Ford Ka tira nota zero nos testes de colisão do Latin NCAP



O Latin NCAP revela hoje resultados extremamente desapontador para o Ford Ka. O modelo, que frequentemente está entre os 3 automóveis mais vendidos do Brasil, tirou nota zero no quesito de proteção a adultos (0 de 34 pontos possíveis) e três estrelas para a proteção de crianças (30,98 de 49 pontos possíveis). Muito aquém do resultado obtido em 2015, quando conseguiu quatro estrelas para adultos. A explicação: desde 2016, o Latin NCAP realiza impactos laterais a uma velocidade de 50 km/h (a colisão frontal ocorre a 64 km/h) - e nesta prova, o Ka apresentou um péssimo resultado, mostrando níveis altos de lesões no peito do ocupante adulto, penetração profunda do pilar B no habitáculo e abertura da porta. O Ford não possui dispositivos de absorção de energia de impacto lateral em sua estrutura nem no painel interior nas portas. Levando em conta os resultados dos testes, o Ka não foi aprovado conforme a norma básica de proteção contra impactos laterais das Nações Unidas (UN95), obrigatória na Europa desde 1995.



Já a proteção infantil foi aceitável. O Ka brasileiro possui cintos três pontos para todos os passageiros e fixação ISOFIX para fixação de cadeirinhas, porém a indicação para a instalação do equipamento foi considerada deficiente pelo Latin NCAP e não pode ter o airbag do passageiro desativado, o que motivaram a redução da pontuação. A porta traseira direita se abriu no impacto lateral, expondo os passageiros crianças a riscos maiores.



Com isso, tanto o Ford Ka quanto o Chevrolet Onix - coincidência ou não, dois dos modelos mais vendidos do Brasil - tiraram zero de acordo com os novos protocolos de avaliação do Latin NCAP. O resultado também é válido para os modelos Figo (hatch)/Aspire (notchback) comercializados no México, na Costa Rica, em El Salvador, na Guatemala, em Honduras, na Nicarágua e no Panamá.


Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP, disse:
"Estamos surpresos de que, mais uma vez, um fabricante tão importante como a Ford venda um carro zero estrela na América Latina, que, inclusive, falharia nos testes básicos da norma de proteção contra impactos laterais da ONU. Os compradores de automóveis merecemos muito mais que esse resultado inferior ao padrão mundial da parte das companhias que sabem, bem ao certo, como produzir automóveis bem mais seguros. Esse resultado ruim deveria servir como uma lição para os governos de toda a região, já que alguns fabricantes ainda não conseguem proporcionar níveis mínimos de segurança voluntariamente. Portanto, o Latin NCAP faz questão de solicitar a todos os governos da América Latina a adoptar, de forma urgente, a certificação padrão do teste de batida frontal e lateral da ONU e que, enquanto isso, os testes do Latin NCAP sejam obrigatórios para todos os carros. Com isso, todos os consumidores terão informação clara sobre a segurança oferecida pelo veículo que desejem comprar".


Ricardo Morales Rubio, Presidente da Comissão Diretiva do Latin NCAP, disse:
"A falta de interesse na segurança por parte de alguns fabricantes em seu afã de vender mais unidades é inaceitável e deve parar. É necessário, de forma urgente, contar com ações comprometidas por parte dos governos para eliminar o flagelo dos carros zero estrela da região. Sem as regulamentações adequadas, os fabricantes podem vender veículos inseguros que não poderiam vender na Europa, na Austrália, no Japão ou na América do Norte. O Latin NCAP considera que esse comportamento demonstra uma falha grave quanto à responsabilidade social corporativa das empresas”.

Kelly Henning, Diretora da Saúde Pública do Bloomberg Philanthropies, disse:
"Na Bloomberg Philanthropies, investimos nas estratégias para reduzir as mortes causadas por acidentes de trânsito, e uma das estratégias para consegui-lo é melhorar a segurança dos veículos. É desapontador comprovar que ainda há muitos carros zero estrela vendidos nos países de baixa e média renda, incluído esse modelo atualmente disponível na América Latina e no Caribe. Solicitamos a todas as companhias automotivas a aplicarem imediatamente os padrões de segurança da ONU em seus modelos em todos os países, não apenas nos de alta renda".


O Latin NCAP anuncia que os próximos resultados serão revelados no mês de novembro.

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