A aventura de dirigir o Jeep Wrangler Unlimited Sport 3.6 2014!


Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Na categoria de veículos off-road, é praticamente impossível agradar a todos os trilheiros. Alguns preferem que o motor seja a diesel, outros não reclamam se for um modelo movido a gasolina; há quem dispense todas as parafernálias eletrônicas e também as pessoas que querem um fora-de-estrada com conforto para o uso cotidiano, para não falar naqueles que rejeitam todo e qualquer veículo que não tenha construção sobre chassi. Preferências à parte, o Jeep Wrangler formou em torno de si um grande fã-clube, que está ciente de que este utilitário possui uma das maiores aptidões para o uso fora do asfalto entre os modelos da marca norte-americana.

O Wrangler foi apresentado inicialmente nos Estados Unidos em 1986, e se tratava de uma evolução do Jeep Willys CJ-7, oferecendo mais conforto e segurança para os ocupantes. Com carroceria de duas portas, ele poderia receber capota rígida ou de lona. Dos anos 80 até os dias atuais, o Wrangler já teve quatro gerações. No Brasil, o Jeep começou a ser vendido a partir de 1997 (quando já estava em sua segunda geração, que voltou a ter faróis redondos como os do Willys), depois estreou a terceira geração no nosso mercado em 2007 e, em 2010, chegou ao País o modelo Unlimited, com carroceria de quatro portas - inédita até então. A terceira geração do Wrangler, conhecida pelo código de fábrica "JK", teve o ciclo de vida mais longo da história do modelo, perdurando por quase 12 anos.


Do lado de fora, o Wrangler não esconde o parentesco com o veterano Willys, a começar pelos faróis redondos e pelas sete fendas verticais da grade dianteira que se tornaram marca registrada de todos os Jeep. O modelo do século XXI conta com para-choques protuberantes, alargadores dos para-lamas e estribos, que são elementos que dão uma cara de mau e ajudam a resguardar a carroceria de danos ao passar por galhos e pedras. Afinal, normalmente quem tem um Wrangler vai utilizá-lo em terrenos ruins - e até customizá-lo para isso.


As portas são abertas a partir de gatilhos nas maçanetas e são sustentadas por cintas de nylon, podendo ser removidas ao utilizar uma chave de parafusos. O teto pode ser retirado em partes: é possível rebater apenas a seção frontal, que pode ser considerada o "teto solar" do Unlimited, ou então ser removida por inteiro a parte de trás da capota, incluindo os vidros traseiros - um trabalho que exige duas pessoas, muita paciência e uma lida no manual do proprietário. Também é possível baixar o para-brisa e sentir o vento direto no rosto durante a condução. Não por acaso, o Jeep conta com um santantônio integrado à carroceria para maior rigidez torcional e melhor proteção dos ocupantes em caso de capotamento.


Este exemplar, ano e modelo 2014, possui diversas modificações: barra de LED montada sobre o para-brisa, snorkel, capô diferenciado com saídas de ar, proteção frontal "Angry Grill", com molduras "nervosas" para os faróis de LED e grade perfurada, para-choques com maior ângulo de ataque e ganchos de reboque vermelhos, rodas exclusivas de liga leve de 17 polegadas na cor preta (calçadas com pneus Pirelli Scorpion ATR 265/70), cabo dianteiro para guincho, macaco de para-choque e engate central traseiro.


Para os dias atuais, o interior do Wrangler Unlimited Sport pode ser considerado rústico, mas reserva várias soluções criativas e certas amenidades para os passageiros. Antes de tudo, a cabine foi pensada para ser facilmente lavável depois de uma trilha, o que explica o assoalho revestido de borracha, bem como os bancos de couro e os plásticos rígidos que recobrem painel, console e portas. Neste carro, foram instalados rádio-amador, buzina de longo alcance, indicador de tensão de bateria e, no porta-malas, frigobar e subwoofer traseiro.


O volante revestido de couro conta com regulagem manual de altura e botões de operação do controlador de velocidade de cruzeiro, telefone, comandos de voz, do computador de bordo e do som (estes últimos ficam atrás dos raios horizontais, como é comum nos carros do grupo FCA).


O quadro de instrumentos concentra quatro informações analógicas: indicador do nível de combustível, velocímetro (com escalas em km/h e mph, além de indicação sonora ao superar 120 km/h), conta-giros e marcador de temperatura do líquido de arrefecimento do motor. Duas telinhas esverdeadas estão presentes: à esquerda são visualizadas as informações do computador de bordo (incluindo bússola/temperatura externa, velocímetro digital, consumo médio de combustível, autonomia estimada, tempo de viagem e registros como temperatura do líquido do motor, pressão do óleo, temperatura da transmissão e indicador da vida útil do óleo, além de mensagens de eventuais anomalia do veículo), enquanto à direita é possível checar a posição do câmbio engatada e a quilometragem.


A parte central superior do painel possui um porta-trecos aberto e o aparelho de rádio, com seis alto-falantes, que neste carro foi substituído por um sistema multimídia com tela colorida e câmera de ré. Mais abaixo estão as saídas de ar centrais e os botões de comando dos quatro vidros elétricos, com função um-toque para as janelas dianteiras. O ar-condicionado não é digital, mas dispõe de modo automático de funcionamento e regulagem numérica de temperatura entre 16 e 30 graus Celsius.


A parte inferior do painel concentra outros comandos, de ajuste dos retrovisores externos, desativação parcial ou total dos controles eletrônicos de estabilidade e tração, ativação do controle automático de velocidade em descida (que mantém uma velocidade constante entre 1,5 e 12 km/h, a depender da marcha engatada, dispensando o controle de freio e acelerador pelo motorista), bem como pisca-alerta, ajuste da altura dos faróis e cinzeiro. O rádio-amador fica instalado no porta-objetos localizado na junção do painel com o console central.


Duas alavancas com pomos cromados estão no início do console entre os bancos dianteiros. Na ponta esquerda é possível escolher os modos de tração: 2H (em apenas um eixo), 4H (tração distribuída para os dois eixos) e 4L (tração 4x4 reduzida, para ser utilizada a no máximo 40 km/h e engatada com a transmissão em N). Do outro lado fica a alavanca do câmbio automático de cinco marchas, com opção de trocas sequenciais na alavanca a partir da posição D: jogando a alavanca para a direita, as marchas avançam, e, com toques para a esquerda, são feitas as reduções. Mais atrás estão a alavanca de freio de mão, dois porta-copos e um apoio de braço com porta-objetos embutido.


Os engenheiros da Jeep, que previam a utilização do Wrangler Unlimited com ou sem a capota (e as portas), instalaram certos itens na junção central do teto, como as luzes de leitura e até dois dos alto-falantes traseiros. 


Já os alto-falantes dianteiros ficam embutidos na parte inferior do painel, o que explica o porta-luvas ter abertura menor do que o esperado para um veículo deste porte. Acima dele, o carona dianteiro encontra uma barra de apoio para se segurar em trilhas com mais sacolejos. Por conta das portas poderem ser removíveis, não há botões de vidros elétricos incorporados a elas, mas nas portas dianteiras há comandos que controlam o travamento ou destravamento central.


O banco traseiro acomoda três passageiros e o final do console central conta com os botões dos vidros elétricos traseiros, além de dois porta-copos no piso. Há ainda dois porta-revistas para a turma do fundão.


A chave de lâmina fixa incorpora botões para travamento e destravamento das portas.


Ao abrir as duas travas externas do capô, é possível conferir o motor 3.6 V6 Pentastar aspirado e movido a gasolina, montado em posição longitudinal, com rendimento de 284 cavalos a 6350 rpm e torque de 35,4 kgfm a 4300 rpm, alimentado por um tanque de combustível com capacidade de 85 litros. Em relação ao motor 3.8 que equipou o Unlimited anteriormente, o Pentastar tinha 85 cavalos e 3,3 kgfm de torque a mais, e ainda era cerca de 40 quilos mais leve, ao adotar alumínio em sua composição ao invés do ferro comum. Mesmo sem pretensões esportivas e com uma carroceria de 1924 quilos, o Wrangler surpreendia nas acelerações e, segundo a Jeep, acelera de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 180 km/h.


A construção do Wrangler Unlimited possui pontos de ligação com o Willys, como o chassi sustentando a carroceria e o conjunto de suspensão com eixos rígidos na dianteira e na traseira, mas com molas helicoidais no lugar dos velhos feixes de mola. Já a direção possui assistência hidráulica.


Com distância entre-eixos significativamente ampliada em relação ao Wrangler de duas portas (2,42 m x 2,94 metros), o Unlimited oferece também uma maior estabilidade da carroceria em uso rodoviário. Já nos terrenos fora-de-estrada, o Jeep se destaca pela altura em relação ao solo original de 24,2 centímetros e pelos ângulos de ataque (35 graus) e saída (28 graus).


O porta-malas se abre em duas partes: primeiro, é preciso apertar o gatilho para deslocar a chapa metálica com o estepe para a direita. Assim, é possível abrir o vidro traseiro para cima. São 498 litros, ampliáveis para 934 L com o rebatimento do banco traseiro. 


Esta geração do Wrangler foi comercializada no Brasil até 2019, quando chegou a quarta encarnação no Jeep, mais tecnológica e com o motor 2.0 Turbo com injeção direta de gasolina, que rende 270 cavalos e 40,8 kgfm de torque, combinado com o câmbio automático de oito marchas (três a mais que antes).

Impressões ao dirigir


Neste Wrangler, os estribos não são mero enfeite, sendo realmente necessário apoiar os pés neles para entrar e sair do carro. Ao virar a chave no tambor de ignição, logo se nota o motor em volume bem audível. Em movimento, mesmo em asfalto liso, o Jeep chacoalha constantemente ao rodar, e isso exige certa atenção do motorista para manter o SUV em sua trajetória, mas esta característica é comum em veículos voltados para o uso fora-de-estrada intenso. Outro ponto que exige prudência é a carroceria, larga e com visibilidade para trás apenas razoável, já que os encostos de cabeça traseiros e parte do estepe tomam parte da visão pelo retrovisor interno. As conversões e mudanças de faixa, por exemplo, devem ser feitas com maior margem de segurança e previsibilidade, pois seu formato "caixote" acaba criando alguns pontos cegos. Mas a assistência hidráulica da direção diminui o esforço do motorista nestas situações.


A bordo deste Jeep, a posição do motorista é bastante elevada até mesmo em comparação a picapes e utilitários de médio porte, e o tamanho do Wrangler Unlimited também ajuda a impor respeito no trânsito. Durante nosso primeiro dia de circulação, levamos apenas uma fechada de um apressado condutor de um Yaris sedã. Além disso, o visual atrai muitos olhares de pedestres e motoristas.


Em terrenos sem asfalto, o Wrangler revela suas maiores qualidades. Em terrenos onde outros carros atolariam, o Jeep esbanja torque e supera a lama com muita facilidade, além de sua distância em relação ao solo permitir passar por galhos e pedras com mais tranquilidade. Um brinquedo de gente grande!

Vem conferir a Galeria de Fotos do Jeep Wrangler Unlimited Sport 3.6 2014!






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