A sensação de guiar o Volkswagen Pointer GTi 1996!



Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Na época em que Ford e Volkswagen estavam unidas no Brasil, integrando a Autolatina, a plataforma do novo (daquela época) Ford Escort foi aproveitada para criar modelos com a marca Volkswagen. Em um acordo para evitar rivalidades internas entre as marcas, ficou combinado o seguinte: a Ford venderia o hatch de duas portas Escort e o sedã de 4 portas Verona. E a Volkswagen teria o sedã de 2 portas Logus (lançado em 1993), e ainda o hatch de 4 portas Pointer, apresentado no final de 1993, mas que só começou a ser vendido efetivamente em agosto de 1994, após ajustes em sua produção.

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Resgatando a nomenclatura que serviu para batizar a última versão esportiva do Passat nacional, o Pointer chegou em uma época em que o mercado brasileiro ainda estava se acostumando aos carros de 4 portas. A frente era ligeiramente diferente da do Logus, trazendo faróis que incorporavam luzes de longo alcance, diminuindo o tamanho da grade superior.



Mas o destaque era mesmo a traseira, com grandes vidros nas laterais e na tampa do porta-malas, além das lanternas arredondadas (que lembravam modelos europeus, como o Polo de terceira geração também lançado em 1994) e da tampa traseira que terminava em um pequeno spoiler, de 6 centímetros. O estilo inovador para a época foi assinado pelo designer Luiz Alberto Veiga, que também é pai do visual do Fox e do Gol (do bolinha em diante), e todo desenvolvido no Brasil - só recebeu retoques na Alemanha, após testes em túnel de vento.



O interior tinha estilo envolvente, com volante com diâmetro reduzido em 1 centímetro em relação à linha Escort, e trazia revestimento em tecido navalhado em praticamente toda a extensão dos forros das portas dianteiras e traseiras, no mesmo padrão de linhas e cores encontrado nos bancos (Recaro na dianteira). Diferente dos carros "de hoje", só nas portas dianteiras existem pequenos porta-mapas. Outros espaços para guardar trecos eram a cavidade na parte direita do painel e o porta-cassetes no fim do console central, para 4 cartuchos.



O quadro de instrumentos incluía relógio digital embutido no conta-giros, hodômetros total e parcial junto ao velocímetro, além de marcador de temperatura do motor e nível de combustível. Na base do quadro há uma fileira de luzes-espia, que indicam inclusive se há alguma porta aberta.



Os comandos dos retrovisores elétricos ficaram à esquerda do painel, junto com o regulador do brilho do painel. Já os botões dos vidros elétricos (com bloqueio das janelas traseiras) ficavam no console central, à direita da alavanca de freio de mão. Como esse posicionamento era pouco acessível aos ocupantes traseiros, estes receberam botões posicionados à frente das maçanetas das portas. Outra curiosidade: os fechos dos cintos traseiros podem ser encaixados na vertical quando não estão em uso.



A lista de equipamentos do GTi também incluía regulagem de altura e profundidade do volante, bancos dianteiros com ajuste lombar, banco do motorista com ajuste de altura, travas elétricas e retrovisores elétricos, rádio com toca-fitas, luzes de neblina, acendedor de cigarros frontal com dois cinzeiros (frontal e traseiro) e banco traseiro rebatível. Direção hidráulica progressiva e ar-condicionado inicialmente eram previstos como opcionais em 93, mas acabaram se tornando itens de série no GTi. Opcionalmente, essa versão do Pointer podia receber CD Player com equalizador digital e teto solar.



A versão GTi trazia o AP-2000 montado na transversal, com injeção eletrônica de gasolina, 8 válvulas, 116 cavalos e 17,4 kgfm de torque. Foi o primeiro carro da VW do Brasil a ter freios a disco nas quatro rodas. Outro destaque era a suspensão com calibração esportiva, com amortecedores pressurizados e molas mais firmes em relação aos seus irmãos Ford. A Volkswagen pretendia lançar o Pointer com a mesma injeção LE-Jetronic com circuito analógico do Gol GTi de 1988, mas os carros de produção chegaram com a injeção eletrônica digital FIC, em que os sistemas de alimentação e injeção se integravam em módulo único, e também ajustou as relações de câmbio, o que ampliou a velocidade máxima alcançada. Uma característica curiosa: a alavanca para abrir o capô fica abaixo da coluna de direção.



O GTi acelerava de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos e chegava à velocidade máxima de 193 km/h. Bons resultados para um carro de 1190 quilos, cuja distribuição de massa entre os eixos é significativamente maior na frente.



O Pointer era equipado com o então recém-lançado câmbio de cinco marchas “MQ”, que contava com engate por cabos no lugar dos varões e as relações encurtadas da segunda marcha em diante em relação aos irmãos Ford. Seu porta-malas tinha 388 litros de capacidade, segundo a Volkswagen.



Quando foi lançado, além da versão GTi, trazia também as opções CL e GL com o AP-1800 (sendo que a GL oferecia como opcional o AP-2000), a gasolina ou etanol. As potências eram de 86 cv (1.8 gasolina), 95 cv (1.8 etanol), 106 cv (2.0 gasolina) e 113 cv (2.0 etanol).


O Pointer aqui mostrado, um exemplar ano e modelo 1996, pertence ao último ano de produção e registra pouco mais de 96 mil quilômetros rodados em seu hodômetro. Conserva os adesivos originais de "rádio protegido" e "alarme" (comuns ao Escort), bem como as peças com o logotipo da Autolatina. Recebeu poucas modificações, entre elas um aparelho de som mais moderno logo abaixo do toca-fitas original Volksline, além de caixa de som no porta-malas e rodas de 17 polegadas (réplicas das usadas no Porsche 911 em sua geração 993). 


Com o fim da Autolatina, o Pointer, que era fabricado junto com o Ford Escort, foi produzido até dezembro de 1996 e teve aproximadamente 37 mil unidades vendidas.

Impressões ao dirigir


Ao por as duas mãos no volante, se percebe que a textura é lisa e agradável. Os bancos também acomodam bem o corpo, com as extensões para coxas e os ajustes lombares. Com um jeitinho, gira-se no tambor de ignição a chave única, com botões de alarme em um chaveiro. O pedal de embreagem é pesado, mas o Pointer compensa com a assistência de direção, boa até para os padrões atuais.


O ar-condicionado também gela como o de carro novo. Com molas abreviadas e rodas de 17 polegadas, é necessário ter uma atenção extra em asfalto ruim. Desde rotações mais baixas, o AP-2000 mostra a que veio, entregando seu torque máximo a 3000 rpm. Uma pena que ele durou apenas dois anos em nosso mercado, por conta da dissolução da Autolatina, e também que seus componentes de reposição tenham sido fornecidos por pouco tempo, pois o Pointer tinha suas qualidades e diferenciais em relação ao Golf III. 

Vem conferir mais imagens do Volkswagen Pointer GTi 1996!




 



Matéria do Auto REALIDADE - www.autorealidade.com.br

Comentários

  1. Caramba... nunca vi um post com tantas fotos, 99 !!! Parabens pelo empenho em mostrar esse belo automovel da AutoLatina ! Esse carro na epoca era carissimo, um amigo meu teve aquela versao Wolfsburg que tambem era show de bola.

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