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Avaliação do Fiat Cronos 1.8: um sedã completo... e com câmbio manual


Fotos, texto e vídeo | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Agradecimentos | Assessoria de Imprensa FCA e Jelta

Às vezes, as montadoras precisam pensar em um carro que substitua de uma vez só dois modelos. É o caso do Fiat Cronos, que chega para conquistar a clientela que era não apenas das versões mais caras do Grand Siena, como também do Linea, o sedã do Punto. Para cativar consumidores que buscam um sedan na faixa de preços de R$ 55 mil a 80 mil reais, o Cronos - assim batizado em referência ao deus do tempo, após alguns meses sendo conhecido apenas como Fiat X6S - conta com um leque abrangente de versões, que inclui uma configuração cada vez mais rara no mercado brasileiro: a Precision 1.8 possibilita incluir diversos equipamentos sem abrir mão do câmbio manual de 5 marchas. Foi com este carro que o Auto REALIDADE conviveu por uma semana, e agora compartilha as impressões deste contato prolongado.



Esteticamente, o Cronos Precision agrada com seu estilo elegante, ainda mais nesta cor Cinza Scandium, que puxa para o verde. Diferentemente de seu rival Virtus - igualzinho ao Polo de frente - o Fiat aposta num conjunto dianteiro com personalidade própria. A grade traz pintura preto-brilhante, filetes cromados e formato losangular das aberturas, enquanto o para-choque abdica das falsas entradas laterais existentes no Argo para alojar os faróis de neblina mais para cima. O capô também foi levemente redesenhado: só os faróis de dupla parábola, que nesta versão trazem luzes de posição em LED, são comuns ao hatch.


O perfil do Cronos é interessante: não houve prolongamento da distância entre-eixos em relação ao Argo (mantendo os 2,52 metros), e o balanço traseiro do modelo é proporcional como o dianteiro. Nesta versão, vêm de série as rodas de 16 polegadas, que podem não ser bonitas como as de 17 polegadas, mas que, em conjunto com os pneus 195/55, transmitem um pouco mais de conforto diante das irregularidades do piso. Os retrovisores trazem luzes de seta e luzes de cortesia que acendem assim que as portas são abertas.


A traseira bem desenhada faz lembrar vagamente o Alfa Romeo Giulia, em especial pelo estilo interno das lanternas, que usam LEDs nas luzes de posição, e pelo desenho do para-choque traseiro, com uma área em plástico preto que incorpora dois refletores.



O interior do Cronos causa boa impressão desde o primeiro abrir de porta, graças à disposição de elementos e escolha de cores e materiais. Nesta versão Precision, a faixa central do painel e os bancos trazem detalhes num tom vinho que lembra a cor Vermelho Marsala que o sedan possui como uma das opções para a carroceria. O volante, a partir desta versão, ajusta em profundidade (além de altura) e agrega comandos de computador de bordo, telefone e som (estes últimos, atrás dos raios do volante). Com boa empunhadura, curiosamente ele não possui a marcação central no topo do aro, que existia nos primeiros Argo - o hatch, aliás, também já não conta mais com este detalhe visual. Porém, o raio direito possui várias teclas sem função (pois não há o controlador automático de velocidade); se este raio fosse liso, a sensação de que falta coisa no carro seria menor.


O quadro de instrumentos é bem completo e idêntico ao disponível no Argo (com a óbvia exceção das figuras que ilustram o carro). Conta-giros e velocímetro ("apresentados" com os nomes "tachometer" e "speedometer", respectivamente) são as únicas informações analógicas. Todo o resto é exibido na tela colorida de 7 polegadas, com 3 temas de visualização: branco, vermelho ou azul. Há velocímetro digital com limitador de velocidade, informações sobre consumo de combustível (incluindo indicador instantâneo e autonomia), temperatura do óleo, horímetro do motor, quilometragem restante para revisão, pressão dos pneus, amperagem da bateria, som, indicação de porta aberta (inclusive capô ou porta-malas) e configurações que podem ser alteradas, como ativar ou desativar o alarme volumétrico ou o airbag do passageiro.



O botão de acendimento dos faróis de neblina foi realocado para a fileira central, o que permitiu que a área à esquerda do painel virasse um porta-objetos aberto, como nas versões mais simples do Argo. Há ainda os botões de ativar/desativar o controle de tração e o Start-Stop, além do pisca-alerta e do travamento central das portas. Caso o airbag do passageiro esteja desativado, haverá uma indicação visual no penúltimo "botão" (não-apertável). O último botão é inoperante, mas se "nosso" carro não tivesse o ar-condicionado digital, ali estaria a função do desembaçador.


A chave presencial dispensa a necessidade de procurá-la no bolso para destravar o carro: basta por a mão junto à maçaneta. Para trancar, aí se aperta o botão preto nas maçanetas dianteiras. Travar o Cronos também implica no fechamento dos vidros e no recolhimento dos retrovisores externos, enquanto ao se segurar o botão de destravamento, as janelas abrem. Também há botões para abrir o porta-malas e para o acendimento do pisca-alerta, o que facilita encontrar o carro em locais de baixa luminosidade.



A central multimídia com tela touchscreen de 7 polegadas "desmembrada" do painel é um dos destaques do Cronos, vindo de série em todas as versões (exceto o 1.3 de entrada). De operação rápida, o sistema traz duas entradas USB e uma auxiliar, além de Bluetooth para streaming de áudio e chamadas telefônicas. Traz ainda comandos de voz, bússola, informações do veículo e várias configurações que podem ser alteradas ao gosto do condutor. Ao conectar um smartphone com Android Auto ou Apple CarPlay, é possível usar o GPS ou conferir as notificações do WhatsApp, por exemplo. Também por ela é vista a imagem da câmera de ré, com linhas de guia. E, com 4 falantes nas portas e 2 tweeters nas colunas dianteiras, a qualidade de som é boa.


Apesar de não haver botão específico para rebater os espelhos retrovisores, é possível fechá-los ao deixar o interruptor na posição central e apertar o botão de controle do espelho na seta direita. Apertando o mesmo botão na seta esquerda, os retrovisores se abrem, função útil para passar em locais estreitos. Ao passar de 20 km/h, os espelhos se abrem. Os comandos da porta são todos iluminados e todos os vidros contam com função um-toque e recurso anti-esmagamento.



Além do acendimento automático dos faróis, do sensor de chuva e do retrovisor interno anti-ofuscante, o Cronos dispõe do follow me home, que mantém as luzes externas acesas entre 30 e 210 segundos - tempo que aumenta em 30 s a cada vez que a haste dos faróis é puxada com o carro desligado. Com um leve toque há o acionamento da seta por 5 vezes.



Diferente da versão automática, o Cronos manual não possui a "ambient light" (luz de LED que fica no porta-copo central, com intensidade ajustada na central multimídia), mas em compensação possui mais área na frente para guardar objetos, além de uma área abaixo do freio de mão que pode abrigar o celular e um porta-copo redondo na parte traseira. Há tapetinhos emborrachados, porém é necessário ter cuidado com eles: por estarem soltos, podem ser aspirados numa lavagem.



Assim como nos rivais dotados de ar-condicionado digital, no Cronos só há uma zona de climatização, mas o aparelho traz modo automático, função "máxima" (um toque no botão "MAX A/C" deixa a mínima temperatura e a ventilação mais forte) e ajuste de meio em meio grau Celsius. Com operação fácil e botões de bom aspecto, a cabine rapidamente alcança a temperatura ajustada.


É uma boa surpresa sentar atrás, pois mesmo não havendo aumento da distância entre os eixos, há espaço amplo para pernas e cabeça atrás. Esta sensação foi ampliada com o recuo em 1 centímetro do assento traseiro em relação ao Argo, que já ofertava bom conforto para os ocupantes traseiros.


Diferentemente do hatch, o Cronos conta com a útil luz de cortesia central no forro de teto. Assim como no Argo Precision, não apenas o encosto do banco traseiro é rebatível, como também o assento. Os passageiros de trás contam com dois porta-revistas e nichos nas portas para guardar latas.



O porta-malas tem a boa capacidade de 525 litros e vários cuidados. A parte interna da tampa tem forro em carpete e uma alça para ajudar a fechar. O botão, seja na chave ou na própria tampa, não apenas a destrava, e sim abre o compartilhamento por inteiro. Há iluminação, ganchos para amarrar cargas nas laterais e até uma tira para deixar suspenso o forro inferior, facilitando o acesso ao estepe (185/60 com roda de ferro de 15 polegadas), que é pouca coisa menor que os outros pneus. Pena é que as alças da tampa sejam muito grandes, inutilizando uma parte da área lateral do habitáculo. Há um segundo botão ao lado direito do que abre a tampa, que serve para travar o carro - recurso útil quando se está com as mãos ocupadas.



E se uma pessoa ficar fechada dentro do porta-malas? Neste caso é possível abrir a tampa por dentro através de um discretíssimo gatilho preto que fica perto de seu trinco. Fiz o teste na prática e, apesar de usar somente o tato para esta tarefa, foi possível sair do carro sem ajuda em cerca de 1 minuto.



O motor do Cronos é idêntico ao do Argo: este 1.8 de 16 válvulas e 4 cilindros, chamado E.torQ Evo VIS, tem rendimento de 135 cavalos com gasolina e 139 cv com etanol, a 5750 rpm. Já o torque é de 18,8 kgfm com o combustível derivado do petróleo e de 19,3 kgfm com o combustível proveniente da cana-de-açúcar, a 3750 rpm.



Este propulsor - aspirado e que apela para uma grande cilindrada para render mais força, mais especificamente 1747 cm³, e para uma elevada taxa de compressão (12,5:1) - dispensa o tanquinho de partida a frio e traz o coletor de admissão variável, que a até 4000 rpm favorece o torque ao canalizar o ar que passa para os cilindros por um caminho mais longo; acima disso, uma aleta é acionada, fazendo com que o ar percorra trajeto mais curto, favorecendo a potência. E, visando reduzir o nível de ruído a bordo, o capô traz manta de isolamento acústico.


Já fazia 15 meses que nós do Auto REALIDADE não recebíamos de uma assessoria de imprensa um carro com câmbio manual (o último foi o Fiat Uno Sporting 1.3, que hoje inclusive está fora de linha), portanto, foi uma grata surpresa deparar com a transmissão de 5 marchas, com uma bonita manopla. A ré é engatada à direita, levantando uma arruela. O pedal de embreagem precisa ser acionado para o motor dar a partida - é até leve, mas seu curso é longo. O câmbio manual ajudou a transmitir mais vigor ao Cronos quando o acelerador foi mais demandado.


Ao assumir o volante, quem já dirigiu um Argo manual vai se sentir em casa no Cronos 1.8. O acelerador tem curso longo, assim como a alavanca de câmbio, que traz os habituais engates macios, porém não exatamente precisos. Seu pomo é grande, mas com pouco tempo a mão se acostuma. A sugestão do visor do computador de bordo é de trocar as marchas de modo parecido a um carro 1.0 de 3 cilindros (exemplo: 30 km/h → 3ª marcha; 55 km/h → 5ª marcha), mas de modo geral, o motor não reclama quando as marchas são mais esticadas, passando a "falar" mais alto a partir de 3 mil rpm. No canto direito da tela do computador de bordo, um ícone "Shift" aparece em vermelho toda vez que uma mudança de marcha é recomendada.



Em nosso teste (realizado em ambiente seguro, com 1 pessoa a bordo, ar-condicionado desligado, controle de tração ligado e gasolina no tanque), o Cronos causou boa impressão na aceleração e principalmente nas retomadas, considerando que seus 1248 quilos em ordem de marcha estão um pouco acima da média dos rivais. Veja os resultados:

Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,1 segundos
Retomada de 60 a 100 km/h (3ª marcha): 6,3 segundos
Retomada de 80 a 120 km/h (4ª marcha): 10,5 segundos
Segundo a Fiat, a velocidade máxima é de 196 km/h com gasolina e de 198 km/h com etanol.



Já o consumo de combustível esteve dentro do que esperávamos: não era de se esperar que o 1.8 fosse um exemplo de economia mesmo com todas as alterações pelas quais o motor passou, mas o Cronos foi menos beberrão do que o Argo Precision 1.8 automático, que avaliamos em setembro de 2017. Isto porque o hatch automático chega a ser 16 quilos mais pesado do que o sedan manual, de acordo com informações da Fiat. Confira o resultado (com uso moderado do ar-condicionado, start-stop ativo em praticamente todas as situações e sem reabastecimento):

Consumo de combustível (urbano/gasolina): 9,8 km/l
Distância percorrida: 318,1 quilômetros
Velocidade média: 19 km/h

O tanque de combustível acomoda a razoável capacidade de 48 litros. Sua tampa é aberta ao se empurrá-la com o carro destravado.



Para poupar mais combustível, vale conferir a pressão dos pneus no menu do computador de bordo. Seja vazio ou cheio, a Fiat recomenda que seja adotada a pressão de 32 libras.



Diferentemente de sedans como o Prisma (com tampão alto e vidro bastante inclinado), a visibilidade do Cronos pelo retrovisor interno é boa, auxiliada pelos apoios traseiros ajustáveis e complementada pela boa área dos espelhos laterais. De série, o modelo traz o sensor de ré, e a câmera traseira com linhas de guia é opcional. Enquanto isso, no Argo (exceto o HGT 2019, que agora também vem com sensor traseiro de fábrica), os dois são opcionais casados. Outra ajuda para o estacionamento é o espelho direito com função tilt-down ao engatar a ré.


Com boa assistência (levinha nas manobras) e retorno rápido, a direção progressiva é um dos destaques do Cronos, e seu diâmetro de giro de 10,5 metros é razoável. O ajuste em profundidade da coluna de direção e o ajuste do assento em altura ajudam o motorista a encontrar uma posição mais confortável de dirigir. Como outros carros manuais da Fiat, o pedal do acelerador fica em disposição "torta", mais próxima à posição natural do pé do motorista.



Curiosamente, o Cronos tem altura em relação ao solo 0,8 centímetro maior que o Argo, que já lida bem com as irregularidades nossas de cada dia do solo - totalizando 16,5 cm. O esquema de suspensão do sedan segue o tradicional esquema McPherson na dianteira e braços oscilantes inferiores transversais com barra estabilizadora, aliado ao eixo de torção na traseira (com amortecedores hidráulicos telescópicos de duplo efeito e molas helicoidais nos dois eixos), que também transmitem confiança em curvas ágeis.



De série, o Cronos Precision traz uma lista abrangente de itens de segurança, como apoios de cabeça ajustáveis e cintos de 3 pontos para todos (inclusive o central, que adota um esquema de duas fivelas), além de pontos de fixação ISOFIX e Top Tether (no forro traseiro) para cadeirinhas infantis, controles de estabilidade e tração, auxiliar de partida em ladeiras, alerta visual e sonoro em caso do não-uso do cinto do motorista (a partir de 10 km/h), travamento das portas a 20 km/h, pré-tensionadores e ajuste de altura dos cintos dianteiros, freios a disco ventilados na dianteira (com 284 milímetros de diâmetro) e a tambor na traseira (203 mm) com ABS e EBD, acendimento do pisca-alerta em frenagens de emergência, Electronic Rollover Mitigation (limita a possibilidade das rodas se desgarrarem do solo), regulagem de arrastamento do motor (evita o bloqueio das rodas dianteiras em caso de redução brusca de marcha nas desacelerações) e até um recurso que entra em ação quando o controle de tração é desativado: o Torque Transference Control, que reduz a tendência ao subesterço em curvas rápidas, transferindo o torque para a roda motriz externa. Ou seja: o motorista nunca vai se livrar de todos os auxílios eletrônicos presentes no sedan da Fiat.


Já os airbags laterais são opcionais, e não vieram no "nosso" carro; em compensação, a haste de regulagem do encosto dos bancos dianteiros, igual à da versão Drive, é bem mais cômoda do que o ajuste giratório das versões com side-bag, que exige muito esforço.


O Cronos Precision parte de R$ 63 990 e, para ficar igual ao carro avaliado, além da cor metálica (R$ 1700), demanda o acréscimo da câmera de ré (R$ 650) e do Kit Tech (que por R$ 3990, inclui chave presencial com partida do motor por botão, ar-condicionado automático digital, retrovisores com rebatimento elétrico e luzes de cortesia, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, retrovisor interno eletrocrômico e tela colorida de 7 polegadas entre os instrumentos), totalizando o valor de R$ 70 330.



Com 4,36 metros de comprimento, 1,73 m de largura (sem retrovisores; com eles, a largura é de 1,98 metro) e 1,52 m de altura, o Cronos é 7 centímetros mais comprido, 2,6 cm mais largo e 1 centímetro mais alto que o Grand Siena, porém 22 cm mais curto, 0,4 cm mais estreito e com distância entre-eixos 8 centímetros menor do que o Linea. O porta-malas do novo sedan da Fiat é 25 litros maior que o do sedan derivado do Punto e 5 L maior que o Grand Siena.



A garantia padrão do Cronos é de 3 anos, mas pode ser estendida para mais 1 ou 2 anos opcionalmente. É possível escolher entre a garantia apenas para motor e câmbio (R$ 822 por mais um ano ou R$ 1439 por 2 anos) ou a garantia completa (R$ 1070 para mais um ano, R$ 1776 para mais 2 anos).



A Fiat oferece também as revisões pré-pagas, uma alternativa para quem não quer depender do orçamento variável da concessionária. Para fazer as duas primeiras revisões, com intervalo de 10 mil quilômetros ou 1 ano, paga-se R$ 814 (ante 852 reais se fossem compradas separadas). As 3 primeiras revisões saem por R$ 1263; caso cada uma fosse feita individualmente, o valor seria de R$ 1324. No configurador do Cronos também podem ser contratados planos de assistência 24 horas por 1 ou 2 anos.

Boletim comentado do Fiat Cronos 1.8 Precision Manual


Design = 9,5
O Cronos é bonito como o irmão Argo - cada um de seu modo. O sedan da Fiat tem frente mais elegante, adotando uma grade em preto-brilhante e frisos cromados (inexistentes no hatch). Talvez haja certo exagero estilístico ao tentar dar caras diferentes a cada carro, mas o fato é que o Cronos é dono de ângulos genuinamente bonitos, como a lateral e principalmente a traseira, com harmonia e boa proporcionalidade. O carro cedido não trouxe o kit opcional Stile (que agrega revestimentos de couro, maçanetas/frisos cromados e rodas de 17 polegadas), mas as rodas de 16 polegadas de série também são bonitas. Só as quinas arredondadas das janelas destoam um pouco das atuais tendências de design.

Espaço interno = 9,25
Além de manter o já amplo espaço para passageiros disponível no Argo, onde passageiros de 1,80 metro de altura se acomodam com folga na frente e atrás, o Cronos tem 225 litros a mais de porta-malas em relação ao hatch - apenas Cobalt e Etios Sedan conseguem oferecer ainda mais espaço para as bagagens. Há variados nichos para guardar objetos pela cabine, mas há ressalvas: os porta-trecos das portas dianteiras são pequenos, e nem todos os tipos de celulares são bem-acomodados nos porta-objetos do console central.

Conforto = 8,75
O novo sedan da Fiat traz direção macia e progressiva, suspensão que absorve bem as irregularidades do piso, bom isolamento acústico e ergonomia pensada para o motorista, com praticamente todos os comandos à mão. Sua nota neste quesito só não é mais alta porque, sendo manual, invariavelmente, depois de algum tempo dirigindo, o motorista sente o pé esquerdo e a mão direita mais cansados do que estariam se estivesse em um carro automático, especialmente ao considerar que o curso dos pedais e da alavanca é um pouco mais longo que nos rivais.

Acabamento = 8,5
O Cronos Precision possui boa variedade de materiais: plásticos lisos e texturizados, detalhes cromados (no gatilho do freio de mão e nos aros das saídas de ar), porta-objetos centrais com fundo emborrachado, porta-óculos com espuma, além de tecido de boa qualidade nos bancos e forros das portas dianteiras (em maior área, comparando com o Cronos Drive). Houve até o cuidado de oferecer a opção de tapetes de borracha parcialmente revestidos com carpete. O cuidado com o acabamento se estendeu ao porta-malas, todo forrado com carpete, porém, faltou continuidade ao não haver o forro de tecido nas portas traseiras.

Equipamentos = 9,0
O Cronos dispõe de um conjunto abrangente de itens (de série e opcionais) na versão manual - coisa cada vez mais rara no segmento de sedans deste segmento, em que para ter um carro completo, necessariamente é preciso optar pelo câmbio automático. São itens de comodidade úteis no dia-a-dia, como a chave presencial (ao invés de procurá-la, basta passar a mão pela maçaneta), partida do motor por botão, faróis com acendimento automático, ar-condicionado digital automático, central multimídia com as principais funções que se espera de um carro neste nível, e mesmo itens "pequenos" como iluminação do porta-luvas, espelhos nos para-sóis e porta-óculos no teto.

Desempenho = 9,5
Os fãs de automáticos que nos perdoem, mas ainda existe uma emoção em se esticar e poder controlar as marchas manualmente, mesmo que isto cause um pouco de cansaço ao corpo no dia-a-dia (aquela sensação de engatar a quarta marcha, por exemplo). E o Cronos, com seu motor que se vale de uma maior cilindrada para render mais, entrega boa força no cotidiano, mesmo sem precisar levar o motor a mais de 3 mil rpm. Quando submetido ao limite, como no caso da retomada em terceira marcha, o sedan surpreendeu - mesmo considerando que este 1.8 está provavelmente em sua fase final de evolução desde que foi introduzido no Punto e Linea há oito anos. E a estabilidade está à altura dos 135/139 cavalos.

Segurança = 9,0
Além de trazer controles de estabilidade (ESP) e tração (ASR), o Cronos Precision vem de série com ancoragens ISOFIX e Top Tether para fixação de cadeirinhas infantis, auxiliar de partida em ladeiras, airbags frontais, cintos de 3 pontos e apoios de cabeça para todos, pré-tensionadores e ajuste de altura dos cintos dianteiros, e até alguns mecanismos eletrônicos vinculados ao ASR que nem mesmo a Fiat chega a dar muito destaque. Pena é que faltou a inclusão dos airbags laterais de série nesta versão. Um alerta do não-uso do cinto do passageiro dianteiro também seria muito bem-vindo. Argo e Cronos ainda não foram avaliados pelo órgão independente Latin NCAP, mas a Fiat assegura que ambos contam com aços de alta resistência distribuídos pela carroceria.

Consumo de combustível = 8,0
Esperávamos que o Cronos com câmbio manual fosse ligeiramente mais econômico em relação ao Argo 1.8 automático que avaliamos em setembro de 2017, pois, apesar de ter uma marcha a menos, o câmbio manual representa uma diminuição de peso (e de exigência de força do motor). Na prática, houve uma melhoria perceptível: os 9,8 km/l com gasolina na cidade foram superiores aos 8,5 km/l registrados pelo hatch, mesmo este tendo andado a uma velocidade média um pouco superior. O resultado, no entanto, está bem longe dos 11,6 km/l declarados pelo Inmetro para o sedã nas mesmas condições. Para quem deseja mais economia, o jeito é optar pelo Cronos 1.3.

Custo-benefício = 8,75
O Fiat Cronos provou que irá atender bem quem procura um sedã "compacto quase médio" e prefere levar o carro com o câmbio manual: na prática, a versão Precision 1.8 automática traz a mais controlador de velocidade de cruzeiro, apoio de braço para o motorista e shift-paddles para trocas sequenciais. Ainda assim, sobram no Cronos mimos indisponíveis em praticamente todos os outros oponentes. Exemplo: quem quiser ar-condicionado digital, câmera de ré ou revestimentos de couro num Virtus, Yaris ou City precisa aderir a versões automáticas. É verdade que, quantitativamente, o público que prefere um sedan completo manual é reduzido - mas merece ser atendido.

Nota Final = 8,9
Conclusão: O Fiat Cronos Precision mostrou que é uma alternativa que não apenas deve agradar o público cativo de Grand Siena e Linea, como também quem está de olho em um dos novos sedans do mercado brasileiro, como Virtus, Yaris e City. Compará-lo a Prisma e HB20S, mesmo em suas versões mais completas, chega a ser covardia - por conta do maior porte do Cronos, de sua maior performance e do patamar superior de equipamentos de conforto e segurança da novidade.

Venha conferir a galeria do Fiat Cronos Precision 1.8 Manual!


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