As impressões ao volante do Volkswagen Taos Highline 250 TSI 2022

Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Colaborou nesta matéria | Juliana Raquel

O segmento de SUVs médios está cada vez mais em evidência no Brasil, motivando as montadoras a prepararem novos produtos para o nosso mercado. Boa parte deste empenho das marcas surgiu com o sucesso do Jeep Compass, que em 2016 passou a ter uma nova geração fabricada em nosso País. Sem rivais diretos, o modelo passou a ter patamares de vendas quase similares aos dos SUVs compactos. 

Mas neste ano de 2021, o sossego acabou: em março, foi lançado o Toyota Corolla Cross, que está registrando mais vendas do que o Corolla Sedan. Em abril, o Compass passou por uma reestilização para manter sua atratividade. E, em maio, a Volkswagen anunciou o quarto SUV de seu portfólio: o Taos, que divide espaço no showroom das concessionárias com Nivus, T-Cross e Tiguan Allspace.

O Taos, que é fabricado na Argentina e foi batizado com o nome de uma cidade do Novo México (EUA), assume a faixa de mercado acima do T-Cross 250 TSI Highline e abaixo do Tiguan Allspace R-Line 350 TSI. A Volkswagen optou por eliminar versões do Jetta e do Tiguan para evitar canibalizações entre modelos na faixa entre R$ 150 mil e R$ 190 mil. O Jetta perdeu as opções Comfortline e R-Line, ambas com o motor 1.4 "250 TSI" Turbo Flex. Já o Tiguan deixa de ter as opções 250 TSI e Comfortline, também equipadas com o motor 1.4 Turbo Flex. Este é justamente o motor que está presente nas duas versões do Taos - Comfortline e Highline.

O design externo do Taos é um dos pontos mais interessantes do novo modelo. Durante nosso test-drive, não foram poucas as pessoas que viraram o pescoço para observar melhor a novidade - afinal, neste momento ele ainda é figurinha mais difícil de ver pelas ruas que o Compass e o Corolla Cross. Os faróis em LED possuem a assinatura I.Q. Light, com acendimento automático, luzes de curvas dinâmicas, funções Coming & Leaving home (acendem logo após o destravamento do veículo e permanecem acesos segundos após desligar o motor) e luzes de condução diurna em LED integradas. Mas o que mais chama a atenção é a faixa de luz de LED na grade frontal, um detalhe que estreia no Taos e deverá estar presente nos próximos lançamentos da Volks no Brasil.

A lateral é marcada pelas formas robustas das caixas de roda e pelos vincos bem destacados. As janelas contam com molduras cromadas na base e, nesta versão, os racks de teto são pintados em tom prata anodizado. Todas as versões conta com rodas de liga leve de 18 polegadas, com pneus 215/55, e na versão Highline, elas contam com o estilo "Katana".

As lanternas são refinadas e lembram o design de alguns carros da Audi, como o Q5. Elas também trazem a assinatura I.Q. Light e incorporam luzes de posição em formato de "Y". A iluminação da placa também é de LED. A tampa do porta-malas exibe o nome Taos na parte central inferior, logo abaixo do espaço destinado para a placa.

O interior possui formas modernas, mas decepciona um pouco nos materiais empregados. Não espere, por exemplo, um painel com superfícies emborrachadas: existe apenas uma estreita faixa de camurça com costuras aparentes que percorre a peça de ponta a ponta, que nem chega a ser macia ao tato. Mas o Taos encanta por outros fatores, como a quantidade de equipamentos de segurança e tecnologia disponíveis nesta versão completa, Highline. 

O volante de três raios, levemente achatado em sua base, incorpora o novo design que estreou no Nivus aqui no Brasil. Revestido de couro com costuras aparentes, ele conta com os controles de piloto automático adaptativo (ACC), limitador de velocidade, ajuste da distância do veículo à frente e controle de volume no raio esquerdo. Na parte direita estão os comandos para alterar faixa/estação de som, comandos de voz, operação do computador de bordo e alternância dos três modos de visualização do quadro de instrumentos. Vale destacar que o volante também incorpora paddle-shifts para trocas sequenciais de marcha (um item que não estava disponível nas versões 250 TSI, Comfortline e R-Line do Jetta) e ajuste de altura e profundidade.

O Taos conta nesta versão com iluminação no painel, painéis das portas frontais laterais e nos instrumentos cuja cor pode ser alterada através do sistema multimídia. Entre os tons disponíveis, estão: vermelho, amarelo, laranja, lima, ciano e azul.

O quadro de instrumentos é o já consagrado Active Info Display, com tela digital de 10,25 polegadas. As informações podem ser visualizadas em três layouts: conta-giros e velocímetro com layout analógico, layout simplificado que dá ênfase à informação selecionada no computador de bordo ou o layout com mais dados orbitando a informação selecionada (veja acima as três telas).

A tela dos instrumentos exibe variadas informações, como status do veículo (que exibe se o motorista pode começar a rodar ou se há algum alerta a se atentar), dados de condução (que incluem distância percorrida, tempo de viagem, velocidade média, autonomia, consumo instantâneo e consumo médio), assistências ao condutor ativas (ACC, limitador de velocidade, alerta de veículos em pontos cegos, assistente de saída de vaga e front assist - alerta de colisão frontal), bem como informações de som e telefone.

O sistema multimídia VW Play, com tela de 10,1 polegadas, está em posição de destaque no painel, na parte superior central. Ele incorpora botões de atalho sensíveis ao toque nas laterais da tela e possui layout exclusivo para o Taos. É possível ajustar pela central multimídia as informações que serão exibidas em conjunto com conta-giros e velocímetro no quadro de instrumentos. Também há um menu Offroad, que inclui ângulo em graus do esterço das rodas dianteiras, altitude do local em tempo real, temperatura do óleo e do líquido de arrefecimento do motor, além do nível de combustível.

Também é possível escolher o modo de condução do veículo pela tela do VW Play. São quatro os modos disponíveis: Eco, Sport, Normal e Individual. O modo Normal é o mais tradicional, que mantém a iluminação dos instrumentos em tom azul e todos os parâmetros de direção, motor/transmissão, funcionamento do ar-condicionado e atuação do controlador de velocidade e distância de cruzeiro (ACC) no modo padrão. No modo Eco, os instrumentos assumem um tom azul ligeiramente mais claro (a diferença é bem sutil). A direção continua no modo padrão, enquanto motor, transmissão e funcionamento do ar-condicionado e do ACC serão menos dinâmicos, com o objetivo de economizar combustível. Já o modo Sport a instrumentação passa a exibir a cor vermelha. A direção passa a ter menos assistência, as marchas normalmente são reduzidas e mantidas por mais tempo, e o ACC assume um modo mais dinâmico. 

Por fim, no modo Individual é possível escolher cada parâmetro a seu gosto, como, por exemplo, deixar a direção no modo Sport e a transmissão no modo Eco.

O VW Play conta com espelhamento de tela de iPhone sem fio através do Apple CarPlay, mas, assim como no Nivus e no T-Cross, é necessário um cabo para espelhar o celular através do Android Auto. Este sistema multimídia também possui acesso a redes Wi-Fi, o que permite instalar aplicativos na memória interna do aparelho, de 10 GigaBytes, através do VW Play Apps.

Outro destaque é o sistema de som com 8 alto-falantes. E pela tela também é possível visualizar os gráficos dos sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além das imagens da câmera de ré, com linhas de guia.

O ar-condicionado é automático, digital e de duas zonas, com ajuste entre 16º C e 29,5º C. Ele possui botões para sincronização de temperatura com o ajuste feito pelo motorista, modo de funcionamento no nível máximo (Max A/C) e também a funcionalidade de aquecimento dos bancos dianteiros, em três níveis, que esquentam o encosto e o assento na região lombar. Vale mencionar que todas as funções do ar-condicionado também podem ser ajustadas pela tela do sistema multimídia no Taos.

Logo abaixo dos comandos de ar-condicionado há um porta-objetos aberto com fundo emborrachado que incorpora o carregador de celular sem fio (com potência de 10 Watts) e também dispõe de duas entradas USB do tipo C e uma tomada de 12 Volts. 

Assim como no T-Cross, o câmbio possui manopla com visor iluminado embutido no pomo da própria alavanca. À esquerda estão o botão de partida do motor e o comando de acionamento do freio de estacionamento eletromecânico. Sem dúvidas, bem mais cômodo que o freio "de pé" do Corolla Cross, mas poderia vir acompanhado do Auto Hold, que vinha em outros carros da própria Volkswagen e está no Compass.

Também estão no console dois porta-copos com fundo emborrachado e um estreito porta-objetos. O apoio de braço é revestido de couro, pode correr para a frente ou permanecer em uma posição mais elevada (ajustada pelo condutor) e esconde um porta-objetos com fundo emborrachado.

O porta-luvas dispõe de iluminação em LED e refrigeração, mas não possui divisórias para guardar moedas ou cartões, como é comum em outros modelos da marca.

A chave do Taos é presencial e repete o estilo já conhecido em modelos como T-Cross e Jetta. Ela traz botões para travamento e destravamento das portas, além de comando para destravamento da tampa do porta-malas. Um pequeno botão libera a lâmina da chave, para caso seja preciso, por exemplo, abrir as portas manualmente em caso de bateria fraca da chave. Neste caso, é preciso remover a tampinha embutida na maçaneta dianteira para ter acesso à fechadura.

O teto possui forro macio em preto e duas luzes de leituras dianteiras de LED. Pelo console de teto também é possível ligar os focos de iluminação traseiros e acionar a persiana do teto e a abertura da parte frontal do teto solar, ambos elétricos. Quando o teto é aberto, automaticamente se arma um defletor de ar na parte frontal da abertura. O modelo também conta com espelho interno anti-ofuscante, pedaleiras metalizadas e para-sóis com espelhos, tampas corrediças e iluminação.

Na primeira fileira de bancos, o motorista conta com bancos com ajustes elétricos para encosto, distância e altura do assento, além de ajustes lombares. Já o banco do passageiro dispõe de ajuste de altura manual, coisa rara no segmento.

As portas dianteiras possuem o melhor acabamento do Taos, com insertos macios ao toque na parte superior e áreas mais vastas em couro e camurça. Do lado do motorista estão os botões de travamento das portas, ajuste dos retrovisores externos (com rebatimento elétrico, desembaçadores e com função tilt down do lado direito ao engatar a ré) e dos vidros elétricos (com função um-toque nas quatro portas, para cima e para baixo). Também há refletores na parte inferior destes forros. Já as portas traseiras trazem apenas uma pequena área em couro, na região onde os passageiros podem apoiar os cotovelos.

No banco traseiro, os ocupantes dispõem de bom espaço para cabeça e pernas. No final do console há duas saídas de ar-condicionado, um pequeno porta-objetos aberto e uma entrada USB do tipo C para carregamento de aparelhos. Infelizmente, o Taos não dispõe de nenhuma entrada USB do tipo convencional (A), padrão ainda muito comum nos dispositivos eletrônicos de hoje. Todos os ocupantes possuem cintos de três pontos e apoios de cabeça ajustáveis, e também há fixações ISOFIX e Top Tether para cadeirinhas infantis.

O apoio de braço traseiro possui uma tira para facilitar sua abertura e dispõe de porta-copos. A Volks quis inovar no porta-revistas (que só existe no verso do banco do passageiro dianteiro) e acabou fazendo uma peça mais rasa e elevada. O assento traseiro é inteiriço e o encosto é dividido na proporção 40/60 e rebatível. Curiosamente, é possível ter acesso ao porta-malas de dentro da cabine, ao baixar a parece do encosto de braço traseiro. 

O porta-malas possui 498 litros e pode ser ampliado com o rebatimento parcial ou total do encosto do banco traseiro. O habitáculo conta com iluminação no canto direito (onde também fica o triângulo de sinalização), tomada de 12 Volts do lado esquerdo e ganchos para fixação de cargas. 

Por baixo do forro do porta-malas está o estepe temporário, com pneu de perfil 125/70 e roda de ferro de 18 polegadas. A tampa, manual, possui um recuo do lado direito para apoiar a mão na hora de fechar o porta-malas.

O motor 1.4 "250 TSI" tem rendimento de 150 cavalos entre 5000 e 5250 rpm com gasolina ou etanol. O torque é de 25,5 kgfm, mas com etanol esta força permanece entre 1500 e 3800 rpm, enquanto com gasolina se estende até 4000 rpm. Com 4 cilindros, 1395 cm³ e taxa de compressão de 10:1, o propulsor está aliado ao câmbio automático Tiptronic de 6 marchas (AQ250-6F). 

Segundo a Volkswagen, o Taos acelera de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos e atinge a velocidade máxima de 194 km/h. Seu peso, em ordem de marcha, é de 1420 quilos - ou 169 quilos a menos do que o Jeep Compass S. A carga máxima que pode ser levada sobre o teto é de 50 quilos, enquanto a capacidade máxima de reboque é de 400 kg.

Assim como os outros Volkswagen com o motor 1.4 TSI, o Taos dispõe do sistema Start-Stop com reaproveitamento da energia dissipada nas frenagens. O sistema funciona de maneira suave e religa o motor assim que se tira o pé do freio. Se o motorista preferir, pode desativar o sistema através de um botão que fica no canto direito da tela do VW Play. Utilizando-se do sistema e em nosso test-drive de um turno de um dia, obtivemos os seguintes resultados. Vale mencionar que o tanque de combustível tem capacidade para 51 litros.

Consumo de combustível médio: 10,3 km/l
Distância percorrida (estimada): 53 km
Velocidade média (estimada): 20 km/h 

Em termos de segurança, o Taos Highline tem um bom pacote de série, que inclui frenagem automática de emergência urbana (atua a até 50 km/h) com detecção de pedestres, ACC (controlador adaptativo de velocidade e distância do veículo à frente com função Stop & Go, que é capaz de frear completamente o Taos caso o automóvel à frente esteja parado e fica imobilizado por até 3 segundos), seis airbags (dois frontais com possibilidade de desativação da bolsa de ar do passageiro, 2 laterais nos bancos dianteiros e dois de cortina), alertas sonoro e visual de não-utilização dos cintos dianteiros e traseiros, assistente para partida em subidas, alerta de tráfego cruzado traseiro com função de frenagem nas manobras em marcha-a-ré, monitoramento de veículos em pontos cegos (indica veículos em uma proximidade de até 20 metros no entorno lateral traseiro, acendendo luzes sobre os espelhos externos caso haja automóveis próximos), indicador de pressão dos pneus, freios a disco com 312 milímetros na dianteira e 272 milímetros na traseira, indicador de desgaste das pastilhas de freio, controles de estabilidade e tração, detector de fadiga do motorista e frenagem automática pós-colisão (em caso de acidente, o Taos freia sozinho para que o veículo não se envolva em outras colisões). Existe até a função de frenagem completa de emergência através do botão do freio de estacionamento, caso, por algum motivo, o pedal não operar ou não puder ser pressionado. Para fechar este pacote com chave de ouro, bem que a Volkswagen poderia disponibilizar o alerta de saída da faixa de rodagem ou, sonhando mais alto, o assistente de manutenção na pista.

O Taos conta com suspensão dianteira McPherson com barra estabilizadora e suspensão traseira multilink também com barra estabilizadora. A altura livre em relação ao solo é de 18,5 centímetros, estando portanto a meio caminho entre os 16,1 cm de vão-livre do Corolla Cross e abaixo dos 20,2 cm de distância do solo do Compass.

As medidas do Taos são as seguintes: comprimento de 4,46 metros, largura com retrovisores de 2,10 metros, largura sem retrovisores de 1,84 metro, altura de 1,63 m e distância entre-eixos de 2,68 metros.

A versão Highline do Taos tem preço de R$ 181.790 e conta com as três primeiras revisões gratuitas. Este exemplar avaliado conta com a cor Bege Mojawe (adicional de R$ 1.410) e o teto solar (R$ 5.520).

Impressões ao dirigir

O motorista, de cara, conta com uma posição de dirigir muito boa. Além da possibilidade de ajustar eletricamente seu banco e de regular a altura e profundidade do volante, também há o ajuste de altura do cinto de segurança. Um reflexo da posição de dirigir elevada é a ótima visibilidade, auxiliada pelos retrovisores externos muito bem bolados e pela boa visão através do espelho interno eletrocrômico. Ademais, os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, em somatória com a câmera de ré, ajudam a estacionar sem maiores temores. 

Uma curiosidade sobre a luz alaranjada que acende sobre os espelhos retrovisores quando algum veículo está na área dos pontos cegos: caso o motorista dê seta no momento em que esteja passando um veículo, a luz vai piscar, na tentativa de alertar o condutor a ainda não mudar de direção. Além disso, tecnicamente o freio de estacionamento se desarma automaticamente caso o motorista engate alguma posição do câmbio e comece a acelerar, mas será uma saída um tanto brusca. Portanto, o mais recomendável ainda é acionar manualmente o botão do freio eletromecânico.

A assistência da direção do Taos é excelente para este segmento. O esforço de manobra é bastante reduzido e a direção ganha a progressividade necessária em velocidades mais altas. O conjunto de suspensão também é bastante competente e absorve bem as irregularidades do piso, destacando-se principalmente por permitir um comportamento estável e previsível nas curvas. Mas, se você trafega por pisos muito acidentados, prepare-se para chacoalhar um pouco, pois as rodas de 18 polegadas e os pneus de perfil razoavelmente baixo acabam repassando os solavancos para a cabine.

O isolamento acústico da cabine é, de um modo geral, bom. O motor só se faz mais presente em acelerações mais vigorosas, assim como outros modelos deste segmento. Porém, neste exemplar, um rangido na parte interna do cinto de segurança já se fazia ouvir. As acelerações e retomadas são vigorosas - sem dúvidas, estão entre os pontos altos da dirigibilidade do Taos. Resta agora saber se a novidade vai acompanhar os patamares de vendas dos oponentes Corolla Cross e Compass...

Vem conferir a Galeria de Fotos do Volkswagen Taos Highline 250 TSI!











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