Renault Oroch Outsider TCe 2023: nova mecânica aprimora a dirigibilidade da picape


Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí 

Lançada no Brasil em setembro de 2015, a Renault Duster Oroch foi a primeira opção de picape em nosso mercado a meio-caminho entre o segmento compacto (composto por Fiat Strada e VW Saveiro) e as picapes construídas sobre chassi, de maior porte (como S10, Hilux, Frontier, Ranger...). Com quatro portas, espaço para passageiros amplo como o do Duster e caçamba volumosa, a Oroch tinha tudo para ser um produto popular em nosso mercado, mas acabou sendo esquecida pelos consumidores. A Renault agora corre atrás do tempo perdido e apresenta a Oroch 2023, reestilizada e com várias novidades em sua primeira reestilização nos seus sete anos de mercado.

Inicialmente, é importante que se diga que ela deixa de ser tratada pela montadora como "Duster Oroch". As mudanças na Oroch 2023 não chegam a ser tão profundas se comparadas à mudança de geração do Duster, efetuada em 2020, mas são suficientes para que a picape tenha condições de atuar em duas frentes de batalha. As versões PRO e Intense, ambas com motor 1.6 SCe aspirado de 120 cv com etanol e câmbio manual de 6 marchas, brigam com as versões Freedom e Volcano manuais da Fiat Strada. Já a opção topo-de-linha Outsider (com motor 1.3 TCe Turbo Flex de 170 cv com etanol e câmbio automático CVT com emulação de 8 marchas), que recebemos para este test-drive, tem condições de brigar com as versões Endurance e Freedom da Fiat Toro.


Na dianteira, os faróis da Oroch conservaram o formato anterior, mas passam a estar acompanhados de uma grade dianteira significativamente maior, com três barras (que, na versão Outsider, são cromadas). O para-choque dianteiro, exclusivo da picape, ficou mais volumoso e possui moldura que incorpora faróis de longo alcance (complementares aos fachos altos) na versão Outsider. A parte inferior do para-choque é preta e acomoda as entradas de ar e os faróis de neblina. O ângulo de ataque frontal avançou de 26,0 para 27,6 graus.


Lateralmente, a Oroch passa a ter molduras das caixas de roda com novo estilo, rack de teto redesenhado (e funcional, podendo suportar cargas de até 80 quilos), adesivos "Outsider" na parte inferior das portas, pintura em preto-brilhante nas capas dos retrovisores e maçanetas externas, além de rodas de liga leve de 16 polegadas com novo design, que trazem bordas diamantadas e detalhes escurecidos. Os pneus são Michelin LTX Force 215/65.


A traseira da Oroch traz poucas mudanças. As lanternas passam a ter molduras internas pretas e o nome da picape agora aparece adesivado em letras maiores na tampa da caçamba (antes, haviam letras cromadas em menor tamanho). O para-choque de trás, inalterado e com ângulo de saída de 22,4 graus, passa a ser preto-fosco em todas as versões. Na opção Outsider, há um santantônio redesenhado com o nome da picape e grade de proteção do vidro traseiro.


Além disso, finalmente a picape passa a ter a opção da câmera de ré, que fazia falta no modelo anterior. Ela fica coberta por um ressalto na parte central do logotipo da Renault da tampa traseira e está presente somente na versão topo-de-linha. A cor cinza Lune também é novidade para a picape.


Com os apetrechos aventureiros, a Oroch Outsider ficou 1,9 centímetro mais comprida em relação às outras versões (passou de 4,70 para 4,72 m de comprimento) e 1,3 cm mais larga (avançando para 1,83 m, desconsiderando os retrovisores. Altura (1,695 metro), distância entre-eixos (2,83 m) e dimensões internas e da caçamba continuam idênticas às da Oroch anterior.


No interior, as mudanças executadas na Oroch foram mais significativas. O painel incorpora formas mais retas e traz um friso em Laranja Coraill em sua parte superior. O volante é parecido com o utilizado atualmente por Duster e Captur, com botões iluminados para operação do controlador/limitador de velocidade de cruzeiro: os botões + e - aumentam e diminuem a velocidade, enquanto o "Res" é de "resume" (volta a ativar o sistema) e o "O" cancela a operação. Mas é possível notar que só a picape possui um botão embutido na parte esquerda do painel para alternar entre o piloto automático e a limitação de velocidade, funções que, nos SUVs, estão disponíveis no volante. Ademais, na Oroch as informações do computador de bordo são alternadas por um único botão na ponta da haste dos limpadores, enquanto nos demais modelos há botões no volante para cima e para baixo, que permitem ao motorista usar menos vezes os dedos para retomar certas informações. Exemplo: se a tela estiver exibindo o hodômetro total/parcial e o motorista quiser ver o gasto de combustível em litros, é preciso apertar oito vezes o botão único da Oroch.


Fixadas à direita da coluna de direção, que regula em altura (mas despenca caso seja solto), estão os comandos-satélite do sistema de som e telefone, além do botão para comandos de voz. 


Na haste de luzes, a extremidade gira para alternar entre luzes desligadas, luzes de posição ligadas, faróis baixos/altos ligados e acendimento automático dos faróis. Outro comando giratório permite acender os faróis de neblina e de longo alcance. Com um leve toque, sem acionar a alavanca até o clique, a seta pisca 3 vezes. Ainda em se tratando de iluminação, a picape possui a função Follow Me Home, que mantém os faróis acesos após desligar a ignição por períodos configuráveis de 30 s a 120 segundos.


Já a haste de limpadores incorpora a posição "Auto" para funcionamento do sensor de chuva e também dispõe do ajuste de intermitência da varredura das palhetas dianteiras.


O quadro de instrumentos da picape passa a ser semelhante ao do Captur. Conta-giros e nível de combustível (que possui uma graduação amarela entre 1/4 e 3/4 do tanque na picape) são exibidos em marcadores analógicos e ficam contrapostos. Ao centro ficam duas telas: uma para o velocímetro digital (com indicação da posição de câmbio engatada, ícone para pisar no freio a fim de mudar de marcha e indicador de marcha engatada no modo sequencial, com sugestões para avançar marchas), e outra para as informações do computador de bordo, com as seguintes informações, nesta ordem: quilometragem total e parcial, mensagens na memória, temperatura do líquido de arrefecimento do motor, velocidade média, distância percorrida, autonomia estimada, consumo instantâneo, consumo médio (em km/l) e consumo de combustível em litros. Em relação ao SUV, ficou faltando o monitoramento de pressão dos pneus. Abaixo do velocímetro há uma luz que varia de cor conforme a condução é mais ou menos econômica: ela fica verde sob condução tranquila ou amarela quando se acelera mais.


O sistema multimídia, com tela touchscreen de 8 polegadas parcialmente desmembrada do painel, é um dos principais chamarizes da nova picape. É possível fazer o espelhamento de conteúdo do celular sem fio através do Android Auto e Apple CarPlay. Com teclas de atalho sensíveis ao toque no canto esquerdo, o aparelho também inclui rádio AM/FM, Bluetooth e uma entrada USB, que fica posicionada no painel, logo abaixo dos comandos de ar-condicionado. Pela proposta da picape, bem que ela merecia no mínimo mais uma entrada no console que pudesse ser utilizada pelos ocupantes traseiros. 


Com layout que lembra o do Captur, o sistema multimídia possui seis ícones no menu principal: Rádio, Mídia, Telefone, Veículo, Configurações e Smartphone Integration. Na parte superior da tela ficam informações como o relógio e a temperatura externa, além do botão que alterna entre o tema claro e o escuro.
  • No menu de rádio, há quatro outras telas. Na "principal" é possível ver a rádio sintonizada e alternar para outras estações. Em "lista", se tem acesso às rádios que podem ser sintonizadas na região. Em "predefs.", são acessadas as estações salvas, e em "opções", pode-se ativar ou desativar a função RDS (de exibição de informações de texto das rádios), a reprodução de rádio AM, etc.
  • Em Mídia, é possível ver as músicas dos aparelhos conectados, como dispositivos USB e Bluetooth.
  • O menu Veículo inclui outros dois menus: Ajustes do Veículo e Driving Eco. Em "Ajustes", há o menu "Acesso" (onde é possível habilitar ou desabilitar o travamento das portas em velocidade, a partir de 7 km/h, e ligar ou desligar o som de "boas-vindas internas") e "Assistente de estacionamento" (onde é possível ligar ou desligar a imagem da câmera de ré).
  • Já o menu Driving Eco incorpora o relatório de viagem (com distância percorrida, tempo de viagem, consumo médio, velocidade média e distância sem consumo de combustível), o Eco Scoring (dá notas para o estilo de aceleração e desaceleração feitas pelo motorista, que pode ser de até 100) e o Eco Coaching, com mensagens para lembrar o condutor sobre hábitos que ajudam a reduzir o consumo de combustível.
  • Em Configurações, há ajustes do Áudio (aumento do volume conforme a velocidade do veículo, ativação da função Loudness de melhoria da qualidade do áudio, ajuste do balanço/fader e dos volumes), de Tela (é possível ajustar o brilho dela em 3 níveis e alternar entre os layouts dia e noite a depender do relógio ou predefinir que só apareça o modo diurno ou noturno), de Dispositivos (com gerenciador dos aparelhos conectados, opções do Bluetooth e da conexão com redes Wi-Fi) e do Sistema (permite escolher o idioma, alterar o relógio e suas unidades, retornar às configurações de fábrica e verificar a versão do sistema).

Como é de praxe entre os carros da Renault, pelo sistema multimídia também é possível acessar as funções Eco Coaching e Eco Scoring. A primeira funcionalidade exibe mensagens que dão dicas ao motorista sobre como economizar combustível, enquanto o Scoring analisa o modo de condução do motorista, monitorando as acelerações, as desacelerações e o uso do freio, para dar, ao final de cada trajeto, uma nota que indica se a condução foi mais ou menos econômica. O relatório de viagem mostra informações mais detalhadas sobre o percurso. O sistema multimídia incorpora ainda um sistema de som com 4 alto-falantes. A qualidade de reprodução de áudio é razoável.


A imagem da câmera de ré conta com linhas de guia fixas e é possível ativar ou desativar a visão traseira.


Abaixo das saídas de ar centrais há uma fileira de botões. Da esquerda para a direita, as funcionalidades são as seguintes: on/off do Start&Stop (que desliga automaticamente o motor em paradas, religando o propulsor assim que se libera o pedal do freio, para economizar até 5% de combustível no uso urbano, conforme cálculos da Renault), acionamento do modo ECO (que torna o pedal do acelerador menos responsivo e reduz a potência de funcionamento do ar-condicionado para poupar combustível), pisca-alerta, travamento centralizado das portas, on/off dos bipes dos sensores de estacionamento traseiros e on/off do controle eletrônico de tração (em cada partida do motor, ou em velocidades acima de 50 km/h, o controle de tração volta a entrar em ação). 


A Oroch traz um novo porta-objetos aberto logo abaixo da fileira de botões, com fundo em plástico rígido. Ele acomodou bem um celular como o Samsung S20 FE, mas este espaço teria que ser mais largo para permitir a acomodação do celular junto com um cabo USB, por exemplo.


Também passa a estar presente na picape o ar-condicionado automático digital, com comandos semelhantes aos do Duster, porém não exatamente os mesmos. Os botões dos desembaçadores, recirculação de ar e funcionamento do compressor de ar, que no SUV são acionados por teclas mais salientes e apertáveis para baixo, ficam embutidos no painel da picape. A Oroch manteve os outros três botões com visores incorporados a eles. No canto esquerdo, se ajusta a ventilação em 8 velocidades, enquanto ao centro é possível fazer o ajuste de temperatura de meio em meio grau (entre 17,5°C e 26,5° C) ou o acionamento do modo automático ao apertar a lente, e, no botão direito, regula-se o direcionamento do vento.


O console central da Oroch é exatamente o mesmo da versão anterior. Em seu início, ele possui um pequeno porta-objeto aberto (no lugar onde ficaria alojado o seletor da tração 4WD) e há três teclas sem função. Logo abaixo é possível encontrar os dois porta-copos (rasos e com parafusos aparentes), acompanhados de uma tomada de 12 Volts (caso o carregador de celular por indução seja instalado em uma concessionária, a sua superfície inutiliza estes porta-copos). E, atrás da alavanca de freio de mão, há mais um porta-copo e uma segunda tomada de 12 Volts.


O porta-luvas mantém a iluminação, o leitor de OBD2 ao fundo e o nicho na tampa que é útil para guardar objetos pequenos.


A Oroch mantém a chave com haste metálica dobrável e dois botões para o travamento e destravamento das portas. Ao travar a picape, o alarme perimétrico fica ativo (segundos após uma porta ser aberta, ele aciona a buzina de forma intermitente). Mas a picape não levanta os vidros quando é travada nem abre as janelas das portas ao apertar e segurar o botão de destravamento.


Os painéis de porta foram redesenhados, e neles se nota a forte inspiração visual dos forros do atual Duster. No apoio do motorista ficam concentrados os botões dos vidros elétricos e do bloqueio das janelas traseiras (diferentemente do Captur, não há indicação textual no quadro de instrumentos que os vidros traseiros foram bloqueados). Já os comandos dos retrovisores elétricos estão no canto esquerdo do painel, próximos do botão que alterna entre o controlador e o limitador de velocidade.


Os bancos da Oroch se mantiveram os mesmos da versão anterior: houve atualização somente do estilo dos revestimentos, para uma maior uniformidade visual na cabine. O banco do motorista segue com a regulagem de altura manual e também dispõe de um apoio de braço retrátil (que, curiosamente, também está na versão Intense manual). Ele apoia bem o braço até antes da região do pulso, mas, quando está retraído para baixo, o apoio atrapalha o acesso ao fecho do cinto do motorista.


O banco traseiro permanece idêntico, e incorpora fixações Isofix e Top Tether para a instalação de cadeirinhas infantis. Quem senta atrás dispõe de dois porta-revistas e puxadores de porta mais anatômicos em relação à versão anterior, embora não haja porta-objetos nos forros de porta traseiros. 


O acabamento da Oroch conserva o painel inteiramente de plástico rígido, mas passa a trazer uma área maior revestida de couro sintético nos forros de porta dianteiros (nos puxadores e na área vertical logo acima). As portas traseiras trazem o couro cobrindo uma área menor (somente os puxadores), mas é preciso lembrar que, na Fiat Toro, todas as versões trazem os forros de porta traseiros em plástico duro e, na Strada, até os forros dianteiros carecem de revestimento macio. Voltando à picape da Renault, o forro de teto é preto (assim como outros elementos, como para-sóis e revestimento do retrovisor interno) e os bancos são revestidos de couro sintético com costuras e bordas em laranja Coraill, trazendo partes perfuradas.


Há alças fixas de teto para os passageiros e dois pontos de iluminação no teto: um entre os para-sóis (com focos de luzes separados para motorista e carona dianteiro) e outro na parte central-traseira. Acima do espelho interno, passa a haver um indicador que denuncia se algum dos ocupantes dianteiros não estiver usando o cinto de segurança. Nos para-sóis há espelhos, mas só na peça do motorista também há tampa para o espelhinho e uma tira que pode apoiar algum documento.


Na cabine, os botões iluminados são os do volante, o do controlador/limitador de velocidade de cruzeiro, os botões dos vidros elétricos em todas as portas, os botões do ar-condicionado e da parte central do painel, bem como a moldura da entrada USB.


A caçamba da Oroch continua a mesma. Todas as versões trazem o protetor de caçamba (inclusive com quatro porta-copos "esculpidos" na tampa, capaz de aguentar 80 quilos sobre ela) e oito ganchos para fixar cargas - cada um suporta até 50 quilos. A versão Outsider conta com capota marítima de série, mas a porta traseira segue sem amortecimento e é pesada de abrir, demandando o uso das duas mãos. As versões Intense e Outsider possuem carga útil de 650 kg, ampliada para 690 kg na versão básica PRO.


O compartimento de carga da picape da Renault comporta 683 litros e traz 1,29 metro de comprimento por 1,14 m de largura entre as caixas de roda e 53,9 cm de altura. O estepe, que também utiliza um pneu 215/65, fica sob a caçamba e as ferramentas para a troca do pneu estão debaixo do banco do passageiro dianteiro (o triângulo de sinalização está fixado ao carpete logo abaixo do assento traseiro). Ao se retirar um acabamento plástico da caçamba, é possível ter acesso a um parafuso que, ao ser girado com uma ferramenta, baixa o suporte do pneu sobressalente.


A portinhola do tanque de combustível é aberta por uma alavanca que fica no piso do motorista, à esquerda. Para atender às novas exigências de emissões de poluentes e evaporação de combustível, o tanque teve que diminuir de 50 para 45 litros em todas as versões.


Em termos de segurança, a Oroch 2023 recebe, em todas as versões, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em ladeiras (que mantém o veículo freado por até 2 segundos em inclinações, possibilitando ao motorista tirar o pé do freio e acelerar sem que a picape se desloque para trás) e sistema anti-capotamento (que detecta uma condição de inclinação excessiva da carroceria e atua em conjunto com os controles de tração e estabilidade para evitar o tombamento), itens que se complementam aos já existentes cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura e pré-tensionadores, pontos de fixação para cadeirinhas infantis no banco traseiro e freios ABS com discos ventilados no eixo dianteiro, tambores na traseira, assistente de frenagem de emergência (AFU) e distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD). Porém, a picape só alerta sobre o não-uso do cinto de segurança para os ocupantes dianteiros (hoje até o Kwid é capaz de detectar que algum ocupante na traseira não afivelou o cinto) e traz somente os airbags frontais, assim como o Duster (só para lembrar, carros de valor bem inferior, como Kwid, Onix e HB20, trazem 4 ou 6 bolsas infláveis de proteção em todas as versões de série).


O motor 1.3 TCe Turbo Flex da versão Outsider representa um grande salto em comparação com o 1.6 SCe que equipa as demais versões da Oroch. Entre as inovações deste motor estão: injeção direta de combustível com 250 bar de pressão, turbocompressor com válvula wastegate eletrônica, cabeçote em formato delta, sonda lambda proporcional, bronzinas polímero-metálicas, tratamento de componentes móveis do motor em Diamond-Light Carbon, cilindros com Bore Spray Coating e duplo eixo do comando de válvulas no cabeçote com temporização variável das válvulas de admissão e escape. O rendimento do novo propulsor é o mesmo do atual Captur: 162 cavalos com gasolina a 5500 rpm e 170 cv com etanol (na mesma rotação). Já o torque é idêntico com ambos os combustíveis: são entregues 27,5 kgfm entre 1600 e 3750 rpm. O capô manteve os cuidados que chegam a ser raros no segmento, como o amortecedor de sustentação e a manta de isolamento acústico.


Assim como boa parte dos automóveis de passeio atuais da Renault, a Oroch TCe vem com o Start & Stop, sistema de desligamento e repartida do motor em paradas para economia de combustível que entra em ação em cada partida do veículo. O sistema entra em ação quando o veículo fica parado por mais de 1 segundo com o câmbio em D, M ou N e o motorista está com o pé no freio com força suficiente. Ao liberar o pedal, o motor é reiniciado. Curiosamente, é possível religar o motor apertando o botão do Start & Stop no painel. O sistema não entra em funcionamento em determinadas situações: como quando a marcha ré está engatada, o capô não está fechado, a temperatura externa está muito baixa ou muito alta, a bateria não tem carga suficiente, a diferença de temperatura interna do veículo com a programada no ar-condicionado é elevada demais, a altitude é muito elevada, a inclinação do piso é superior a cerca de 12%, a função de desembaçamento rápido está ativa ou o motor não atingiu sua temperatura ideal de funcionamento. O Start&Stop também está presente nas versões 1.6, que atendem às normativas do Proconve L7 e passam a ter uma marcha a mais na transmissão.


Apesar das novidades mecânicas, todas as versões da Oroch permanecem com tração dianteira. Em países como a Argentina e a Colômbia, a picape é vendida com tração integral (selecionável por comando giratório no console), mas, no Brasil, a Renault vislumbra que uma Oroch 4x4 atenderia a um público pequeno demais, já que, nos outros mercados, seu câmbio é manual de 6 marchas. Ano passado, a marca declarou que apenas 5% das vendas da geração anterior do Duster eram preenchidas pela versão 4WD.


Somente na versão Outsider, o câmbio é o automático continuamente variável X-Tronic CVT, com simulação de 8 marchas e modo sequencial, selecionável pela posição M à esquerda da posição D. Talvez por receio de canibalização de mercado com as versões 1.6 CVT do Duster, a Renault preferiu lançar a Oroch 2023 sem versões 1.6 automáticas, inviabilizando o confronto direto com as versões 1.3 CVT da Strada.


A direção manteve a assistência eletro-hidráulica, e, portanto, ainda demanda um reservatório de fluido hidráulico. Outro cuidado necessário é o de não girar o volante totalmente para quaisquer dos lados até o fim de curso, por conta do risco de deterioração da bomba de assistência de direção. 


O conjunto de suspensão é independente nas quatro rodas: na frente, está o esquema McPherson, com barra estabilizadora e amortecedores hidráulicos telescópicos, enquanto atrás há braços multilink, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos. A altura em relação ao solo é de 21,2 centímetros.


A Oroch dispõe de garantia de 3 anos ou 100 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro, além de cobertura anticorrosão da carroceria de 6 anos. Confira agora os preços das versões da Oroch 2023:

Pro 1.6 SCe Flex - R$ 111.300
Intense 1.6 SCe Flex - R$ 117.100
Outsider 1.3 Turbo Flex - R$ 142.900

Impressões ao dirigir


Quando recebi a Oroch desta matéria, por algum motivo o banco do motorista estava na posição mais alta possível. Curiosamente, à medida em que se baixa o assento, ele também se distancia do volante. Mesmo na posição mais baixa possível, ainda se tem uma visão "por cima" de boa parte dos automóveis sem vocação aventureira, porém é nítido como se trata de uma posição mais baixa do que na Fiat Toro.


O volante agrada ao tato pelo seu revestimento e formato. Nas manobras em baixa velocidade, sente-se o peso da direção eletro-hidráulica, que exige um pouco mais de força do que as direções elétricas mais tradicionais. Mas, em velocidade mais alta, a calibração é muito previsível e ajuda a manter um bom controle em curvas. 


O conjunto de suspensão agrada bastante na Oroch. A picape absorve com suavidade as irregularidades do piso. A adoção das rodas de 16 polegadas também ajuda a filtrar melhor as ondulações. O mesmo conjunto também é responsável por dar estabilidade nas curvas em um nível até surpreendente para uma picape. 


Outro ponto interessante da Oroch é o baixo nível de ruído e vibrações, mesmo sendo um motor Turbo. Em velocidades de cruzeiro, o motor gira a cerca de 1500 rpm. Na estrada, a capota marítima balança um pouco mas evita turbulência excessiva na região traseira. Entretanto, em alguns momentos era possível perceber rangidos do lado direito do painel na unidade avaliada.


A posição de dirigir é, no geral, boa. Com o ajuste de altura do cinto de segurança dianteiro, a ergonômica alavanca para ajuste em altura para o banco do motorista e a regulagem de altura do volante, é possível encontrar um bom posicionamento. A surpresa negativa está no fato da coluna de direção despencar quando a trava é liberada.


Em termos de visibilidade, a Oroch paradoxalmente possui espelhos compactos, mas que proporcionam bom campo de visão. O dimensionamento do espelho interno também é bom, mas, caso o encosto de cabeça central esteja levantado, a visão do trânsito fica comprometida. Os esguichos funcionaram bem, mas um dos limpadores apresentava um rangido sutil. Notamos que os para-sois ou ficam rentes ao para-brisa ou ficam verticais diante do motorista.


Com freios a disco ventilados no eixo dianteiro e tambor atrás, a Oroch parou bem em todas as situações, sem exigir muito esforço no pedal do freio. O motorista também conta com um bom apoio para o pé esquerdo, mas ele é coberto com o mesmo carpete do assoalho, que acumula mais sujeira.


Em termos de desempenho, a Oroch Outsider conseguiu resultados bem satisfatórios, mesmo registrando apenas 150 quilômetros rodados no momento das provas e pesando 79 quilos a mais que o Duster Iconic TCe, totalizando 1432 kg em ordem de marcha. Confira abaixo os resultados dos nossos testes, realizados em ambiente seguro e sem tráfego, com controles eletrônicos ativos, gasolina no tanque, ar-condicionado desligado, câmbio em Drive e cronometragem automática pelo app GPS Acceleration:

Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,3 segundos
Aceleração de 0 a 200 metros: 11,2 segundos
Retomada de 40 a 80 km/h: 5,8 segundos
Retomada de 60 a 100 km/h: 6,8 segundos
Retomada de 80 a 120 km/h: 7,5 segundos

Condições do teste
Temperatura externa: 32° C
Altitude (estimada): 60 metros
Nível de combustível do veículo (estimado): 3/4 tanque
Pressão dos pneus: não disponível 


Seria injusto, porém, atribuir os méritos deste bom desempenho tão somente ao motor. É importante falar da atuação do câmbio automático CVT: a transmissão entende muito bem o que o motorista quer, somente pela pressão exercida no pedal do acelerador. Se o motorista afunda mais o pé, os giros sobem da faixa estável dos 1500 rpm para um patamar de 4000 a até 5000 rpm, privilegiando a entrega de potência. Em situações de condução parcimoniosa, a transmissão estabelece relações altas de marcha em velocidades relativamente baixas, em comparação com os câmbios automáticos com conversor de torque. São executados discretos trancos para passar ao motorista a impressão da mudança de marcha.


Nós monitoramos as velocidades em que surgia o ícone de mudança de marcha no quadro de instrumentos sob condução tranquila e com o câmbio no modo sequencial. Vale dizer que as velocidades abaixo indicadas podem sofrer variações a depender da inclinação do terreno e da pressão sobre o pedal do acelerador:

De 1ª para 2ª marcha: 16 km/h
De 2ª para 3ª marcha: 24 km/h
De 3ª para 4ª marcha: 30 km/h
De 4ª para 5ª marcha: 39 km/h
De 5ª para 6ª marcha: 47 km/h
De 6ª para 7ª marcha: 59 km/h
De 7ª para 8ª marcha: 87 km/h


No modo sequencial de operação do câmbio, a transmissão permite manter as marchas escolhidas pelo motorista em rotações mais altas do motor, mas faz as reduções de marcha automaticamente. É possível desligar a picape com o câmbio fora da posição Parking.


Já o consumo de combustível esteve em um patamar aceitável - considerando que se trata de um exemplar ainda não devidamente amaciado. Conforme dados do Inmetro, o consumo urbano com gasolina é de 10,5 km/l. Veja nossos resultados rodando com ar ligado na maior parte do tempo, gasolina no tanque, modo Eco acionado poucas vezes e percurso majoritariamente urbano:

Consumo de combustível: 9,7 km/l
Distância percorrida: 152,4 km
Velocidade média (estimada): 28,7 km/h
Distância sem consumo: 23,0 km
Litros de combustível gastos: 15,7 L


Durante nossa avaliação, em nenhum momento o sistema Start-Stop esteve ativo. Fosse com ar-condicionado ligado ou desligado, com o acionamento do botão no painel ou não, toda vez que havia uma parada, o ícone do Start-Stop inativo (cortado por uma barra) aparecia no quadro de instrumentos. Não sabemos explicar o motivo para isto ter ocorrido, pois em outros exemplares de modelos da Renault experimentados pelo Auto REALIDADE, e com quilometragem igualmente baixa, o sistema operou normalmente.


A operação do controlador e limitador de velocidade ocorreu de forma adequada. Os comandos parecem ser complicados em um primeiro momento, mas mexer neles é mais fácil do que parece: basta prática. Primeiro, você escolhe entre apertar o botão do canto esquerdo do painel para cima (aciona o limitador de velocidade, que acende uma luz-espia laranja) ou para baixo (entra em ação o cruise-control, indicado por uma luz-espia verde). Em seguida, basta apertar as teclas + e - do volante para ajustar a velocidade, que aumenta de 2 em 2 km/h.

Para concluir...


Por muito tempo, a picape da Renault ficou escanteada pela própria marca, que a deixou por sete anos a fio sem alterações. Esta reestilização resgata as atenções do público picapeiro para a Oroch, que representa uma alternativa interessante entre as consagradas Strada e Toro. É verdade que as alterações na carroceria da picape não chegam a ser profundas, mas o interior renovado, os equipamentos introduzidos e as novidades mecânicas são argumentos convincentes de compra. E o segmento ainda terá mais novidades: no início de 2023, a Chevrolet apresenta a nova geração da Montana, com cabine dupla e cinco lugares. 

Confira a Galeria de Fotos da Renault Oroch Outsider TCe 2023!
















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