Avaliação: Fiat Pulse Drive 1.3 Manual é a entrada para o mundo dos SUVs


Texto, Vídeo e Fotos | Júlio Max, de Teresina (PI)
Agradecimentos | Assessoria de Imprensa Stellantis

Apesar de ser uma marca inovadora (e até mesmo pioneira) em variados aspectos, a Fiat demorou para embarcar no segmento de SUVs compactos, para evitar canibalizações de mercado com a bem-sucedida linhagem de utilitários da Jeep - já que as duas montadoras pertencem ao mesmo grupo automotivo. Mas, agora, a marca de origem italiana finalmente dá um importante passo para a frente e disponibiliza para o Brasil o Pulse, que chega com a responsabilidade de disputar mercado com modelos bem-aceitos em nosso mercado, como Volkswagen Nivus, Hyundai HB20X, Renault Stepway e os CAOA Chery Tiggo 2 e 3x. Mesmo diante de toda essa rivalidade, o Fiat já acumula uma fila de compradores em torno de si: cerca de 9 mil unidades do modelo foram reservadas somente em suas três primeiras semanas de comercialização.

Agora, o Auto REALIDADE relata para você as impressões de conviver por uma semana com o SUV compacto da Fiat em sua versão de entrada, a Drive 1.3 com câmbio manual, nos mínimos detalhes. Aliás, nossa experiência com o Pulse ocorreu uma semana após avaliarmos o Fiat Argo S-Design 1.3 manual: clique aqui para ler esta avaliação!


A curiosidade que paira em torno do Pulse é plenamente explicável: ele é a aposta da Fiat em um segmento que vem ganhando cada vez mais relevância no Brasil. Além disso, o novo modelo foi revelado aos poucos desde maio até outubro de 2021: na final do Big Brother Brasil 21, o carro chegou a ser apresentado antes mesmo da confirmação de seu nome, para que internautas de todo o País pudessem votar entre três alternativas de batismos: Tuo, Domo ou Pulse. Depois, a Fiat antecipou detalhes de seu interior, da conectividade embarcada, além das informações sobre o novo motor Turbo Flex e a igualmente nova transmissão automática CVT para, por fim, anunciar os preços do modelo. A marca aposta tanto na boa aceitação de seu SUV compacto que o disponibiliza em nada menos que cinco versões: Drive 1.3 manual, Drive 1.3 automática, Drive 1.0 Turbo Flex automática, Audace 1.0 Turbo Flex automática e Impetus 1.0 Turbo Flex automática.

SUV compacto? Sim: de acordo com a classificação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o Pulse é enquadrado como um "utilitário esportivo compacto", e, conforme o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo e com a Etiqueta Nacional de Segurança Veicular, o Pulse é uma "camioneta"! Definições à parte, o Fiat conta com ângulo de entrada de 20,4 graus, ângulo de saída de 31,0 graus, ângulo de rampa de 21 graus, vão livre entre os eixos de 22,4 centímetros e altura mínima do solo de 19 cm.

Para gerar seu primeiro SUV compacto, a Fiat desenvolveu a plataforma MLA (Modular Architecture), cuja aplicação de aços de alta resistência e de ultra-alta resistência é de 87%, segundo a montadora. Esta arquitetura automotiva também será utilizada em um segundo SUV da marca, que deverá se chamar Fastback e ser apresentado em 2022. 

O Pulse possui alguns componentes compartilhados com o Argo, como o formato externo das portas e o para-brisa, mas todas as dimensões do SUV compacto foram ampliadas: o novato é 9,7 centímetros mais comprido, 2,5 cm mais largo e 1,1 cm mais alto do que o Argo Trekking, lançado em 2019. Aliás, vale dizer que a Fiat não pretende eliminar a versão aventureira da gama do hatch. A altura em relação do solo do Pulse é de 19,6 centímetros - 1,1 cm maior em relação ao Trekking - e a distância entre-eixos do novo Fiat também é 1,1 centímetro maior, mas isso se deve somente ao reposicionamento do conjunto de suspensão em si. Vale lembrar que seus rivais diretos também são derivados de hatches: o Volkswagen Nivus reaproveita as portas, a plataforma e o para-brisa do Polo, assim como os CAOA Chery Tiggo 2 e 3x derivam do já extinto Celer e o Hyundai HB20X é uma versão do HB20.

Esteticamente, o Pulse teve diversas modificações em relação ao Argo. O novo modelo traz faróis com iluminação de LED nos fachos baixo, alto e nas luzes de posição em todas as versões, que recebem a assinatura "LED Technology", como na Strada Volcano e em versões mais completas da Toro. Só não se pode dizer que é "full LED" porque os piscas dianteiros não aderiram a esta tecnologia. 

Uma barra horizontal na cor cinza percorre a parte superior das lentes dianteiras e a grade frontal. Os cortes feitos nesta barra são visualmente unidos com os vincos superiores que percorrem o capô. Falando na grade, ela é significativamente larga e traz três frisos horizontais que cortam seis frisos verticais. Assim como os carros da Fiat mais recentes, ela incorpora o nome da marca em destaque e a Fiat Flag, bandeirinha que, ao mesmo tempo, incorpora as cores da bandeira da Itália e presta tributo ao logotipo com as barrinhas inclinadas que foi adotado nos modelos da marca nos anos 80 e 90. Para completar, o para-choque é robusto e traz alojamentos elevados para luzes de neblina (que só estão presentes na versão Impetus). Mesmo sem os faróis auxiliares, estas molduras incorporam saídas de ar funcionais, que podem ser conferidas ao observar com mais atenção as caixas de roda dianteiras.

Visto de lateral, o Pulse se sobressai pelas molduras em torno dos para-lamas e na parte inferior das portas bem mais robustas em relação ao Argo Trekking. As rodas de liga leve de 16 polegadas contam com pintura na cor cinza e são calçadas com pneus de asfalto Goodyear Eagle Touring 195/60. Também merecem destaque as barras de teto longitudinais na cor cinza: elas possuem quatro pontos para fixação de barras transversais, permitindo levar cargas de até 50 quilos sobre o teto.

A versão Drive manual é a única do Pulse a ter as capas dos retrovisores e as maçanetas externas em plástico cinza-fosco, mas dispõe dos repetidores dos piscas embutidos nos retrovisores externos em LED.

A traseira do Pulse conta com lanternas com LEDs nas luzes de posição e nos piscas, e as peças contam com formato mais refinado, infiltrando-se pela tampa traseira. Esta, aliás, foi redesenhada para acomodar a placa do veículo. O vidro traseiro é um pouco menor que o do Argo em seus cantos laterais e o aerofólio da tampa do porta-malas ficou maior no SUV compacto. 

O para-choque traseiro também possui estilo diferenciado, incorporando novos refletores e até duas molduras que simulam saídas de escapamento, além dos sensores de estacionamento traseiros, que vêm de série nesta versão. 

O ambiente interno do Pulse tem diferenças significativas em relação ao Argo. Painel, forros de porta, instrumentação, sistema multimídia, console central e bancos dianteiros são novos, e o SUV também dispõe de mais porta-objetos pela cabine - segundo a marca, existem ao todo 18 nichos que somam 25,1 litros de espaço para guardar trecos. Em nome da ergonomia, a parte central do painel fica ligeiramente deslocada em direção ao motorista.

O volante com revestimento de plástico agradável ao toque é semelhante ao do Argo, mas possui nova cobertura central da buzina e airbag (com uma moldura envolvendo o nome da marca). No raio esquerdo se concentram os comandos de computador de bordo, telefone e comandos de voz; à direita, ficam os comandos do controlador e limitador de velocidade de cruzeiro - sim, mesmo tendo câmbio manual, este item está presente desde a versão de entrada, o que é ainda mais curioso ao lembrar que a Strada com câmbio automático, por exemplo, não dispõe deste item. Atrás dos raios do volante há outros botões para alternar entre faixas ou estações (atrás do raio esquerdo) e para alterar o volume (atrás do raio direito). A coluna de direção, nesta versão, ajusta unicamente em altura, através de uma alavanca no canto esquerdo.

O quadro de instrumentos possui a mesma disposição de elementos do Argo, mas os grafismos são inéditos para o Pulse. O SUV possui uma cúpula fechada para os mostradores (diferente do hatch, que conta com a parte central vazada). Assim como no Argo, o velocímetro fica à esquerda, acompanhado do nível de temperatura do líquido de arrefecimento do motor, e o conta-giros está do lado direito, junto do marcador de combustível. Curiosamente, a faixa vermelha de rotações do Pulse começa em 6000 rpm - antes do Argo com o mesmo motor 1.3, onde a faixa que indica o limite das rotações se inicia em 6500 rpm. Ao centro dos instrumentos, o Pulse conta com uma tela digital de 3,5 polegadas que dispõe das seguintes informações:

  • Velocímetro digital, agora sem escala em MPH (o que consideramos positivo, porque não era raro notar que pessoas acabavam selecionando por engano esta escala "imperial" de velocidade, o que poderia até mesmo ocasionar em multas, já que 1,0 mph equivale a 1,609 km/h). É possível habilitar o alerta sonoro de velocidade excedida entre 30 e 200 km/h, com intervalos de 5 em 5 km/h.
  • Economia: informações de Trip A, Trip B (ambas exibem distância percorrida, tempo de viagem e consumo médio de combustível), além de autonomia estimada e indicador de consumo instantâneo - a quantia em km/l, presente no Argo, foi substituída por um gráfico simplificado de barras, somente com escalas de - e +, de modo semelhante à Strada.
  • Info Veículo: mostra informações de sensor de pressão dos pneus (com indicação do pneu a ser calibrado, caso necessário), temperatura do óleo do motor (apenas com o veículo ligado), horímetro do motor (horas efetivas de seu funcionamento), quilometragem restante para revisão e dias restantes para próxima revisão (as duas informações sobre revisão agora estão agrupadas em uma tela só) e tensão da bateria.
  • Informações de áudio: fonte do som (rádio AM/FM, USB, Bluetooth ou entrada auxiliar) e nome da música ou estação de rádio em reprodução.
  • Mensagens: exibe informações que devem ser verificadas pelo motorista.
  • Configurações da tela: é possível programar as informações que são exibidas nos cantos superiores esquerdo e direito (temperatura externa, hora, data, consumo médio, autonomia ou nenhum) e ao centro (título do menu ou informações de áudio).
  • Segurança: é possível fazer a ativação ou desativação do airbag dianteiro do passageiro, ver informações de telefone e/ou navegação na tela, controlar o volume dos avisos e também regular o brilho dos instrumentos, que afeta também a iluminação dos itens do painel e console.

Além disso, a tela exibe uma animação de boas-vindas ao ligar a ignição, mostrando o nome Pulse literalmente pulsando (nesta ocasião, os ponteiros de velocímetro e conta-giros giram até o fim), também possui indicador individual de porta aberta (mostrando inclusive se capô ou porta-malas estão abertos), exibe os gráficos dos sensores de estacionamento traseiros quando a marcha-a-ré é engatada e também mostra ícones do indicador de troca de marcha, sugerindo fazer reduções ou subir marchas conforme necessário. A cada ignição, nos 30 primeiros segundos, são exibidos no canto direito desta tela os ícones de utilização dos cintos traseiros.

Na alavanca de luzes, há apenas duas posições no seletor giratório. Na posição "O", as luzes dianteiras de LED e lanternas ficam permanentemente acesas enquanto o carro estiver com a ignição ligada, enquanto a segunda posição acende os faróis baixos e as luzes de placa. Ao dar um leve toque na alavanca, as luzes de seta acendem 5 vezes sem necessidade de movê-la até o clique (esta função é pomposamente batizada pela Fiat de "Lane Change").

Já a alavanca dos limpadores dianteiros e traseiro tem operação idêntica à do Argo e conta com posição de intermitência variável e de acionamento contínuo lento ou rápido. Caso o limpador dianteiro esteja ativo e a ré seja engatada, o limpador traseiro é automaticamente acionado uma vez, para melhorar a visibilidade do motorista pelo retrovisor interno.

A central multimídia do Pulse Drive conta com tela sensível ao toque de 8,4 polegadas, que incorpora o mesmo layout personalizável da Toro e da Strada. É possível criar diferentes perfis de usuário e, a partir deles, salvar diversas preferências, como as informações exibidas nos menus e as configurações do veículo, ou até entrar no "modo manobrista", que protege o conteúdo exibido pelo sistema multimídia. A base da tela possui seis ícones de atalho, que são os seguintes:

  • Principal: exibe as telas iniciais que podem ser personalizáveis. É possível reunir dois widgets por tela, e o usuário pode escolher entre adicionar os menus "em execução" (do sistema de som), favoritos do telefone, chamadas recentes do telefone, percurso A, percurso B, atalhos personalizados ou remover widget.
  • Mídia: concentra as informações sobre rádio AM/FM e outras opções de mídia, como a reprodução de áudio nos dispositivos Bluetooth e USB.
  • Conforto: exibe as informações de ar-condicionado. É possível ajustar a temperatura de meio em meio grau entre 16 e 28 graus Celsius, escolher o direcionamento do vento, regular a velocidade da ventilação e selecionar o desembaçamento traseiro, desembaçador traseiro, modo de funcionamento do ar-condicionado automático ou "no máximo" (temperatura mínima e ventilação máxima), além de desligar o condicionador de ar, o aparelho de ar por completo ou alternar entre recirculação de ar ou admissão do ar externo.
  • Telefone: é possível parear dois telefones simultaneamente com o sistema multimídia, atender e recusar chamadas telefônicas, além de gerenciar a lista de contatos e fazer discagens.
  • Veículo: neste menu é possível gerenciar as informações de percurso (trip A e trip B, com a informação adicional da velocidade média, além da autonomia prevista), acessar o controle de desligar a tela e alterar as configurações do veículo.
  • Apps: vários ícones de atalho podem ser encontrados neste menu, podendo ser favoritados. Os atalhos padrão são: Bluetooth, configurações de áudio, configurações do veículo, conforto (comandos de ar-condicionado), controles (nesta versão, apenas desligar a tela), atalho para apagar a tela, gestão de aparelhos conectados com o veículo, mídia (rádio, USB, Bluetooth...), notificações armazenadas, informações de percurso, perfis de motorista, rádio AM, rádio FM, telefone e acesso ao conteúdo na entrada USB 1.

Outro destaque é a possibilidade de realizar o espelhamento de conteúdo de celulares sem fio, tanto para Android Auto quanto para Apple CarPlay, desde que o aparelho seja compatível com a tecnologia. Uma vantagem de espelhar o iPhone no sistema multimídia do Pulse é que o aproveitamento da área da tela é completo, diferentemente do que ocorre no Argo. O aparelho também possui MP3 Player e Bluetooth para chamadas telefônicas e reprodução de áudio.

A versão Drive 1.3 manual é a única do Pulse a não dispor nem como opcional do kit Fiat Connect Me, com valor de R$ 3.650 para as versões Drive 1.3 CVT, Drive Turbo 200 e Audace, ou R$ 2.650 no caso da versão Impetus. Este pacote (que, a nosso ver, deveria vir de série nas versões mais completas) integra uma série de funcionalidades do Connect Me (entre elas, verificação de informações do veículo através de smartphone, smartwatch ou dispositivos acionados por voz, acionamento de comandos à distância, monitoramento da localização do veículo, chamada automática para o resgate em caso de emergência e internet Wi-Fi da TIM a bordo compartilhável com até oito dispositivos), além de GPS integrado ao sistema multimídia e retrovisor interno eletrocrômico.

Pensando na integração cada vez maior entre pessoas e celulares, o Pulse traz de série três entradas USB. Na parte dianteira do console entre os bancos, ficam agrupadas a USB1 do tipo A, com leitura de dados e carregamento, além da USB do tipo C, também presente na nova Fiat Toro e no Jeep Compass. Na prática, as duas entradas USB frontais entregam amperagens praticamente idênticas, sendo que a corrente varia conforme o uso do aparelho. Por fim, existe uma terceira entrada USB do tipo A que fica de frente para os ocupantes traseiros, e com função somente de carregamento de dispositivos eletrônicos. Por algum motivo que desconhecemos, nenhuma versão do Pulse dispõe de tomada de 12 Volts.

O sistema de som do Pulse Drive manual é um pouco mais simples que o do Argo nas versões S-Design e Trekking, e dispõe apenas dos 4 alto-falantes (um em cada porta), sem os tweeters nas colunas dianteiras, embora haja o espaço para a instalação deste item. Ao escutar as mesmas músicas no Argo e no Pulse, percebemos que no Pulse a qualidade de áudio continua satisfatória, mas existem chances do som sair mais "estourado", principalmente quando o equalizador está com maior índice de graves.

O Pulse Drive manual, assim como as outras versões, vem de série com o ar-condicionado automático digital, de zona única e com ajuste entre 16 e 28º C. Ele é parcialmente operado pelos botões à direita na fileira presente na parte central do painel, e sua operação completa é feita por um menu do sistema multimídia. Pelos botões físicos é possível ligar ou desligar totalmente o aparelho (ou somente a função do climatizador do ar), além de ativar o funcionamento automático do ar-condicionado, ativar/desativar a recirculação de ar e acionar os desembaçadores para o vidro dianteiro ou traseiro. 

O botão de operação do ar-condicionado no canto direito é bastante engenhoso: ao tocar em seu centro, é possível alternar entre a regulagem da temperatura (quando o aro luminoso está azul e vermelho) ou o ajuste da intensidade do vento (quando o aro está branco). Dessa maneira, só é preciso acessar o menu de ar-condicionado no sistema multimídia caso seja necessário mudar o direcionamento de vento (para o painel, os pés, para painel e pés ou para desembaçar), algo que é mais raro de ocorrer no uso cotidiano. Vale destacar que a caixa de ar do Pulse é nova, visando resfriamento mais rápido da cabine e melhor aproveitamento do espaço interno. Curiosamente, mesmo quando o sistema multimídia está com a tela desligada, ao mexer nos comandos físicos do ar-condicionado aparecem momentaneamente informações sobre a ventilação.

Abaixo das saídas de ar centrais do painel ficam concentrados diversos botões em preto-brilhante: além dos já mencionados comandos físicos do ar-condicionado, também há botões para controle do sistema multimídia (para ajustar volume, ligar/desligar o aparelho ou somente apagar a tela, além de deixar o volume no mudo), bem como o comando para travamento das portas (vale mencionar que as portas são travadas automaticamente quando o carro chega a 20 km/h e que uma luz vermelha acende junto a este botão caso as portas estejam destravadas) e para o acionamento do controle de tração TC+ (uma evolução do Locker, que freia uma roda que esteja patinando e transfere torque para a roda com mais aderência, desativando o controle de tração tradicional), que incorpora o ABS Off-Road (quando ativado, ele faz com que as rodas travem intermitentemente durante a frenagem, o que, em situação de areia ou lama, faz com que os montes de terra formados com o travamento das rodas ajude a parar o veículo em um espaço mais curto). As funções TC+ e ABS Off-Road podem ser acionadas com o carro em movimento e ficam disponíveis até a velocidade de 65 km/h; após isso, são automaticamente desabilitadas. Abaixo do botão do pisca-alerta há um visor iluminado que indica se o airbag dianteiro do passageiro está ativo ou desativado.

O forro de teto do Pulse tem a cor cinza-claro em quase todas as versões, exceto na completa Impetus. Assim como no Argo, há espelhos nos para-sóis, mas só na peça do motorista há tampa corrediça para o espelho e uma tira que serve como porta-documento. Cavidades no forro lembram que o Pulse não possui alças de teto nas versões Drive (apenas nas opções Audace e Impetus).

Vale destacar que o Pulse conta com duas luzes de leitura dianteiras, ambas de LED, e um ponto de iluminação central, todas com fade no acendimento e apagamento. Isso faz com que a iluminação interna seja significativamente melhor em comparação com o Argo S-Design que avaliamos recentemente, que possui forro de teto escuro e apenas dois spots frontais de luzes.

O porta-luvas tem melhor acesso do que no Argo, pois no Pulse a tampa está incorporada ao próprio compartimento, porém ele não é iluminado nessa versão.

Os dois porta-copos do console central possuem garrinhas emborrachadas e também incorporam um espaço adequado para encaixar um smartphone em posição vertical. Há ainda dois porta-objetos menores, com fundo em plástico rígido texturizado, e dois porta-objetos maiores, com tapetes emborrachados removíveis. Com tantos porta-objetos no console, a alavanca de freio de mão teve que ficar mais próxima do motorista, mas, ainda assim, está muito perto dos porta-copos. Fizemos o experimento de carregar dois copos de milk-shake de 500 mL. Até foi possível travar e liberar o freio de estacionamento, mas foi necessário certo contorcionismo das mãos.

No quesito segurança, a versão Drive 1.3 manual vem de fábrica com 4 airbags (dois frontais e dois laterais embutidos nos bancos dianteiros, com proteção para cabeça e tórax), assistente de partida em ladeiras (Hill Holder, que mantém o veículo freado por até dois segundos e atua em subidas, no caso de ter sido engatada uma marcha à frente, ou descidas, quando a ré é acionada, desde que tenham inclinação acima de 5%), controles eletrônicos de tração e estabilidade, ERM (Electronic Rollover Mitigation, que atenua a tendência de algum dos pneus perder o contato com o solo), MSR (regulador de arrastamento do motor, que, em caso de redução brusca de marcha durante desacelerações, evita o bloqueio das rodas dianteiras), fixações Isofix e Top Tether para cadeirinhas infantis, alerta visual e sonoro da não-utilização dos cintos de segurança dianteiros e traseiros, freios ABS com distribuição eletrônica da força de frenagem e assistente de frenagem de pânico, discos ventilados no eixo dianteiro e tambores no eixo traseiro; sinalização luminosa de frenagem de emergência em freadas bruscas a partir de 70 km/h e cintos dianteiros com pré-tensionadores, limitadores de carga e ajuste de altura.

Durante nossa convivência com o Pulse, o alerta sonoro do não-uso dos cintos laterais traseiros acabou soando em situações inconvenientes, como depois dos passageiros descerem do carro ou até mesmo após eles afivelarem seus cintos corretamente enquanto o carro estava em movimento. Este alarme só era silenciado depois de cerca de 30 segundos. O problema não se manifestou com o cinto central traseiro nem com o dianteiro do passageiro.

Os faróis contam com a função Follow me Home. Puxando a alavanca das luzes em sua direção, o motorista consegue ajustar a duração da permanência das luzes externas acesas entre 30 e 210 segundos após desligar o veículo, ou então desativar este recurso.

Na porta do motorista, os comandos de retrovisores e vidros elétricos estão em posição mais inclinada em relação ao Argo, mas os botões são os mesmos. Os vidros elétricos contam com função um-toque para cima e para baixo, botão para bloqueio das janelas traseiras, recurso anti-esmagamento e funcionamento temporizado dos vidros por até 1 minuto, caso nenhuma porta seja aberta neste intervalo. Já os retrovisores elétricos contam com a função tilt-down no espelho direito, que rebate sua lente para baixo caso a ré seja engatada e o interruptor do espelho esteja selecionado para o lado direito - uma função útil para verificar se a roda traseira direita está muito próxima de raspar na calçada. Na versão Drive 1.3 manual, as maçanetas internas são pretas, enquanto a partir da versão Drive 1.3 CVT elas passam a ser prateadas.

Em termos de acabamento, o Pulse Drive conta predominantemente com plásticos rígidos de diferentes texturas, incluindo tramas geométricas nas superfícies dos forros de porta, nas telas dos alto-falantes e na junção do painel com o console, além de bancos em tecido com partes centrais aeradas, dois porta-objetos do console dianteiro com fundo emborrachado, coifa da alavanca de câmbio em couro com costuras aparentes, tapetes de borracha (com presilhas na peça do motorista) e aros dos botões giratórios do painel emborrachados.

A chave desta versão do Pulse é do tipo canivete e tem funcionalidades semelhantes às das versões do Argo que não possuem a funcionalidade presencial. O nome Fiat agora está em destaque no verso da chave do Pulse. Do outro lado há quatro botões emborrachados que controlam travamento das portas (associado ao fechamento das janelas), destravamento das portas (este botão, caso pressionado por alguns segundos, baixa por inteiro os vidros das portas), destravamento da tampa do porta-malas (ao ser apertado duas vezes) e acionamento dos piscas, luzes internas e buzina para localização do carro em estacionamentos, por exemplo. Ao trancar o veículo, fica ativo o alarme perimétrico.

Os bancos dianteiros foram redesenhados e passam a ter formato mais envolvente em suas abas laterais e nos encostos de cabeça, que agora incorporam ajuste de altura mais amplo do que no Argo. Para o motorista, as alavancas de ajuste da altura do assento e da inclinação do encosto passam a estar mais próximas, e ambas são acessadas com a mão esquerda, enquanto o carona dianteiro inclina seu banco através de uma alavanca no lado direito. Curiosamente, os bancos dianteiros deitam para trás um pouco menos em relação ao Argo. E, assim como na Toro, os fechos dos cintos dianteiros contam com revestimentos de carpete em suas laterais, minimizando rangidos internos.

Atrás, o espaço para pernas e cabeças para pessoas de 1,80 metro de altura é bom e tanto o encosto quanto o assento do banco traseiro são rebatíveis. Como no Argo, o Pulse traz fendas laterais para encaixar as fivelas dos cintos quando estes não estiverem em uso e for necessário rebater o banco traseiro, evitando que eles fiquem presos quando o banco for retornado à posição original. Há cintos de três pontos e apoios de cabeça ajustáveis em altura para todos os ocupantes, além de novas indicações dos pontos de ancoragem Isofix para as cadeirinhas infantis. Esta versão dispõe do porta-revistas somente atrás do banco do passageiro dianteiro.

Conforme a norma ISO 3832 utilizada pela Fiat, o porta-malas do Pulse teve sua capacidade ampliada em relação ao Argo de 300 para 370 litros e pode ter seu volume aumentado com o rebatimento parcial ou total do encosto do banco traseiro, que é inteiriço. Após o rebatimento, a capacidade pode chegar a 841 litros, considerando o volume até a altura do encosto do banco dianteiro, ou a 1238 litros, levando-se em consideração o volume até o teto. O compartimento de bagagem possui iluminação no canto direito.

Assim como no hatch, no forro da tampa há um recuo no canto direito que ajuda a fechar o porta-malas e, incorporado ao trinco, existe um pequeno gatilho para destravamento emergencial da tampa por dentro. As laterais do compartimento possuem ganchos para pendurar cargas que suportam sacolas de até 2 quilos. No Pulse, o estepe é bem mais fino do que os outros quatro pneus no chão: possui pneu 125/80, que deve ser calibrado com 60 libras, e roda de ferro de 16 polegadas. Conforme a Fiat, a utilização deste pneu sobressalente é segura até a velocidade de 80 km/h.

O motor 1.3 Firefly do Pulse já atende às novas normativas de emissões de poluentes e de evaporações de combustível estabelecidas na fase L7 do Proconve, que começam a valer a partir de 1º de janeiro de 2022, salvo eventual postergação. Mas, para isso, o propulsor de 1332 cm³ aspirado de quatro cilindros e oito válvulas teve o rendimento ligeiramente contido para 98 cavalos a 6000 rpm com gasolina e 107 cv com etanol a 6250 rpm, perdendo 3 cavalos com gasolina e 2 cv com etanol em relação aos níveis de potência dos carros da Fiat que já utilizavam o motor Firefly. O torque passa a ser de 13,2 kgfm com gasolina a 4250 rpm e de 13,7 kgfm com etanol a 4000 rpm, ou seja, 0,5 kgfm menor com ambos os combustíveis. Em 2022, as versões 1.3 de Argo e Cronos terão a força do motor reduzida para atender às novas exigências de emissões - a recém-apresentada Strada com câmbio automático já teve o motor atualizado.

Curiosamente, o capô do Pulse é mais curto que o do Argo, a haste de sua sustentação foi invertida em relação ao hatch (agora fica no canto direito) e a alavanca na parte inferior do painel para abri-lo é a mesma do Jeep Renegade (no Argo, puxa-se um gancho amarelo que foi reaproveitado do Fiat Palio). No Pulse, o reservatório de água para os limpadores aumentou de 2,4 para 2,5 litros e passou a estar posicionado à frente da caixa de fusíveis e relés, enquanto no Argo este reservatório fica atrás desta central. A Fiat também aproveitou para aumentar as capacidades do líquido de arrefecimento do motor, do circuito hidráulico de freios e do cárter do motor e filtro no SUV compacto.

O câmbio manual de cinco marchas é o já conhecido do Argo 1.3, mas, no Pulse, houve modificações nas relações de transmissão: o diferencial foi alongado de 4,400 para 4,699, a segunda e a terceira marcha foram alongadas, enquanto a quinta marcha foi encurtada. Ainda assim, no geral, trata-se de um câmbio curto (o indicador de trocas de marcha, em certos momentos, recomendava engatar a quarta marcha a 36 km/h e a quinta marcha a 45 km/h). A alavanca de câmbio é idêntica à do hatch, e, para engatar a marcha-a-ré, é necessário levantar uma arruela na alavanca de câmbio. Com este conjunto mecânico, o Pulse Drive 1.3 manual tem capacidade máxima de carga de 400 quilos, incluindo aí o peso dos ocupantes do veículo.

Os pedais são parecidos com os do extinto Jeep Renegade manual. Isso explica o fato do pedal do acelerador contar com dois estágios: ao pressioná-lo mais forte, é possível sentir que há um "degrau" bem próximo do fim de curso da peça que exige um pouco mais de força para ser acionado (isso possibilita desabilitar o limitador de velocidade ao pisar no acelerador neste segundo estágio). Apesar dos pedais serem diferentes dos do Argo, o curso do pedal de embreagem é praticamente tão longo quanto o do hatch.

Exatamente como no Argo, o Pulse possui portinhola do tanque de combustível em formato circular e que é travada ou liberada junto com o travamento ou destravamento das portas. A única diferença é que no SUV compacto a capacidade máxima do tanque de combustível é de 47 litros, precisamente 1 litro a menos do que no hatch.

O Pulse também teve mudanças em relação ao Argo nos conjuntos de direção, isolamento de ruídos/vibrações da carroceria e suspensão. A direção elétrica passa a ter assistência mais progressiva e linear, e o diâmetro de giro do modelo passa a ser de 10,5 metros. Além disso, a fixação do motor e da transmissão se dá por meio de buchas que permitem significativas reduções de vibrações no volante e no trilho do banco do motorista. 

A suspensão independente McPherson no eixo dianteiro passa a ter travessa plana de maior rigidez, onde ficam conectadas as novas molas e amortecedores; além disso, o SUV teve modificações na barra estabilizadora frontal, nos braços oscilantes e na bucha vertical. Atrás, o eixo de torção tem mais rigidez e também houve recalibração nos amortecedores e molas. Segundo a Fiat, o Pulse encara áreas alagadas com profundidade máxima de 40 centímetros, desde que a travessia seja feita em primeira marcha e a no máximo 8 km/h.

Impressões ao dirigir

Quem assume o volante do Pulse logo percebe que a engenharia da Fiat conseguiu deixar sua direção elétrica ainda mais leve do que a do Argo nas manobras. A direção teve seu número de voltas de batente a batente reduzido em relação ao hatch de 2,92 para 2,74 giros do volante, o que reduz o esforço ao tirar o Pulse da garagem. Esta é uma característica bastante apreciada pelo público-alvo dos SUVs, assim como a posição de dirigir mais elevada, que é bem perceptível no Pulse e favorece a visibilidade do motorista, auxiliada também pelos retrovisores externos com novo formato. Mas, no SUV compacto, a visão pelo espelho interno ficou ligeiramente pior em relação ao hatch. Os estofamentos dos bancos são mais macios em relação ao Argo e os tecidos permitem uma maior transpiração.

A operação do cruise-control no Pulse com câmbio manual é muito semelhante à dos modelos com câmbio automático: em velocidades acima de 40 km/h, basta apertar o botão central no raio direito do volante e o Set + (ou Set -, caso a intenção seja diminuir a velocidade) e fazer os ajustes conforme desejado. Só é preciso se atentar ao fato de que o carro só consegue manter a velocidade de cruzeiro caso ele permaneça engatado em uma mesma marcha: ao pisar na embreagem, o piloto automático é desativado. A operação do limitador de velocidade também é muito parecida: aperta-se primeiro o botão mais abaixo do raio direito do volante para depois regular pelo Set + e Set - a velocidade máxima que o carro deverá atingir, a partir de 30 km/h. Apenas nos casos onde o condutor pisa no acelerador até o fundo é que o sistema vai entender que o limitador deve ser desabilitado.

Nitidamente mais alto que o Argo, o Pulse entrega um nível ligeiramente melhor da absorção das imperfeições do piso durante a condução, passando mais confiança e conforto ao trafegar por trechos ruins. Nos dois carros é bem semelhante a operação do câmbio manual, que exige certa flexão do pé esquerdo para operar a embreagem e jogo de cintura com a alavanca - que entrega engates macios, porém não muito precisos e com curso longo entre as posições de marcha. Na estrada, a 100 km/h constantes, o conta-giros marca aproximadamente 2800 rpm, enquanto o Argo na mesma situação está a praticamente 3 mil rpm, o que prova na prática o alongamento do diferencial do câmbio. É perceptível que no SUV o barulho do motor é ligeiramente mais abafado do que no hatch, e o nível de vibrações foi significativamente contido, mesmo quando o Pulse está ligado em ponto-morto. Outra boa qualidade do modelo está na vedação da carroceria contra poeira, fator que demandou maior atenção da engenharia da Fiat justamente por conta da proposta mais voltada para o uso fora-de-estrada do novo modelo.

Na prática, os cavalos e os gramas-força-metro de torque perdidos não chegam a fazer muita diferença no uso cotidiano. Afinal, o Pulse Drive 1.3 manual tem apenas 57 quilos a mais do que o Argo Trekking 1.3 manual, e as modificações efetuadas no câmbio para o SUV compacto visam permitir um melhor aproveitamento da força do motor. Considerando que este exemplar do Pulse foi cedido para o Auto REALIDADE com apenas 1984 quilômetros, os resultados dos testes de acelerações e retomadas foram satisfatórios. Estas provas são realizadas em pista sem tráfego, com uma pessoa a bordo, ar-condicionado desligado, gasolina no tanque, controles eletrônicos ativados e cronometragem automática pelo app GPS Acceleration: 

Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,7 segundos
Retomada de 40 a 80 km/h (3ª marcha): 6,7 segundos
Retomada de 60 a 100 km/h (3ª marcha): 7,4 segundos
Retomada de 80 a 120 km/h (4ª marcha): 13,3 segundos

Veja agora os resultados de consumo que obtivemos com o Pulse utilizando gasolina, em uso majoritariamente urbano e com utilização moderada do ar-condicionado. Vale ressaltar que a marca recomenda que todos os pneus tenham a pressão aumentada de 32 para 35 psi a fim de se obter maior economia de combustível: 

Consumo de combustível médio: 12,1 km/l
Distância percorrida: 416,9 km
Velocidade média (estimada): 20 km/h

À noite, os faróis com LEDs se destacam em especial pela iluminação lateral, auxiliando a enxergar melhor as placas de sinalização. Para o motorista, também ajuda a massagear o ego o fato de que muitos carros bem mais caros do que o Pulse não dispõem da iluminação azulada. Vale destacar que, assim que a ignição é ligada, ficam iluminados na cabine os botões de ajuste dos retrovisores e dos vidros elétricos (em todas as portas), os comandos no volante, os botões do painel e as molduras das três entradas USB. 

Enquanto nossa matéria estava sendo preparada, houve um reajuste de 5% no valor de tabela do Pulse Drive, que passou a ser de R$ 83.990. Esta versão está disponível nas cores Preto Vulcano (sólida, sem custo adicional), Branco Banchisa (sólida, R$ 1.000), Vermelho Montecarlo (sólida, R$ 1.000), Azul Amalfi (metálica, R$ 2.000), Cinza Silverstone (metálica, R$ 2.000), Prata Bari (metálica, R$ 2.000), Branco Alaska (perolizada, R$ 2.350) e Cinza Stratum (especial, R$ 1.500). A versão Drive 1.3 manual é a única do Pulse que não dispõe da opção de carroceria em dois tons de fábrica - em que teto, aerofólio, colunas e retrovisores assumem uma tonalidade que contrasta com a cor do restante do carro.

Como único opcional, esta versão dispõe do Pack Multimídia 10,1 pelo preço de R$ 500. Este pacote substitui a tela de 8,4 polegadas pela tela de 10,1 polegadas, incluindo o GPS nativo e mantendo as demais funções do aparelho.

Considerando somente modelos com motor naturalmente aspirado e câmbio manual, classificamos que os principais rivais do Fiat Pulse Drive 1.3 manual são: Hyundai HB20X Vision 1.6 manual (R$ 81.190), CAOA Chery Tiggo 2 Look 1.5 manual (R$ 84.990) e Renault Stepway Zen 1.6 manual (R$ 90.590).

O Pulse tem garantia de 3 anos sem limite de quilometragem, que se inicia a partir do dia da retirada do veículo da concessionária, e assistência técnica 24 horas também por 3 anos. Confira os valores das revisões da versão Drive 1.3 manual, que ocorrem em intervalos de 10 mil quilômetros ou um ano (o que ocorrer primeiro):

  • 1ª revisão: R$ 416,00 
  • 2ª revisão: R$ 464,00
  • 3ª revisão: R$ 484,00 
  • 4ª revisão: R$ 1.220,00 
  • 5ª revisão: R$ 448,00 
  • 6ª revisão: R$ 648,00

Easter-Eggs do Pulse

No lançamento do Renegade, em 2015, foram introduzidos vários "easter-eggs" (pequenos desenhos que ficam "escondidos" em locais onde normalmente não se espera que hajam esses detalhes) pela carroceria do Jeep - alguns mais visíveis, outros mais escondidos. No Fiat Pulse, a equipe de design da marca também aproveitou para inserir ilustrações em vários cantos pelo veículo: 

- Na base do para-brisa há um desenho da frente do Pulse em meio a um terreno acidentado;

- No acabamento de plástico próximo aos limpadores dianteiros há um mapa estilizado da América Latina com a inscrição "Latin America Offroad Trails";

- No acabamento entre a parte esquerda do painel e o forro de porta do motorista há outro mapa com a inscrição "Italian Offroad Trails";

- Na base do vidro da tampa do porta-malas está outro desenho da frente do Pulse entre prédios e uma montanha;

- No tapetinho de borracha do porta-objeto do console central há um desenho em alto-relevo de um Pulse em vista aérea em meio a dois caminhos: um asfaltado, outro cheio de pedregulhos;

- Os alojamentos em plástico no para-choque dianteiro (onde na versão Impetus estão os faróis de neblina) trazem o nome "Fiat";

- Entre as luzes de placa na tampa do porta-malas há um detalhe de acabamento que traz as quatro barrinhas inclinadas da atual identidade visual da Fiat. Essa peça fica onde, em outras versões, está a câmera de ré.

Curiosidades sobre o nome do SUV da Fiat

Diversas montadoras de automóveis desenvolvem seus futuros veículos se utilizando de nomes de projeto para evitar que o batismo real de seus produtos seja vazado antes da hora oportuna - algo que, no mundo mais informatizado de hoje, é bem mais fácil de ocorrer. Afinal, fornecedores de peças, por exemplo, precisam produzir os componentes de novos carros com certa antecedência antes do lançamento. No caso do Pulse, seu desenvolvimento ocorreu sob a alcunha "Progetto 363" (projeto, em italiano), uma prática recorrente dentro do grupo FCA (hoje Stellantis): o Jeep Commander foi desenvolvido como Projeto 598, enquanto a Fiat Toro era o Projeto 226. Não por acaso, no Pulse é possível encontrar algumas peças etiquetadas com a identificação "FCA 363".

Em maio deste ano, a Fiat encorajou o público a participar de uma votação aberta para todo o Brasil para a escolha do nome do SUV compacto, oferecendo três opções: Tuo, Domo ou Pulse. Mas... a verdade é que seria impraticável para a montadora, no caso de uma eventual vitória de "Tuo" ou "Domo", ter que refazer às pressas os emblemas com o nome do carro, reprogramar o computador de bordo e alterar o manual do proprietário nos poucos meses decorridos entre a enquete e o lançamento do carro. Certos indicativos já mostravam a preferência da própria montadora pelo nome Pulse, como o fato de esta ser a denominação do modo padrão de visualização do quadro de instrumentos digital que estreou na Toro 2022 e está na versão Impetus do SUV compacto.

O nome Pulse é inédito na história da Fiat e foi empregado no sentido literal de pulsar, como é possível conferir na animação exibida no quadro de instrumentos toda vez que é ligada a ignição, num ritmo que lembra as batidas do coração. No Brasil, este mesmo nome já batizou versões intermediárias dos Ford Ka e Fiesta no início da década passada, bem como uma das opções do Hyundai Creta. Já no exterior, o nome Pulse foi utilizado em um Renault baseado no Nissan March, vendido na Índia e que ficou somente entre 2012 e 2017 no mercado, por conta das vendas fracas, e também no Owosso Pulse, um estranho híbrido entre automóvel e motocicleta com carroceria aerodinâmica de fibra de vidro, produzido em Michigan (EUA) entre 1985 e 1990, que fez até uma ponta no filme De Volta Para o Futuro 2.

Boletim comentado do Fiat Pulse

Design = 9,0
Considerando o fato do Pulse aproveitar o formato das portas e o para-brisa do Argo, a equipe de design da Fiat conseguiu realizar um bom trabalho para dar ao SUV compacto uma personalidade própria. Tanto a frente quanto a traseira foram totalmente redesenhados em relação ao hatch, e até mesmo a lateral ganhou molduras plásticas que evocam maior robustez. O resultado: ao circular com o Pulse pelas ruas de Teresina, foi fácil encontrar pessoas observando o carro passar, tentando identificar qual era aquela novidade.  

Diante de outras versões, o Pulse Drive 1.3 manual nem parece ser tão básico. Tirando as capas dos retrovisores e maçanetas externas em plástico cinza (peças que são pintadas na cor da carroceria nas outras versões), esta opção de entrada poderia se confundir com o Pulse Drive automático. Afinal, a versão mais humilde já conta de fábrica com barras longitudinais de teto pintadas de cinza, rodas de liga leve de 16 polegadas escurecidas (não custa lembrar que, no Argo Trekking 1.3, as rodas de alumínio estão inclusas em um pacote de opcionais) e até mesmo faróis com fachos baixo, alto e luzes de posição de LED, indisponíveis em outros modelos de sua faixa de preço.

Espaço interno = 9,0
Na cabine, o espaço para os passageiros disponível no Pulse é muito semelhante ao do Argo - o que é bom, já que adultos de 1,80 metro de altura se acomodam nos dois modelos com bom espaço para cabeça e pernas tanto na frente quanto atrás. O SUV compacto abre vantagem no volume de porta-objetos pela cabine: existem mais lugares para guardar trecos nos forros de porta e no console central do que no hatch. O porta-malas com 370 litros de capacidade tem volume mediano para um autoproclamado SUV: é maior que os 300 litros do HB20X (e do próprio Argo) e do que os 320 litros do Stepway, mas perde para os 415 litros do Nivus e para os 420 litros do Tiggo 2 e do 3x.

Conforto = 8,5
Mesmo nesta versão mais simples do Pulse, a vida a bordo tem benesses como a direção bastante cômoda, o volante ergonômico, o conjunto de suspensão que absorve bem as irregularidades do solo, o ar-condicionado com boa eficiência (mesmo com temperatura externa de 41º C) e os principais comandos que ficam próximos às mãos do motorista. Até mesmo o acesso ao porta-luvas melhorou. Porém, o motorista continuará a conviver com uma alavanca de câmbio de engates longos e não muito precisos, juntamente com um pedal de embreagem que demanda maior flexão do pé - exatamente como no Argo. 

Acabamento = 8,5
O Pulse Drive 1.3 manual adota volante em plástico agradável ao toque, plásticos rígidos com variações de texturas pela cabine, bancos em tecido com áreas aeradas, tapetes de borracha, botões giratórios do painel com aros macios ao toque, além de porta-copos com garrinhas flexíveis e dois porta-objetos do console central com fundos emborrachados. Poderia vir também com revestimentos de tecido pelo menos nos forros de porta dianteiros, que outros modelos da Fiat também deixaram de ter. Durante nossa avaliação, rangidos foram ouvidos na região da coluna de direção - em um exemplar que mal tinha 2 mil quilômetros rodados. 

Equipamentos = 8,75
A versão mais simples do Pulse já dispõe de um bom pacote de equipamentos de série, considerando seu valor. Tem direção elétrica ajustável em altura, ar-condicionado automático digital, central multimídia com diversos recursos e personalização de perfis; travas, vidros e retrovisores elétricos, rodas de liga leve, sensor de ré e limitador/controlador de velocidade de cruzeiro, entre outros. Na comparação com o Argo Trekking, ele fica devendo faróis de neblina e iluminação no porta-luvas; além disso, a versão Drive 1.3 manual do Pulse não dispõe da mesma quantidade de opcionais da versão Drive 1.3 automática, não sendo possível adicionar no modelo de entrada itens como câmera de ré, carregador de celular por indução ou chave presencial e partida do motor por botão.

Desempenho & Dirigibilidade = 8,75
Considerando que o Pulse é ligeiramente mais pesado que o Argo e o motor 1.3 Firefly teve ligeiras reduções de potência e torque para atender à sétima fase da legislação ambiental do Proconve, até que o SUV na versão Drive 1.3 manual conserva a disposição com a qual nos acostumamos no hatch, especialmente ao manter o propulsor em rotações mais altas. Exatamente como no Argo, é necessário se atentar à marcha mais adequada para cada momento da condução, e efetuar as mudanças quando necessário, atentando-se ao fato de que este é um câmbio "curto". Em curvas mais fechadas, o Pulse aderna um pouco mais do que o Argo, mas mantém um bom nível de estabilidade; além disso, a direção tem ótima progressividade, passando mais segurança para o condutor em velocidades elevadas, e o conjunto de freios é adequado para o porte e peso do SUV compacto.

Segurança = 9,0
Desde a versão mais simples, o Fiat Pulse conta de fábrica com itens que não estão disponíveis no Argo, como os airbags laterais que protegem a cabeça e o tórax dos ocupantes dianteiros, além do alerta sonoro caso qualquer um dos ocupantes esqueça de afivelar o cinto, inclusive no banco de trás. A carroceria do SUV também conta com maior quantidade de aços de alta ou ultra-alta resistência, que são determinantes para proporcionar maior segurança aos ocupantes em caso de colisão. Falta apenas submeter o modelo aos testes do Latin NCAP para comprovar na prática as melhorias. Fora isso, o Pulse também conta com controles de estabilidade e tração, assistente de partida em subidas, ajuste de altura dos cintos dianteiros, fixações para cadeirinhas infantis e freios com assistência em caso de frenagens de pânico.

Consumo de combustível = 9,0
Na avaliação do Argo S-Design, o motor 1.3 Firefly mostrou bom nível de comedimento: no percurso de mais de 400 quilômetros realizado pelo Auto REALIDADE, chegamos a 12,7 km/l de gasolina na cidade com uso moderado do ar-condicionado - praticamente a mesma média declarada pelo Inmetro (12,8 km/l). Para o Pulse, a média estabelecida por este mesmo órgão é de 12,6 km/l. Não chegamos tão perto assim do número "oficial", mesmo rodando em condições parecidíssimas com as do Argo, mas ainda assim o consumo de 12,1 km/l com gasolina na cidade é bem satisfatório para o segmento.

Relação custo-benefício = 9,25
Pelo seu preço, o Pulse Drive 1.3 manual oferece boas vantagens, principalmente levando-se em consideração o conteúdo (e o valor) de outros aventureiros com o pedal de embreagem. Em relação ao Argo Trekking 1.3 manual, só os aprimoramentos em termos de segurança já justificam a compra do Pulse, fora as vantagens do projeto mais recente quando o assunto é design, conectividade, ergonomia e espaço do porta-malas. Além disso, para passar para a versão Drive 1.3 automática do Pulse, o gasto é de nada menos que R$ 10.000 - diferença de valor que ainda é significativa para este segmento e que não contempla muitos outros itens diferenciais (apenas apoio de braço dianteiro, função Sport acionada pelo volante e pintura nas capas dos retrovisores e nas maçanetas externas). Considerando que hoje restam poucas opções de aventureiros entre 80 mil e 90 mil reais no Brasil, o Pulse Drive 1.3 manual representa uma opção bem acertada para o público que busca ingressar no segmento de SUVs compactos sem gastar tanto assim.

Nota Final = 8,9

As notas são atribuídas considerando a categoria do automóvel analisado, os atributos oferecidos pelos concorrentes (diretos ou por aproximação), além das expectativas entre o que o modelo promete e o que, de fato, oferece. Um mesmo carro avaliado duas vezes pode ter sua nota diminuída em uma avaliação posterior, caso não evolua para os níveis de exigência que se aprimoram continuamente no mercado automotivo. Frações de pontuação adotadas: x,0, x,25, x,5, x,75. Critérios - Design = aspecto estético do automóvel. Espaço interno = amplitude do espaço para passageiros (dianteiros e traseiros, de acordo com a capacidade declarada do carro), locais para acomodar objetos e bagagem. Conforto = suspensão, nível de ruído, posição de dirigir, comodidades. Acabamento = atenção aos detalhes internos (encaixes e qualidade dos materiais e padronagens). Equipamentos = itens de tecnologia e conforto disponíveis no automóvel avaliado. Desempenho & Dirigibilidade = aceleração, velocidade máxima, retomada, comportamento em curvas. Segurança = visibilidade, itens de proteção ativa e passiva, frenagem. Consumo de combustível = combustível gasto e autonomia. Custo-benefício = relação de vantagem entre o preço pago e o que o carro entrega.

Vem conferir a Galeria de Fotos do Fiat Pulse Drive 1.3 Manual!
















Comentários

Alexandre Aguiar disse…
Excelente matéria. Parabéns a toda equipe.
Melhor matéria descritiva que li sobre o Pulse. Obrigado
Carlos E C Gomes disse…
Assinei intenção de compra do carro em novembro passado e desde então tenho procurado informações sobre o carro. Favoritei a página pois é sem dúvida nenhuma a matéria mais completa sobre o lançamento da Fiat. Equipe de vocês está de parabéns, existem muitos,. inúmeros detalhes que os consumidores e apaixonados por carro buscam antes de fazer a opção de compra por esse ou aquele modelo em determinado segmento. A partir de agora a auto realidade é minha referência quando o assunto é motor!!
Parabéns mais uma vez pelo brilhante material produzido
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