Este Chevrolet Kadett SL 1993 Turbo engana muitos desavisados...

Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina - Piauí
Colaborou nesta matéria | José Moisés
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Lançado em abril de 1989 no Brasil, o Chevrolet Kadett chegou interrompendo um período de marasmo na indústria automotiva do nosso País - que, naquele final da década de 80, ainda se contentava com novas versões e retoques em automóveis que eram velhos conhecidos. Lançamentos totalmente novos eram coisa rara. Baseado no Kadett geração "E" alemão, que chegou à Europa em 1984, o hatch ocupou a faixa de mercado entre o Chevette e o Monza, rivalizando diretamente com o Ford Escort. Um de seus encantos era a sua carroceria aerodinâmica: seu Cx era de 0,32 nas versões convencionais, numa época em que os outros carros de passeio nacionais tinham Cx em torno de 0,40 ou superior (quando menor o valor, maior a facilidade de "cortar o ar" do veículo). A frente tinha formato de cunha, a traseira ostentava uma queda acentuada em direção ao porta-malas, seus retrovisores eram embutidos à carroceria, e não havia quebra-ventos nem calhas na junção das laterais com o teto.

O Kadett chegou ao País em três versões: SL, SL/E e GS. Ainda em 1989, ele passou a ter a companhia da Ipanema, station wagon inicialmente lançada em carroceria de duas portas, e que passou a ter a opção de 4 portas em 1993. Duas novidades marcaram o ano de 1991: o surgimento do modelo GSi, com injeção eletrônica, e a chegada da carroceria conversível (leia mais sobre este modelo aqui). Para 1994, a linha Kadett passou a ter novo painel, e mudaram as versões: GL, GLS e GSi. Com o lançamento do Astra belga, o Kadett acabou perdendo as versões mais completas, mas seguiu firme no mercado como uma opção de hatch médio mais acessível. Em 1995, recebeu uma reestilização, com novidades que, somadas à boa relação custo-benefício, lhe permitiram ficar no mercado até 16 de setembro de 1998, quando encerrou-se sua produção em São Caetano do Sul (SP).

O exemplar desta matéria é um SL 1993 com motor turbinado e rendimento aproximado de 290 cavalos. Ele é o carro para curtir o fim de semana de um amigo nosso, Igor Sales. Na parte externa, este Kadett é um sleeper: não há aerofólio traseiro e a tampa do porta-malas carrega o emblema "1.8" - mas o propulsor deste carro é 2.0. As rodas de liga leve "California" de 15 polegadas (com pneus 195/55), os piscas dianteiros translúcidos e a ponteira de escape mais larga, com 2,5 polegadas, estão entre as poucas modificações do lado de fora. 

Aliás, justamente no ano de 1993, houve uma leve modificação no estilo frontal do Kadett. O símbolo da Chevrolet, que antes ficava na grade frontal, passou a ser alojado no capô em tamanho menor, num escudo de fundo preto, detalhe que ajudou a estabelecer certa uniformização entre o estilo dianteiro do Kadett e o de outros modelos da marca que passaram a ser vendidos no Brasil, como Omega, Vectra e Calibra (todos também tinham o emblema da marca também no capô). No volante, passava a constar um emblema com o nome "SL".

Neste exemplar, o mencionado volante de dois raios deu lugar ao modelo de 3 raios que equipou os modelos mais recentes do Kadett e também esteve no Corsa. Mostradores da Fueltech estão no quadro de instrumentos (Meter Slim) e no espaço para o rádio. Outras modificações foram as pedaleiras e a manopla de câmbio, da Shutt.

Entre os opcionais disponíveis no Kadett SL em 1993 estavam: janelas laterais traseiras basculantes, limpador e desembaçador traseiro, alarme, ar quente, para-brisa degradê, banco traseiro bipartido e o interessante ajuste de altura da suspensão traseira, um opcional bem raro. Já a lista de equipamentos de fábrica para esta versão incluía acendedor de cigarro com cinzeiro, espelhos externos com controle interno, bancos dianteiros com encostos de cabeça vazados e ventilação forçada.

O quadro de instrumentos para esta versão trazia o velocímetro ao centro, com hodômetro embutido, escala iniciando em 20 km/h e fundo quadriculado, como era comum em outros Chevrolet de sua época. Do lado esquerdo ficava o indicador de temperatura do líquido do motor e, à direita, o marcador do nível de combustível. Mais abaixo ficavam as luzes de advertência. 

Mesmo sendo a versão mais simples, o acabamento é bom, com painel levemente macio ao toque (mais perceptível na cúpula do quadro de instrumentos) e veludo no forro de teto. Neste exemplar também há bancos e forros de porta inteiramente forrados em couro.

Desde 1992, toda a linha Kadett passou a ter injeção eletrônica de combustível, mas o sistema era diferente entre as versões. Só o esportivo GSi tinha a injeção multiponto (MPFI), com 4 bicos injetores (um para cada cilindro); nas demais versões, havia um único bico injetor (EFI).

Em 1993, era possível adquirir o Kadett SL com motor 1.8 a gasolina (com 98 cavalos e 14,6 kgfm de torque) ou 1.8 a álcool (99 cavalos e 16,0 kgfm). Já o GSi só tinha a opção do motor 2.0 a gasolina, com 121 cavalos e 17,7 kgfm de torque. Em todas as versões, o câmbio era manual de 5 marchas, mas a versão SL/E 1.8 a gasolina podia receber como opcional o câmbio automático de 3 marchas.

Mas neste carro, no lugar do motor 1.8 original do SL, está um 2.0 Turbo (com turbina Garrett M12 .50, que roda com até 1,5 kg de pressão), TBI (sigla em inglês para corpo da borboleta na injeção de combustível) do Omega 4.1, injeção programável Fueltech FT 300 (com wideband), bicos injetores Deka 80, duas bombas injetoras de combustível (que se fazem audíveis na ignição do carro) e polia regulável.

Igor comenta que mais upgrades para este Kadett estão a caminho: entre elas, novos faróis e aerofólio traseiro. 

As diferenças entre o Kadett SL e o GSi

Logo depois da sessão de fotos com o Kadett SL, este carro foi posicionado ao lado de um exemplar da versão GSi em um encontro de veículos antigos no estacionamento da Ponte Estaiada de Teresina. Curiosamente, ambos eram ano 1993. Lado a lado, ficaram bastante evidentes as diferenças entre o modelo básico e o completo da linha Kadett.

Na parte frontal, o GSi trazia o símbolo da Chevrolet em tamanho maior no capô, enquanto o SL (e o SL/E) traziam o escudo da marca com o fundo preto. A grade superior da versão esportiva é um pouco menor e possui tela de proteção, enquanto o SL possui 20 entradas de ar em formato de trapézio. O para-choque também era pintado no GSi (exceto os frisos) e a versão mais cara dispunha de faróis de neblina e de limpadores dianteiros com apêndices aerodinâmicos.

Lateralmente, o GSi se diferenciava por ter teto solar com operação manual (opcional), rodas de liga leve, retrovisores pintados na cor da carroceria, janelas laterais traseiras basculantes e adesivos com o nome da versão logo abaixo dos frisos.

Atrás, além do aerofólio traseiro, o GSi trazia lanternas com bordas escurecidas e lanterna de neblina no lado esquerdo. O para-choque também era diferente entre os modelos, sendo mais bojudo no SL e pintado na cor da carroceria no GSi. O esportivo tinha ainda a saída dupla de escapamento. Por dentro, o Kadett GSi se diferenciava por ter quadro de instrumentos digital, forrações exclusivas, volante de três raios e mais equipamentos - entre eles, bancos Recaro, computador de bordo, rádio com toca-fitas, alarme e regulagem de altura da coluna de direção e do assento do motorista. Porém, mesmo sendo a versão topo-de-linha, no GSi ainda eram opcionais a direção hidráulica e o ar-condicionado.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Chevrolet Kadett SL 1993 2.0 Turbo!




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Comentários

  1. Fui o feliz ex proprietário deste veículo. Passei com muito aperto no peito para meu amigo Igor levar mais a frente as modificações e preparações neste carro.
    Fico satisfeito que a minha paixão por este carro está refletida no seu interesse de mante-lo íntegro.
    Meus parabéns a você Igor e ao Canal por esta reportagem bem elaborado.

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