VW Golf GLX 2.0 1998 Nardo Grey: um Project Car brasileiro com estilo gringo!

Texto e fotos | Júlio Max, de Teresina - PI
Matéria feita em parceria com @showcarsthe

Primeiro modelo da Volkswagen importado para o Brasil depois que veículos estrangeiros puderam novamente ser comercializados em nosso mercado na década de 1990, o Golf de terceira geração (Mk3) é até hoje um queridinho dos customizadores em diversas partes do mundo. Na internet é possível acompanhar vários destes projetos, que incluem repinturas, rodas maiores, suspensões e motores preparados, body-kits e até a troca completa da frente pela do Jetta Mk3 - carros modificados assim são informalmente chamados de "Jolf".

A terceira geração do Golf veio ao mundo no ano de 1991 e desembarcou no Brasil em fevereiro de 1994, inicialmente na versão GTi. A partir de abril de 1995, o Golf passou a ser disponibilizado nas versões GL 1.8 e GLX 2.0. 


Nesta matéria, a estrela é o exemplar personalizado @mk3.nardo, um modelo GLX 1997/98 que nasceu humilde, mas recebeu motor 2.0 Turbo e uma série de modificações que deixaram seu visual bem mais agressivo. A carroceria foi pintada no tom Nardo Grey, mesma cor disponível na linha Audi Sport. Originalmente, este exemplar era verde-escuro, mas a carroceria estava com pintura queimada e com muitos riscos. 


Por fora, o Golf Nardo Grey se destaca com as rodas BBS de 17 polegadas com pneus 205/40, capas dos retrovisores e aerofólio pintados de preto, além de faróis e lanternas escurecidos. Outro detalhe interessante são os prolongamentos refletivos na tampa do porta-malas, batizados de "Heckblende" e populares na Europa.


No interior, os destaques são o volante esportivo Lotse de três raios e a manopla de câmbio também da Lotse. Outra modificação foi a troca do forro de teto cinza pelo preto, incluindo também as colunas e alças. O GLX traz direção hidráulica, ar-condicionado, vidros elétricos nas 4 portas, regulagem do brilho dos instrumentos, travas e retrovisores elétricos, ajuste de altura do banco do motorista e dos cintos dianteiros, banco traseiro bipartido, espelhos nos dois para-sóis, além de barras de proteção lateral e alerta visual de cinto do motorista desafivelado, preocupações com a segurança que começaram a surgir nos anos 90.


No quadro de instrumentos, velocímetro e conta-giros traziam telinhas digitais para o hodômetro e relógio. As alavancas de seta e limpadores, muito familiares, são as mesmas do Gol bola. Neste carro, foi instalado o visor da Fueltech junto da cúpula dos instrumentos, permitindo acompanhar, por exemplo, como está a pressão do turbo e a temperatura do motor.


Um detalhe peculiar: os comandos dos vidros elétricos dianteiros ficavam na porta do motorista, enquanto os botões dos vidros traseiros ficavam no canto direito do console de botões do painel. E, pensando na comodidade do público norte-americano e de suas rotineiras passagens em drive-thrus, ele já trazia dois porta-copos no console, à frente da alavanca de câmbio. Curioso é que o Golf da geração seguinte acabou adotando um porta-copos embutido no painel, uma solução que acabava atrapalhando o uso do rádio quando algum copo estava ali.


Em termos de acabamento, o Golf possui a parte superior do painel toda confeccionada em material macio ao toque, além de ilhas finas de tecido nas portas (a textura lembra a do Fox) e bancos também em tecido com a parte central com tramas de triângulos coloridos, um detalhe que grita "anos 90"!


Originalmente, o Golf GLX trazia motor 2.0 com injeção eletrônica multiponto de 114 cavalos e 16,8 kgfm de torque, aliado ao câmbio manual de 5 marchas. A partida deve ser feita necessariamente com a embreagem pressionada. Segundo a VW, o GLX acelerava de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos e chegava à velocidade máxima de 196 km/h. 


Mas... o Golf Nardo Grey está bem mexido. Traz pistões forjados Apex, cabeçote do motor retrabalhado, comando de válvulas Spa 288º, turbina 42.48 da ZR Turbo, embreagem Ceramic Power, injeção eletrônica programável FuelTech FT 250, sonda Bosch 4.2.1 e escapamento de 3 polegadas com ponteira de 6 polegadas. Quando o acelerador é pressionado pra valer, as puxadas são violentas e a pressão do turbo sobe até o pico de 1,58 bar. Segundo seu atual proprietário, o rendimento estimado deste carro é de 250 cavalos nas rodas.


A geração Mk3 do Golf foi vendida no Brasil até 1998; no final daquele ano, era apresentado ao nosso País o Golf Mk4, que passou a ser fabricado nacionalmente em São José dos Pinhais (Paraná) a partir de meados de 1999.

Impressões ao Dirigir


Para quem é acostumado ao abrir e fechar de portas de outros modelos dos anos 90, em que normalmente é preciso bater a porta com força e às vezes as maçanetas são duras, o Golf Mk3 até surpreende neste sentido. Chave no contato, vidros abaixados (basta um toque nos botões) e motor ligado. O ronco é grave e instigante. A preparação deixou o carro nervosíssimo, mas se for preciso usar o carro para alguma situação de dia-a-dia, ele aceita sair do semáforo de segunda marcha sem reclamar, e recentemente este exemplar recebeu reparos no sistema do ar-condicionado.


Por ter direção hidráulica, este Golf também não vai exigir aquela "luta" com o volante que é comum destes carros preparados. O volante Lotse, aliás, tem material espumado e agradável para as mãos. Os bancos acomodam bem o corpo, trazendo bons apoios laterais. Mesmo com a suspensão mais baixa (com kit coilover) e os pneus de perfil bem mais baixo, em nenhum momento o Golf raspou ou exigiu cuidado excessivo ao passar por alguma irregularidade do piso.

Vem conferir mais fotos do Volkswagen Golf GLX 2.0 Turbo 1997/1998 Nardo Grey!








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