Os detalhes da Chevrolet Spin LTZ 2019 com câmbio automático

Avaliação do Chevrolet Onix 1.4 LT: a fórmula que conquistou brasileiros



Atualmente, quem se dispõe a comprar um carro zero popular dificilmente vai se dispôr ao risco de fazer uma compra ruim. Por isto, fatores como bom valor de revenda, ampla aceitação pelos consumidores, baixo custo de manutenção, conforto ao rodar e lista satisfatória de equipamentos de série são primordiais para tanta gente. E foi assim que, sem pressa, o Chevrolet Onix conquistou os brasileiros. Lançado em outubro de 2012 como o sucessor do Corsa, hoje ocupa toda a faixa de mercado entre R$ 40 mil e R$ 65 mil - e pensar que até três anos atrás ele dividia mercado com Celta, Agile e Sonic... Mas, para atrair tanta gente, o Onix precisou passar por mudanças para se manter atraente no mercado. E deu certo: desde meados de 2015, o hatch da General Motors é o carro mais vendido do Brasil. No início do ano, o Auto REALIDADE avaliou a versão 1.0 LT. Agora, nós relatamos as impressões ao dirigir o Onix 1.4 LT com câmbio manual.



O porte do Chevrolet Onix é maior que os compactos que o precederam, como Gol e Palio, porém menor do que a nova geração de hatches deste segmento, como Polo e Argo. São 3,93 metros de comprimento, 1,70 m de largura (1,96 m com retrovisores) e 1,47 metro de altura. O modelo LT é o mais em conta com o design mais recente, que estreou em julho de 2016. Em relação ao Joy, traz diferenciais como maçanetas e capas dos retrovisores pintadas, adesivo preto na coluna entre as janelas e rodas de 15 polegadas com calotas. Esta versão LT, no entanto, não traz faróis e lanterna de neblina.

Internamente, o ambiente visa passar uma impressão de modernidade, com a iluminação azul e detalhes na cor prata no painel e portas dianteiras. A versão 1.4 LT vem equipada com ajuste de altura da coluna de direção em complemento ao ajuste de altura do banco do motorista por roldana, facilitando encontrar uma melhor posição para dirigir, embora o ajuste por roldana não seja muito ergonômico. A direção tem assistência elétrica e botões no raio direito para chamadas e áudio.



O ar-condicionado também é item de série e passa a desembaçar ao se acionar as velocidades mais altas do ventilador. Porém, a Chevrolet não equipa de série o modelo com o fundamental filtro de ar: ele precisa ser pago à parte numa concessionária. Já a chave, do tipo canivete, faz a abertura ou fechamento dos vidros dianteiros ao pressionar por alguns segundos o botão de destravar ou trancar as portas. Os vidros possuem acionamento por um toque e recurso anti esmagamento.


Um dos destaques da versão é a segunda geração do sistema multimídia MyLink, com tela sensível ao toque de 7 polegadas de maior nitidez. Além do rádio, Bluetooth para chamadas telefônicas e streaming de áudio, entradas USB e auxiliar, a principal novidade é o espelhamento de tela de celulares com Android Auto e Apple CarPlay instalados.

A interface é a mesma de qualquer outro automóvel dotado do sistema. É possível operar, diretamente da tela do carro, aplicativos de GPS (Google Maps e Waze), música (Spotify e Google Play Música), além de ver informações de tempo do Google e notificações mais recentes do WhatsApp (no entanto, por motivos de segurança, só é possível retornar mensagens no estilo "Estou dirigindo agora"). A qualidade de som, com seus quatro alto-falantes, é razoável: bom em volume, nem tanto em fidelidade.


Outro destaque é o sensor de ré que, além da indicação sonora, também traz gráficos para melhor guiar o motorista. A trava elétrica das portas se estende à tampa do tanque de combustível. Vale também falar do console entre os bancos com vários locais para objetos, aspecto que é negligenciado em outros modelos.

O serviço de atendimento OnStar, que era oferecido por tempo limitado, passou a ser opcional (o carro avaliado não conta com este recurso). Quando instalado, o retrovisor interno incorpora os três botões de acesso aos serviços de segurança, emergência, diagnóstico avançado, além do site e aplicativo de celular, que facilitam, entre outras coisas, localizar o carro e checar o estado geral do veículo. Já os serviços de navegação e concierge só estão disponíveis no modelo LTZ.


Uma falha é não haver computador de bordo nesta versão. Na tela, só há velocímetro, hodômetro parcial/total e luz indicadora de troca de marcha. Desta forma, não é possível acompanhar com precisão o consumo de combustível e outras condições de rodagem como velocidade média e tempo de viagem. Pelo menos há a regulagem de intensidade do brilho da tela, à direita do botão giratório dos faróis (a versão Joy, com iluminação âmbar, não possui). Outra falta é o indicador de temperatura do motor. Desta maneira, só pela intuição de motorista para saber se rodou-se o suficiente para a temperatura de funcionamento chegar ao ideal (90º C).


Na lista de pormenores de série no modelo, estão: alça de teto móvel (apenas para o passageiro dianteiro), para-sóis com espelhos (tampado apenas no lado do motorista), porta-revistas (apenas no banco do lado direito), fendas nas portas para o encaixe das fivelas dos cintos laterais traseiros, luz no porta-luvas, tomada de 12 Volts no console dianteiro, "siga-me" e "leve-me" (os faróis se acendem por alguns segundos ao destravar o carro e também ao travá-lo), luz de leitura central individual, lavador/limpador/desembaçador traseiro com temporizador e aviso sonoro de porta aberta (inclusive o porta-malas).


Em termos de acabamento, o Onix não só abusa do plástico duro, como decepciona em aspectos como os grandes vãos desalinhados entre as portas e a parte do alto do painel, bem como na textura áspera do tecido das portas dianteiras que lembra o Classic - atrás, nenhuma versão conta com revestimento. Só os botões do ar-condicionado transmitem algum requinte ao tocar.


Com distância entre-eixos de 2,53 metros, o Chevrolet possui espaço satisfatório para os passageiros, especialmente para as pernas. Há boa área para a cabeça, mas nem tanto para os ombros atrás. Um alento para eles é que foi corrigido uma das principais deficiências da "geração" passada: os puxadores de porta pouco ergonômicos. Agora os dedos acham uma fenda mais apropriada para se apoiarem.


Para oferecer um porta-malas de 280 litros (a tampa pode ser aberta por botão no painel ou botão na chave), o Onix precisou adotar um estepe muito menor que os outros quatro pneus que o equipam. Enquanto os quatro pneus no chão são 185/55 com roda de aço aro 15, o estepe fino tem pneu 115/70 com roda aro 16, que só pode rodar a até 80 km/h, apenas para levar o carro a uma borracharia. Também falta iluminação no habitáculo.


Para aumentar a capacidade do habitáculo, pode-se rebater tanto o encosto (inteiriço) quanto o assento, embora o vão muito pequeno dos fechos dos cintos atrapalhe nesta tarefa. Assim, a capacidade chega a 1020 litros. Dentro da tampa, no lado direito, há uma fenda para encaixar os dedos e fechar a tampa.


O conjunto mecânico do Onix é velho conhecido, com aprimoramentos. O motor 1.4 SPE/4, de quatro cilindros em linha e 8 válvulas, rende, com gasolina, 98 cavalos a 6000 rpm e torque de 13,0 kgfm a 4800 rpm (abastecendo com etanol, são 106 cv e 13,9 kgfm, nas mesmas rotações), que está aliado ao câmbio manual de 6 marchas, que se destaca pelos engates macios, mas nem sempre precisos.

No Chevrolet, a partida pode ser feita sem pisar no pedal da embreagem e a marcha-a-ré é engatada na extrema esquerda ao se levantar uma arruela. Apesar de ter recebido uma modernização em 2016, o propulsor mantém o arcaico tanquinho de partida a frio, item que, mesmo não sendo necessário em boa parte do Brasil, demanda atenção para não parar de funcionar.


Ao volante, o Onix se sobressai pelo conforto ao rodar. A adoção da direção elétrica progressiva melhorou significativamente a experiência ao dirigir, casando bem com o conforto da suspensão, mesmo em pisos irregulares. O câmbio demanda menos passagens de marcha em relação ao 1.0 e traz o "shift light" para indicar a hora mais adequada de usar a marcha seguinte para economizar combustível - as seis marchas ainda são raridade entre os rivais manuais.

De acordo com a GM, o modelo vai de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos e chega à velocidade máxima de 180 km/h, com etanol. Excepcionalmente, nós do Auto REALIDADE não realizamos os testes de acelerações e retomadas por se tratar de um carro muito novo, com pouco mais de 350 quilômetros rodados, e ainda não devidamente amaciado.


Apesar do vidro traseiro ser pequeno, com recortes grandes nas laterais, a visibilidade é boa, graças à área dos retrovisores. Os pedais são bem previsíveis e a alavanca de freio de mão não demanda muita força para ser acionada.


Com peso de 1034 quilos, o Onix mostra boa desenvoltura nas acelerações, sem demandar levar o motor a rotações tão elevadas, o que favorece o consumo de combustível. Outra medida que auxilia o motorista é o monitoramento de pressão dos pneus - desatentar-se a eles faz que o gasto com combustível e o desgaste prematuro dos pneumáticos sejam maiores.

Vale destacar, ainda, o grande tanque de combustível: são 54 litros. De acordo com o INMETRO, o modelo LT 1.4 faz 12,5 km/l na cidade e 14,9 km/l na estrada, marcas semelhantes a de modelos com motor 1.0. Já com etanol, as médias são de 8,6 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada.


Nas curvas mais rápidas, a cerca de 100 km/h, o Chevrolet não sai do prumo, mas também não chega a ser a referência do segmento em estabilidade. O vão livre em relação ao solo é relativamente baixo, de 12 centímetros, mas o carro não chega a raspar em valetas.

Em termos de segurança, o Onix vai muito pouco além do imposto por lei. Airbags frontais e freios ABS com EBD são itens de série, bem como alarme e ajuste de altura dos cintos dianteiros. Porém, nem pagando à parte o consumidor dispõe de itens mais avançados de proteção. E pensar que há concorrentes que trazem, pelo menos como opcional, airbags laterais, fixação ISOFIX para cadeirinhas infantis, controles de tração e estabilidade...


O aviso do não uso do cinto de segurança só ocorre para o motorista. Para completar, o Chevrolet apresentou um péssimo resultado em impacto lateral nos ensaios do Latin NCAP. Na colisão frontal a 64 km/h, até que o resultado foi dentro do esperado, mas no teste a 50 km/h, a estrutura instável do hatch põe em risco a segurança de seus ocupantes.

Um de seus principais rivais, o Ford Ka, também tirou nota zero nestes testes, ainda que, por ter cintos de 3 pontos para todos os passageiros e ancoragem ISOFIX para a colocação de cadeirinhas, apresentou nota ligeiramente melhor na proteção a crianças. Uma decepção para quem gasta tanto em um automóvel zero-quilômetro. Pelo menos os freios têm boa atuação e trazem discos ventilados na dianteira, com tambor na traseira.


Com a mesma cor Branco Summit (R$ 600) do modelo das imagens, o Chevrolet Onix 1.4 LT custa R$ 52.290 (só o tom preto sólido é gratuito, e as cores metálicas representam acréscimo de R$ 1350). Até os 60 mil quilômetros, em intervalos de 10 mil em 10 mil km, paga-se R$ 3020 pelas revisões. Atualmente, a rede de concessionárias da General Motors dispõe de aproximadamente 600 concessionárias.

Tomando por base os modelos da "velha guarda", o Volkswagen Gol 1.6 Comfortline com o sistema multimídia Composition Touch (sem GPS, mas com espelhamento de tela de celulares) custa R$ 52.298, enquanto o Hyundai HB20 1.6 manual, atualmente, só dispõe da versão Comfort Plus sem central multimídia, que custa R$ 53 330.

Já os lançamentos Fiat Argo 1.3 e Volkswagen Polo 1.6 partem de R$ 53 900 e R$ 54.990, respectivamente. Todos os carros acima descritos trazem câmbio manual.



Se você está pensando em adquirir um, pondere: o Onix fabricado a partir do início de 2018 terá alterações estruturais para oferecer mais segurança em acidentes laterais, possivelmente já como linha 2019. Este modelo, possivelmente, será mais seguro, porém deverá ficar mais caro.

Boletim comentado do Chevrolet Onix 1.4 LT


Design = 8,75
A partir desta versão, o Onix já é um carro mais apresentável, sem as pequenas rodas aro 14'' da versão LT ou o visual de 5 anos atrás do modelo básico Joy. Com pouco mais de um ano de sua apresentação, o estilo continua agradando, com vincos fortes pela carroceria, grade mais horizontal e integrada aos faróis, para-choques com estilo mais moderno e lanternas com mais atenção aos detalhes, trazendo o nome "Chevrolet" nas coberturas centrais das lentes. Não chega a ser um carro que chama a atenção, por conta de seu grande volume de vendas - as versões Activ e Effect estão aí para isso - mas não deixa dúvida de que se trata de um modelo recente.

Espaço interno = 8,75
Se não é o maioral de sua categoria - posto defendido pelo Renault Sandero - no Onix as pessoas, se tiverem biotipo mediano, não irão passar aperto. Há bom espaço para quatro adultos e uma criança. Já o porta-malas, com seus 280 litros, não impressiona nem decepciona, embora fique devendo em modularidade: nenhuma versão traz encosto bipartido do assento traseiro ou níveis diferentes de reclinação.

Conforto = 9,0
Este é o aspecto em que o Onix mais conquista ao dirigir. Volante, engates de câmbio e suspensão são macios, e o silêncio ao rodar também é destaque - quem experimenta a assistência elétrica dificilmente vai querer um modelo com direção hidráulica, como o HB20 ou o Gol. Pequenos detalhes, como o acionamento por um toque dos vidros, a tampa do espelho do para-sol do motorista com uma fenda para guardar documento, ou a iluminação do porta-luvas, também facilitam no uso cotidiano.

Acabamento = 8,0
Neste segmento, os rivais estão investindo em interiores com aspecto mais agradável ao toque, enquanto o Onix adota materiais muito simples e que decepcionam ao tato e até mesmo aos olhos, como no caso da continuidade (ou melhor, da falta dela) entre o alto do painel e as beiradas dos forros de porta. 

Equipamentos = 8,0
O Onix satisfaz na lista de equipamentos, trazendo os itens mais valorizados pelo público. Direção elétrica, ar-condicionado, travas e vidros elétricos, ajuste de altura para volante, cinto e banco do motorista, além da desejada central multimídia MyLink, são equipamentos de fábrica. Em contrapartida, o modelo abre mão de itens importantes como filtro de ar, marcador de temperatura e estepe com tamanho normal.

Desempenho = 8,75
O modelo 1.4 tem desempenho significativamente superior e é bem administrado pelo câmbio manual de seis marchas: o melhor é que não é preciso acelerar tanto para a força surgir, algo comum na linha Chevrolet 1.0, e a força é equivalente à de motores 1.6 da velha guarda, como o utilizado pelo Gol. O controle em curvas também é previsível, embora haja opções melhores no segmento.

Segurança = 5,0
O Onix decepciona bastante neste aspecto. Quando realizamos a avaliação da versão 1.0 LT no início do ano, só tínhamos como referência o resultado de 2015, com medianas três estrelas, que levava em consideração somente a colisão frontal. A estrutura do Chevrolet se provou um desastre no teste de impacto lateral, e faltam a ele diversos equipamentos de proteção que carros bem mais baratos, como Renault Kwid e Volkswagen up!, trazem. Mesmo este modelo intermediário não vai muito além do que é obrigatório pela legislação brasileira. O ocupante do meio do banco traseiro, por exemplo, só conta com o cinto subabdominal, e quem tem crianças pequenas precisa fixar as cadeirinhas nos próprios cintos de segurança.

Consumo = 8,5
Mesmo tendo boa reserva de força em comparação com o modelo 1.0, o consumo de combustível do Onix 1.4 é satisfatório para um modelo de 8 válvulas, apesar de não haver computador de bordo para o gerenciamento sem necessitar do cálculo apenas em cada reabastecimento. Outro bom aspecto é o tanque de combustível volumoso, que permite viagens extensas.

Custo-benefício = 8,5
Apesar dos pesares, o Chevrolet Onix é o "jeitinho brasileiro" materializado sobre quatro rodas. É um carro que tem condições de compra relativamente facilitadas e bom valor de revenda, além de manutenção fácil, boa relação entre desempenho e consumo de combustível, espaço interno satisfatório com variados nichos para guardar objetos, central multimídia fácil de usar e lista de equipamentos pensada nas principais necessidades dos brasileiros. Mesmo que hajam opções mais modernas no segmento, o Onix consegue, sim, atender aos principais anseios demandados por boa parte dos brasileiros.

Nota Final = 8,1

As notas são atribuídas considerando a categoria do carro analisado, os atributos oferecidos pelos concorrentes, além das expectativas entre o que o modelo promete e o que, de fato, oferece. Frações de pontuação adotadas: x,0, x,25, x,5, x,75. Critérios - Design = aspecto estético do automóvel. Espaço interno = amplitude do espaço para passageiros (dianteiros e traseiros, de acordo com a capacidade declarada do carro), locais para por objetos e bagagem. Conforto = suspensão, nível de ruído, posição de dirigir, comodidades. Acabamento = atenção aos detalhes internos, escolha de materiais e padronagens. Equipamentos = itens de tecnologia e conforto inclusos no automóvel avaliado. Desempenho = aceleração, velocidade máxima, retomada, comportamento em curvas e frenagem. Segurança = visibilidade, itens de proteção ativa e passiva. Consumo = combustível gasto e autonomia. Custo-benefício = relação de vantagem entre o preço pago e o que o carro entrega.


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