Ford Versailles: a história do irmão gêmeo do Santana



Quando Ford e Volkswagen se uniram para gerar a Autolatina, em 1987, os frutos desse casamento demoraram a ser apresentados, mas acabaram se materializando. Primeiro (em 1990), veio o Apollo, derivação mais requintada do Ford Verona com algumas poucas modificações para ostentar o símbolo da Volkswagen. E em julho de 1991, chegou o Ford Versailles, lançado para substituir o Del Rey, alguns meses após a renovação de seu gêmeo, o Volkswagen Santana.


No Versailles, as iniciativas para diferenciar o Ford do VW foram maiores do que o observado no Apollo. A frente tinha grade menor, com o emblema da Ford acima da entrada de ar, e as setas nos faróis eram incolores. Rodas e calotas refletiam a opção por um estilo mais classudo. A coluna traseira parcialmente em preto fosco era uma de suas marcas registradas, assim como as lanternas unidas por refletores atrás. Por dentro, mudaram volante, painel, instrumentos (com iluminação esverdeada), apoios de cabeça tradicionais (ao invés dos vazados) e padronagem dos revestimentos.


Quando foi lançado, o Versailles só tinha opção de carroceria de duas portas. As versões eram GL (1.8 ou 2.0) e Ghia (sempre 2.0), sendo que este (o topo-de-linha) trazia de série ar-condicionado (com comandos deslizantes e teclas, aparelho herdado do primeiro Santana), direção hidráulica, travas e vidros elétricos, além do rádio com toca-fitas e antena elétrica. Opcionalmente, o sedã podia receber câmbio automático de 3 marchas, injeção eletrônica e pintura metálica.


A versão 4-portas do Versailles chegou no início de 1992. Em comparativo entre o Ford e o Santana publicado na revista Quatro Rodas de junho daquele ano, o Versailles venceu por conta do custo de manutenção e de compra mais baixo, além de números de desempenho ligeiramente superiores.


A perua Royale também chegou ao mercado em 1992. Para evitar canibalismo de mercado com a Quantum, a opção da Ford tinha apenas duas portas, e a station wagon da Volkswagen, quatro. Não por acaso, no comparativo entre elas publicado pela QR na mesma edição, saiu vitoriosa a Quantum. Já no ano de 1993, todas as versões do sedã da Ford passaram a ter injeção eletrônica de combustível.


Porém, veio 1994 e a decretação do fim da Autolatina. O futuro de todos os modelos concebidos durante esse casamento passou a estar incerto. A linha Versailles passou por uma reestilização em 1995: de frente, o destaque era a grade maior e oval, além dos faróis de milha com novas molduras no para-choque. Na traseira, as lanternas deixaram de ser unidas pelo refletor mas ainda invadiam a tampa do porta-malas; na versão Ghia, havia ainda o aerofólio com brake-light embutido. E a antena foi trocada por um captador no vidro dianteiro na versão mais cara.


O ano de 1996 foi o último de produção do Versailles. O modelo aqui mostrado é um GL (de entrada). Sua lista de equipamentos incluía alarme, banco do motorista com ajuste lombar e de altura, direção hidráulica, ajuste da coluna de direção, além de vidros, travas e retrovisores elétricos. Opcionalmente, podia receber ar-condicionado (livre do gás CFC, uma preocupação da época...), rádio/toca-fitas e antena elétrica.


O Versailles acabou sendo retirado de mercado sem um substituto direto na seara dos sedans médios. Em 1997, as opções disponíveis estavam ou um andar abaixo em termos de tamanho (o Escort Sedan) ou um andar significativamente acima em preço (o Mondeo, importado).


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