Watts W4: as impressões ao pilotar a scooter elétrica!

Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

A eletrificação dos veículos é uma tendência que veio para ficar. Todas as montadoras de automóveis, das mais populares às mais aristocratas, ou estão trabalhando em alternativas de veículos zero emissão ou já oferecem modelos que são movidos a eletricidade. E o Brasil está incluído nesta onda: os veículos elétricos, que sempre foram uma promessa para o futuro, começam a fazer parte do nosso presente em todos os segmentos - das bicicletas e patinetes até os ônibus e caminhões. 

Apenas uma semana depois de fazer o test-drive do Nissan Leaf (hatch elétrico que já acumulou mais de 500 mil unidades vendidas em todo o mundo), nós do Auto REALIDADE pilotamos a Watts W4. Com ela, é a primeira vez que nos aprofundamos no universo das duas rodas. Apesar de seu estilo lembrar muito o de uma moto convencional, trata-se de um veículo enquadrado como "moped" ou "patinete elétrico" (a despeito da presença de um banco que permite acomodar o condutor sentado) e sua indicação é para uso recreativo, já que não há homologação para utilização urbana (não existindo exigência, por exemplo, de emplacamento e licenciamento).

A Watts W4 é uma alternativa divertida para trajetos curtos e recarregável na tomada. A bem de verdade, não é a primeira vez que a experimentamos (no final de 2019, demos uma volta nos arredores da avenida Zequinha Freire com ela), mas agora chega a oportunidade de passar mais tempo com o modelo da Watts.

Seu motor elétrico possui 2500 Watts de potência e há de série uma bateria de lítio portátil de 20 Ampères. Ainda é possível instalar uma segunda bateria, que dobra a sua autonomia. Ela pode se locomover com cargas de até 160 quilos e consegue transportar até duas pessoas. Este banco pode ser levantado, mas não dispõe dos típicos porta-objetos comuns nas motos com motor a combustão, servindo apenas para ter melhor acesso às baterias.

Seu farol dianteiro é de LED, com intensidade única de facho, e as rodas são de 10 polegadas com pneus sem câmara de ar de perfil 225/40 nos dois eixos. Atrás, há uma lanterna de posição e, mais abaixo, as luzes de seta. Também há freios a disco, sendo que o fluido a ser utilizado é o DOT3 ou DOT4. Curiosamente, existem dois botões de buzina diferentes na W4 (um amarelado e outro verde), mas o tom e o som é o mesmo.

A "motoca" dispõe de itens como streaming de áudio através do Bluetooth (a reprodução de som é feita através de um alto-falante abaixo do farol, e o nome da conexão da Watts W4 é simplesmente "Bluetooth"),  amortecedores na frente e atrás, dois espelhos retrovisores, além de carregador para tomadas residenciais, chave reserva e garantia de 6 meses. 

Seu quadro de instrumentos possui iluminação esverdeada sobre fundo preto e exibe, em um só mostrador, velocímetro, hodômetro parcial e nível de carga. Uma luz-espia "ready" se acende quando a W4 está pronta para ser guiada, e também há uma luz azulada indicando sobre o acendimento do farol, que possui boa iluminação.

A Watts W4 traz uma chave presencial, com botões para travamento, que aciona a buzina uma vez (se a moto for movimentada nesta situação, o alarme é disparado) e destravamento (soam duas buzinadas rápidas). Para ligar a scooter, basta apertar o botão de partida (que lembra o do Hyundai ix35). Durante a ignição, é executado um breve som de inicialização e o hodômetro total é mostrado rapidamente, dando lugar ao hodômetro parcial. Vale dizer que este registro parcial de distância é apagado toda vez que a moto é desligada.

Na teoria, ela atinge uma velocidade máxima de 60 km/h e possui autonomia de até 40 quilômetros com uma carga, na configuração de bateria única (passando para 80 km com a segunda bateria). Na prática, o velocímetro digital chegou a marcar velocidades entre 50 e 55 km/h e a autonomia efetiva ficou bem próxima do dado da fabricante. 

A scooter da Watts pode ser adquirida com a carroceria nas cores Amarela, Azul, com faixas ao estilo da bandeira do Reino Unido, Branca, Preta ou Vermelha, e tem preço sugerido de R$ 14.990 no site da Watts Mobilidade Elétrica - valor que pode ser dividido em seis vezes. O valor é equivalente ao de uma Honda PCX (com motor de 149 cm³ movido a gasolina de 13 cavalos), apta a circular por condutores habilitados na categoria A, mas suas propostas de uso são completamente diferentes. Enquanto a PCX é a alternativa para quem precisa circular pela cidade com agilidade, a W4 é uma opção de uso mais direcionado ao lazer e com menos custos de propriedade. Segundo a Watts, o custo pela carga completa de bateria é de cerca de R$ 1,00. Apenas para efeitos de comparação, encher o tanque de 8 litros de uma PCX custa aproximadamente R$ 64,00 em Teresina.

Impressões ao pilotar

Na Watts W4, a posição do piloto é um pouco mais baixa do que nas motos comuns, sendo mais próxima das scooters, e o banco praticamente não possui inclinação. Isso faz com que não seja necessário flexionar tanto a perna para apoiar a "motoca" quando for necessário parar. A pilotagem é fácil, e até quem não possui familiaridade com o universo das motos consegue entender as reações da W4 logo nos primeiros momentos de condução.

Como até é esperado para uma motocicleta elétrica, o torque é entregue de forma praticamente instantânea assim que o manete do acelerador é girado com mais força. A W4 dispõe de uma chave que regula o desempenho nos níveis I, II e III. Mesmo no nível I, ela ganha velocidade de forma bem ágil. A scooter também é bastante silenciosa e, por ter apenas uma marcha à frente, dispensa comandos de operação de câmbio. 

As rodas pequenas com pneus largos (cujos flancos possuem mais que o dobro de tamanho diante de motocicletas convencionais) fazem com que a Watts W4 apresente um maior nível de estabilidade vertical. A contrapartida vem na hora de fazer curvas, pois o raio de giro desta scooter acaba sendo bem maior justamente por conta dos pneus mais largos e da limitação do curso do para-lama dianteiro. Com isso, deve-se recorrer à estratégia de fazer as curvas mais abertas do que com uma moto comum, para evitar sustos. Os buracos das ruas também demandam atenção para não se perder o equilíbrio, mas as irregularidades do piso conseguem ser bem absorvidas.

Para concluir...

A Watts W4 explora um nicho de mercado que chama cada vez mais a atenção das pessoas em todo o Brasil. Os preços elevados dos combustíveis fazem com que os veículos elétricos sejam analisados com mais carinho, a despeito dos valores de compra elevados. Antes de mais nada, é preciso entender que o modelo W4 tem uma proposta mais recreativa - existem outras opções da Watts que são enquadradas como motocicletas propriamente ditas, com homologação junto ao Detran e maiores níveis de performance e autonomia. Por outro lado, a W4 oferece um maior nível de comodidade em relação às bicicletas e patinetes elétricos sem bancos, e consegue entregar uma boa dose de diversão ao guiar.

Vem conferir a Galeria de Fotos da Watts W4!


Comentários

  1. Obrigado por uma analise tao completa do veiculo, mas eu sou sinceramente contra isso ai aqui no Brasil. Na minha cidade ta enchendo disso nas ruas, andando como se fosse uma motocicleta, mas as pessoas sem capacete, sem luz acesa, sem placa, sem responsabilidade nenhuma, passando na contramao, no sinal fechado... um caos ! A culpa eh dos DETRAN e Policia que estao fazendo vista grossa para essa aberracao. Um grande perigo para todos, motoristas irresponsaveis e as outras pessoas. Se nao ta regulamentado nao poderia nem ser vendido, desculpe a sinceridade, mas como diz o Toreto : " Isso aqui eh Brasil" !

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