Uma volta com o Volkswagen Nivus Highline 200 TSI


Fotos e texto | Júlio Max, de Teresina (PI)
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Um dos lançamentos mais importantes da Volkswagen para este ano de 2020, o Nivus é um caso raro de automóvel que chega primeiro ao Brasil para estrear posteriormente em outros mercados da América Latina e na Europa. Crossover que mistura elementos típicos dos SUVs e dos cupês, o Nivus foi o carro que demandou mais lives de lançamento para ser apresentado: a primeira apresentação online ao vivo ocorreu em 29 de abril, pra falar só do novo sistema multimídia VW Play; a segunda em 28 de maio, revelando o estilo externo e o interior, e a última dia 25 de junho, para confirmar as versões e seus equipamentos e preços. E ele vem fazendo sucesso: hoje o Nivus vende mais do que modelos tradicionalíssimos no segmento de SUVs compactos (e que possuem versões mais baratas), como o EcoSport e o Duster.

O Nivus tem duas versões, Comfortline e Highline, ambas com motor 1.0 turbinado e câmbio automático - o que diferencia estes modelos são seus equipamentos. Este exemplar do VW é da versão topo de linha Highline, pintado na cor sólida Branco Cristal. Aliás, vale ressaltar que este carro não é de frota de imprensa nem de concessionária: ele foi cedido por um seguidor do Auto REALIDADE.


O Nivus foge do que nos acostumamos a ver no segmento de SUVs compactos, e seu design chega a ser mais atraente do que o do T-Cross, que é mais caro. A frente do Nivus traz faróis totalmente em LED (luz baixa, luz alta, luz diurna e luz de seta), integrados com a grade frontal. As luzes de neblina no para-choque também são de LED, com função de luz de conversão estática. Ele é o primeiro carro da Volkswagen do Brasil a ter o novo emblema da marca, que foi apresentada na Europa em 2019. No para-brisa, ele traz de fábrica a tag Sem Pagar, para pagamentos sem necessidade de filas ou contato físico.



Visto de lado, o principal destaque é a linha de teto com uma queda suave, uma característica dos cupês. E os racks de teto, prateados na versão Highline, não são apenas decorativos e podem servir como suporte para bagageiro. Nesta versão, as rodas são de 17 polegadas, com pneus Bridgestone Turanza 205/55. Vale destacar que a altura em relação ao solo é 2,75 centímetros mais alta que a do Polo, totalizando 17,6 cm. As colunas das portas dianteiras possuem a assinatura "Volkswagen".



A traseira se destaca pelo vidro da tampa do porta-malas bem inclinado, mas que não compromete a visibilidade para trás. Assim como no T-Cross, as lanternas são unidas por uma moldura preta que também abriga o símbolo da Volkswagen ao centro, e o logotipo com o nome do carro fica centralizado.



Para quem já conhece Polo e Virtus, o interior do Nivus é um ambiente familiar, mas que tem seus diferenciais, a começar pelo volante inédito, com revestimento de couro, ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, além dos comandos de multimídia e do controlador adaptativo de velocidade de cruzeiro (ACC), que só ele tem em sua faixa de preço. Através desse sistema, que opera a partir de 30 km/h, é possível estabelecer uma velocidade para o carro manter e um nível de distância do veículo à frente, e com isso tirar o pé direito do acelerador. Caso seja detectado um veículo à frente que esteja mais lento, o Nivus diminui a velocidade, a fim de manter a distância do automóvel adiante, e quando a pista estiver livre, a velocidade é retomada. 


O sistema também detecta motos, mais estreitas. Mas é preciso ressaltar que o Nivus não possui o recurso "Stop & Go", que estará no Taos, a ser lançado em 2021, e possibilita que o carro freie completamente, caso necessário, e retome em seguida a velocidade. Assim, se a velocidade do Nivus ficar abaixo de 20 km/h, o controle de freio e acelerador volta totalmente para o motorista. Contudo, permanece ativo o Front Assist, que alerta de forma sonora e no quadro de instrumentos (com a mensagem "Freie!"), indicando a necessidade de parar o veículo. 



Outro item de segurança de série no Nivus Highline (e opcional no Comfortline, junto com o ACC) é a frenagem automática de emergência. Caso o motorista não reaja a tempo, o carro freia sozinho em velocidades de até 50 km/h, ajudando a reduzir as consequências de uma colisão, ou até mesmo evitá-las, conforme o caso.



O quadro de instrumentos digital configurável, o Active Info Display, tem tela configurável de 10,25 polegadas. Praticamente todas as informações necessárias ao motorista, exceto temperatura do motor e nível de combustível, são exibidas na tela. É possível alternar entre três layouts pelo botão "View" no volante. As informações exibidas podem ser alteradas operando os botões do raio direito do volante. Na base da tela, ícones são exibidos caso algum dos ocupantes não esteja usando o cinto de segurança, inclusive no banco de trás.



O Nivus inaugura no mercado brasileiro o sistema multimídia VW Play, que foi pensado para ser operado como um celular ou tablet. Os donos de iPhones mais modernos podem comemorar, pois o espelhamento de tela aqui é feito sem cabo. A tela, de 10,1 polegadas, é antirreflexo e anti-risco. Esta central multimídia tem memória interna de 10 GB, o que permite instalar aplicativos na rede Wi-Fi mais próxima. Por essa tela é possível agendar a revisão do carro e até pedir comida pelo iFood. E existe até um modo valet: caso você precise deixar seu carro com um manobrista ou outra pessoa em quem você não confie tanto, é possível bloquear o conteúdo da tela por senha. Mas a Volkswagen preferiu remover o suporte de celular flexível e removível no Nivus.


Em termos de auxílio ao estacionamento, o Nivus traz os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, com gráficos exibidos na tela do sistema multimídia, além da câmera de ré, com linhas de guia (mas que são fixas), e do retrovisor direito com função tilt-down, que rebate para baixo ao engatar a ré. Curiosamente, os faróis de neblina se acendem quando entra a marcha-a-ré, para facilitar a visualização nas manobras.



No Nivus, o forro, colunas e todos os elementos do teto são pretos, enquanto os bancos são revestidos de couro também preto, com detalhes em cinza ao centro. A lista de equipamentos para a versão Highline também inclui chave presencial com partida do motor por botão, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, travas, vidros e retrovisores elétricos (inclusive com rebatimento elétrico por comando interno ou ao travar o veículo), entre outros itens.


O ar-condicionado automático digital de zona única conta com regulagem de meio em meio grau Celsius, saídas traseiras e refrigeração para o porta-luvas. Este conta também com iluminação e nichos na tampa para colocar cartões e moedas.


Os para-sóis trazem espelhos com tampas corrediças, que ao serem abertos, acendem luzes amarelas no teto. Também há um console de luzes de leitura no teto com porta-óculos embutido, com fundo emborrachado.


O Nivus estreou a regulagem interna de altura dos faróis, agora já presente em outros modelos da marca, como o T-Cross.


Mesmo sendo presencial, a chave conta com a lâmina ao estilo canivete. Em nome de um visual mais "clean", a fechadura da porta do motorista é coberta por uma pequena tampa. Esta chave traz botão de destravamento apenas do porta-malas: assim que a tampa é fechada, o carro é travado por inteiro.


Os bancos são revestidos em couro sintético "native". O porta-objetos à frente da alavanca de câmbio possui um tapetinho emborrachado, enquanto o apoio de braço dianteiro, com a parte superior em couro sintético, revela um porta-trecos revestido de veludo.


No geral, o interior é bonito, mas possui alguns pequenos deslizes. A textura em preto-brilhante no painel e ao redor das maçanetas dianteiras, exclusiva da versão Highline, evidencia demais a sujeira. Como no Polo e no Virtus, existe apenas uma pequena área de couro nos forros de porta dianteiros, e nos forros traseiros, só plástico duro. Além disso, a entrada USB traseira só serve para carregamento. E, no sistema multimídia, o controle de volume é um pouco confuso. É necessário apertar o botão de volume, para em seguida arrastar a bolinha da barra de volume: só tocar em algum ponto desta barra não ajusta o som.



O espaço interno para os passageiros é equivalente ao do Polo, tanto para pernas quanto para a cabeça. Mas no porta-malas, o Nivus supera até o T-Cross, levando 415 litros contra 373 litros. No T-Cross existe um macete para ele levar 420 litros, ao colocar o banco traseiro na posição mais vertical. Porém aí o conforto para as costas dos passageiros atrás fica comprometido. No Nivus, o estepe possui roda de ferro de 15 polegadas e pneu Pirelli Cinturato P1 195/65, indicado para deslocamentos a até 80 km/h. Também é possível rebater o encosto do banco traseiro de forma parcial ou total no crossover.



Em termos de segurança, o Nivus proporciona boa proteção, com 6 airbags (2 frontais com desativação da bolsa inflável do passageiro através de "switch" no canto direito do painel, 2 airbags nos bancos dianteiros e mais dois airbags de cortina, indisponíveis em Polo e Virtus), controles de tração e estabilidade, assistente de partida em ladeiras, freios a disco nas 4 rodas, espelho interno antiofuscante, fixações ISOFIX e Top Tether para cadeirinhas infantis, cintos de 3 pontos e apoios de cabeça ajustáveis para os cinco ocupantes, detector de fadiga do motorista (que recomenda uma pausa para um café caso detecte sinais de sonolência ou quando o veículo é conduzido por um período prolongado de tempo ininterruptamente) e a frenagem automática pós-colisão: se o carro se envolver em um acidente, ele freia automaticamente até chegar a uma velocidade residual, para evitar uma segunda colisão.



Nas versões Comfortline e Highline, a mecânica do Nivus é composta pelo motor 1.0 TSI (de 116 cavalos com gasolina e 128 cavalos com etanol, e 20,4 kgfm de torque com ambos os combustíveis a partir de 2000 rpm), aliado ao câmbio automático de 6 marchas com modo sequencial tanto por trilho na alavanca de câmbio quanto pelas aletas junto ao volante (paddle-shifts). 


A Volkswagen afirma que considerou disponibilizar uma versão do Nivus com câmbio manual, mas acabou desistindo, diante da baixa aceitação dos consumidores e até mesmo dos concessionários. O rendimento do motor 1.0 é incrementado com o turbocompressor e a injeção direta de combustível, que favorece o consumo.



A marca declara que o Nivus acelera de 0 a 100 km/h em 10,0 segundos e atinge 189 km/h. São números ligeiramente melhores que os do T-Cross com o mesmo motor, que vai de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos e chega a 184 km/h, e ligeiramente piores que os do Polo 1.0 TSI, que cumpre a prova de 0 a 100 km/h em 9,6 segundos e alcança a velocidade máxima de 192 km/h. Como estávamos com tempo contado com este exemplar, excepcionalmente não foi possível realizar nossas medições de tempos de retomadas, mas realizamos as provas de aceleração e consumo de combustível. Também de forma excepcional, nosso tempo de 0 a 100 km/h foi cronometrado com 2 pessoas a bordo, mas todos os outros parâmetros são os mesmos de nossas outras acelerações: ar desligado, câmbio em D, teste em ambiente seguro e aferição com o app GPS Acceleration:

Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,1 segundos
Consumo de combustível (gasolina aditivada, cidade): 11,0 km/l
Distância percorrida: 103,0 km
Velocidade média (estimada): 25 km/h


O tanque de combustível acomoda 52 litros de gasolina ou etanol, e a portinhola destrava junto com o destrancamento das portas.

Impressões ao dirigir


Logo que o Nivus foi lançado, em julho, conferi na concessionária um exemplar do novo modelo. Mas o carro estava sendo muito demandado para ser guiado, a gerência da loja deixou meu pedido de test-drive para segundo plano, e acabei só agora podendo guiar o novo crossover. É curioso, principalmente na parte interna, como elementos como o novo volante e a central multimídia VW Play enchem bem mais os olhos do que no Polo, mesmo com o painel praticamente idêntico em ambos os modelos. 


A posição de guiar é boa, e lembra mais o posicionamento no Polo do que no T-Cross, que é mais alto. Os bancos dianteiros apoiam bem o corpo nas laterais, e o volante conta com abas ergonômicas e material de boa qualidade. Vale destacar também a boa progressividade da direção elétrica, que é bem cômoda em baixas velocidades e firme na estrada. Quando o motor do Nivus está frio, é perceptível que suas reações são meio truncadas, mas é questão de esperar chegar aos 90º C de funcionamento normal do propulsor para esse comportamento se dissipar. O carro é silencioso e sua suspensão absorve bem impactos em pisos ruins, conciliando esta característica com um bom comportamento em curvas. É claro que, com pneus de asfalto e sem recursos off-road, não se pode exigir do Nivus que ele encare terrenos para carros 4x4, mas já dá para andar em pisos ruins sem tanto medo da suspensão dar fim de curso.


A primeira marcha é bem curta, mas a segunda pode ser mantida por um período mais prolongado, indo até cerca de 87 km/h. Existe ainda um modo Sport, que mantém as trocas automáticas mas realiza as trocas em regime de rotações mais elevado. Vale mencionar, ainda, que a transmissão pode fazer intervenções automáticas mesmo no modo manual. Ao longo das andanças para esta matéria, avistamos outros exemplares do Nivus - e a versão Highline está respondendo por boa parte das vendas.


Antes de falar sobre o preço do Nivus Highline, é importante ressaltar que absolutamente tudo que você viu ao longo da matéria vem de série nessa versão - basta escolher a cor da carroceria. O valor de tabela é de R$ 102.050, um preço que está "na média" do que se vê no segmento. Para se ter uma ideia, hoje a versão básica do T-Cross com câmbio automático, a 200 TSI AT, está custando R$ 103.380. No Nivus, as 3 primeiras revisões são gratuitas, o que permite economizar cerca de R$ 1600 em comparação com outros SUVs sem este diferencial. Conclusão: o Nivus tem seus argumentos para conquistar o público que faz questão de um carro altinho e com visual diferenciado.

"Placa" de avião


Durante nossa sessão de fotos com o Nivus Highline, avistamos um avião de pequeno porte sobrevoando o local. Na parte inferior de suas asas e nas laterais, a aeronave possui sua matrícula (ela serve como sua identificação, assim como a placa de um automóvel), que pode ser consultada no site da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Assim, foi possível saber que este é um Beechcraft King Air C-90A, ano 1999, autorizado a levar sete passageiros.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Volkswagen Nivus Highline 200 TSI!














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