Avaliação - Sem embargo, o Fiat Argo GSR: filho exemplar da nova fase da FCA


Fotos, vídeo e texto - Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaborou nesta avaliação - Francisco Santos
Agradecimento - Assessoria de Imprensa Fiat-Chrysler

De acordo com a própria Fiat, desde 1996 - com o lançamento do Palio - não havia uma novidade da marca tão representativa no mercado brasileiro. A fusão da montadora italiana com a Chrysler, que gerou o grupo FCA, resultou no início de uma transformação da Fiat em seu modo de fazer carros no Brasil. Primeiro chegou o Toro, picape que chegou a causar inveja a consumidores de outros mercados por ser um utilitário de linhas arrojadas e ampla versatilidade. Depois veio o Mobi, subcompacto que assume tanto o papel de carro de frota, na versão Easy, quanto a de citadino econômico, no modelo Drive GSR. Já o Argo é o modelo que ocupa o degrau acima de Uno e Palio, num segmento que vem ganhando destaque: o de hatchbacks "compactos premium", que trazem algumas características de segmentos superiores. O Argo, portanto, vem brigar com as versões mais completas de Onix, HB20, Fiesta, Sandero, March, Etios, C3, 208, Fox... é carro que não acaba mais.



Você pode estar se perguntando: "este Argo fica no lugar de que hatch da Fiat?". A nova gama toma o espaço deixado pelas versões Attractive 1.4 e Essence/Sporting 1.6 do Palio, e de toda a linha Punto - vale deixar escrito que o Argo não é sucessor direto do Bravo, e sim o Tipo europeu. Para ser mais específico, esta versão 1.3 Drive GSR busca o público cativo do Palio Essence 1.6 Dualogic.


Talvez pelo Palio ter passado mais de 5 anos no mercado sem um face-lift sequer, o Argo tenha estilo tão diferenciado na linhagem da Fiat. A frente valoriza o aspecto tridimensional, trazendo faróis recortados (com pontas que se estendem para os para-lamas dianteiros, como o Mobi) que se unem com a grade em posição mais baixa. Os faróis de neblina, circulares, ficam nas pontas da grade do para-choque, que também abriga duas molduras que emulam aberturas de ar para as rodas, puramente estéticas. Destaque também para o para-brisa com borda superior curva na parte central e para o teto com vincos que formam continuidade com o capô.


De lado, apenas as janelas dianteiras com quinas arredondadas lembram o antecessor Palio; os novos retrovisores são graúdos, com luzes de seta incorporadas, e as maçanetas robustas são como as do Toro, pintadas de preto fosco atrás para evitar arranhões de unhas. Curta, a antena fica em posição praticamente vertical. No para-lama dianteiro, um emblema em formato de lança traz o nome da versão. As portas trazem parte inferior robusta a fim de minimizar consequências de impactos laterais.


A traseira do Argo é, a nosso ver, o ponto mais bonito do modelo. O aerofólio traseiro forma uma continuidade com o vidro, que é pequeno e largo. As lanternas são arredondadas nas pontas e se prolongam para a tampa do porta-malas. A logotipia é até discreta, com o nome do carro no canto esquerdo e as letras "FIAT" à moda de Toro e Mobi ao centro - não há poluição visual de miolo de chave ou nome de versão e motorização. Para fechar, o para-choque traseiro traz refletores estilosos e abriga os sensores de ré e câmera traseira, trazendo sua parte inferior na cor preta.



As rodas de liga leve de 15 polegadas, calçadas com pneus 185/60, são um dos três elementos externos que distinguem a versão Drive 1.3 da 1.0. Elas estão no pacote Stile, que inclui também os faróis de neblina. Para arrematar, a parte central do para-choque dianteiro recebe um filete prateado.


O grande destaque do Argo é o interior, que traz ineditismos no estilo, em equipamentos e até no cheiro. O volante possui as mesmas teclas de computador de bordo, som e controlador de velocidade presentes no Fiat Toro, mas a peça em si tem estilo exclusivo, com ótima empunhadura, ajuste em altura, base achatada e até uma marcação central que lembra carros de corrida.


O velocímetro está no canto esquerdo, acompanhado do marcador de temperatura do motor, enquanto o conta-giros à direita é ladeado pelo marcador de combustível no tanque. Ao centro fica a tela do computador de bordo, de 3,5 polegadas e alto contraste. As funções são bem similares aos de outros Fiat:

  1. Velocímetro digital, com alerta de velocidade excedida;
  2. Trip A e Trip B: autonomia, consumo instantâneo, distância e tempo percorrido;
  3. Horímetro do motor, amperagem da bateria, temperatura do óleo do motor, quilometragem restante para revisão e pressão dos pneus, de série a partir do modelo 1.3;
  4. Informações de som (rádio selecionada, fonte de som, artista e música).
    Há ainda configurações, como a seleção de informações a exibir no canto superior da tela, desativação do airbag do passageiro, intensidade de iluminação e volume dos avisos.

De fácil leitura, cabe destacar que a parte central da cúpula do quadro de instrumentos é vazada ao centro. Há indicação de abertura de todas as portas, inclusive do porta-malas e do capô.


O maior destaque do painel é mesmo a central multimídia Uconnect 3, item de série para todas as versões, exceto para a Drive 1.0 (R$ 1990). Com tela fixada pela base no painel, ela sana um inconveniente relatado em modelos como o Toro, com tela de fábrica de 5 polegadas. Esta tela touchscreen possui 7 polegadas e nitidez da tela notavelmente melhor, além de boa qualidade de som, com 4 alto-falantes e dois tweeters. O principal diferencial deste sistema multimídia é espelhar as funções de smartphones compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay, via cabo USB.



Com o Android Auto instalado no celular, é possível acessar os mapas do Google Maps (atenuando um pouco o fato do Argo não trazer GPS), além de ouvir músicas no Google Play Music ou no Spotify (com exibição de capas dos álbuns) e também de acompanhar mensagens no WhatsApp (por motivos de segurança, ao selecionar o pop-up do aplicativo, é feita a leitura por voz das mensagens mais recentes, com uma narradora). Mesmo com uma interface nova, é fácil de acostumar às funções. Além de evitar distrações, o espelhamento é muito útil para utilizar celular com tela trincada, por exemplo.


A central Uconnect também dispõe de rádio, Bluetooth para chamadas telefônicas e streaming de áudio, comandos de voz (que foram bem entendidos), duas entradas USB (uma à frente dos botões acionadores de câmbio e outra atrás do freio de mão, ambas capazes de carregar baterias) e uma entrada auxiliar. Outros recursos presentes são: a câmera de ré com linhas de guia que variam conforme a curvatura do volante, a bússola e as configurações de som (ex.: distribuição espacial e intensidade de agudos, graves e médios) e do veículo (configurações do sensor de estacionamento e câmera de ré, fechamento das portas e acendimento dos faróis).



Abaixo das três saídas de ar circulares está a fileira de botões, acionáveis por toques para baixo, que causam ótima impressão. O primeiro comando à esquerda, pelo menos por enquanto, não tem função. Já o segundo ativa ou desativa o controle de tração (ASR), e o terceiro habilita (ou não) o Start-stop. Ao meio fica o acionamento do pisca-alerta. Imediatamente à sua direita está o botão de travamento das portas (que acende uma luz vermelha caso as portas estejam destravadas). À direita fica acesa a luz amarela indicando a desativação do airbag do passageiro, caso tenha sido feita, e por fim há o botão de desembaçador traseiro.


A chave principal é do tipo canivete, semelhante à do Toro, com 4 botões: para travamento e destravamento das portas (ao segurar o botão de abertura, as janelas abrem, e ao travar as portas, elas fecham), além do destravamento apenas da tampa do porta-malas (ao apertar 2 vezes), e ainda o botão que aciona os piscas e as luzes internas por até 3 minutos, para facilitar o encontro com o carro em um estacionamento ou em ambientes escuros. A chave reserva é simples, como a do Palio Fire, por exemplo.


Os comandos de ar-condicionado tem roupagem nova, mas as funções são similares a outros Fiat: regulagem da temperatura à esquerda, comandos da vedação/admissão do ar externo e da velocidade do ar concêntricos e, à direita, o direcionamento do ar. O mais importante é que a eficiência do ar-condicionado, com grandes saídas para os ocupantes, propiciou grande conforto térmico no calor de Teresina, de até 39° C.


Em termos de acabamento, o Argo agrada, mesmo não investindo forte em materiais que acabariam por encarecê-lo. Painel e portas adotam diferentes texturas de plásticos rígidos, mesclando por exemplo texturas losangulares com áreas lisas e a faixa prata acetinada no centro do painel. Apenas as portas da frente são revestidas em tecido, e ainda assim a área é restrita ao entorno dos apoios para os braços, mas infelizmente o Argo não está sozinho: os líderes Onix e HB20 também negligenciam a continuidade de acabamento nas portas traseiras. Já os bancos são revestidos em um tecido preto consistente, com estampas bonitas que, além de inspirarem conectividade, ficam algo roxas quando a luz do Sol nelas incide.


Um detalhe no mínimo curioso do Argo é que um console bem detalhado foi adicionado à esquerda do painel para abrigar somente o botão dos faróis de neblina (no Drive 1.0 há um porta-trecos aberto nesta região). Já o porta-luvas traz boa área e iluminação. Todas as versões automáticas (ou neste caso automatizada) vêm com o apoio de braço para o motorista, revestido em tecido. Outro diferencial destas versões é o controlador automático de velocidade, com acionamento fácil pelos botões no raio direito no volante - nos carros manuais, o conjunto de botões sem função causa certa estranheza.


Os para-sois trazem espelhos (o do motorista com tampa corrediça, evitando reflexos) e os porta-objetos do console central trazem fundo emborrachado, minimizando barulhos e desgastes. Os vidros elétricos trazem acionamento por um toque e recurso anti-esmagamento, ao passo que os retrovisores possuem ajustes elétricos, função Tilt Down ao engatar a ré e luzes de seta. O motorista regula a altura de seu banco por uma alavanca à sua direita. O teto traz dois pontos de iluminação dianteiros. Próximo ao freio de mão, no canto direito, há uma tomada de 12 Volts. E, puxando a haste dos faróis quando o carro é desligado, se ajusta a função Follow me Home, que mantém os faróis acesos entre 30 e 210 segundos ao tirar a chave do contato.



Além da referida segunda entrada USB, quem senta atrás dispõe de porta-copo no console, porta-latas nas portas, porta-revistas atrás dos bancos dianteiros (relativamente rasos, para não perder objetos) e alças de teto móveis com alcinhas fixas que servem de cabide. O banco traseiro é inteiriço, porém tanto o assento quanto o encosto podem ser rebatidos.


No quesito espaço interno, o Argo se defende bem com um habitáculo capaz de levar com conforto 4 adultos e uma criança com conforto: mesmo com um motorista de 1,80 metro de altura, um passageiro de igual estatura tem folga para cabeça e pernas. No meio, o túnel central é razoavelmente intrusivo, mas há a inegável vantagem do cinto de 3 pontos e apoio de cabeça ajustável em altura. Há até vãos para guardar a fivela dos cintos laterais para não fazerem barulho.


A título de curiosidade, o sensor de estacionamento traseiro é inibido ao se atingir 11 km/h de ré. Vale ressaltar que a câmera de ré fica junto ao local destinado à placa, em posição mais discreta e próxima do limite traseiro da carroceria. Seu raio de giro, de 10,4 metros, é um pouco menor em relação às versões 1.8.


O porta-malas tem a capacidade de 300 litros - empatando com o HB20 e o C3, e perdendo apenas para os 320 litros do Sandero. Ao rebater o encosto e o assento traseiros, o volume passa para 720 litros. Com iluminação no canto direito, todo o habitáculo é envolto em carpete (laterais) ou plástico (base da abertura). Há 4 ganchos de ferro e outros de plástico, para levar objetos com mais segurança. O Argo traz nesta versão um estepe cuja recomendação de velocidade máxima é de 120 km/h, por conta da menor dimensão do pneu (175/65 de 14 polegadas, ante o 185/60 aro 15). Há um botão para abertura oculto no vão traseiro, similar ao Hyundai HB20, e um espaço na parte interna direita para ajudar a fechar a tampa.



O motor 1.3 Firefly, com 8 válvulas e quatro cilindros, foi introduzido em 2016 nas versões Way e Sporting do Uno e tem rendimento, com gasolina, de 101 cavalos a 6000 rpm e torque de 13,7 kgfm. Abastecido com etanol, a potência chega a 109 cavalos (a 6250 rpm), e o torque, para 14,2 kgfm, também a 3500 rpm. O capô possui manta de isolamento acústico e o motor dispensa o reservatório de partida a frio presente em Palio e Punto Flex (com o pré-aquecimento de combustível, ativo toda vez em que há mais de 70% de etanol no tanque e a temperatura externa é inferior a 16 graus), além de trazer corrente de acionamento de distribuição no lugar da correia dentada. A eficiência do Firefly se explica pela elevada taxa de compressão, de 13,2:1, e pela concepção do motor que valoriza o torque entregue em baixas rotações.



Nas aceleradas, o Argo GSR mostra bom fôlego, em especial com o câmbio no modo Sport, que atrasa as trocas para melhorar o aproveitamento da força. A Fiat declara que o Argo GSR acelera de 0 a 100 km/h em 11,8 segundos com gasolina - resultado muito compatível com o desempenho real - e 10,8 com etanol. Já a velocidade máxima é de 179,5 km/h com gasolina e de 184 km/h com etanol.


A posição de dirigir é agradável e a visibilidade é boa para a frente e pelos retrovisores, embora as colunas traseiras largas exijam atenção redobrada com motos. O bom isolamento acústico da cabine encobre os ruídos da transmissão (que, lembre-se, está constantemente engatando e desengatando marchas para o motorista) e permitem escutar melhor o som de boa qualidade. Já a suspensão transmite um equilíbrio admirável entre conforto e estabilidade, utilizando o clássico esquema McPherson na dianteira e eixo de torção para as rodas traseiras. Os 14,6 centímetros de vão-livre permitem encarar os desníveis urbanos com facilidade.


Curiosamente, seja com carro cheio ou vazio, a Fiat aconselha calibrar os pneus com 32 psi, inclusive o estepe. O visor de economia no Argo é bem mais intuitivo: no lugar da folhinha com barras ao redor de Mobi e Uno que aparecem "ao contrário", quatro barras vão acendendo conforme o Fiat é tocado de forma econômica, mostrando o consumo instantâneo de combustível.



Para ajudar na tarefa de poupar, vale deixar ativo o Start&Stop, que desliga momentaneamente o motor em paradas: para quem enfrenta muitas situações de anda-e-para, como congestionamentos e drive-thrus, o recurso pode representar uma economia de até 20%, segundo a Fiat. Com exceção do ar-condicionado, todas as funções do carro são mantidas, como assistência de direção e funcionamento do som e vidros. Quando o carro fica parado com ar desligado, o motor fica inativo por até 3 minutos, ligando imediatamente quando o freio é liberado (vale lembrar que, ao pisar bem de leve neste pedal, o sistema não entra em ação) ou o ar-condicionado é ligado. E quando a climatização está ativa, o carro religa dentro de 1 minuto. Há certos parâmetros para o Start&Stop funcionar: freio de mão liberado, cinto do motorista atado, portas travadas, temperatura do motor adequada, marcha à frente (na ré o carro entende que há um estacionamento) e movimentação suficiente entre uma parada e outra.


O Argo 1.3 pode ser equipado com câmbio manual de 5 marchas ou o novo automatizado GSR, monoembreagem e também com 5 marchas. O funcionamento da transmissão é análogo ao do Fiat Mobi Drive GSR que avaliamos recentemente, com mais suavidade. Diferentemente do Dualogic de Palio e Punto, que usava alavanca sobre trilhos, o Argo tem um botão para cada função.
  • D = drive: seleciona as marchas de forma automática, da primeira à quinta.
  • N = ponto morto. Quando se põe o carro em ponto-morto e há o desligamento, um aviso soa para alertar que o carro foi imobilizado somente pelo freio de estacionamento.
  • R = ré: ativa os gráficos no computador de bordo e os bipes do sensor de estacionamento.
  • A/M = alternância entre o modo automático e o sequencial, que pode ser feita com o carro em movimento. Uma vez ativo, é possível trocar as marchas manualmente nos paddle-shifts atrás do volante. Mesmo sendo o modo manual, o sistema intervém sozinho nas reduções e pode alertar com bipes sobre uma manobra não consentida (ex.: acionar uma marcha alta em velocidade baixa demais)
  • S = modo Sport: as passagens de marcha são feitas em rotações mais altas para privilegiar o desempenho.

Por se tratar de um câmbio sem conversor de torque, o motorista precisa modular com suavidade os pedais de freio e acelerador. Respeitando esta característica, o Argo reage com mais suavidade até mesmo em relação ao Mobi que avaliamos, embora em manobras (exemplos: subir uma rampa de ré ou andar bem lentamente em primeira marcha), ainda haja alguma rispidez, já que o creeping (movimentação automática em baixas velocidades) tem suas limitações. Em compensação, a atuação do auxiliar de partida em ladeiras garante maior tranquilidade. O conforto proporcionado por não pisar na embreagem e trocar as marchas é incontestável, em especial na cidade. E o modo sequencial garante mais controle do motorista sobre o carro, ainda que as passagens neste modo tenham um certo atraso. Curiosamente, o pedal de freio é como o da linha Renegade/Toro, e o acelerador, similar aos compactos Uno/Mobi.


Com o acionamento do câmbio por botões, a área correspondente do console foi reposicionada para cima. Isto permitiu implementar duas comodidades exclusivas para a versão Drive GSR: um espaço abaixo do console para guardar o celular mais discretamente (com fundo emborrachado), além do foco de luz que acende junto com os faróis.


Outro aspecto em que o Argo se sobressai é o consumo de combustível. Mesmo sendo significativamente mais pesado, comprido e largo que Mobi e Uno, o Argo conseguiu boas médias: 11,8 km/l nos 394 quilômetros em que andamos (com gasolina, somente na cidade, com Start&Stop ativo, dois condutores regulares, velocidade média de 18 km/h e ar-condicionado ligado em aproximadamente 50% do tempo), com picos de 12,6 km/l nos últimos 100 quilômetros. Entregue com tanque cheio, ainda restava 1/4 de sua capacidade no ato da devolução. O tanque de combustível tem a boa capacidade de 48 litros. Como a Fiat aboliu as alavanquinhas no piso do motorista, a tampa é aberta ao pressioná-la do lado de fora.


Em termos de segurança, o Argo GSR vem com controles eletrônicos de estabilidade e tração, além do assistente de partida em ladeiras, indisponíveis na versão manual - deveriam ser ao menos opcionais. Os cintos dianteiros têm regulagem de altura, e todos os ocupantes contam com apoios de cabeça ajustáveis e cintos de 3 pontos. Os freios ABS são a disco ventilado na frente, e há fixação ISOFIX para cadeirinhas infantis e ganchos para fixar o tapete do motorista. Já os airbags são os dois frontais - os laterais dianteiros só estão disponíveis a partir da motorização 1.8.


Com 1148 quilos, o Argo possui 4,00 metros de comprimento, altura de 1,50 m, 1,72 metro de largura (1,96 m com retrovisores) e distância entre-eixos de 2,52 metros. De sua plataforma, cerca de 20% foi reaproveitada do Punto, segundo a Fiat.



O Argo GSR parte de R$ 58 900 e está disponível nas cores sólidas Vermelho Alpine e Branco Banchisa (do "nosso" carro). Há ainda os tons metálicos Prata Bari, Cinza Scandium e Preto Vesúvio, além da perolizada Branco Alaska - qualquer cor não-sólida representa um acréscimo de R$ 1600. O carro que a Fiat nos cedeu trouxe todos os opcionais possíveis: o kit Stile (por R$ 1900, acrescenta os faróis de neblina e as rodas de liga leve de 15 polegadas) e o kit Parking (custa R$ 1200, e inclui sensor de ré com gráficos no computador de bordo, além da câmera traseira com linhas de guia dinâmicas), resultando em exatos R$ 62 mil. Apuramos no clube do Fiat Argo no Facebook que a produção da versão GSR foi a última a ser normalizada, o que fez pessoas que fecharam negócio nesta versão no lançamento terminarem desistindo por conta da longa espera, mas agora toda a gama já está nas concessionárias.



Todo carro novo é suscetível a alguns "bugs", até porque neles são testados novos componentes. Com o Argo, logo depois de ligar o carro em duas ocasiões, o computador de bordo emitiu o aviso "verificar airbag". Na primeira vez em que o aviso se manifestou, a assistência da direção ficou intermitente, mas bastou desligar o carro e religá-lo para tudo voltar ao normal.



A Fiat oferece garantia de 3 anos e preços tabelados de revisão até os 10 mil quilômetros. Na primeira verificação, aos 10 mil quilômetros, são cobrados R$ 260; aos 20 mil km, R$ 476; na revisão de 30 mil km, R$ 424; aos 40 mil km, R$ 820; aos 50 mil km, R$ 436, e aos 60 mil km, R$ 644, valores que podem ser divididos em 4 vezes sem juros.

Boletim comentado do Fiat Argo Drive 1.3 GSR




Design = 9,5
Apesar do ineditismo do Fiat Argo ser o principal fator de destaque, o modelo possui um estilo genuinamente atraente, inspirado em carros europeus. O esquema da grade que une os faróis delgados são legado do novo Tipo, enquanto a ponta dos faróis lembra o Mobi. De lateral, os vincos dão ideia de dimensões avantajadas e o estilo das rodas de 15 polegadas casa bem com o perfil. Visto de traseira, o conjunto entre spoiler integrado ao vidro traseiro, lanternas com belo estilo interno que invadem a tampa do porta-malas e para-choque com base preta e refletores estilosos enchem os olhos. Apesar de apontarem o Alfa Romeo Giulietta como inspirador para a traseira, essa referência é discreta no Argo - assim como o painel, com estilo assemelhado a modelos da Mercedes como o Classe A. A estratégia de acrescentar detalhes visuais na versão 1.3 (em detrimento da 1.0, com calotas e sem faróis de neblina) visa incentivar a compra da versão mais completa. 

Espaço interno = 9,0
O Punto nunca chegou a ser referência de espaço do interior em seu segmento, e o Argo ganhou melhor aproveitamento de seu habitáculo para os passageiros: apesar do velho Fiat ser 6,7 centímetros mais comprido, a distância entre-eixos do novato é 1,1 centímetro mais espichada, e o porta-malas tem 20 litros a mais, com facilidade de ser ampliado com o rebatimento do banco traseiro. O maior espaço possibilita que mesmo pessoas altas tenham conforto para acomodar cabeça e pernas. As portas da frente tem apenas nichos para garrafas pequenas ou latas, presentes também na traseira, mas em compensação o console tem mais áreas para copos e celulares. 

Conforto = 8,75
Com bancos de boa densidade e que apoiam bem o corpo, o Argo inspira tranquilidade ao dirigir. A direção tem boa ergonomia e calibragem, sendo bastante macia em baixas velocidades e ganhando "nitidamente" peso ao acelerar. O motorista conta com um apoio de braço revestido de tecido, que faz sentido nesta versão automatizada. Outro recurso exclusivo dessa versão é o controlador automático de velocidade, fácil de operar e que propicia um descanso, mesmo que momentâneo, para os dois pés. A suspensão oferece também um bom nível de absorção de impactos, como é característico dos Fiat. O ar-condicionado possui ótima eficiência, algo relevante em um carro preparado para desligar várias vezes a mais do que carros sem Start&&Stop, se utilizando apenas da ventilação. Para completar, a cabine tem isolamento acústico acima da média do segmento.

Acabamento = 8,75
Mesmo não sendo um carro propriamente "Premium", o Argo traz bons encaixes, grande variedade nas texturas de plástico aplicadas e detalhes como espuma dentro do porta-óculos do motorista, tapetes e apoio para pé esquerdo em carpete ou os porta-objetos de fundo emborrachados no console. Ou seja, mesmo com plásticos rígidos pretos dominando o interior, o aspecto visual e sensitivo dos materiais é agradável. O senão é que, para um carro que mal passou dos 2500 quilômetros, já se escutavam alguns rangidos em pisos irregularidades, na coluna de direção e no plástico do suporte da tela multimídia. Quem teve um Punto também certamente se decepcionará ao saber que o novo Fiat não traz tecido nas portas de trás nem painel com faixa emborrachada em quaisquer de suas versões.

Equipamentos = 8,75
Evidentemente, alguns equipamentos para o Argo são reservados para as versões 1.8, para incentivar a compra das opções mais caras, mas o Argo GSR traz um satisfatório pacote de itens, que incluem direção elétrica com ajuste de altura, ar-condicionado manual, travas, vidros e retrovisores elétricos, controlador automático de velocidade, banco do motorista com apoio de braço e ajuste de altura, faróis de neblina, computador de bordo,  iluminação do porta-malas e porta-luvas, além do novo sistema multimídia Uconnect. Cabe citar uma contrapartida feita pela própria Fiat: para manter o Uno atrativo (perdoe-nos o trocadilho) em suas versões Sporting e Way, algumas coisas são exclusivas do compacto "quadrado arredondado", como faróis de neblina com luzes de conversão em baixa velocidade, função City de assistência de direção, console de teto com porta-objetos e espelho de vigia do banco traseiro, além de banco traseiro com encosto bipartido. O maior pecado do Argo é não trazer o alarme de série, demandando uma adaptação da concessionária, embora a falta seja compensada em parte pelo fechamento automático dos vidros ao se apertar na chave o botão de travamento das portas (sem precisar segurar o botão como o de destravamento para abrir as janelas).

Desempenho = 9,0
Mesmo se tratando de um motor de dimensões compactas, num carro de porte e peso mais avantajados em relação a muitos dos concorrentes, o Firefly 1.3 tem desempenho superior até ao de alguns modelos 1.6, tendo vigor nas aceleradas e retomadas, além de freios obedientes e suspensão que previne o Argo de rolar além do desejado nas curvas, com a ajuda dos assistentes eletrônicos. O câmbio GSR também mostra ter boa inteligência: quando o acelerador é mais solicitado, entra em ação o Auto-Up Shift Abort, que faz reduções para manter uma marcha adequada em retomadas ou ladeiras.

Segurança = 9,0
Para os padrões de seu segmento, o Argo GSR oferece um bom nível de segurança. Os controles eletrônicos de estabilidade e tração ainda são raridades no segmento, que os líderes HB20 e Onix não trazem nem nas opções topo-de-linha. A fixação ISOFIX para cadeirinhas infantis é novidade em se tratando de Fiat, um alento para quem tem crianças. A carroceria do Argo é mais parruda, e em colisões laterais feitas pela própria Fiat, a estrutura do carro se mostrou estável. Para completar o pacote, são de série: freios ABS com EBD (ventilados na frente), cintos de 3 pontos e apoios de cabeça ajustáveis para todos, regulagem de altura dos cintos dianteiros e airbags frontais com desativação para o passageiro. Mas em se tratando de um novo carro, bem que o alerta sonoro da não-utilização do cinto do motorista poderia se estender para o passageiro da frente: é uma forma mais delicada de lembrá-lo de sua utilização. Além disso, quem só compra um carro com airbags laterais terá que desembolsar (bem) mais pela versão Precision 1.8 e ainda pelos side-bags, que são opcionais.

Consumo de combustível = 9,0
Todos os carros com motor Firefly que passaram pela garagem do Auto REALIDADE surpreenderam por andarem muito, mas gastarem pouco. No caso do Argo, as médias iniciais foram muito animadoras, embora tenham se reduzindo com o trânsito intenso, mas ainda assim são marcas satisfatórias para um carro de peso acima da média para o segmento, com transmissão automatizada e ar-condicionado ligado em metade do uso: os 11,8 km/l obtidos praticamente empatam com os 11,9 km/l que obtivemos com o Uno Sporting (com o mesmo motor, porém manual e mais leve) em uso similar.

Relação custo-beneficio = 9,0
Enfim, a Fiat acordou para o importante segmento dos hatches, posicionando o Argo como um novo produto para quem busca maior sofisticação que Uno e Palio, conquistando (em teoria) o público do Punto, das versões completas do Palio e, quem sabe, pessoas órfãs do Bravo. Neste segmento, só Fiat e Volkswagen mantêm a opção pelo câmbio automatizado monoembreagem, solução para fazer o Argo poder se aproximar do preço dos hatches com câmbio automático com conversor de torque ou continuamente variáveis (HB20, Onix, March, Etios, 208 e C3). Por fora, o Argo pode não ter a ousadia do agora saudoso Punto, com suas janelinhas nas colunas dianteiras, maçanetas externas com o estilo de perfil da carroceria e as lanternas embutidas nas colunas traseiras, mas o novo Fiat possui melhor aproveitamento do espaço interno, equipamentos mais condizentes com os anseios modernos e um conjunto mecânico que alia economia de combustível e desempenho satisfatório, quesitos em que tanto o Palio quanto o Punto - reconheçamos - foram superados. A nosso ver, o rival carro-a-carro do Argo será o novo Polo: resta saber se o VW terá versões com conteúdo e preço competitivos para acirrar a disputa de mercado neste segmento.

Nota Final = 9,0

Vem conferir a Galeria de Imagens do Fiat Argo Drive 1.3 GSR!







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