Renault Kwid Outsider 2023: dirigimos a versão completa do aventureiro

Texto e Fotos | Júlio Max, de Teresina (PI)
Colaborou nesta matéria | Davi Elias

Quando a Renault lançou o Kwid no Brasil em julho de 2017, chamou a atenção o mote utilizado pela marca para promovê-lo: ele ficou conhecido como "o SUV dos compactos". Até então, o segmento de subcompactos no Brasil ainda não tinha um modelo com pretensões aventureiras - no máximo, eram oferecidas algumas versões dos hatches com traje off-road (como Mobi Way e cross up!). O preço do Renault, que era inferior ao dos rivais de então, foi um fator decisivo para pavimentar o sucesso do Kwid, que já teve mais de 277 mil exemplares emplacados no Brasil. Agora, passados quase cinco anos após sua estreia, o carro de entrada da Renault no nosso País passa por sua primeira reestilização em seu ano-modelo 2023, que está disponível nas concessionárias em três versões: Zen, Intense e Outsider.

O Auto REALIDADE passou um dia com o Kwid Outsider 2023, que continua sendo a versão topo-da-linha do hatch aventureiro. Lançado em maio de 2019, o Outsider chegou com diferenciais estéticos em relação à versão Intense, que era o modelo top até sua chegada. Como a Renault eliminou várias versões do Sandero (que hoje, em sua opção mais simples S Edition 1.0, parte de R$ 80.790), o Kwid ficou livre para subir um pouco mais na vida. 

A versão Outsider tem preço de R$ 67.690, mais R$ 1.500 pela pintura metálica. Seu arquirrival Fiat Mobi Trekking, com motor 1.0 Fire Flex de quatro cilindros e 74 cavalos com etanol, tem valor inferior (R$ 63.990). Em compensação, o Kwid Zen é tabelado em R$ 59.890 (menos do que os R$ 60.990 cobrados no Mobi Like). Ambos começam o ano de 2022 sem suas versões básicas (Kwid Life e Mobi Easy): para custar menos, os dois abriam mão de itens triviais para a imensa maioria dos consumidores, e não traziam ar-condicionado, direção assistida ou vidros elétricos.

As mudanças no visual do Kwid 2023 já são bem evidentes a partir da dianteira, que passa a contar com conjunto ótico desmembrado em dois níveis. Na parte superior ficam as luzes de condução diurna de LED e os piscas halógenos, enquanto mais abaixo estão os faróis de facho baixo e alto, ambos halógenos e agora com parábolas separadas. Os faróis de neblina foram limados no novo modelo.

A grade dianteira também foi redesenhada e passa a ter dois filetes cromados na barra horizontal superior, como no atual Captur. Completando as novidades na parte dianteira, o para-choque está redesenhado, e seu novo estilo melhorou o ângulo de ataque do Kwid de 23 para 24,1 graus. Na versão Outsider, a parte inferior dos para-choques conta com molduras prateadas de proteção, chamadas de "skis" pela Renault. 

Lateralmente, a versão Outsider manteve o adesivo nas portas dianteiras que identifica a versão, em conjunto com a moldura plástica de proteção das portas. Além disso, as capas dos retrovisores externos possuem a cor preto-brilhante. O mais completo dos Kwid dispõe de barras longitudinais de teto, mas elas são meramente decorativas e não podem ser utilizadas para apoiar cargas (há até um aviso em inglês gravado no plástico, alertando sobre isso). Da mesma maneira, a Renault não recomenda a instalação de reboques no veículo.

Pela primeira vez, tanto o Kwid Intense com pintura Biton quanto o Outsider passam a vir de fábrica com rodas de liga leve. Mantendo a sustentação por três parafusos, elas possuem 14 polegadas, face diamantada com detalhes em preto e pneus Continental EcoContact 6 165/70, com 20% a menos de resistência de rolagem, segundo a Renault. Outra novidade, disponível para as versões Intense e Outsider, é a disponibilidade da cor Azul Iron para a carroceria, também presente para o Captur; as outras opções de tonalidades para o Kwid são o Vermelho Fogo, o Branco Glacier, o Prata Étoile e o Preto Nacré. A versão Intense passa a ter de fábrica a opção da pintura da carroceria em dois tons (biton), onde a cor preta do teto, colunas e capas dos retrovisores contrasta com a pintura do restante da carroceria.

Na parte de trás, o Kwid incorpora novo estilo interno para as lanternas, que agora são escurecidas e trazem luzes de posição em LED a partir da versão Intense. Finalmente, o subcompacto passa a ter duas luzes de ré. Além disso, seu para-choque traseiro está retocado e com ângulo de saída ampliado de 40 para 41,7°. Ele é semelhante ao do modelo anterior, mas passa a trazer refletores verticais e novos vincos. Assim como na dianteira, no Outsider há uma moldura central prateada logo abaixo do alojamento para a placa de identificação do veículo. Há ainda a câmera de ré a partir da versão Intense, "camuflada" na parte interna do logotipo da Renault.

Apesar das mudanças de estilo, o Kwid 2023 manteve praticamente todas as dimensões da carroceria: 3,68 metros de comprimento, 1,58 m de largura (desconsiderando retrovisores) e 2,42 metros de distância entre-eixos. Apenas a altura do veículo foi ampliada em 7 milímetros, passando para 1,481 metro. 

O interior do Kwid também traz novidades no ano-modelo 2023. Na versão Outsider, os antigos detalhes em laranja sumiram. Eles estavam nas laterais dos bancos (que agora possuem a cor verde Citron), nos frisos dos forros de porta dianteiros (que passam a ser pintados na cor cinza Cassiopée, assim como os aros das saídas de ar laterais), nos frisos dos raios do volante (atualmente cromados) e no pomo da alavanca de câmbio (agora na cor preto-brilhante, com informações das posições de marcha em branco, moldura cromada e costuras da coifa em verde Citron). 

O painel do Kwid manteve as formas já conhecidas e as texturas de acabamento do modelo anterior, permanecendo com plástico rígido em toda a extensão dos forros de porta e no painel. Já as antigas maçanetas internas em plástico fosco abrem lugar para peças com pintura cromada.

O volante da versão Outsider possui detalhes em preto-brilhante em seus três raios, mas mantém o revestimento de plástico espumado e o formato do modelo anterior (no atual Kwid indiano, os botões de buzina ficaram mais afastados e passaram a ser alojados nos raios laterais). A coluna de direção permanece fixa.

O quadro de instrumentos foi totalmente modificado. Antes, havia conta-giros à esquerda, velocímetro analógico ao centro e uma telinha digital no canto direito que exibia as informações do computador de bordo. Agora, todas as versões do Kwid passam a ter um cluster mais sofisticado, com iluminação branca e detalhes em azul. O conta-giros, a marcação do nível de combustível e a indicação da temperatura do líquido de arrefecimento do motor (antes indisponível no modelo) passam a serem exibidos em escalas de luzes de LED, ao invés dos ponteiros tradicionais. Por algum motivo, no Brasil a marca achou de bom tom colocar a inscrição "RENAULT" na parte superior dos instrumentos.

Ao centro, a tela monocromática é bem informativa, e concentra velocímetro digital, hodômetro total, indicação de porta aberta (que mostra individualmente qual delas foi aberta e também alerta sobre a tampa traseira aberta), alerta do não-uso do cinto de segurança no banco traseiro, ícones de sugestão de troca de marcha e as informações do computador de bordo, que são alternadas por uma haste no canto direito da cúpula dos instrumentos. É possível conferir autonomia estimada, distância percorrida A e B, litros de combustível consumidos, consumo de combustível médio ou instantâneo, velocidade média e monitoramento de pressão dos pneus (caso algum pneu esteja com pressão abaixo da ideal, uma luz-espia se acende). Quando a ignição é ligada, os instrumentos "saúdam" o motorista e se acendem por completo.

As hastes de luzes e limpadores permanecem iguais. As posições da chave giratória dos faróis continuam as mesmas: desligado, luzes de posição ligadas ou faróis baixos ligados. Ao movimentar a alavanca levemente, sem acioná-la até o clique, as setas piscam 3 vezes. Caso a ignição esteja desligada, os faróis estejam acesos e uma das portas dianteiras estiver aberta, é disparado um alarme sonoro para lembrar o motorista de desligar os faróis. 

Já a haste dos limpadores dianteiro e traseiro possui as posições de varredura lenta (mist), varredura intermitente (dependendo da velocidade) e varredura contínua lenta ou rápida. O Kwid mantém o limpador único dianteiro (acompanhado de um único esguicho), com boa área de varredura do para-brisa, além do limpador traseiro.

A parte central do painel da versão Outsider mantém o acabamento em preto-brilhante. Abaixo das saídas de ar e emoldurada por dois frisos cromados fica a tela do sistema multimídia Media Evolution (de série a partir da versão Intense), que cresceu de 7 para 8 polegadas e possui novos botões. No lugar do ajuste do volume pelas teclas "-" e "+", há agora um comando giratório, bem mais prático e com aro iluminado, à direita da tela, acompanhado de um botão "Push to Talk" de atalho para o menu de telefone. Este mesmo comando do volume, ao ser apertado, liga e desliga a central.  No mais, o sistema multimídia mantém o layout do modelo anterior e as funcionalidades já conhecidas:

  • Rádio: permite alternar entre estações AM ou FM e salvar as rádios preferidas.    
  • Mídia: é possível acessar neste menu as mídias que estejam em dispositivos USB, na entrada auxiliar ou Bluetooth, inclusive vídeos, a depender do formato.
  • Driving Eco²: subdivide-se entre o relatório de viagem, o Eco Scoring e o Eco Coaching. O relatório registra a distância percorrida, velocidade média, tempo de viagem e a distância pela qual não houve consumo de combustível. O Eco Scoring dá uma nota ao motorista sobre seu estilo de condução: quanto mais o motorista busca manter hábitos que economizam combustível, maior a nota. Há ainda "estrelas" de avaliação da aceleração do motorista, de suas trocas de marcha e da antecipação que o condutor possui do trânsito: ao acelerar mais suavemente, efetuar as mudanças de marcha nos momentos recomendados e desacelerar de forma menos brusca, o motorista vai "ganhando pontos". Por fim, o Eco Coaching dá instruções variadas ao motorista sobre como economizar combustível.
  • Telefone: é possível parear o celular através do Bluetooth, verificar os aparelhos já conectados e removê-los, além de conferir a lista de contatos e fazer chamadas telefônicas.
  • Configurações: está subdividido em outros quatro submenus:
    • Áudio: permite aumentar automaticamente o volume com o carro em movimento a acima de 40 km/h, ativar ou desativar a função Loudness (de otimização dos sons graves e agudos), ajustar o Balanço/Fade (permite distribuir espacialmente o som e regular graves, médios e agudos), além de ajustar o volume do toque do telefone e das instruções do GPS, caso sejam reproduzidos.
    • Tela: é possível alterar o brilho do monitor touchscreen, alternar entre o tema escuro ou claro no sistema multimídia e ativar ou desativar a imagem da câmera traseira ao engatar a marcha-a-ré.
    • Conectividade: permite conferir os dispositivos já conectados, removê-los e alterar a senha para pareamento, além de conferir as instruções sobre como parear.
    • Sistema: aqui, é possível alterar o idioma, o relógio, conferir as informações do sistema e restaurar as configurações de fábrica.

Pela tela do sistema multimídia também é possível conferir a imagem da câmera de ré (que pode ter a cor e o brilho modificados, bem como ter as linhas fixas de guia desativadas) e espelhar o conteúdo do smartphone através do Android Auto ou Apple CarPlay, utilizando-se do cabo USB. 

É a única forma de utilizar aplicativos de GPS, pois o Kwid, há alguns anos, deixou de ter o app de geolocalização na memória do aparelho. Quando o Android Auto ou Apple CarPlay estão ativos, um pequeno botão de atalho no canto direito da tela para acesso à interface de espelhamento é exibido no menu inicial.

O sistema multimídia agora pode ser controlado pelos comandos-satélite fixados à direita da coluna de direção. Há botões para controle do volume, seleção da fonte do áudio (rádio AM, FM ou mídia), acessar o menu de telefone e um rolinho na parte direita para alternar entre as faixas de rádio ou de mídia. 

O sistema de som mantém os dois alto-falantes localizados nos cantos superiores do painel, e é plenamente nítido aos ouvidos que o áudio fica distanciado, como se você estivesse sentado de frente para um daqueles toca-CDs portáteis que fizeram sucesso até os anos 2000. Com o carro desligado e os vidros fechados, até que a reprodução de som é agradável, mas basta ligar o carro e aumentar o volume para perceber a (esperada) limitação na reprodução dos graves e agudos, mesmo ajustando o equalizador de som na tela do sistema multimídia. 

Logo abaixo da tela do sistema multimídia estão os botões de acionamento elétrico dos vidros dianteiros (sem acionamento por um-toque), do travamento das portas, do pisca-alerta e do desembaçador do vidro traseiro. Vale lembrar que o modelo dispõe de travamento das portas em movimento, a partir de 7 km/h, e manteve os pinos nas portas que se abaixam quando elas são travadas.

O ar-condicionado permanece com os comandos já conhecidos. O botão giratório à esquerda controla a temperatura do aparelho, enquanto ao centro é ajustado o ventilador em 4 velocidades e, à direita, se regula o direcionamento da ventilação. Para alternar entre captação do ar externo ou vedação, há um comando deslizante ao centro. Já o botão A/C liga ou desliga o compressor de ar.

No início do console central, com moldura na cor preto-brilhante, passa a ser acomodada a entrada USB. Em avaliações anteriores de modelos da Renault, nós do Auto REALIDADE criticamos o posicionamento anterior desta conexão, que antes ficava junto da moldura da tela do sistema multimídia, exigindo um posicionamento ruim do cabo USB para conectar dispositivos (o que, a longo prazo, poderia danificá-lo) e fazia com que pen-drives espetados pudessem ser vistos de longe. Agora, as entradas USB e auxiliar estão juntas e em um local mais prático. Elas ficam próximas de uma tomada de 12 Volts/120 Watts e do porta-objetos do console central, com porta-copo embutido e um nicho para miudezas. Há ainda um simpático "easter-egg": a silhueta da lateral esquerda do Kwid.

Atrás da alavanca de câmbio fica a alavanca de freio de mão, e ambas possuem coifas em couro sintético. A alavanca do freio de estacionamento é fácil de ser deslocada para cima e para baixo, mas o gatilho é um tanto quanto duro de ser acionado. Abaixo dele, o formato do console permite guardar objetos pequenos.

Os comandos dos retrovisores externos elétricos estão posicionados na parte esquerda do painel, juntamente com o botão do destravamento da tampa do porta-malas e o acionador ou inibidor do Stop & Start, que é novidade para o modelo e está presente em todas as versões.

O Kwid mantém seu único foco de iluminação de teto entre os para-sóis, com as posição desligado, ligado com porta aberta ou permanentemente ligado. Também fica no teto o microfone para captação da voz. Não há alças de teto. Apenas o para-sol do passageiro dispõe de espelho, sem tampa, enquanto a peça do motorista possui uma tira que serve como porta-documento.

O porta-luvas mantém sua grande tampa, que incorpora um porta-cartões e até um porta-caneta; ao fundo, há um leitor OBD2 para scanners veiculares. Para seu segmento, o espaço deste compartimento do Kwid é bem satisfatório. A partir da versão Intense, o porta-luvas é iluminado. 

Os forros das portas dianteiras possuem nichos generosos para guardar objetos, como garrafas. Assim como nos forros dianteiros, atrás também há frisos pintados em cinza Cassiopée. Como no Mobi, todas as versões do Kwid possuem manivelas para levantar e baixar os vidros traseiros.

Os bancos dianteiros mantiveram o formato do modelo anterior, em que os encostos de cabeça são integrados aos apoios para as costas. É uma modalidade de contenção de custos para a montadora também aproveitada no Fiat Mobi e no já falecido Volkswagen up!. O Outsider possui novos revestimentos de tecido acinzentado com couro sintético nas laterais e na parte traseira dos assentos dianteiros, costuras duplas em verde Citron e o nome da versão bordado nos encostos dianteiros, com o "r" de Outsider em verde. Os ocupantes dianteiros dispõem de cintos com limitadores de carga e regulagem de altura, mas o banco do motorista não dispõe deste tipo de ajuste.

O banco traseiro também se manteve o mesmo. Há três apoios de cabeça ajustáveis em altura, cintos de três pontos e fixações ISOFIX e Top Tether para cadeirinhas infantis, além de partes revestidas de couro sintético. A partir da versão Intense, há dois porta-revistas bastante amplos atrás dos assentos dianteiros. No Kwid é possível baixar o encosto do banco traseiro, porém não é possível rebater o assento - que é levemente recuado em sua parte central. Atrás, o espaço interno é bom para a cabeça e justo para os joelhos. Quem tem 1,80 metro de altura consegue sentar atrás de outra pessoa da mesma estatura.

Em termos de segurança, o Kwid 2023 evoluiu seu pacote de equipamentos - e, o que é melhor, todos os novos itens estão presentes desde a versão básica Zen. Além dos quatro airbags (frontais e laterais nos bancos dianteiros) e dos freios ABS, com discos ventilados na dianteira e tambores atrás, o subcompacto passa a ter controle de estabilidade, assistente de partida em ladeiras (que mantém o carro freado por 2 segundos após liberar o pedal do freio em subidas) e alerta visual e sonoro do não-uso do cinto de segurança nos bancos dianteiros e traseiros a partir de 20 km/h.

Segundo a Renault, os airbags laterais se inflam em choques onde a velocidade da colisão na lateral do Kwid é de 50 km/h ou mais. Já os airbags frontais podem ser abertos em batidas contra barreiras rígidas a partir de 25 km/h ou em choques contra outros veículos a partir de 40 km/h (desde que 40% ou mais da área frontal do Kwid seja afetada pela colisão).

A chave-canivete do Kwid Outsider 2023 mantém o estilo e as funcionalidades já conhecidas. Com bordas cromadas e aplique na cor marfim, a chave possui botão para abrir ou recolher a lâmina, além de botões para travamento ou destravamento das portas - não há sinal sonoro ao travar ou destravar o carro, somente o acendimento dos piscas. Vale ressaltar que não há funcionalidade do acionamento dos vidros associado ao travamento/destravamento. Ou seja, ao travar o veículo com uma janela aberta, ela continuará assim. Na chave há ainda um botão que, ao ser pressionado por 2 segundos, destrava a tampa do porta-malas. 

Falando nele, o compartimento de bagagem manteve o espaço de 290 litros (ou 1100 litros com o encosto do banco traseiro rebatido) e também pode ter sua tampa destravada ao apertar um botão na parte esquerda do painel. O compartimento é forrado em carpete, mas a entrada do porta-malas possui uma área metálica exposta, a tampa não possui maçaneta ou alça para facilitar o fechamento (demandando apoiar a mão na própria lataria, um problema se o carro estiver sujo) e o habitáculo não dispõe de iluminação.

O estepe também possui um pneu de perfil 165/70, inclusive mantendo a marca Continental; em relação aos demais pneus, só muda a roda, que é de aço, mas também com 14 polegadas. O triângulo fica acima do forro do porta-malas, enquanto as demais ferramentas estão mais abaixo.

Diferentemente de como era dado como certo por boa parte da mídia especializada, o motor 1.0 B4D de três cilindros e 12 válvulas não recebeu o duplo comando de válvulas presente no Sandero 1.0 SCe. Com os ajustes que fazem com que o Kwid atenda às normas de emissões do Proconve L7 (que incluem a adoção de sensor de fase do comando de válvulas, nova central eletrônica e nova calibração), o propulsor, que trabalha a uma taxa de compressão de 11,5:1, passou a entregar ligeiramente mais força: agora, são 71 cavalos a 5500 rpm com o combustível derivado da cana-de-açúcar (1 cv a mais) e 68 cv com gasolina (2 cv a mais), também a 5500 rpm. O torque agora é de 10,0 kgfm com etanol (antes, era de 9,8 kgfm), atingido a 4250 rpm (antes, era atingido a 4000 rpm), enquanto o torque com gasolina se manteve em 9,4 kgfm a 4250 rpm. É preciso ponderar que o Kwid Outsider manteve o baixo peso da carroceria (825 quilos, enquanto o Mobi Trekking registra 969 kg na balança), o que colabora para que o Renault consiga ter certa agilidade mesmo com números de potência e torque um pouco menores do que outros compactos.

Finalmente, foi eliminado no Kwid o reservatório de partida a frio, que para os dias atuais era um inconveniente. Afinal, sua utilidade era bastante específica (em regiões de temperaturas mais frias, caso o carro estivesse abastecido completamente com etanol, a gasolina inserida no tanquinho de 540 mL era injetada no motor durante a ignição). Com o pré-aquecimento dos bicos injetores, o reservatório (que ficava próximo ao recipiente do lavador do para-brisa) deixou de ser necessário. 

Além disso, a bateria passa a contar com o desligamento do alternador para regeneração de energia durante as desacelerações. O chamado sistema ESM (Energy Smart Management) atua assim que o motorista retira o pé do acelerador, situação em que o motor começa a desacelerar sem consumir combustível. Nesse momento, o alternador passa a recuperar energia e enviá-la para a bateria, sem implicar em consumo adicional de combustível. Durante a aceleração do veículo, o alternador não precisa retirar energia do motor para enviar à bateria, uma vez que a recarga é feita nas desacelerações.

O capô mantém a manta de isolamento, e também houve o cuidado de cobrir parcialmente a bateria, mas o cofre do motor e a parte interna do capô não recebem a mesma pintura do restante da carroceria: é possível ver nitidamente a camada "primer". A curiosa alavanca de abertura do capô, que lembra um comando de afogador, permanece no Kwid.

Todas as versões do Kwid 2023 mantêm o câmbio manual de cinco marchas. A ré fica na parte superior esquerda e exige que uma arruela seja levantada para seu engate. Durante a condução, o quadro de instrumentos exibe ícones que sugerem a troca de marchas, conforme a rotação do motor, a velocidade do veículo e a força aplicada ao pedal do acelerador.

O tanque de combustível é aberto por uma alavanca posicionada no lado esquerdo do piso do motorista. O Kwid manteve a capacidade do tanque de apenas 38 litros, fator que limita sua autonomia em percursos rodoviários, mesmo considerando sua economia de combustível. Ao abrir a portinhola do tanque, não aparece em nenhum local a orientação de abastecer com gasolina ou etanol - apenas uma pequena etiqueta informando sobre a calibragem dos pneus, que devem ser enchidos com 29 libras em qualquer situação. Vale lembrar que, assim como na maioria dos veículos com sensor de pressão dos pneus, este sistema deve ser reinicializado toda vez que houver calibração com a pressão correta.

Para colaborar com a redução do consumo de combustível, o Kwid passa a ter o Start & Stop, que entra em ação quando o câmbio é deixado em ponto-morto e o motorista libera o pedal da embreagem quando o carro estiver a menos de 4 km/h. Na condição de Start & Stop ativo e motor desligado, o volante continua a ter a assistência elétrica e os faróis, sistema multimídia, travas e vidros elétricos permanecem funcionando. Um ícone no quadro de instrumentos mostra se o sistema entrou em ação ou se está indisponível. A repartida do motor é feita de forma rápida. Caso o condutor não queira que o motor do carro seja desligado nas paradas, é possível desativar o Start & Stop por meio de um botão no canto esquerdo do painel, que acende uma luz vermelha. Em determinadas situações, o sistema não se ativa, como quando a marcha-a-ré está engatada, o capô não está travado, a temperatura externa está muito baixa ou muito alta, a bateria não tem carga suficiente, o ar-condicionado não funcionou por tempo suficiente ou quando o motor ainda não chegou à temperatura ideal de funcionamento. 

O manual do proprietário da Renault não informa ao condutor por quanto tempo o Start & Stop desativa o motor do Kwid. Nós do Auto REALIDADE fizemos um teste prático: quando o ar-condicionado do carro está ligado, o motor reinicia após aproximadamente 40 segundos. Já com o ar desligado, o Kwid permanece com o propulsor desativado por cerca de 3 minutos e 5 segundos.

Conforme os resultados certificados pelo Inmetro, as versões Zen, Intense e Outsider do Kwid chegam a fazer, com etanol, 10,8 km/l na cidade e 11,0 km/l na estrada. Já com gasolina, os resultados são de 15,3 km/l em percurso urbano e até 15,7 km/l em trajeto rodoviário. Mas, como você verá adiante, em nosso test-drive conseguimos uma média ligeiramente melhor.

O conjunto de suspensão manteve o esquema independente McPherson no eixo dianteiro, com amortecedores hidráulicos telescópicos e molas helicoidais. Atrás, permanece o eixo rígido, também com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais. A altura em relação ao solo é de 18,5 centímetros, 1 cm a mais do que o vão-livre do Mobi Trekking e 0,5 cm a mais que o Kwid anterior.

Impressões ao dirigir

A última vez em que havia dirigido um Kwid foi na época de seu lançamento, no ano de 2017. Foi um percurso curto, mas, ainda assim, as sensações de conduzir o hatch da Renault ainda estavam presentes na memória. O test-drive de agora, mais extenso, permitiu reviver algumas destas impressões ao dirigir e também constatar as melhorias aplicadas nesta reestilização.

A direção, com assistência puramente elétrica, permite um diâmetro de giro de 10 metros - um dos menores entre os automóveis atualmente vendidos no Brasil. Ela é um dos principais atributos do Kwid: é bastante cômoda nas manobras de estacionamento e possui a progressividade necessária para garantir segurança nas curvas mais aceleradas. Para completar, o volante conta com diâmetro ligeiramente reduzido, possui formato anatômico e o aro em plástico espumado é agradável. 

Por trás dele, os instrumentos são bem visíveis (a Renault, inclusive, foi conservadora em relação ao brilho da instrumentação, pois não há reostato para controlar a iluminação, apenas um discreto escurecimento quando os faróis estão ligados), mas os grafismos do conta-giros confundem um pouco o motorista, e as barras que sobem de 500 em 500 rpm não permitem uma conferência mais exata do tacômetro.

O conjunto de suspensão, com seu amplo vão-livre do solo, permite que o Kwid encare bem os buracos do cotidiano: em nenhum momento se sentiram batidas secas de fim de curso. A absorção de imperfeições do piso é boa no compacto da Renault, mas, com o eixo rígido traseiro, são perceptíveis certos chacoalhados transmitidos para a cabine em estradas que não estejam em boas condições. A estabilidade da carroceria pode ser considerada boa para o segmento, com um nível aceitável de inclinação nas curvas e o auxílio do controle eletrônico de estabilidade de série em todas as versões. Por motivos de segurança, este sistema não pode ser desativado pelo motorista. O conjunto de freios é adequado para o peso e as dimensões do Kwid.

A ergonomia do Kwid é, no geral, boa, e suas dimensões compactas facilitam o acesso a praticamente todos os comandos do veículo. O principal senão é a localização dos botões dos vidros elétricos, que exigem um tempo para se acostumar. Não raro, é comum tatear a porta do motorista buscando em vão estes comandos, que estão na parte central do painel. Mesmo sem as regulagens de altura do volante e do banco do motorista, a posição de dirigir é agradável. Os assentos são nitidamente curtos, o que dá a impressão de maior espaço para as pernas, enquanto as coxas vão menos apoiadas. Já o ar-condicionado merece elogios: em poucos minutos, ele refrigera bem a cabine, e também direciona ar através das saídas inferiores na parte de baixo do painel mesmo quando o seletor está na posição de canalização de ar somente para as saídas de frente para os ocupantes.

A visibilidade da carroceria é satisfatória. Os retrovisores externos são pequenos, mas as lentes dos espelhos permitem ao condutor um bom campo de visão. Pelo espelho interno, o vidro traseiro aparenta ser diminuto, mas não chega a atrapalhar o monitoramento do trânsito. Além disso, os bancos dianteiros estão em posição razoavelmente elevada. A definição da imagem da câmera de ré é apenas razoável, mas é melhor do que nenhuma assistência.

As trocas de marcha do Kwid são menos espaçadas lateralmente do que as do Mobi, mas ainda assim a mão direita precisa se deslocar muito para encontrar as marchas na vertical (exemplo: na mudança de 1ª para 2ª), e os engates carecem de suavidade. O pedal de embreagem é outro ponto no subcompacto da Renault que requer adaptação, pois seu curso é mais curto que o normal e inclusive pode variar de exemplar para exemplar. Por outro lado, o carro da Renault possui uma ajuda valiosa no caso do motor "morrer": ele mostra, na tela do computador de bordo, a frase "pisar embreagem". Basta apertar o pedal até o final e o carro volta à vida, enquanto em outros carros deste segmento é necessário desligar a ignição, girar a chave novamente e se certificar que o câmbio está em ponto-morto.  

Na estrada, o conta-giros marca aproximadamente 3 mil rpm com o Kwid a 100 km/h em quinta marcha, enquanto a cerca de 116 km/h o tacômetro está em 4 mil rpm. Mais do que o nível de ruídos, que é atenuado para o segmento (graças a cuidados como a manta sob o capô e outras vedações no cofre do motor), o que chama a atenção no Kwid é o seu nível de vibrações, até mesmo para o segmento de compactos com motores de três cilindros. Na transição do ponto-morto para a primeira marcha, a vibração do volante chega a ser visível.

Em nossos testes de desempenho, o Kwid Outsider mostrou números compatíveis com sua proposta e com as características de seu motor. É importante realçar que o exemplar cedido para o Auto REALIDADE registrava apenas 148 quilômetros no momento de sua devolução, e, portanto, não estava amaciado (o que ocorre a partir dos 1000 primeiros kms rodados). As provas são realizadas em pista sem tráfego, com uma pessoa a bordo, ar-condicionado desligado, gasolina no tanque, controles eletrônicos ativados e cronometragem automática pelo app GPS Acceleration: 

Aceleração de 0 a 100 km/h: 15,5 segundos
Retomada de 40 a 80 km/h (3ª marcha): 11,7 segundos
Retomada de 60 a 100 km/h (3ª marcha): 14,3 segundos
Retomada de 80 a 120 km/h (4ª marcha): 17,8 segundos

Em termos de consumo de combustível, o Kwid Outsider brilhou e foi o automóvel mais econômico que passou pelas mãos do Auto REALIDADE nos últimos sete anos. Confira os resultados rodando com gasolina, em trechos predominantemente urbanos e com uso do Start & Stop nas paradas:

Consumo de combustível médio: 15,8 km/l
Distância percorrida: 123,3 km
Velocidade média (estimada): 24,6 km/h
Distância sem consumo de combustível: 12,6 km

Nascido para ser um carro popular em mercados classificados como emergentes, o Renault Kwid reforça seus principais atributos e passa, em sua reestilização, a contar com mais itens de segurança (que são sempre bem-vindos), além dos novos recursos com o objetivo de economizar combustível e itens de fábrica úteis para o dia-a-dia. Ademais, é um carro que, apesar de ser subcompacto, tem porta-malas que supera o de alguns hatches maiores e ainda acomoda bem pessoas de 1,80 m de altura na frente e atrás. Para quem está disposto a gastar o mínimo possível e adquirir o automóvel zero-quilômetro mais barato possível, felizmente o Kwid vai além do básico e, desde sua versão de entrada, já dispõe de um bom pacote de equipamentos para o uso cotidiano.

Kwid 2021/2023?

Ao lançar o Kwid reestilizado em 20 de janeiro de 2022, a Renault optou por apresenta-lo como ano-modelo 2023 - assim como, aliás, também fez com Duster, Sandero, Captur, Logan e Master. Porém, ao abrir a porta do passageiro dianteiro do subcompacto, é possível notar uma plaqueta informando que o ano de fabricação do exemplar de test-drive é 2021. Isso tem explicação: a Renault iniciou a produção do novo Kwid em São José dos Pinhais (PR) ainda no ano passado, antevendo que apresentaria o modelo no Brasil em dezembro de 2021. Contudo, o lançamento acabou sendo postergado para janeiro deste ano. Para não causar ainda mais confusões, os Kwid reestilizados fabricados em 2021, inclusive o carro testado pelo Auto REALIDADE, estão sendo registrados como unidades 2021/2022, enquanto os exemplares produzidos a partir deste ano serão identificados como ano-modelo 2023.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Renault Kwid Outsider 1.0 2023!






Comentários

  1. Gente tudo que eu preciso. Um carro pequeno e funcional. Asorei!" Kwid do meu agrado". Sera que tenho chance de ter um sendo uma servidora aposentada??

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  2. COMPREI UM OUTSIDER E ESTOU AGUARDANDO A SUA CHEGADA. POR ISSO A MINHA CURIOSIDADE A RESPEITO DO CARRINHO.
    JAMAIS VI NA INTERNET OU FORA DELA, UMA ANÁLISE TÃO APURADA E PRECISA, ASSIM COMO A GRANDE QUANTIDADE DE FOTOS ELUCIDATIVAS, COMO VI AQUI.
    AGRADEÇO MUITÍSSIMO A EQUIPE DO AUTO REALIDADE, O PRECIOSO TRABALHO QUE REALIZARAM.

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