Já andamos no novo VW Polo 1.0: o que a versão de entrada tem a oferecer?


Lançamento mais importante da Volkswagen neste ano, o Polo é a aposta da marca na faixa de mercado dos hatches "compactos crescidos", entre R$ 50 mil e R$ 75 mil. A sexta geração chega ao Brasil poucos meses após sua apresentação no mercado europeu e com algumas diferenças para se adequar ao nosso mercado. O rival direto desta versão 1.0 aspirada que dirigimos é o Fiat Argo Drive 1.0, mas o Polo brigará por mercado com dezenas de modelos (Onix, HB20, Fiesta, March, Etios, C3, 208, Fit são alguns exemplos), inclusive fazendo com que os compradores de determinadas versões de up!, Fox e Gol se vejam em dúvida sobre qual modelo levar.



Externamente, o Polo 1.0 é bem sóbrio, mas o conjunto agrada. Com 4,05 metros de comprimento, 1,75 metro de largura e 1,47 m de altura, o Volkswagen é 6 centímetros mais comprido e quase 3 mais largo que o já crescido Argo, porém 3,5 cm mais baixo. A dianteira, com faróis e grade estreitos e baixos, interligados entre si, traz genes do Passat. O para-choque é exclusivo da versão brasileira, com uma área maior em plástico escuro. Outra alteração que se fez necessária no modelo nacional foi a elevação da altura da suspensão em 2 centímetros, para enfrentar melhor a buraqueira do dia-a-dia. As rodas até são bonitas, mas o tamanho é pequeno para as caixas de roda. Particularmente, achamos a traseira o ponto mais belo do novo Polo. Mesmo sem a abertura do porta-malas pelo próprio emblema da VW, como ocorre com o Fox, as lanternas escurecidas angulosas lembram o BMW Série 1 de longe, com máscaras nas lentes que dão um efeito de LED.


Por dentro, o Polo tem uma ambientação moderna, que em alguns pontos lembra outros modelos da Volkswagen. O volante, com assistência elétrica, é reaproveitado do Gol, inclusive na falta de regulagem de altura, o que, dependendo do posicionamento do banco ajustável em altura, pode fazer o joelho encostar na base da direção. O quadro de instrumentos também segue o esquema clássico da marca, com instrumentos concêntricos e tela do computador de bordo (opcional) monocromática com diversas funções: velocidade digital, portas abertas, consumo, autonomia, indicação de troca de marcha, entre outras.


A central multimídia Composition Media é mais intuitiva em relação a modelos como o Gol, já que o posicionamento no alto do painel facilita sua operação. Sem GPS gravado na memória do aparelho (assim como o Argo, diga-se), pode-se recorrer ao espelhamento de tela de celulares compatíveis com Android Auto ou MirrorLink, mas em nosso teste o sistema não reconheceu o celular Alcatel Pixi4 utilizado (que no rival da Fiat foi corretamente pareado). Há uma entrada USB embutida no suporte para celular (que é ajustável de acordo com o tamanho da tela e pode ser posto na horizontal ou vertical), mas o posicionamento da segunda entrada, junto à própria tela, é ruim. Há ainda: leitor de cartão SD, Bluetooth para chamadas e streaming de áudio, além das informações do computador de bordo. O som traz 4 alto-falantes e 2 tweeters nas colunas dianteiras.


Apesar das saídas de ar ficarem mais baixas, o ar-condicionado do Polo não deixa de gelar bem. A recirculação é feita por botão, ao invés de comando deslizante. A disposição dos comandos giratórios é idêntica ao up!.


O acabamento do Polo mescla detalhes interessantes e simplórios. O plástico rígido predomina em toda parte - só nas portas dianteiras há um pequeno inserto de tecido macio. O volante tem a textura de modelos mais simples, como o Gol. Para completar, a adoção de um tom cinza em parte dos forros deixaram os plásticos parecendo ainda mais baratos do que parecem, especialmente no console central. Há, contudo, fundos emborrachados no porta-óculos de teto (similar ao Golf) e no porta-objetos à frente da alavanca de câmbio, que deveria abrigar uma entrada USB. Os bancos têm boa densidade.


O espaço interno do Polo é bem aproveitado, e mesmo para quem possui 1,80 metro de altura, há sobras de espaço para pernas e cabeça quando se senta atrás de outra pessoa com igual estatura. As quatro portas possuem área para guardar latas e outros objetos. 


No porta-malas, aberto por botão no console (à esquerda da alavanca de câmbio), a capacidade é de 300 litros (a mesma capacidade do Argo...) e há uma pequena divisória no canto esquerdo para objetos. Sob o forro, há um estepe 170/70, com roda de ferro de 14 polegadas, recomendado para se trafegar a até 80 km/h. No centro da tampa, com lata exposta, há um recuo para melhor encaixar os dedos e o triângulo de segurança. O banco traseiro é rebatível, porém inteiriço, a despeito da base de ferro para o encosto bipartido estar lá.


A lista de equipamentos inclui, além dos itens já mencionados, luzes de leitura dianteiras e traseiras, chave tipo canivete (de estilo similar ao Golf) com alarme e botão de abertura do porta-malas, vidros elétricos nas 4 portas com função um-toque, limpador/lavador/desembaçador traseiro, chave de seta com acionamento momentâneo por um leve toque, para-sóis que acendem luzinhas ao empurrar a tampa dos espelhos, iluminação dos botões de travas/vidros, tomada 12 Volts, 4 porta-moedas e porta-cartão na tampa do porta-luvas, temporizador do limpador dianteiro e palhetas do tipo aerowisher.


Ao volante, o Polo agrada pela solidez e maciez ao rodar. Distanciado de Gol e up!, com rodar mais duro, ele chega a lembrar o estilo de condução do Golf 1.0 TSI em termos de suspensão, assistência do volante e engates do câmbio de 5 marchas (com alavanca um pouco mais alta que o up!), embora os 84 cavalos desta versão não façam milagre. Mesmo sem sensores de estacionamento - que só deverão existir como acessório de concessionária - a visibilidade é boa, com retrovisores bem dimensionados. Aliás, os espelhos têm ajuste manual, mas para quem vai ser único condutor do carro, não chega a ser problema. Até a alavanca de freio de mão é mais fácil de operar do que o usual nos carros da Volks. Vale lembrar que não é necessário pisar na embreagem para dar a partida.


Outra característica na qual o Polo está mais pra Golf do que para Gol está na grande atenuação de vibrações características do motor de três cilindros, bem como medidas tomadas para evitar ruídos, como a manta acústica do capô. Falando no propulsor, trata-se do mesmo 1.0 MPI aspirado utilizado em versões do up! e do Gol (o Fox, de agora em diante, só terá o 1.6 de 8 válvulas nas versões Connect e Xtreme), que no Polo tem rendimento um pouco maior: 84 cavalos com etanol (2 a mais que o up!) e 75 com gasolina a 6350 rpm, com torque de 10,4/9,7 kgfm (com etanol e gasolina, respectivamente) a 3000 rpm. 

Beneficiando-se de ter 47 quilos a menos que o Fiat Argo (registrando 1058 kg), o Polo acelera de 0 a 100 km/h em 13,0 segundos e alcança 170 km/h, de acordo com a VW. O consumo com gasolina é de 12,9 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, ao passo que com etanol, as médias são de 8,8 km/l na cidade e 10,0 km/l na estrada, conforme aferição do INMETRO. O tanque de combustível possui 52 litros e se abre apertando a tampa.


Em termos de segurança, o Polo é incontestavelmente a melhor escolha do segmento. Considerando que carros como Chevrolet Onix e Ford Ka zeraram a nota de proteção a adultos, as 5 estrelas alcançadas pelo Volks nos testes do Latin NCAP - tanto para quem senta na frente quanto para crianças acomodadas em cadeirinhas - são um resultado alentador. De série, esta versão possui airbags frontais e laterais, controle de tração, fixação ISOFIX com Top Tether para cadeirinhas infantis, cintos de 3 pontos e apoios de cabeça ajustáveis para os 5 ocupantes, . Por mais R$ 1050 leva-se o pacote Safety, que inclui controle de estabilidade, auxiliar de partida em aclives e bloqueio eletrônico do diferencial.


Esta versão 1.0 MPI parte de R$ 49.990, mas para ficar igual ao carro das imagens, demanda a pintura metálica (R$ 1450) e o Connect Pack (R$ 2600) que, além do pacote de segurança, acrescenta itens como computador de bordo, rodas de liga leve aro 15" com pneus 185/65, sistema multimídia Composition Touch com App-connect e volante com comandos de som e computador de bordo, fechando em R$ 54.040.


Por menos (R$ 51 700, desconsiderando pintura) é possível levar o Fiat Argo 1.0 com todos os opcionais, inclusive itens que o VW não possui, como retrovisores elétricos com função tilt-down ao engatar a ré, sensor de estacionamento com indicação gráfica no computador de bordo e câmera traseira com linhas de guia, além do start-stop, que desliga momentaneamente o motor para economia combustível em paradas. 

Este, inclusive, é um ponto de discórdia entre entusiastas automotivos. Por um lado, a ausência do item fez o Polo ter resultados um pouco inferiores nos testes de consumo do INMETRO. Por outro lado, para quem quer o sistema ativo o tempo todo (para manter o ar-condicionado ligado, por exemplo), é preciso desativar manualmente em cada nova ignição do motor - e, mesmo com uma bateria reforçada para a maior variação de energia, o custo dela ainda é alto. 

Entretanto, o Argo é uma incógnita quanto ao nível de segurança, os engates de câmbio não chegaram ao nível do Polo, e faltam rodas de liga leve e alarme. E, apesar da variedade melhor de texturas, o Fiat tende a fazer mais barulhos de acabamento com o passar dos quilômetros...

Comentários

  1. Me parece especulação o final da matéria (Argo tende a ter mais barulhos de acabamentos) como pode avaliar isso no modelo sem fazer um teste com um longo período de uso do modelo.

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