Dirigimos a Fiat Strada Cabine Dupla Volcano 1.3 2021!



Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Agradecimentos | Jelta Veículos

A nova Fiat Strada está mantendo a tradição de sucesso de sua antecessora, mesmo chegando às concessionárias em um momento de distanciamento social e necessidade de precauções contra o coronavírus. A picape recebe sua maior remodelação desde que foi lançada, em 1998. A sucessora da Fiorino Pick-up rapidamente assumiu a liderança do seu segmento, graças à durabilidade da mecânica e à sua versatilidade. Ela foi a primeira picape compacta a ter cabine estendida (1999), a ter versão aventureira (2001), a ter sistema Locker (2008) e a ter cabine dupla (2009). Mesmo sem mudanças profundas há algum tempo, sozinha ela representou 58,2% de participação de mercado na categoria de picapes compactas em 2019.




O Auto REALIDADE relata agora como é dirigir a versão mais completa, a Volcano 1.3 Firefly. Tivemos a oportunidade de guiar a nova Strada em diversas condições, desde pisos esburacados até estradas em que foi possível pisar fundo com a nova picape. A Strada 2021 chamou muito a atenção durante nosso test-drive/sessão de fotos, e fez com que vários curiosos aparecessem para perguntar mais sobre a picape. "Quando custa?", "vai ter dela automática?" e "queria abrir a tampa pra saber como ficou a caçamba" foram algumas das frases que ouvimos durante nossas andanças - e ao longo desta matéria, responderemos estes questionamentos.


Por fora e por dentro, a Strada 2021 não parece em nada com a picape anterior. A Strada antiga continua em linha em versão única (Hard Working com cabine simples). Antes, a Strada Cabine Dupla tinha lugar para apenas quatro passageiros, e vinha com 3 portas, sendo duas do lado direito, e a porta de trás só abria caso a da frente também estivesse aberta. Os vidros de trás eram fixos. Agora, a Strada Cabine Dupla vem com 4 portas independentes, todos os vidros sobem e descem, e agora ela tem lugar para cinco passageiros.


Esta unidade, pintada na cor Vermelho Monte Carlo, conta com rodas de liga leve de 16 polegadas que são opcionais, no valor de R$ 2.500 e substituem as rodas de 15 polegadas com pneus de uso misto. No mais, tudo que se vê nas imagens é item de série. Com muito mais presença do que a geração anterior, a carroceria de cabine dupla sintetiza bem as mudanças desta nova fase da Strada no Brasil.


A frente traz faróis com pontas que se estendem para os para-lamas, que trazem luzes de posição, farol baixo e farol alto em LED, com iluminação azulada e de bom-gosto. Já os piscas e os faróis de neblina contam com lâmpadas convencionais. A grade superior representa um prenúncio do que vem por aí na linha Fiat: os próximos modelos terão o nome da marca por extenso, como já ocorre no emblema traseiro, ao invés do escudo anterior. O novo para-choque também inclui um proeminente aplique central prateado. Há ainda um detalhe curioso que faz referência aos Fiat dos anos 1990: as barrinhas inclinadas, que na Strada aparecem no canto esquerdo da grade e possuem as cores da Itália. Este mesmo símbolo está presente em uma etiqueta na alavanca de câmbio.


Lateralmente, a Strada sintetiza seu desejo "quero ser Toro". As molduras das caixas de roda, quadradas com arestas arredondadas, bem como o estilo das janelas traseiras (que descem por completo), dos para-lamas e da tampa do tanque de combustível, de 55 litros (que não possui alavanca interna mas abre com um leve empurrão caso o carro esteja destravado) são elementos que aproximam as duas picapes. Vale destacar o belo estilo das rodas de liga leve de 5 raios e 16 polegadas (de série, as rodas também são de liga, mas com 15 polegadas e seis raios).


Na traseira, em alguns ângulos as lanternas também lembram muito as do Fiat Toro. Mas na Strada a iluminação é toda em lâmpadas halógenas, com máscaras para parecer com LEDs. A iluminação da placa, entretanto, é branca. A tampa trocou a maçaneta embutida no símbolo da marca por uma mais tradicional, de aparência mais robusta e que integra a câmera de ré no canto esquerdo de sua moldura. E a porta é operada com mais facilidade, com amortecedores que aliviam em cerca de 40% o seu peso.


A mesma engenhosidade da parte externa se aplicou ao interior. Sim, existem componentes de outros Fiat, mas a Strada também possui itens inéditos e o conjunto da obra agrada. O quadro de instrumentos tem o mesmo layout de semicírculos, com conta-giros à esquerda, velocímetro ao centro e nível de combustível à direita. Na hora da ignição, os ponteiros varrem a graduação até o final e é exibida uma tela de saudação com o logotipo da Strada no computador de bordo.


A tela monocromática de 3,5 polegadas que fica no meio do velocímetro possui gráficos exclusivos, mas as funcionalidades são similares às vistas nos Uno mais completos. Os botões que o operam são de início um pouco confusos, mas logo se pega o jeito. A picape conta com velocímetro digital, menu que exibe horímetro do motor, temperatura externa, temperatura do líquido de arrefecimento e a pressão dos pneus. Há ainda a informação de rádio/músicas, a checagem de quantos dias/quilômetros faltam para a próxima revisão, e ainda o menu de configurações, para alterar o brilho da tela, o volume dos avisos, as informações que aparecem no canto superior da tela e até a opção de desativar o airbag dianteiro do passageiro.


O volante é semelhante ao do Uno, mas com mudanças, a começar pelo revestimento em couro e pela base achatada, inexistentes no hatch compacto. Além disso, o emblema da marca é novo. No mais, o volante conta com aplique em preto-brilhante, comandos de som/telefone/computador de bordo e ajuste em altura por alavanca na parte esquerda da coluna de direção.


A central multimídia Uconnect com tela de 7 polegadas é a primeira do Brasil a fazer espelhamento de tela de celular sem cabo tanto para Android Auto quanto para Apple CarPlay (no Nivus, só é possível espelhar sem fio o Apple CarPlay). A tela de 7 polegadas sensível ao toque também exibe as informações do som e a imagem da câmera de ré com linhas de guia. Outras funcionalidades são: comandos de voz, tela personalizável com exibição de funções do veículo, pareamento simultâneo de dois celulares por Bluetooth e duas entradas USB no console entre os bancos.


O painel toma como base o do Mobi, conservando elementos como as saídas de ar laterais, os comandos de ar-condicionado, o pequeno vão no canto esquerdo do painel e o porta-luvas. Já a parte central do painel foi redesenhada para acomodar o sistema multimídia, as novas saídas de ar e a fileira de botões acima dele, que acionam:

  • Faróis de neblina
  • Luz da caçamba
  • Pisca-alerta
  • E-Locker+
  • Sensor de ré (inibe/ativa os bipes)


O início do console foi redesenhado para criar um porta-objetos apropriado para receber um smartphone (obrigado, Fiat!!). Logo abaixo, existem dois porta-copos, as entradas USB e auxiliar, além de uma tomada 12 Volts/180W. (Curiosidade: uma garrafa de Gatorade não entra pelo porta-objeto das portas, mas o recipiente é acomodado neste porta-copo quase que como feito para ele).



Logo atrás da alavanca de câmbio há um espaço emborrachado abaixo da alavanca de freio de mão, que também pode acomodar um celular, como no Argo. O console entre os bancos termina em um porta-copo, também com fundo emborrachado.


O acabamento é simples, mas homogêneo, com a ambientação interna majoritariamente em preto - cor que está no forro e demais elementos do teto (colunas, para-sóis, alça), além do painel, tapetes (em carpete, com o nome da versão) e console. Painel e portas são construídos em plástico rígido. Os bancos, que na versão Volcano possuem revestimento mesclado entre couro e tecido, possuem tom cinza.


Aliás, a alça de teto (retrátil) só está disponível para o passageiro da frente. Os para-sóis possuem espelhos, sendo o do motorista com tampa corrediça para evitar reflexos na hora de abrir, acompanhado de uma tira que serve como porta-documento. Entre as sombreiras está a luz de teto, bastante simples (não há luzes individuais de leitura nem iluminação de teto para os ocupantes traseiros), mas em compensação existem luzes para o porta-luvas e a caçamba.


A chave, do tipo canivete, lembra a de Mobi e Uno, mas já vem com o novo símbolo da marca. Ele conta com botões para travamento e destravamento das portas/portinhola do tanque de combustível/caçamba.


Atrás, todos os ocupantes contam com apoios de cabeça ajustáveis em altura e cintos de três pontos. Existe ainda um porta-revista atrás do banco do passageiro dianteiro.



Na porta do motorista estão os comandos dos retrovisores externos (o espelho direito possui função tilt-down ao engatar a ré para melhor visualização da roda traseira - na unidade avaliada, o zumbido era um tanto quanto elevado) e também dos vidros elétricos, todos com função um-toque e recurso anti-esmagamento. Há ainda o bloqueio das janelas traseiras.



A caçamba vem de fábrica com capota marítima, quatro ganchos para fixação e protetor rígido, que na tampa incorpora dois porta-copos. O volume do compartimento agora é de 844 litros e capacidade de carga de 650 quilos (a mesma do Fiat Toro flex).



E para maximizar o espaço da cabine e da caçamba, o estepe da Strada agora fica na parte de baixo da carroceria, que fica travado caso a tampa traseira também esteja trancada.

Em termos de segurança, a Strada evoluiu bastante e vem com alerta sonoro/luminoso do não-uso dos cintos de segurança dianteiros, 4 airbags (frontais e laterais, nas versões cabine dupla), e todas as versões possuem assistente de partida em ladeiras, que mantém o carro freado por alguns segundos para dar tempo de tirar o pé do freio e acelerar, e também os controles de estabilidade e tração. No caso do controle de tração, ele pode ser convertido no E-Locker+, um mecanismo que funciona a até 65 km/h e auxilia em algumas situações em que uma das rodas dianteiras gira em falso, transferindo torque para a roda da frente com mais aderência. Já os freios ABS possuem a funcionalidade Off-Road, que realiza travamentos intermitentes das rodas, para que os montes de terra que se acumulem ajudem a frear o veículo.



As versões Freedom e Volcano passam a ter o motor 1.3 Firefly de 8 válvulas e 4 cilindros, usado em modelos como Argo e Cronos. Apesar de ser menor que o 1.4 Fire que equipa a versão básica Endurance, sua entrega de potência e torque é na verdade maior: com etanol, o 1.3 entrega 109 cv de potência a 6250 rpm e 14,2 kgfm de torque (com etanol) e 101 cv a 6000 rpm e torque de 13,7 kgfm a 3500 rpm com gasolina, enquanto o 1.4 só fornece 88 cavalos a 5750 rpm com etanol e 85 cv com gasolina, na mesma rotação, e torque de 12,4 kgfm com gasolina e 12,5 kgfm com etanol, ambos a 3500 rpm.



Todas as versões da Strada trazem o câmbio manual de 5 marchas, daquele jeitinho típico dos carros da Fiat: com os engates até macios, porém não muito precisos. A marca está desenvolvendo um novo câmbio automático CVT, que deve começar a equipar carros da Fiat em 2021, e a Strada poderá ser um dos modelos a adotá-lo.

Impressões ao volante


De cara, o destaque da nova Strada é a posição elevada dos bancos e a visão "por cima" dos outros carros, com sua altura em relação ao solo de 21,4 centímetros. A visibilidade é boa para os lados e até para trás, com o vidro traseiro bem dimensionado. Chave no contato. A partida só é feita com o pé esquerdo apertando o pedal da embreagem, para evitar a ignição com o carro em marcha (este recurso também está em outros carros manuais da Fiat). Pedais e alavanca de câmbio serão velhos conhecidos de quem já dirigiu Mobi, Uno ou Argo - o curso da alavanca é longo e os engates são macios.


Dirigir a nova Strada lembra bastante um Argo ou Cronos. A direção elétrica é muito cômoda, leve em baixas velocidades e firme quando necessário, além de proporcionar um diâmetro de giro relativamente curto (10,7 metros). O ar-condicionado também chama a atenção, gelando a cabine em poucos minutos (segundo a Fiat, houve um redimensionamento dos componentes deste sistema para chegar mais rapidamente à temperatura desejada).


Com a suspensão elevada, em esquema testado e aprovado, as irregularidades do piso são confortavelmente absorvidas. A picape conta com novas molas, amortecedores e geometria, além de novas travessa de suspensão e barra estabilizadora na dianteira, bem como novo eixo traseiro.


O motor 1.3 Firefly proporciona níveis bons de ruídos e vibrações. O desempenho entregue é satisfatório, embora em determinadas situações o motor demande uma redução de marcha para render bem, especialmente em quinta marcha. Como a unidade avaliada tinha menos de 70 quilômetros iniciais, preferimos não medir as acelerações e retomadas, nem o consumo de combustível, testes que esperamos realizar assim que a FCA nos disponibilize uma unidade da nova Strada para avaliação.



Enfim, quanto ela custa? R$ 79.990, acrescidos de 2.500 reais pelas rodas de 16 polegadas e 900 reais pelo vermelho das imagens. A nova Strada passa a ter garantia de 3 anos sem limite de quilometragem para pessoas físicas (ou 3 anos ou 100 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro, para uso comercial). É possível comprar garantia adicional por mais 1 ou 2 anos, para o veículo inteiro ou apenas para motor e câmbio. E para versões com motor 1.3, o valor das três primeiras revisões de R$ 1.284, até um pouco mais barato do que o custo para pagar as mesmas revisões nas versões com motor 1.4.

Vem conferir a Galeria de Fotos da Fiat Strada Volcano 1.3 Cabine Dupla 2021!






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