Uma volta com o Volkswagen Santana 2.0 Comfortline 2003!


Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina (PI)
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

O Santana foi um dos modelos da Volkswagen que teve maior longevidade no mercado brasileiro. Seu lançamento ocorreu em 1984, e foram 22 anos de produção nacional até o fim, em 2006. Foram 548.494 unidades produzidas no Brasil neste período. Nesta matéria, contamos um pouco sobre um exemplar da versão Comfortline 2.0 2003 do longevo sedã.


O Santana pertenceu à safra dos médios globais, assim como o Monza. Na Europa e nos Estados Unidos, o Volkswagen não conseguiu obter êxito. Por outro lado, na China o Santana teve uma popularidade absurda, tanto que existiram juntos o Santana quadradinho, o Santana 2000 e o Santana 3000 (uma tentativa caseira de modernizar o veterano). E até hoje continua a existir o Santana no mercado chinês, embora agora seja apenas o reaproveitamento do nome em um carro totalmente diferente.



No Brasil, apesar do Santana ter sido comercializado por mais de duas décadas, o sedã e sua irmã perua Quantum passaram por poucas reestilizações. A maior delas ocorreu no ano de 1991, quando frente, traseira e painel foram reformulados, ganhando formas mais arredondadas. E a segunda (e última) reestilização aconteceu no ano de 1998. Deste ano até o fim de linha, o Santana basicamente teve apenas mudanças nos pacotes de equipamentos.


A reestilização de 98 do Santana fez com que seu visual ficasse mais próximo de modelos como o Gol Geração III. Os faróis e a grade, antes estreitos, ficaram maiores e os para-choques eliminavam os frisos, assumindo um estilo mais limpo. As maçanetas externas passaram a ter estilo mais arredondado. E os antiquados quebra-ventos das janelas dianteiras foram eliminados - Santana e Quantum foram os últimos carros de passeio do Brasil a abandonarem este item popular nos tempos de carros sem ar-condicionado.



Para arrematar, na traseira as lanternas passaram a ter recorte diagonal, a tampa do porta-malas ficou maior, o brake-light passou para a parte de cima do vidro e a tipologia dos emblemas ficou mais moderna.


O interior do Santana passou a ter novo estilo para o volante de quatro raios, além de acionamento giratório para os faróis (não mais por tecla), com ajuste do brilho dos instrumentos. Os comandos dos vidros dianteiros, dos retrovisores e da abertura da tampa do porta-malas passaram a ficar agrupados em uma fileira central do painel. Já os botões dos vidros traseiros (e de seu bloqueio) ficavam na parte de baixo do console, que ficou maior e passou a ter um porta-moedas perto do acendedor de cigarros com cinzeiro. Quem sentava atrás tinha à disposição o apoio de braço central e também cinzeiros nas portas.



O quadro de instrumentos trazia iluminação verde e relógio e hodômetro total/parcial digitais. De fácil leitura, a cúpula traz marcador de combustível junto com o marcador de temperatura do motor à esquerda. O velocímetro, que marcava a partir de 20 km/h, assume a posição central, e à direita estava o conta-giros.



O acabamento é correto para a proposta do Santana - que, na época, ocupava um espaço acima do Polo Sedan e abaixo do Bora. A parte superior do painel é levemente macia ao toque, e as partes inferiores em plástico duro possuem textura até agradável. O volante é espumado e neste exemplar recebeu uma capa em couro, material que também foi aplicado a parte dos forros de porta. Já os bancos são revestidos em veludo na cor cinza-claro e se destacam pela maciez. E o porta-luvas, com iluminação, também possui forração.



Um reflexo da idade avançada do projeto: mesmo depois de suas reestilizações o Santana trazia poucos nichos para se colocar coisas na cabine. Porta-copos são inexistentes. Os poucos espaços para guardar objetos são os porta-mapas das portas dianteiras, a "rede" no para-sol do motorista (para o passageiro existe um espelho) e um pequeno porta-treco na junção entre o painel e o início do console entre os bancos, além do óbvio porta-luvas.


A partir do modelo 2001, o Santana passou a ser vendido nas versões Básica (1.8); Comfortline, com opção de motor 1.8 ou 2.0, e a versão Sportline, somente 2.0.


O pacote Comfortline incluía bancos de veludo, rodas de liga leve de 14 polegadas com pneus 185/65, grade pintada na cor da carroceria, faróis de neblina e o conjunto de vidros, travas e retrovisores elétricos. O Santana também vinha com alarme volumétrico, direção hidráulica, coluna de direção ajustável, ar-condicionado, iluminação no porta-malas e vidros com função anti-esmagamento e fechamento associado ao travamento das portas.


O motor 2.0 AP, montado em posição longitudinal, passou a ter uma capa plástica a partir da reestilização de 1998 e recebeu mudanças na câmara de combustão, passando a render 114 cavalos a 5250 rpm e 17,5 kgfm a 3000 rpm de torque. Na época, era possível escolher entre o motor 2.0 a gasolina ou o 2.0 a álcool - o Santana jamais teve versão Total Flex.



E na época, o câmbio era sempre manual de 5 marchas. Vale lembrar que nos anos 80 e 90 o Santana chegou a ter a opção do câmbio automático, mas nos anos 2000 este item ficou reservado a modelos mais luxuosos da linha Volkswagen, como o Bora e o Passat.


O porta-malas, de fundo relativamente elevado e grande profundidade, tinha 413 litros de capacidade, mas quem impressionava mesmo era o tanque de combustível, que acomodava 72 litros.


O Santana Comfortline permaneceu com este visual até 2004. Em seguida, o sedã passou a ter as rodas do Gol Turbo e o volante de quatro raios da versão Power do Gol. No fim de sua carreira, resistiu somente com motor 1.8 e acabamento bem mais simples. E em junho de 2006, o modelo saiu de linha sem deixar substituto. Na época, a Volkswagen passou a oferecer kit gás para o Polo Sedan, na tentativa de atrair taxistas e frotistas para o sedã mais recente (e menor). Não deu certo.

Impressões ao volante



O ato de entrar em um Santana entrega a idade do modelo: as maçanetas externas são fixas, e o que na verdade destrava a porta são os gatilhos. Por algum motivo, o cheiro deste exemplar me lembrou a cabine do Omega GLS modelo 1993 que foi de meu avô, que também tinha os bancos em veludo. A posição de dirigir do Santana é boa, podendo ser acertada tanto com o banco do motorista quanto com a coluna de direção ajustáveis em altura. Os retrovisores externos garantem boa visibilidade - ainda bem, porque neste exemplar o espelho interno caiu. O freio de mão possui ranhuras para acomodar melhor os dedos. Na partida e enquanto estiver ligado, o motor 2.0 AP é vibrante (literalmente).



A direção hidráulica progressiva, apesar de ter uma folga neste exemplar (desculpável para um carro de 17 anos), permite conduzir o carro com conforto. O ar-condicionado gela bem e a suspensão filtra boa parte das imperfeições do piso, embora acabe permitindo que a carroceria aderne além do desejável em curvas e também em arrancadas.



O pedal de embreagem demanda um pouco de força no pé, mas os engates da alavanca de câmbio são bem acertados e muito previsíveis, uma característica semelhante a outros Volkswagen - fez lembrar do Voyage 1991 e também do Pointer 1996 que guiei alguns meses atrás. Neste Santana, a ré está localizada abaixo da quinta marcha e entra "direto".



Por ser um carro de estoque de uma loja de seminovos, foi prudente não abusar - no test-drive, mal cheguei a uma velocidade adequada à quinta marcha. Mas o Santana é valente: com seu bom torque em relativamente baixa rotação, ao pisar no acelerador ele vai embora e até canta pneu com facilidade. E a altura em relação ao solo o faz encarar bem as lombadas.



Os anos 2000 foram uma época de decadência para o Santana no Brasil, acentuada pelos avanços dos rivais e corroborada até mesmo na linha de sedãs da Volkswagen. Ele literalmente só era comercializado aqui e na China, mas conseguiu resistir por mais alguns anos, mesmo sem itens de luxo nem tecnologia de ponta, compensando essa defasagem com muita robustez mecânica e bom espaço interno, o que fizeram o Santana manter sua popularidade entre taxistas e frotistas até seu fim.






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