Índia segue o Brasil e investe em etanol [Coluna Fernando Calmon]

 

Dentro de poucos dias, como informou o site inglês Just-auto nesta terça-feira, 22, o segundo país mais populoso do mundo (em cinco anos deve ultrapassar a China), a Índia, anunciará novas metas para etanol. Objetivo é reduzir emissões de CO2, importações de petróleo e preço dos combustíveis, segundo o analista Bakar Agwan, da consultoria GlobalData. “A Índia dispõe de excedente de matéria-prima necessária para obter etanol, garantindo abastecimento adequado à produção deste combustível”, acrescentou ele.

Em poucos anos a Índia deve alcançar o posto de terceiro maior mercado de veículos do mundo, atrás apenas da China e Estados Unidos. O país asiático já havia aprovado misturar 10% de etanol à gasolina até 2022 e 20% até 2025, acima dos 8,5% atualmente (no Brasil, 27%). Agwan delineia a intenção do governo de implantar motores flex numa segunda etapa.

Essa tecnologia está amplamente dominada e aceita no Brasil: quase 90% dos automóveis e comerciais leves vendidos atualmente são flex. Exportar esse conhecimento deve se transformar em receitas para o País. Usinas de produção de etanol poderão ser exportadas, pois a Índia também é grande produtor de açúcar a partir da cana.

No recente seminário da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), voltou-se ao debate sobre diversas formas de diminuir as emissões de CO2 e o efeito estufa responsável por mudanças climáticas. O conceito do ciclo de carbono emitido do berço ao túmulo, ou seja, desde quando se fabrica o veículo, obtém-se o combustível ou a eletricidade e até chegar à reciclagem do produto e das baterias, ainda carece de análises profundas e isentas na maioria dos países.

Ricardo Abreu, da Bright Consulting, destacou o que realmente interessa à sociedade brasileira: menor poluição, mobilidade acessível, geração de empregos, segurança energética, atrair investimentos e alcançar protagonismo internacional. Todos esses objetivos não podem ser atingidos por meio de apenas uma solução e, assim, defende alternativas. É o caso de um automóvel híbrido ou híbrido plugável com motor a combustão abastecido a etanol. Seu preço continuará por muito tempo bem menor do que um carro 100% elétrico, poderá usar a atual infraestrutura de abastecimento, emissões de ciclo de CO2 extremamente baixas e não estressará a geração atual e futura de energia.

A transição aos veículos elétricos pode ser rápida e com prováveis tropeços financeiro e técnico, ou bem planejada assumindo riscos menores, sem um deletério efeito manada e atingir o mesmo objetivo. O Brasil e agora a Índia sabem que o etanol está aí para ajudar.

ALTA RODA

BMW M3 Competition Track é um dos automóveis mais surpreendentes e desafiadores que já avaliei. Tudo no superlativo (inclusive preço de R$ 849.950), a começar pelo motor 6-cilindros em linha, 3-litros, 510 cv e 66,3 kgf.m. Ganhou, em relação à versão anterior, o equivalente a um motor convencional 1-litro (mais 79 cv e quase 10 kgf.m). Controle de largada está ali para fazer esquecer que se trata de simples sedã de quatro portas. Potência dos freios (discos carbocerâmicos), exatidão de direção e comportamento em curvas são irrepreensíveis. Ronco encorpado aguça os sentidos e o câmbio automático é muito rápido nas trocas ascendentes e descendentes das oito marchas. Compósito de fibra de carbono está no teto, extrator e defletor traseiros, bancos-concha dianteiros e acabamentos internos. Acelera de 0 a 100 km/h em 3,9s; velocidade máxima, 290 km/h.

HONDA CR-V recebeu leve revitalização de meia geração. Por R$ 264.900 está numa faixa muito elevada de preço, apesar de bem equipado: teto solar panorâmico, seis airbags e os dois bancos dianteiros elétricos, além de bom pacote de assistência ativa ao motorista. Central multimídia deveria ter tela maior que a de 7 pol. Destaques para espaço interno e porta-malas de expressivos 522 litros. Motor turbo (gasolina) de 190 cv/24,5 kgfm mostra desempenho limitado pela caixa CVT de oito marchas, calibrada para menor consumo. Tração 4x4 é por demanda. Suspensão poderia ser um pouco menos dura. Ainda assim CR-V vende muito bem (segundo colocado) nos EUA, onde maciez ao rodar impera.

PEUGEOT 3008, SUV médio francês que já se destacava pelo estilo atraente (Carro do Ano na Europa, em 2017), recebeu reestilização dianteira. São novos a grade, para-choque, faróis de LED (os de neblina integrados aos fachos baixos) e luzes de rodagem diurna de LED no estilo dentes de sabre como no 208. Internamente, destacam-se bancos dianteiros forrados com Alcantara e massageador nas costas, nova alavanca de câmbio automático (seis marchas) e tela multimídia de 10 pol. Manteve teto solar panorâmico e ótimos 520 litros no porta-malas. Controle de cruzeiro adaptativo tem função para-e-avança automática (até 3 segundos de espera) e ajuste de velocidade conforme leituras das placas de sinalização. São duas versões de R$ 229.990 e 249.990, considerados preços de lançamento.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e  de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

www.fernandocalmon.com.br

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