As mudanças da Nissan Frontier LE 2019, agora feita na Argentina


A Nissan Frontier tem uma história interessante no Brasil. Sucessora da picape D21, ela começou a ser importada para o País em 1998. No ano de 2002, inaugurou a fábrica da Nissan em São José dos Pinhais (PR), e de quebra foi reestilizada. Em 2007, começaram a chegar as primeiras unidades da então nova geração: primeiro um lote de apenas 200 picapes (Limited Edition), importadas da Espanha, e no final daquele ano, a importação da Tailândia. No ano de 2008, começou a ser produzida no Brasil, e permaneceu no mercado com um retoque ali, uma série especial aqui, até a chegada de uma nova geração em 2017, importada do México. Agora, a Frontier passa a ser importada da Argentina em sua linha 2019 - e chegará aos poucos nas concessionárias. No geral, pode-se concluir que a picape mudou para melhor, embora tenham ocorrido algumas involunções, como se verá nesta matéria.

Em nossa visita, encontramos as versões LE (topo-de-linha) e XE da Frontier 2019 (a Attack também já está sendo comercializada). E em 2019, chegam as versões básicas S e Attack 4x2. Pode-se dizer, a grosso modo, que a versão XE é equivalente em termos de equipamentos à antiga LE mexicana, enquanto a versão topo-de-linha argentina passa a trazer uma gama maior de itens de série. 


Por fora, é possível reconhecer a Frontier LE 2019 de cara pelas rodas de 18 polegadas, com pneus 255/70, que harmonizam mais o visual do que as anteriores rodas de 16 polegadas com pneus 255/60. As demais mudanças são mais perceptíveis para quem tem "intimidade" com a picape: a grade superior é pintada numa cor que lembra o cobre, e o logotipo da Nissan frontal ganhou uma câmera, assim como a parte inferior da capa dos retrovisores. Por fim, a carroceria agora pode receber a cor metálica Azul Cayman.


Ao entrar na Frontier LE, nota-se o teto solar (de acionamento elétrico e com forro manual), sendo a única picape do segmento a contar com este item. A central multimídia A-IVI é toda nova, com botões físicos mais fáceis de operar (em oposição aos botões touchscreen do Multi-App, que não disfarçava o aspecto de ser adaptado no painel). Com tela de 8 polegadas (ante 6,2 polegadas do Multi-App), o sistema traz espelhamento de tela de celulares com Android Auto e Apple CarPlay, sem abrir mão de um GPS nativo e fácil de usar. 


Um destaque "importado" do Nissan Kicks SL é o conjunto de câmeras de visão em 360 graus. Além da imagem da câmera traseira, com linhas de guia, é possível visualizar o entorno da picape, um alívio para quem costuma lidar com vagas apertadas.


A Frontier traz comandos de som no volante, entradas USB e auxiliar (inclusive uma entrada USB exclusiva para carregamento dentro do apoio de braço dianteiro, onde antes existia uma tomada de 12 Volts), atualização do sistema e do GPS por Wi-Fi, bem como Bluetooth. Porém, a central multimídia não conta mais com leitor de CD e DVD, nem armazenamento interno. Por ironia do destino, a picape, que trazia 4 tomadas de 12 Volts, agora só conta com uma. O sistema de som traz 4 alto-falantes e 2 tweeters.


A chave da Frontier permanece com o mesmo estilo de modelos como Sentra e Kicks (SV e SL). Presencial, basta estar com ela para pisar no freio e dar a partida do motor por botão.


O quadro de instrumentos teve algumas alterações nas funcionalidades do computador de bordo, com tela colorida de 5 polegadas. Agora, é possível conferir o velocímetro digital (que fazia falta) e traz indicador de temperatura externa e bússola digital. As informações também podem ser configuradas para o português.


As funcionalidades para o uso fora-de-estrada seguem quase as mesmas. O seletor giratório alterna entre a tração traseira (mais indicada para terrenos sem desafios, para gastar menos combustível), 4x4 High (quando é necessário que as 4 rodas girem; pode ser acionado a até 100 km/h) e 4x4 reduzida, acionada ao se por o câmbio em N e apertar girando o seletor, para terrenos onde a transposição é lenta mas demanda toda a força da picape. 

Um botão aciona o controlador de velocidade de descidas, que, a partir da inclinação do terreno, estabelece uma velocidade segura para a descida, sem necessidade de pisar no freio ou acelerador. Ao seu lado, o motorista pode desativar os apitos do sensor de ré. A Frontier perdeu o botão do bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, que agora é operado de forma eletrônica.


O ar-condicionado digital de duas zonas manteve suas funcionalidades, como o modo automático e a regulagem de meio em meio grau Celsius. Neste aspecto de climatização, o que a picape perdeu foi o aquecimento em 2 níveis dos bancos dianteiros, item que na maior parte do País é, de fato, dispensável. O lugar onde ficavam os botões, à frente dos porta-copos do console, virou um pequeno porta-objetos, que pode acomodar a chave.



Os comandos de vidros, travas e retrovisores continuam os mesmos - inclusive a funcionalidade um-toque disponível unicamente para a janela do motorista. Mas foi adicionado um pequeno capricho: os demais botões dos vidros nas outras portas receberam um filete iluminado, para facilitar a localização à noite. E agora as portas travam automaticamente com a picape em movimento.



O console de teto teve um discreto redesenho na parte central para acomodar o botão que aciona o teto solar.


A parte central do painel ficou plana (antes, havia um porta-objetos aberto ao centro, com tomada de 12 Volts).


À esquerda do painel, permanecem os botões de ativação/desativação do controle de estabilidade, da limpeza do filtro particulado de diesel e de abertura da tampa do tanque de combustível.


O banco do motorista conta com regulagem elétrica de altura, inclusive com ajuste lombar.


Na parte de trás, foram feitas boas modificações na Frontier 2019, a começar pelo próprio banco, com material mais macio, cujo ângulo do encosto está 3,5 graus mais reclinado e o assento ficou 12,9 centímetros maior, proporcionando mais contato com as coxas dos ocupantes. Ao invés do porta-copos improvisado no piso, agora existe um apoio de braço embutido ao centro com os referidos porta-objetos em posição bem mais ergonômica. A crítica que se pode fazer é que abrir este descansa-braço é um pouco complicado, já que não há uma tira embutida e ele fica bem justo ao banco quando fechado. Estes ocupantes continuam contando com as duas saídas de ar traseiras.


O banco traseiro agora conta com fixações ISOFIX e Top Tether para a instalação de cadeirinhas infantis, além de passar a trazer cinto de 3 pontos e apoio de cabeça também para quem senta ao meio do banco traseiro, reforçando a segurança para todos os ocupantes. Ainda neste quesito, a Frontier LE passa a trazer airbags laterais nos bancos dianteiros e de cortina, totalizando 6 airbags (antes eram apenas 2).


Ao abrir a caçamba, a Frontier 2019 ficou irreconhecível. Depois dos primeiros lotes de 2017, ela já havia perdido o spray que revestia o habitáculo e dispensava a instalação do protetor de caçamba. Agora, ela já não traz também os fixadores de carga que deslizavam sobre trilhos na parte lateral (substituídos por ganchos fixos) e a tomada de 12 Volts que ficava no canto esquerdo. A capacidade de carga é de 1000 quilos na versão LE, subindo para 1025 kg na versão XE e 1040 kg na versão Attack 4x4. Em todas, a capacidade de reboque é de 2885 quilos e o volume da caçamba é de 1054 litros.


O conjunto mecânico da Frontier permanece o mesmo. O motor 2.3 Biturbo Diesel de 4 cilindros em linha e 16 válvulas rende 190 cavalos a 3750 rpm e torque de 45,9 kgfm a 2500 rpm. O câmbio automático de 7 marchas, com conversor de torque, traz modo sequencial com trocas em um trilho à parte na alavanca.

Segundo a Nissan, a Frontier faz 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada. O tanque de combustível tem capacidade de 80 litros.


Por outro lado, guiar a Frontier 2019 revela diferenças nítidas em relação à picape 2018. A direção hidráulica foi modificada para ficar mais precisa e macia nas manobras. Ao rodar, muitos dos ruídos externos - e do próprio motor - são melhor filtrados, graças à adoção de para-brisa acústico e isolamentos acústicos nos para-lamas, capô, console central e painel: a cabine ficou até 5 decibéis mais silenciosa, segundo a Nissan.

Outras melhorias da Frontier argentina aparecem na suspensão (com molas maiores e suspensão dianteira com nova geometria) e freios (os cilindros traseiros estão maiores).


Entre perdas e ganhos, pode-se dizer que, no geral, a Frontier 2019 está melhor em relação ao modelo 2018. A versão XE vem com a mesma central multimídia da versão LE, bem como as melhorias de comodidade e segurança no banco traseiro. As ausências da versão XE, em relação à LE, são: teto solar, airbags laterais e de cortina, rack de teto, rodas de 18 polegadas (esta versão manteve as rodas de 16 polegadas) e câmeras de visão em 360 graus - mas a câmera de ré está inclusa. Enquanto a Frontier LE mexicana custava R$ 168.700, a XE parte de R$ 172.880 (um reajuste condizente com os preços praticados pelas rivais e considerando ainda que houve melhorias técnicas na picape). 


Já a LE 2019 tem preço exagerado: R$ 193.290. É mais cara do que a Volkswagen Amarok V6 Highline (R$ 191.990), com 225 cavalos e câmbio automático de 8 marchas, e do que a Chevrolet S10 High Country (R$ 191.490), bem mais consolidada em nosso mercado - só a Toyota Hilux SRX consegue a proeza de ser ainda mais cara (R$ 196.990) e não reverter todo esse valor no conjunto mecânico (é a picape mais fraca do segmento, inclusive) ou em equipamentos. É verdade que a Frontier LE conta com um pacote de itens muito atraente em seu segmento, mas deveria manter a tradição da Nissan de manter preços mais camaradas. Quem sabe, com o passar dos meses, a marca a torne mais competitiva...

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