Revista Carro: mais uma baixa entre as revistas impressas


O mercado de revistas automotivas impressas, que viveu seu auge de diversidade de publicações entre as décadas de 1990 e 2000, entrou em declínio nos últimos anos. A Fullpower desde 2016 só existe na web; a Car And Driver Brasil teve um fim mais drástico e deixou de existir por completo em 2018. E o ano de 2020 inicia sem mais um título nas bancas de revista e nas casas dos assinantes: é a revista Carro, que passa a existir agora somente em sua forma digital. A edição 314, de dezembro de 2019, foi a última impressa da intitulada "revista do consumidor".


Publicada desde o final de 1993, inicialmente pela BQ1 Editora, em 1996 a revista Carro passou para o grupo Motorpress Brasil. Ao longo dos 26 anos que foi publicada, a Carro teve profissionais oriundos da tradicional revista Quatro Rodas (Sergio Quintanilha, Wilson Toume, Isabel Reis) e consagrou figuras como Gerson Campos (hoje um dos três integrantes da formação principal do programa Acelerados) e Eduardo Bernasconi (hoje na Fullpower). A Carro foi, junto com Quatro Rodas, Autoesporte e Motor Show, uma das principais referências para o consumidor em busca de novidades automotivas.


Em 2017, houve o fim da Motorpress Brasil - mas a Carro sobreviveu, passando a ser publicada pela Infini Editora. Porém, nesta semana foi anunciada a decisão de que a revista passará a ser 100% digital, com matérias no site e interações nas redes sociais.

A bem de verdade, as revistas automotivas há algum tempo deixaram de representar a forma mais importante de fonte de informação para o público em geral. As limitações de espaço no papel impresso são o primeiro empecilho: as matérias precisam ser muito mais objetivas, limitadas a uma ou duas páginas nos casos dos "testes rápidos", ao ponto de omitir informações que poderiam ser úteis para determinados leitores.

Quando uma revista é comprada ou chega à casa do assinante, é grande a chance de algum dos "segredos" naquelas páginas já ter sido revelado, ou de alguma informação não ter sido publicada a tempo até o "fechamento da edição". Até para poderem oferecer conteúdos diferenciados, as revistas impressas normalmente são presença obrigatória em todos os eventos automotivos das montadoras - isso quando não são emprestados antecipadamente aos jornalistas novos carros, para que possam aparecer assim que a revista estiver em bancas. Antigamente, quem queria se informar sobre estes carros ainda por vir tinham apenas as revistas (e alguns segmentos de jornais) como fontes de informação. Hoje, o público pode escolher ver matérias sobre um mesmo carro em vários sites, inclusive em texto ou vídeo, e ir colhendo as informações de que mais precisa. 

Sim, ainda existem aquelas pessoas que não abrem mão da leitura e do hábito de folhear com calma uma revista impressa, mas até estas reclamam dos preços (a Carro inclusive era uma das revistas do setor mais baratas, pelo preço de R$ 12,90; hoje uma edição da Quatro Rodas custa R$ 17,00). A alternativa das assinaturas nem sempre se reverte em grandes descontos e vantagens a ponto de fidelizar este público. 

Os desafios das publicações automotivas impressas para sobreviver são muitos e se acumulam. É improvável que a mídia impressa acabe por completo em um futuro próximo - mas precisará, mais do que nunca, se reinventar para resistir. 

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