornável é o tanque de combustível que possui os mesmos 40 litros das versões bem mais comedidas (em desempenho e consumo), e reduz a autonomia. Mas pelo menos, em nossa exata uma semana de convivência com o carro, não precisamos reabastecer.



Com 3,67 metros de comprimento, o Fiat 500 Abarth só é maior que o Mobi na linha da montadora betinense (vale lembrar que o novo compacto da marca será apresentado no dia 13 de abril e estaremos fazendo o possível para trazer as novidades sobre o modelo para você, internauta). O Cinquecento possui 1,63 m de largura (sem espelhos), altura de 1,49 metro e distância em relação ao solo de 12 centímetros. Aliás, o spoiler dianteiro já denunciava marcas de raspadas, mas até que o 500 continua encarando lombadas, desde que a velocidades mais baixas. Já a pressão sugerida para os pneus (frios) é de 38 PSI na frente e 32 PSI atrás.


A instabilidade econômica que acarretou na desvalorização do real fez com que o valor-base do Fiat 500 Abarth alcançasse ano passado os R$ 94.000, valor inalterado desde então. Neste segmento, onde as aquisições são baseadas mais na emoção do que em argumentos, o rival mais próximo é o Volkswagen Fusca, que também traz estilo retrô, é ligeiramente mais prático e, vejam só, até possui opção de som de grife, a Fender. Em contrapartida, o motor 2.0 de 211 cavalos está aliado unicamente ao câmbio DSG de 6 marchas, sem opção manual. Acelera igual ao Abarth, de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos, e alcança 224 km/h. O Citroën DS3 também é charmoso, manual e compacto, mas o preço de R$ 82.490 é o do modelo anterior - para ter o visual recentemente introduzido no Brasil (e que, a propósito, já recebeu mudanças no mercado europeu para eliminar os chevrons da Citroën), é preciso levar o DS3 completo, com os Packs Conforto e Tecnologia - e aí, o preço sobe para R$ 92.870. Com motor 1.6 THP de 165 cv e câmbio mecânico de 6 marchas, vai de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e chega a 219 km/h de velocidade máxima.


Correm por fora o Suzuki Swift R (que completo custa R$ 83.990 - é um carro sem muitas firulas e, apesar de ter quatro portas, o porta-malas é de apenas 210 litros), hatch importado do Japão equipado com motor 1.6 de 142 cavalos que o leva de 0 a 100 km/h em 8,7 segundos e à velocidade máxima de 202 km/h, e o Audi A1 Sportback Attraction (por R$ 106.990, conta com motor 1.4 TFSI de 122 cavalos, proporciona menos desempenho [0 a 100 km/h em 8,8 segundos, velocidade máxima de 204 km/h] e itens de conforto - ar digital, teto solar e bancos de couro estão ausentes - porém possui maior porta-malas e usabilidade do banco traseiro, além de ser mais econômico).


As cores disponíveis para a carroceria são: Branco Caldo ("nossa" tonalidade), Preto Gara, Vermelho Sfrontato (sólidas) e a metálica Cinza Nuvoloso, por R$ 1576. O som Beats Premium é oferecido por R$ 2338 e o teto solar representa um acréscimo de R$ 4403. Já as faixas adesivas (vermelhas, pretas ou brancas) são acessórios livres e é possível comprar o Abarth sem elas.



Veredicto: em um mercado que por anos esteve saturado de hatches sem diferencial mecânico algum, o Fiat 500 Abarth traz padrão de o padrão de esportividade que o consagrou na Europa e nos Estados Unidos. O que lhe "falta" em tamanho (e, por outro lado, o torna mais prático de encaixar em lugares apertados) é compensado pelo motor, equipamentos, segurança... Dá até pena ver o Cinquecento ter os patamares de preços elevados, o que fez com que as vendas no Brasil caíssem das 5062 unidades de 2014 para 2134 carros no ano passado. Mas o veneno do 500 é daquele tipo que faz bem ao organismo - até porque é aplicado na medida certa.

Boletim comentado do Fiat 500 Abarth


Design_ 9,5
O estilo do Cinquecento que reconquistou a Itália já tem nove anos, mas quando estamos tratando de modelos retrô, o charme permanece por muitos anos. E o Abarth é daqueles carros que todo mundo gosta de dar uma olhada, comprovando que é uma personalização de bom-gosto e que o diferencia bem das outras versões (Cult e Cabrio). Só não leva nota maior porque a linha Fiat 500 recebeu atualizações no Velho Continente, e tais modificações ainda devem demorar a chegar ao modelo produzido no México.

Espaço interno_ 8,0
Considerando suas dimensões enxutas (e o comparando a seus verdadeiros oponentes), quem senta na frente desfruta de bom espaço para cabeça, ombros e pernas, contando com fartos espaços para objetos nas portas e nichos para por copos, telefones e outros pequenos objetos. Mas o banco traseiro é mera curiosidade, adequado apenas a crianças não muito crescidas (e cadeirinhas de bebê). Quando chegou a dramática hora de entregar as chaves do 500 de volta e voltei para casa de táxi, o banco traseiro do Palio Fire parecia o de uma limusine.

Conforto_ 8,0
Sabe aquela história de que carro da Fiat prima pelo conforto? Aqui, o acerto é para desempenho e é preciso ter cautela com os buracos, mas até que o conjunto de suspensão (McPherson na frente e eixo de torção atrás) absorve leves irregularidades do piso. Se a coluna de direção fosse ajustável em profundidade, a posição de dirigir seria melhor. Em contrapartida, os bancos têm bons apoios e, com os vidros erguidos e sendo cuidadoso com o acelerador, o nível de ruído interno é bem aceitável.

Acabamento_ 9,0
Alguns detalhes de acabamento do Cinquecento Abarth, como o painel com aplique envernizado na cor da carroceria e os plásticos com diferentes texturas, também estão presentes nas versões mais acessíveis. Mas os revestimentos de couro e o forro de teto preto dão maior prestígio ao ambiente. Outros detalhes, como as tiras de tecido para empurrar os bancos para a frente, lembram aqueles esportivos em que o peso foi reduzido ao extremo, como o Porsche Boxster Spyder. Só um detalhe destoava no carro em que avaliamos: o desgaste acentuado do pomo da alavanca do câmbio com o hodômetro marcando menos de 4 mil quilômetros.

Equipamentos_ 9,5
Noves fora o teto solar elétrico e o sistema de som Beats, tudo é de série no 500 Abarth, e isso inclui muita coisa: ar-condicionado digital, direção elétrica, computador de bordo, revestimentos de couro, sistema de som Alpine (ou Beats como opcional)... já a central multimídia só está disponível na nova linha Cinquecento recém-apresentada na Europa.

Desempenho_ 9,75
Quem diria: um Fiat Cinquecento mais ágil que muito carro de cara malvada por aí! Mérito do brilhante conjunto mecânico, meio old-school (sem câmbio de 6 marchas ou automático, nem injeção direta de combustível) mas ainda assim eficiente. Legal é escutar o ronco esportivo (desavisados podem interpretar isso como ruído anormal, mas quem é entendido em hot-hatches vai apreciar bastante). Ah, e a performance nas curvas e em frenagens também é elogiável.

Segurança_ 9,75
O pacote de segurança do 500 Abarth envolve desde itens como cintos de 3 pontos e apoios de cabeça para os 4 ocupantes a 7 airbags, controles de tração e estabilidade, vetorização do torque,  hill-holder, freios a disco nas quatro rodas... Ter a sensação de proteção em um carro tão pequeno e com potencial de andar rápido é duplamente recompensante.

Consumo_ 8,0
É atribuída a Camillo Christófaro (que, não por acaso, foi piloto) a frase "cavalo anda, cavalo bebe". E, com toda essa disposição, não se podia esperar do Cinquecento um exemplo de frugalidade - isto é para a versão Cult 1.4 aspirada. Portanto, a média ao redor dos 7,5 km/l é "convivível", mas ainda assim é bom ficar atento em grandes deslocamentos, pois a autonomia é reduzida proporcionalmente em relação à empolgação ao rodar.

Custo-benefício_ 8,0
Diante de um Brasil em que tamanho de carro ainda é documento, os R$ 94 mil do 500 Abarth parecem salgados, mas basta analisar os hot-hatches rivais para atestar que o modelo da Fiat está bem posicionado neste segmento: conta com charme retrô, conjunto mecânico bem-acertado, boa lista de itens de série, segurança e até ar de exclusividade - que é o que muitos compradores neste segmento procuram. E uma curiosidade: lembra que no começo da matéria foi falado no emplacamento de dois 500 Abarth em Teresina? Um deles é exatamente igual ao "nosso" (foto ao lado): branco, faixas pretas, som Beats e teto solar. Foi posto à venda com 699 quilômetros, por R$ 85.000. Clique aqui para ver o anúncio.

Nota Final = 8,8

As notas são atribuídas considerando a categoria do carro analisado, os atributos oferecidos pelos concorrentes, além das expectativas entre o que o modelo promete e o que, de fato, oferece. Frações de pontuação adotadas: x,0, x,25, x,5, x,75. Critérios - Design = aspecto externo. Espaço interno = amplitude do espaço para passageiros (dianteiros e traseiros) e bagagem. Conforto = suspensão, nível de ruído, posição de dirigir, comodidades. Acabamento = atenção aos detalhes internos. Equipamentos = itens de tecnologia e conforto, sejam de série ou opcionais. Desempenho = aceleração, velocidade máxima, retomada, handling e outros fatores. Segurança = itens de proteção ativa e passiva. Consumo = combustível gasto e autonomia. Custo-benefício = relação de vantagem entre o preço pago e o que o carro entrega.

Agradecimentos | Assessoria de imprensa da Fiat-Chrysler, Jelta Veículos e amigos do grupo Auto REALIDADE

Álbum de recordações do Fiat 500 Abarth!



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