208 reúne tudo para fazer Peugeot crescer [Coluna Fernando Calmon]

 

A Peugeot aposta em nova vida para o hatch 208, fabricado em El Palomar (Argentina) com motor exportado do Brasil de quatro cilindros, 1,6 litro, 118 cv (etanol), 15,6 kgfm e todas as versões com câmbio automático de seis marchas. Sua arquitetura CMP, a mais moderna da marca francesa, estilo arrojado e pacote tecnológico avançado significam também uma guinada no posicionamento, ao se descolar da base do mercado. Oferecido entre R$ 74.990 e R$ 94.990 inclui entre alvos principais Polo, Yaris e Fit (este considerado mais monovolume do que hatch de teto alto).

A principal executiva do grupo no Brasil, Ana Theresa Borsari, afirma que os SUVs compactos se estabilizaram em 15% de participação e, portanto, os hatches tendem a voltar a crescer como segundo ou mesmo terceiro carro da família, no período pós-pandemia.

Segundo Oswaldo Ramos, diretor comercial, as projeções de vendas estão mantidas como no começo do ano, ainda antes da pandemia, por se tratar de um modelo com vantagens na sua faixa (alta) de preço. Ele acredita que o 1% atual de mercado da marca crescerá, sem revelar uma meta. Para isso acha que o plano de financiamento com 30% de entrada, 36 prestações e mais 30% ao fim do período com garantia de recompra por 100% da tabela FIPE (concorrentes oferecem 80%) deve atrair antigos e novos clientes.

O novo 208 mantém o volante de pequenas dimensões com respostas rápidas e acrescenta quadro de instrumentos inovador com holografia tridimensional que identifica placas de trânsito, além de frenagem autônoma de emergência e assistente de mudança de faixa. Freios são a tambor atrás e como pesa 23 kg a menos que o modelo anterior não chega a comprometer. Espaço interno para as pernas no banco traseiro é algo limitado, porém o carro ficou 2 cm mais baixo e pessoas altas raspam a cabeça no teto. O assoalho é ligeiramente desnivelado em relação à soleira de porta porque na versão elétrica as baterias ocupam esse vão. Porta-malas tem 265 litros, 20 litros menos que antes.

O motor entrega desempenho razoável (0 a 100 km/h em 12 s, dado de fábrica). Importar o 1,6 L turbo do 2008 ou o tricilindro turbo europeu, com a cotação atual do euro, deixaria o carro sem condição de competir. Opção é oferecer a versão elétrica 208 e-GT a partir do início de 2021, ainda sem valor estimado, mas competitivo na Europa. A sensação de guiar, como todo elétrico, alia desempenho (0 a 100 km/h, em 8,1 s) ao silêncio a bordo. Pesa 300 kg a mais que o modelo convencional. No entanto, comportamento é exemplar, tanto em estabilidade direcional quanto em curvas, no travado circuito do Haras Tuiuti. O 208 elétrico deve vender muito pouco, mas pode ser líder nesse nicho de mercado por seu estilo e provável bom preço relativo.

 


ANFAVEA VAI REVER PREVISÕES PARA 2020 

Apesar de as vendas diárias estarem em ascensão, a situação da indústria automobilística ainda preocupa bastante principalmente pelo nível de emprego que depende da produção e exportações. A Anfavea admite rever a queda do mercado interno, hoje em torno de 35%, já no próximo balanço mensal em outubro.

A revisão da entidade deve apontar uma queda anual de 30% de 2020 sobre 2019 contra até 45% das primeiras estimativas. Alguns executivos, como o presidente da GM América do Sul, Carlos Zarlenga, estimam o retorno dos níveis do ano passado só em 2023. No entanto, o consultor Francisco Mendes acredita que já em 2021 o mercado interno de automóveis e comerciais leves (94% do total) atingirá um crescimento de 3,9% sobre 2019. Se concretizada sua previsão, comprova a resiliência da economia brasileira à pandemia do Covid 19. E a chamada recuperação em “V”, quando as vendas sobem tão rapidamente quanto caíram, já não pode ser apontada como delírio de otimistas.

Mesmo com preços de tabela (sugeridos) em alta moderada, os negócios entre consumidores e concessionárias são influenciados por planos de postergação das primeiras prestações, bônus atraentes e também o velho recurso de “compre antes que aumente”. Rendimentos do mercado financeiro estão muito baixos e viagens internacionais encareceram demais pela alta acentuada do dólar. A opção pode ser trocar o veículo por um novo ou outro menos velho.

GM E HONDA ACERTAM ALIANÇA PONTUAL 

Os desafios ambientais e pesquisas sobre conectividade com enorme impacto financeiro sobre investimentos estão deixando os fabricantes sem saída a não ser juntar forças. Este cenário levou GM e Honda a assinarem um acordo para aliança estratégica na América do Norte. Em comunicado conjunto as duas empresas se comprometeram a explorar o compartilhamento de plataformas de veículos e sistemas de propulsão para diversos segmentos.

Apesar de o acordo estar restrito àquela região, é bom lembrar que pode ser expandido no futuro. E também os mercados internos da América do Norte (Estados Unidos, Canadá, México) e Japão somados, praticamente se igualam ao da China, o maior do mundo.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e  de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

www.fernandocalmon.com.br

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