Dirigimos a Chevrolet S10 High Country 2.8 Turbodiesel 2021!

Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Praticamente ao mesmo tempo em que soprou as velinhas de seus 25 anos, a Chevrolet S10 passou por mais uma reestilização no mercado brasileiro. Quando chegou, em 1995, só com carroceria de cabine simples, a S10 virou sensação no Brasil, principalmente por ser uma alternativa entre as picapes pequenas (Saveiro, Fiorino, Corsa Pick-Up e Pampa) e as grandes (F-1000 e D-20) - principalmente por ser um veículo "utilizável" na cidade e com estilo moderno, pensado para nosso mercado. A Ford contra-atacou com a Ranger, e logo o segmento de picapes médias ficou em evidência, com Hilux, L200 e Frontier, entre outras. A S10, é claro, não ficou parada: a repaginação da linha 2021 é a sexta da história da picape. O Auto REALIDADE conta agora mais detalhes da versão High Country.

A S10 2021 evoluiu mais do que pode parecer em um primeiro momento. As mudanças na parte externa de fato foram discretas, e se concentram na parte frontal. Na versão High Country, a topo-de-linha, a grade dianteira traz o nome "Chevrolet" por extenso, com a gravatinha da marca no canto inferior esquerdo, ao estilo da Colorado norte-americana. Em outras versões da S10, o símbolo da Chevrolet fica centralizado. Outra novidade relevante da picape da GM é o para-choque dianteiro, com maior abertura para o radiador e novos alojamentos para os faróis de neblina, agora mais altos, para evitar que obstáculos como galhos os danifiquem. O ângulo de ataque, que indica a inclinação de terreno que a picape pode superar sem esbarrar o para-choque, melhorou de 27 para 29 graus.

Na parte lateral, a única mudança está no estilo das rodas de 18 polegadas, pretas e com bordas diamantadas (as mesmas da nova Trailblazer, mas com pintura diferenciada). E, ainda que o estilo da traseira tenha permanecido o mesmo, há duas boas novas. A primeira é a disponibilidade, como acessório adquirido nas concessionárias, do amortecedor da tampa da caçamba, que facilita o acesso ao compartimento (que, apesar de ter 1329 litros de capacidade e capacidade de carga de 1049 quilos, não vem com protetor de caçamba de fábrica nem mesmo nesta versão mais completa). E a câmera de ré passa a ter melhor definição e conta com a função de engate, modo em que passa a ter linha de guia específica; existe também o zoom para facilitar a visualização de cima para baixo. Dá para acionar temporariamente a câmera traseira em movimento pelo MyLink, por até 5 segundos, caso o motorista precise se certificar de como estão as coisas lá atrás.

O acabamento interno nesta versão tem as cores "Jet Black" e "Very Dark Atmosphere", nomes chiques para preto e marrom (num tom mais escuro que o anterior). E, à primeira vista, o interior está bem parecido ao que sempre foi. O acabamento permanece o mesmo, trazendo uma faixa macia ao toque com costuras aparentes no painel, forro de carpete nos porta-objetos das portas, além de couro sintético nos bancos e nos painéis de porta dianteiros e traseiros também com pespontas evidentes.

Mas o sistema multimídia MyLink passa a incorporar o espelhamento de tela de celulares sem fio (é o primeiro veículo da General Motors a oferecer o recurso no Brasil) e o Wi-Fi a bordo, que pode ser compartilhado com até 7 dispositivos eletrônicos. Este sinal está disponível em um raio aproximado de 15 metros em torno do veículo e é até 12 vezes mais estável que outras conexões de internet. Também é possível controlar e ter acesso a algumas funções da picape pelo aplicativo MyChevrolet App. É possível, pelo celular, dar a partida do motor à distância para resfriar a cabine, ou trancar e destravar as portas. Caso esteja chegando a hora da troca de óleo, uma mensagem alertando sobre este fato é encaminhada por WhatsApp para o celular cadastrado.

Além dos já mencionados recursos, o sistema multimídia MyLink traz tela sensível ao toque de 8 polegadas com GPS integrado (não depende do espelhamento), entradas USB e auxiliar, Bluetooth e som com 4 alto-falantes nas portas e 2 tweeters no painel. Também estão disponíveis os serviços de atendimento e monitoramento veicular do OnStar, acionáveis pelo MyLink ou por botões junto ao retrovisor interno.

A chave da S10 é nova, do tipo canivete, semelhante à dos Onix mais recentes sem a função presencial. Ela tem botões de travamento e destravamento das portas, além do acionamento da partida remota, útil para acionar o ar-condicionado antes de entrar na cabine.

A segurança também foi aprimorada. Os seis airbags, disponíveis só na versão High Country até o modelo 2020, agora estão em todas as versões da linha 2021, até mesmo na carroceria de cabine simples. E a S10 topo-de-linha passa a ter frenagem automática de emergência, que atua entre 8 a 80 km/h e atua nos freios sem intervenção do motorista caso este não freie ou pise no pedal com pouca força. Este recurso se soma ao alerta de colisão frontal com detecção de pedestres, alerta de saída de faixa sem dar seta, controles de tração e estabilidade, fixações para cadeirinhas infantis e controle eletrônico de oscilação de trailer. E há uma novidade invisível: os reforços estruturais na carroceria, que tornaram a nova S10 cerca de 20% mais resistente em caso de colisão frontal do que o modelo anterior.

Mecanicamente, a S10 com motor 2.8 Turbodiesel passa a ter a mesma turbina da Chevrolet Colorado, sua gêmea norte-americana. Mas a GM do Brasil elaborou duas calibrações para este turbocompressor, sendo uma voltada para a contenção do consumo de combustível, para as versões de trabalho, e outra direcionada para uma melhor performance, nas versões mais sofisticadas. Segundo a Chevrolet, o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h melhorou em 2 décimos de segundo, para 10,1 segundos (quando equipada com câmbio automático).

Para se ter uma noção das evoluções mecânicas da S10 do primeiro modelo até hoje, a potência do motor mais do que dobrou (de 95 cavalos do primeiro 2.5 Turbodiesel Maxion para os atuais 200 cavalos), o tempo para alcançar os 100 km/h caiu em um terço (ajudados pelo torque que cresceu de 22,4 para 51,0 kgfm de torque), o consumo melhorou até 65% e houve uma redução de quase 90% nas emissões de dióxido de carbono e óxido de nitrogênio, segundo a marca.

A gama de versões da S10 é ampla e inclui três opções de carroceria (cabine dupla, cabine simples e chassi-cabine, sem caçamba, pronta para implementar um baú, por exemplo), cinco versões (LS, Advantage, LT, LTZ e High Country), duas opções de motor (2.5 Flex e 2.8 Turbodiesel), assim como duas opções de câmbio (manual ou automático, ambos de 6 marchas) e tração (4x2 e 4x4).

No quesito tração, a S10 manteve o seletor giratório em posição cômoda (no console central), onde é possível alternar entre os modos 4x2 (tração traseira), 4x4 (tração nas quatro rodas) ou 4x4 Low (modo reduzida, para maximizar a distribuição de força em terrenos onde se anda devagar). Porém, a picape deixa de contar com o diferencial traseiro de deslizamento limitado.

A S10 High Country se diferencia externamente pelo santantônio incorporado à caçamba na cor do veículo, acompanhada da capota marítima, e pelas lanternas com LEDs. A lista de equipamentos para esta versão inclui acendimento automático dos faróis, banco do motorista com ajustes elétricos (altura, distância e encosto), ar-condicionado automático digital, regulagem interna da altura dos faróis, direção elétrica com ajuste de altura, chave-canivete com botão de partida remota, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sensor de chuva, porta-luvas iluminado em LED, retrovisor interno anti-ofuscante e computador de bordo com 3 modos: informações de viagem, do veículo e de consumo.

Impressões ao dirigir

Uma das maiores picapes do segmento, com nada menos que 5,41 metros de comprimento, a S10 não se dá muito bem com vagas apertadas. Mas os retrovisores grandes, a câmera de ré com definição nitidamente melhor que a anterior e os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros facilitam bastante nas manobras. A posição do motorista é boa e elevada, facilmente ajustável com os comandos elétricos. O volante regula apenas em altura, mas sua ergonomia e textura agradam.

De longe, um dos fatores que impressionam na S10 é a suavidade de funcionamento de seu motor 2.8 Turbodiesel. Os níveis de vibrações são contidos, e mal se ouve o ronco do propulsor a bordo, nem mesmo em acelerações mais fortes. Mérito tanto do isolamento acústico (o capô, por exemplo, conta com manta interna) quanto do CPA (Centrifugal Pendulum Absorber), que atua como um filtro de vibrações. A impressão que se dá é de que a picape nem parece ser a diesel.

Com um dos maiores torques entre as rivais (excetuando a Amarok V6), a S10 deslancha bem quando exigida. O câmbio automático de 6 marchas faz boas trocas e conta com um modo sequencial por trilho, diferente de alguns Chevrolet com o estranho recurso dos pequenos botões no pomo da alavanca. Empurrando a alavanca para trás após colocar no modo sequencial à esquerda da posição D, as marchas reduzem, e quando é empurrada para frente, as marchas avançam. Não há modo esportivo, mas a transmissão entende bem qual marcha deve selecionar.

Se o sistema multimídia MyLink é fácil de mexer, com menus organizados, boa interface visual, atalhos de acesso fácil e informações relevantes bem distribuídas, a usabilidade do computador de bordo, com tela monocromática, poderia melhorar. Os botões para ter acesso às informações estão na chave de seta, um pouco fora de mão, e é preciso dar várias voltar no anel giratório dessa haste para alternar os dados da picape. 

Além das dimensões, a suspensão também faz a S10 parecer um peixe fora d'água no ambiente urbano. A picape tem pneus notadamente graúdos (Bridgestone Dueler H/T Ecopia 265/60), que salvaguardam as rodas de arranhões quando às vezes é inevitável subir uma calçada. Mas o conjunto de suspensão não impede os ocupantes de sacolejarem quando a S10 passa em pisos ruins (pelo menos não quando a picape roda vazia) - um reflexo do tradicional eixo rígido traseiro e das rodas razoavelmente grandes, de 18 polegadas. 

A S10 2021 High Country tem preço de tabela de R$ 213.290 e está disponível em 7 cores externas: Branco Summit, Cinza Graphite, Prata Switchblade, Preto Ouro Negro, Vermelho Edible Berries e nas novas Cinza Topázio e Azul Eclipse.


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